domingo, 29 de janeiro de 2012

À margem da Arena da Copa de Pernambuco






As cifras da Copa do Mundo são astronômicas. Um estudo do governo federal aponta um impacto econômico de R$ 180 bilhões no país por causa do Mundial de 2014, entre recursos investidos e gerados na competição. Trata-se de um avanço esperado por muitos, mas sem alcance efetivo à boa parte da população. Uma carência sem prazo para acabar, seja qual for a distância em relação aos modernos projetos de arenas. Nem que esse hiato seja de apenas 300 metros, a alguns passos através das enormes rochas que funcionam como uma ponte natural no Rio Capibaribe, separando uma ainda desconhecida comunidade em Santa Mônica, na região metropolitana, do já mundialmente comentado estádio pernambucano para a próxima Copa. Margens que separam o futuro do presente, o invesimento do ócio, a realidade da esperança.

Van da lembrança

“Chegou a van, pessoal. Vamos juntar o povo”. O recado, alto, foi dado em um beco na Rua Tenente Arnaldo Quagliato, o último trecho da comunidade de Santa Mônica, na margem do Rio Capibaribe, em Camaragibe. Segundos depois, a constatação do equívoco seguida de surpresa com a presença da equipe de reportagem do Diario. A presença da tal van esperada pela moradora - e na verdade costumam ser várias - virou uma rotina no local nos últimos meses, nas terças e quintas-feiras. Datas das seguidas explosões das rochas do terreno da Arena Pernambuco, do outro lado do rio, em São Lourenço da Mata.
Por questão de segurança, todos os imóveis precisam ser desocupados. Afinal, ali é o local habitado mais próximo do rincão de 270 hectares onde o estádio vem sendo erguido. Presente nos últimos seis isolamentos, Sheila Freitas, de 24 anos, sempre leva o filho John Wesley, um já fiel torcedor do Santa Cruz de apenas cinco anos. Moradora da comunidade há sete anos, ela é a figura central desta reportagem, tão perto do maior projeto de Pernambuco para a Copa do Mundo, e, inversamente proporcional, distante demais dos investimentos pró-Copa.
“Nunca imaginei que um estádio desse fosse ficar tão perto da minha casa. Espero que mude Santa Mônica também”, comentou Sheila, avessa à entrevista no início. A cada detonação, mais de 200 pessoas de três ruas são levadas a uma quadra poliesportiva próxima. Durante uma hora, funcionários da Odebrecht distribuem biscoitos e refrigerantes aos moradores. Intenso, o barulho é captado até no ginásio, mas já em segurança, de acordo com o detalhado “Plano de Fogo”, com inúmeros laudos necessários (PM, Bombeiros e CPRH). A van leva e traz, obviamente.

Curso da esperança
Desempregada, Sheila vive com um orçamento mensal de R$ 250. Menos da metade de um salário mínimo. Em um casebre cedido pela ex-sogra, ela vive com o filho e um irmão de 16 anos, torcedor do Sport, com quem discute sobre futebol. O trabalho dela se restringe a algumas faxinas na vizinhança e só. O dinheiro, obviamente, acaba antes do fim do mês. A última conta de energia, por exemplo, foi de R$ 38. “É muito dinheiro e eu quase não ligo a TV. Mas fique um dia sem pagar para ver o que acontece”, queixou-se. Veio a gravidez, a separação e a distância dos pais, que moram no Recife. “Estudei até a 8ª série, mas as oportunidades não apareceram. Ainda tenho a sorte da minha mãe me ajudar e contar com a casa, porque outros nem isso têm”.
Veio o Mundial e o som das máquinas na obra, invadindo o único quarto de sua casa a partir das 7h, até o início da noite. Resignada, Sheila almeja uma chance nesta mesma construção que tira o sono de sua família. Em janeiro, ela e outras pessoas da comunidade se inscreveram num programa de qualificação da Odebrecht, vencedora da licitação do estádio. Com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social, o Programa Acreditar recebeu 2.500 pessoas entre 24 e 28 de janeiro de 2010. Entre os cursos oferecidos estão ajudante civil, armador, carpinteiro e pedreiro.
Para isso, era preciso passar em provas de português, matemática e, acredite, conhecimentos gerais da Copa de 2014. “Fui bem e acertei as perguntas da Copa. Mais difícil foi esperar a manhã toda, porque a fila foi maior do que eles esperavam. Mas fiquei com fé e peguei a minha senha”, contou Sheila, inscrita em carpintaria. Apesar de ninguém do local ainda ter sido chamado, o vizinho e amigo Leandro César, 29, deixa claro a expectativa. “Vai ser bom para gerar emprego para as pessoas, pois tem muita gente desempregada aqui”, diz Leandro, que faz “bicos”. No pico da obra - já em sua etapa de fundação -, o número de trabalhadores chegará a 1.500, cinco vezes mais que o atual. Tudo para movimentar um projeto futebolístico de R$ 532 milhões.


Praia em Camaragibe
Enquanto o Recife impressiona com as suas armações de concreto, sendo a 21ª metrópole do mundo em número de edifícios, a 19 quilômetros do Marco Zero, bem no entorno da futura arena, o visual rural toma conta da comunidade. Na beira do rio, a criação de vacas de Seu Isael, além de cabras e outros animais em estábulos improvisados. No Rio Capibaribe, em seu curso rochoso, inviabilizando a navegação, as pessoas aproveitam para tomar banho. O lampejo de diversão possível, inclusive para Wesley, ainda no Jardim de Infância, mas que sonha ir ao Arruda.
Aos domingos, diz Sheila, os churrascos tomam conta do local, com mulheres de biquini se bronzeando e homens comandando o pagode. “A praia é longe demais. Aqui, a gente faz tudo no rio e ainda tem o nosso canto, sem problema com ninguém. Os meninos só brincam aí”, conta, sem saber que boa parte do Capibaribe recebe uma carga de resíduos de cerca de 430 mil pessoas no Grande Recife. Ao chegar em Camaragibe, o rio de 240 quilômetros de extensão sofre com dois indicadores negativos, o de coliformes termotolerantes e o risco de salinização do solo, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH).
Se até o principal ponto de distração local não contém índices aceitáveis de saúde, o que dizer de serviços básicos, como saneamento? Na travessa, o esgoto corre a céu aberto, tornando o beco ainda mais degradado. Sheila e Wesley sequer estavam calçados durante a reportagem. Essa situação condiz com um estado onde apenas 43% da população tem acesso à rede de esgoto. Enquanto isso, ao lado, a Arena Pernambuco é apresentada como novo vetor de medidas socio-ambientais, como o uso de energia solar, reaproveitamento de água, soluções de ventilação e tratamento de esgoto, uma vez que o estádio ficará muito próximo ao rio
Realidades paralelas
Ao todo, serão investido R$ 33 bilhões em infraestrutura no Brasil visando o próximo Mundial, entre estradas, aeroportos etc. Deste total, 78% será bancado pelo setor público. O dinheiro circula, e muito. Projetos são encaminhados a todo momento visando acessibilidade, a prioridade da Fifa, com o objetivo de receber os 3,6 milhões de turistas esperados na Copa. Para muitos brasileiros, o verdadeiro acesso, bem além de 2014, seria, por exemplo, uma parada de ônibus mais próxima. A manutenção da pracinha local ou uma travessa de concreto, no mínimo. As realidades paralelas, apesar de tão próximas, frustram os ribeirinhos.
A faxineira foi enfática ao comentar o projeto da Cidade da Copa, que prevê a construção de um novo e moderno bairro do outro lado do rio até 2020, com 36 mil pessoas e um centro comercial. “De vez em quando a gente atravessa o rio para pegar manga e jaca do outro lado e vê que está mudando tudo aqui. Vai ficar bonito, pelo que dizem. Mas acho que vão mexer do lado de cá também, pois se de um lado vai ter uma cidade nova, aqui vai ficar assim?”, questiona Sheila, sem precisar apontar os motivos para o contexto tão antagônico entre as duas margens.
Como Santa Mônica está fincada a 20 quilômetros do Marco Zero do Recife, o trajeto mais fácil será contornado via metrô. Será, no “futuro”, pois a nova estação (Cosme e Damião) ficará a quase um quilômetro da casas de Sheila, Wesley, Isael e Leandro. Uma obra direcionada para a Arena Pernambuco, aquela mesma, do outro lado do rio. Por enquanto, segue a rotina da comunidade, de poucas oportunidades de trabalho e infraestrutura precária. Isso tudo a apenas 300 metros de um marco do desenvolvimento econômico do estado.

Caminhos milionários da arena




As articulações entre os gestores do consórcio Cidade da Copa e os dirigentes dos grandes clubes do Recife vêm ocorrendo sob sigilo absoluto. Qualquer questionamento sobre os dados do possível contrato para que Sport, Náutico e Santa Cruz joguem no novo estádio em São Lourenço é interrompido por causa da "cláusula de confidencialidade", sujeita a todas as partes envolvidas. Reuniões fechadas tratam de valores milionários sobre a capacidade de receita de cada clube, com negociações sobre o número de jogos que cada time teria que jogar por ano, parcelas da receita de cada jogo e ainda o valor de um bônus pela assinatura do contrato. Valores revelados pelo Superesportes, que teve acesso com exclusividade ao relatório oficial de viabilidade econômica da arena da Cidade da Copa, elaborado pela empresa inglesa de consultoria Comperio Research, presente no anexo 11 do edital de licitação do estádio.

O documento divide em sete cenários possíveis envolvendo os três clubes da capital e mais um, o pior deles, sem a presença de nenhuma equipe - mas que mesmo assim não deixaria a arena inviável durante a concessão de 30 anos. Os números apresentados, que não levam em consideração a renda durante a Copa do Mundo de 2014 - quando o estado deverá receber quatro ou cinco jogos -, surpreendem. O montante parte de uma receita anual de R$ 5,7 milhões para o modelo mais simples, que contaria, a cada dois anos, com cinco shows musicais de grande porte e um jogo da Seleção Brasileira, ou 2,5 e 0,5 eventos anuais, respectivamente, segundo o estudo.

Na versão mais vantajosa das propostas, a receita chegaria a incríveis R$ 86,2 milhões logo na primeira temporada com a presença do Trio de Ferro, contando com uma agenda de 60 jogos por ano, com pacotes corporativos (verba para o consórcio) e para consumidores regulares (receita do clubes), além das vantagens da opção inicial, com eventos programados. A receita máxima seria 15vezes maior que o grande temor dos investidores da parceria público-privada, com um estádio de futebol subutilizado após o Mundial. Em uma década, os três clubes dividiram um bolo (já descontando a parte do consórcio) de R$ 480,28 milhões, quase o triplo do que os clubes devem arrecadar no período caso seja mantida a média histórica.

Um dado preocupante, porém, é o fato de que o próprio relatório considera "incerta" a participação dos três clubes, ou até mesmo de dois, que ainda gerariam acordos superiores a R$ 60 milhões por ano. Até o momento, nenhum clube chegou a um acordo oficial. As projeções (confira na arte) se baseiam no comportamento relatado durante as 88 entrevistas corporativas e 288 entrevistas com consumidores regulares. Saindo desta projeção inicial, com números diferenciados de ingressos para cada parte envolvida (clube e consórcio), a configuração impactaria diretamente nos preços das entradas. Consequentemente, a geração de receita seria recalculada.

Além disso, o detalhamento não inclui oimpacto positivo de uma campanha de marketing, como indica o estudo, e nem o interesse de empresas de fora do Recife. A partir de janeiro de 2013, após os R$ 532 milhões investidos pela Odebrecht, ISG (International Stadia Group) e AEG Facilities, o estádio finalmente entrará em operação. Resta saber se será com o freio de mão puxado ou na quinta marcha.

O futuro torcedor da arena


O governo de Pernambuco subsidia os ingressos no futebol profissional do estado desde 1998, considerando a troca de notas fiscais (formato adotado no primeiro ano e na atual temporada, implantada em 2007) e a troca de alimentos não perecíveis (entre 1999 e 2006). É uma medida que visa popularizar os jogos dos grandes clubes diante da parcela mais pobre da população. O Santa Cruz, por exemplo, assinou um acordo para ter direito a 23 mil bilhetes da campanha Todos com a Nota na Série D de 2010. Num futuro não muito distante, esse perfil de ingresso deverá sofrer uma grande mudança com a inauguração da arena pernambucana para a Copa.


Torcida do Náutico.
Marcelo Lyra/Esp DP/D.A Press
De acordo com o estudo encomendado pelo governo do estado junto à consultoria inglesa Comperio Research, a renda mensal mínima de uma família que for ao jogo na arena seria de R$ 1.600. Projeção bem acima do salário mínimo do Brasil, de R$ 510, receita de muitos torcedores que frequentam os jogos atualmente com o ingresso promocional.

Esse dado faz parte do levantamento do perfil dos torcedores feito para o relatório, que foi anexado ao edital de licitação da arena. O gráfico foi montado a partir das entrevistas com 88 corporativas e 288 consumidores regulares. Essas 288 pessoas, por sinal, foram selecionadas após uma triagem de 642 entrevistados, já que foram as únicas que demonstraram interesse em adquirir assentos na arena.

De acordo com esse levantamento, 51,3% das pessoas predispostas a frequentar a arena da Copa, e torcedores de Náutico, Santa Cruz ou Sport, estão numa faixa de renda mensal domiciliar entre R$ 1.600 e R$ 4.999. Esse segmento da torcida local é justamente a menor faixa na tabulação desenvolvida pela Comperio Research. Ou seja, segundo a projeção inicial da futura arena multiuso em São Lourenço da Mata, mais da metade dos torcedores teria acesso restrito ao pacote de jogos, considerando as entradas mais baratas possíveis. Trata-se da provável carga para a arquibancada superior do estádio, cujo projeto aponta um total de 22.162 cadeiras.


Torcida do Santa Cruz.
Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Esteriótipos - Os torcedores dos clubes locais passaram por uma espécie de avaliação na pesquisa. Enquanto os alvirrubros foram taxados de "sensíveis aos resultados", os tricolores foram considerados os mais dedicados, pois o desempenho do time não reflete na presença em campo. Já os rubro-negros aparecem como os torcedores que mais acompanham o time, seja qual for a competição.

Em relação ao movimento das empresas no novo estádio, o valor mínimo do faturamento anual é de R$ 1,7 milhão e pelo menos 20 funcionários no pacote. Um dado curioso é que toda a projeção levou em conta apenas empresas do Recife, com renda anual entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,5 bilhão. Esse grupo, inserido nos ingressos corporativos, tende a fazer parte dos camarotes e assentos dos setores business seats e premium, ambos no anel inferior e supervalorizados. De fato, futebol vai virar espetáculo.


Torcida do Sport.
Jaqueline Maia/DP/D.A Press
Perfil do torcedor pernambucano

Após pesquisas junto ao público, o relatório da Comperio Research aponta os perfis das três maiores torcidas do Grande Recife. Abaixo, os trechos originais do documento.

Náutico
"A maioria dos fãs do Náutico vem das elites sociais. Eles vão aos jogos principalmente com suas famílias, para encontrar amigos e relaxar. Eles são muito sensíveis em relação ao desempenho do time e, quando este perde, tendem a ir à jogos com menor frequência. Os fãs do Náutico consideram o Sport Recife o seu maior rival."

Sport
"Os fãs do Sport Recife são leais e tendem a acompanhar o time em todas as competições. Ser fã do Sport Recife os torna exclusivos. Os fãs do Sport Recife veem o Náutico como o principal rival."

Santa Cruz
"Os fãs de Santa Cruz são dedicados - independentemente do desempenho, eles tendem a comparecer aos jogos e apoiar o time. Veem o Sport Recife como sendo seu principal rivais e também e seus torcedores vândalos e causadores de confusão."

Tão verde quanto Pernambucana




A excelência em sustentabilidade ambiental está cada vez mais presente nas grandes obras no planeta. Além de ter virado uma exigência da sociedade, a questão também é apontada como moeda de troca das grandes empreitadas deste século. A Fifa, por exemplo, criou o Green Goal Program, com o objetivo de identificar possíveis impactos ambientais dos estádios na Copa do Mundo, além de exigir tecnologias renováveis. A demanda ocorreu na África do Sul, neste ano, e vai acontecer no Brasil, em 2014. Apesar de o foco na arena pernambucana para o Mundial ser basicamente sobre o andamento da obra milionária ou a negociação com os grandes clubes do Recife, o projeto também prevê a utilização de novas tecnologias autossustentáveis. Uma delas será inédita em escala mundial. Após cinco anos de desenvolvimento, a Braskem - braço petroquímico da Odebrecht, que lidera o consórcio da arena local - finalmente criou cadeiras de plástico produzidas a partir de um material bem diferente do petróleo, matéria-prima utilizada há decadas. Os 46.214 assentos do estádio em São Lourenço da Mata serão feitos a partir da cana-de-açúcar. Mais verde e mais pernambucano, impossível.

O plástico verde (biopolietileno) é resultado de um processo a partir da desidratação do etanol proveniente da cana-de-açúcar, gerando uma matéria-prima 100% renovável. Até a produção deste plástico é mais limpa, com uma redução no nível de dióxido de carbono na atmosfera. A primeira versão do produto - que vem sendo utilizado na indústria automobilística e de cosméticos - foi lançada em junho de 2007. No ano seguinte, foi utilizado na concepção do troféu do GP do Brasil de Fórmula 1, em uma peça desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Agora, com o certificado internacional de reconhecimento da eficácia, a Odebrecht vai implantar a ideia no estádio. A primeira indústria da empresa para este fim, orçada em R$ 500 milhões, está sendo construída no Rio Grande do Sul.

Em Pernambuco, essa nova cadeira- que apesar do nome "verde" numa referência ecológica terá, na verdade, a cor vermelha - será o ponto alto do projeto sustentável da arena. O estádio conta ainda com medidas sócio-ambientais mais conhecidas, como o uso de energia solar, reaproveitamento de água, soluções de ventilação e tratamento de esgoto, uma vez que o estádio ficará muito próximo ao Rio Capibaribe, que contorna o terreno de 270 hectares.

Tudo isso foi necessário para que o comitê local conseguisse, antes do início das obras, a Licença em Energia e Design Ambiental (LEED, sigla em inglês), exigida pela Fifa. A certificação para edifícios sustentáveis é emitida pelo Conselho Norte-americano de Construções Verdes (USGBC, sigla em inglês). O estudo sobre a racionalização de recursos existe desde 1998 e já aprovou cerca de 14 mil projetos no mundo.

"A durabilidade desse novo plastico é idêntica do plástico tradicional, mas com uma produção limpa, que utiliza energia renovável. Com isso atendemos aos critérios da Fifa, e vamos além, fazendouma arena sustentável. Será um local que não vai tratar o público como torcedor, mas como cliente", diz o diretor de engenharia da Odebrecht, José Érico, que ressalta ainda a preservação de 600 mil metros quadrados de área verde no local. "Essa área verde será recuperada. Com tudo isso, queremos fazer um local que receba visitas durante a semana, como um museu, num ambiente familiar", afimou o diretor. Dos canaviais da Zona da Mata para a arquibancada, o passo pioneiro de responsabilidade ambiental da Copa no estado.

Girassóis tecnológicos

A Cidade da Copa poderá ter todo o seu consumo de energia elétrica produzido através de células fotovoltáicas. Numa tradução simples: energia solar, energia limpa. Inicialmente, a ideia era colocar quatro turbinas eólicas no entorno do estádio. As hélices poderiam gerar cerca de 1.600 quilowatts de energia. Os engenheiros da Odebrecht, em articulações que já duram mais de um ano, engavetaram o modelo e optaram pela colocação de placas de captação de energia solar. Com isso, o projeto de produzir energia suficiente para o ar-condicionado da arena foi elevado para uma potência de até 49.500 quilowatts, suficiente para iluminar 20 mil moradias. Para se ter uma ideia do que isso significa, basta dizer que o megaprojeto pernambucano - com prazo de conclusão até 2020 - prevê a construção de nove mil casas.

Na engrenagem do estádio, a água que será utilizada nos vestiários e cozinhas será aquecida justamente por esta energia. A redução no consumo de energia convencional, da rede da Celpe, poderá ser de até 85%. Parte das placas deverá ficar na cobertura das arquibancadas do estádio, como também vai acontecer com o estádio Verdão - palco de Cuiabá/MT para o Mundial de 2014, outro projeto com o selo "ecologicamente correto". De acordo com o diretor da Odebrecht, José Érico, existe ainda a possibilidade de colocar parte das células ao redor da praça esportiva, dando destaque para o lado estético.

Outro ponto para essa iniciativa seria técnico, até porque, para uma maior captação da luz solar, a placa precisa ser retrátil, acompanhando o movimento do Sol. "Seria algo como um girassol, por exemplo, para aumentar a nossa produção de energia. Isso está sendo estudado por um departamento de engenheiros. Temos tempo para definir o local", afirma Érico, um entusiasta da ideia. Essas células fotovotáicas vão transformar em energia elétrica quase metade dos raios solares no terreno.

Saiba mais

Energia solar
As placas de energia solar poderão gerar toda a energia elétrica consumida pelo estádio a médio prazo, com a implantação de células fotovoltáicas em toda a cobertura - capacidade de 49.500 quilowatts. Engenheiros ainda avaliam a qual componente será utilizado.

Chuva
A irrigação automática do gramado do novo estádio será feita com água armazenada das chuvas na região. A água será tratada antes, apesar do uso não recomendável para seres humanos.

Cadeiras
Produzidas a partir da cana-de-açúcar, as cadeiras “verdes” poderão ser recicladas em caso de depreciação da torcida. A durabilidade é rigorosamente a mesma das cadeiras fabricadas a partir do petróleo.

Banheiros
Assim como acontecerá no gramado, os sanitários e vestiários da arena - incluindo os locais exclusivos aos atletas - utilizarão água das chuvas armazenadas pelo sistema do estádio. O esgoto será tratado no próprio complexo.

LED
A lâmpada com a tecnologia LED, que pode durar até 50 mil horas, deverá compor a iluminação pública do estádio. O consumo é 80% menor em relação às lâmpadas incadescentes. O produto não emprega metais pesados na fabricação.

Vento
O estádio às margens da rodovia BR-408 terá aberturas especiais para propagar a ventilação no estádio, com o objetivo de aumentar o conforto, sem dar espaço para a construção de uma “ilha de calor”.

Ingresso em 3D na arena


Existe uma grande expectativa de que a Copa do Mundo de 2014 traga inovações à organização esportiva do estado, além da melhoria na infraestrutura em toda a cidade, principalmente. No futebol, isso não ficará restrito a uma arena multiuso e moderna, mas também ao comportamento da torcida, com novos hábitos. Um deles deverá ser implantado para a facilidade da compra de ingressos, até porque ir até a bilheteria em São Lourenço, a 19 quilômetros do Marco Zero, não será a atitude mais comum da vida dos torcedores. Nada de filas ou incerteza quanto ao assento. Em vez disso, alguns cliques no celular, com direito a uma visão em três dimensões (3D) de todas as 46.214 cadeiras disponíveis. Todas. A visão do assento F na fila 5 do anel superior não agradou? Então, basta seguir a navegação online com mais dois cliques para o ângulo da cadeira F, localizada na fileira 13 do anel inferior. Melhorou? Então, após o cadastro via cartão de crédito, a compra será finalizada. Parece distante de nossa realidade, mas esse processo deverá fazer parte do nosso cotidiano.

O software com esse grau de simulação de imagens da arena foi finalizado em dezembro de 2009 pela pela empresa pernambucana Soft.Zone, que o apresentou à Odebrecht, líder do consórcio para a construção e operação do futuro estádio. O software I.I. (Imóvel Interativo) consumiu três anos de trabalho da equipe, que investiu R$ 220 mil em equipamentos, pesquisas e testes para concluir o programa. Inicialmente, a ideia era compor um serviço para as construtoras com a mesma visualização em 3D, mas apenas para os mostrar apartamentos aos clientes.

Durante uma reunião em agosto de 2010, porém, o setor responsável pela Cidade da Copa se interessou e solicitou uma versão "beta" para a arena. A Soft.Zone deverá transformar a planta baixa da arena (em 2D) em três dimensões. Segundo Diogo Parreiras, um dos donos da Soft.Zone, será possível acessar ao futuro site da arena virtual pelo celular - ou qualquer outro computador. Basta apenas ter conexão à internet.

"Não vai precisar de aplicativo algum na versão mobile (celular). No máximo, a visão será mais restrita em caso de celulares mais antigos. Num iPhone, por exemplo, o visual será o mesmo de um computador", disse Parreiras. Essa identificação vai servir também para aumentar a segurança nos jogos. Com o registro online de todos os torcedores presentes no estádio, a identificação será completa, em caso de algum incidente. "O ingresso é só a primeira fase do 3D. Também vamos mostrar onde ficam os banheiros, saídas de emergência e ambulâncias", disse. Ou seja, além da venda facilitada, haverá uma espécie de "BBB Arena" na fiscalização. De fato, novos hábitos.

Confira um simulador 3D feito pela Soft.Zone com exclusividade para o Superesportes.

Saiba mais

Os 46.214 lugares terão imagens em 3D, com uma "viagem" virtual por todo o estádio. O torcedor poderá conferir a visibilidadento.

Os jogos agendados, que poderão chegar a 60 por ano, serão previamente cadastrados. A compra poderá ser feita com antecedência.

À medida em que os ingressos forem vendidos, o estádio será "preenchido" por torcedores virtuais, mudando o visual em 3D até a lotação máxima.

O complexo será mapeado em 3D. Até o estacionamento, cuja distância da vaga ao assento poderá ser marcada, como no Google Maps.

Superesportes

Recife: Novo modelo de geração de energia em empreendimentos urbanos é visto com otimismo por prestadores de serviços do setor


Novo modelo de geração de energia em empreendimentos urbanos é visto com otimismo por prestadores de serviços do setor
Pedro Cavalcanti, diretor de Engenharia da Multiempreendimentos

Gerar energia eólica ou captar a energia solar nos centros urbanos, em empreendimentos como condomínios e parques, é uma perspectiva que tem deixado animadas empresas prestadoras de serviços do setor de energia no País. Pedro Cavalcanti, diretor de Engenharia da Multiempreendimentos, adianta que o sistema está em processo de estudo junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e deve trazer novidades importantes para o mercado.

"Com essa possibilidade, uma nova fronteira está se estabelecendo na geração de energia brasileira. Isso irá fomentar negócios tanto na área de equipamentos para geração de energia quanto na de consultorias para instalação das estruturas", comentou Cavalcanti, que participou do comitê de Energia da Amcham-Recife na terça-feira (23/01).

O executivo explica que, com a instalação de geradores de energia eólica em empreendimentos urbanos, eles poderão aproveitar a energia produzida e ainda repassar a parte não consumida para o sistema elétrico. “Este excedente será transformado em créditos; assim, quando não houver vento, bastará abatê-los do que foi fornecido ao sistema anteriormente”, apontou.

Cavalcanti aponta que o novo sistema estará disponível para empreendimentos com capacidade instalada acima de 1.000 kW (kilowatts).
Para locais onde não se aproveite o vento, o caminho alternativo será a instalação de painéis fotovoltaicos para captação solar.

“Acredito que em março ou maio a Aneel já deve publicar o marco regulatório desse novo modelo de compra e venda de energia e estamos otimistas para as possibilidades de negócios que virão”, afirmou o diretor da Multiempreendimentos.


Mercado eólico aquecido

Cavalcanti comentou que o mercado brasileiro está bastante aquecido para companhias que atuam na geração de energia eólica. “Fatores como o grande potencial que temos para explorar fontes de energia renováveis e as recentes declarações do governo que sinalizam uma prioridade para essas fontes são excelentes para o segmento”, comemorou.

“Ainda temos como outro fator positivo. A crise na Europa tem forçado fabricantes e fornecedores de equipamentos para geração de energia eólica a procurarem mercados emergentes como o Brasil para investir”, comentou Cavalcanti.

Amcham-Recife

Trata Brasil apresenta pesquisa sobre avanços e necessidades do saneamento na Região Metropolitana do Recife para a Copa 2014

Estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas indica as necessidades de expansão em água tratada, coletora e tratamento dos esgotos na RMR e melhorias na saúde infantil e aumento da esperança de vida.

A segunda edição da pesquisa “Desafios do Saneamento em Metrópoles da Copa 2014”, traz os principais avanços e desafios para a universalização dos serviços de água tratada, coleta e tratamento de esgotos na Região Metropolitana do Recife (RMR).

O levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e revelou que a região avançou e está mais próxima da universalização do abastecimento de água tratada do que em anos anteriores, embora ainda tenha o desafio de eliminar a intermitência no fornecimento. Neste serviço houve melhora em 9 dos 14 municípios (período entre 2000 e 2010), sendo que em 8 das 14 cidades o acesso ao abastecimento de água tratada chegou a mais de 80% da população. Especificamente em 2009, 84,9% dos domicílios dispunham de água tratada, segundo o Censo 2010.

Se analisarmos o progresso no atendimento de água tratada entre 2008 a 2009, base SNIS 2009 vale registrar a melhora em alguns municípios, como Recife (de 80,8% em 2008 a 83,3% da população em 2009), Olinda (86,0% a 90,6%) e Paulista (89% a 90,7%) e Jaboatão dos Guararapes (57,0% a 58,7%).

Quando analisamos o período de 2001 a 2009, no entanto, o único município a apresentar melhora nos três indicadores do saneamento (água, coleta e tratamento de esgotos), pelo SNIS, foi Recife. Os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista, que possuem juntos 1,3 milhão de habitantes, apresentaram piora nos indicadores.

O estudo também apontou um avanço no número de domicílios com acesso a rede geral de esgoto, com um aumento de 56% no período 2000-2010, segundo o último Censo, representando um crescimento ao ano em torno de 4,5%, superior à média nacional. A rede de esgotos chegou a 460 mil domicílios, de um total de 1,1 milhão de moradias.

Na coleta de esgotos, apesar do esforço do Estado e da empresa de saneamento local, em 2009 cerca de 70% da população da RMR ainda não possuía acesso à rede geral de esgoto, segundo dados do SNIS (Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento). Recife, por exemplo, neste ano possuía déficit de 61%.

No que se refere ao índice de esgoto tratado com relação à água consumida, o valor chegou a 42% na RMR. Os municípios de Araçoiaba, Ipojuca, Itamaracá e Itapissuma não apresentaram informações ao SNIS, mas, pelo Censo 2010, eram os que possuíam os piores índices.
Outro ponto importante revelado no estudo foram os 549 mil domicílios sem cobertura da rede de esgoto, localizados em cidades banhadas pelo Oceano Atlântico, o que contribui para o aumento da poluição das praias pelo despejo de esgoto não tratado.

Déficit de tratamento de esgoto
a
*esgoto tratado referido à água consumida
Fonte: SNIS - 2009

Saúde e Qualidade de vida

A pesquisa destacou que o avanço nos serviços resultaria numa queda do número de internações por infecções gastrointestinais, com redução superior a dois terços, ou seja, de 91 para 28 casos de internações por cem mil habitantes ao ano.

Com relação à mortalidade infantil, o estudo mostra a relação entre o acesso à rede coletora de esgoto e a qualidade de vida da população, em especial na saúde e mortalidade infantil. Considerando, por exemplo, a universalização da rede de esgoto na RMR (dados do Censo 2010), haveria redução de 25% na mortalidade infantil; os casos cairiam de 809 para 600 por ano.
a

Segundo o Prof. Ciro Biderman, autor do estudo na Fundação Getúlio Vargas, no que se refere à expectativa de vida, os dados disponíveis indicam que a universalização dos serviços citados traria um aumento na expectativa de vida de pelo menos 1,9 anos, nas piores áreas.

Renda

No que se refere à renda do cidadão, o estudo considerou o rendimento médio mensal do trabalhador na região metropolitana de Recife que em 2009 foi de R$ 1.079,30. A análise apontou que, com a universalização - acesso à rede geral de esgoto subindo de 41,4% para 100%, a renda média do trabalhador aumentaria em R$ 84,20 / mês.
O efeito agregado seria expressivo: 1,5 milhão de trabalhadores recebendo R$ 84,20 a mais por mês significa adicionar à massa de rendimentos da região R$ 129 milhões por mês ou R$1,5 bilhão ao ano.

Investimentos e Copa do Mundo

A cidade do Recife, junto com outras 11 cidades que serão palcos da Copa do Mundo de 2014 e possuem vários desafios, entre eles o de levar serviços de saneamento básico a toda a população.
De acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), a necessidade de investimentos para universalização dos serviços na RMR é de R$ 3,8 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhão para acesso à água e R$2,2 bilhões para esgoto.

Segundo Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, é importante que as autoridades continuem investimento forte nestes serviços. “O Instituto Trata Brasil verifica que está havendo progressos no saneamento da região, o que é importante, pois Recife e cidades vizinhas serão vitrines do Nordeste, tanto pelos jogos da Copa quanto para os turistas que aqui virão para aproveitar suas belíssimas praias”. E conclui: “O legado mais substantivo que a Copa poderia deixar para as cidades da região e para o país seria a solução dos serviços de saneamento básico que melhoram definitivamente as condições de vida das pessoas”.

Instituto Trata Brasil

O Instituto Trata Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), iniciativa de responsabilidade socioambiental que visa à mobilização dos diversos segmentos da sociedade para garantir a universalização do saneamento no País.
Criado em julho de 2007, o Instituto Trata Brasil tem como proposta informar e sensibilizar a população sobre a importância e o direito de acesso à coleta e ao tratamento de esgoto e mobilizá-la a participar das decisões de planejamento em seu bairro e sua cidade; cobrar do poder público recursos para a universalização do saneamento; apoiar ações de melhoria da gestão em saneamento nos âmbitos municipal, estadual e federal; estimular a elaboração de projetos de saneamento e oferecer aos municípios consultoria para o desenvolvimento desses projetos, e incentivar o acompanhamento da liberação e da aplicação de recursos para obras.

Trata Brasil

Sites ajudam a aproveitar a folia em Olinda

Patrimônio cultural da humanidade tombado pela Unesco, a cidade de Olinda (PE) não vive só de passado: é também um dos carnavais mais animados do Brasil.

Quem pretende pular com a multidão em suas ladeiras pode usar a internet para aproveitar melhor a folia e programar sua visita.

De início, o guia turístico oficial da cidade (www.olinda.pe.gov.br/guia-turistico ) contém uma série de informações úteis. A seção de hospedagem lista albergues, hotéis e pousadas nas mais diversas faixas de preço.

Na parte de gastronomia local, o visitante pode se informar, além do endereço de bares e restaurantes, suas respectivas especialidades e formas de entrar em contato -como o Carnaval é a alta temporada, convém reservar mesas com antecedência.

Divulgação

Encontro de bonecos gigantes em uma das ladeiras de Olinda
Horários de visitação das várias igrejas e monumentos históricos da cidade também estão disponíveis.

Antes de os blocos tomarem conta das ruas, o site oficial do Carnaval (carnaval.olinda.pe.gov.br ) disponibiliza a programação do evento, inclusive das prévias que acontecem antes de 18/2. A página, cuja iconografia vale o clique por si só, também permite ouvir músicas tradicionais enquanto o internauta navega.

Ao longo do feriadão, Olinda abriga diferentes ritmos, como o maracatu, o manguebeat e o samba, mas a estrela do local é o frevo. Embora nascido na vizinha e rival Recife, a batida frenética é a mais ouvida nas ladeiras.

Quem se interessa pela história e pelos passos do gênero pode se informar em sites como o do portal São Francisco (bit.ly/ztnhYG ).

Já a página Arte e Educação (www.arteducacao.pro.br/Cultura/frevo.htm ) ajuda quem quer memorizar as letras de compositores di gênero como Nelson Ferreira e Edgard Moraes.

Se há algo, porém, que distingue o Carnaval de Olinda de qualquer outro, são seus bonecos gigantes.
Trazidos das festas pagãs europeias, o primeiro exemplar brasileiro de que se tem notícia surgiu em 1919, na cidade de Belém do São Francisco (PE). Batizado de Zé Pereira, ele ganhou uma companheira, a Vitalina, em 1929.

Essa tradição chegou à cidade de Olinda no ano de 1932, quando desfilou pela primeira vez o Homem da Meia-Noite.

O site dos Bonecos Gigantes de Olinda (www.bonecosgigantesdeolinda.com.br ) apresenta seus mais famosos foliões. Há destaque para a nova geração, que vai de Chico Science a Michael Jackson; de Alceu Valença a Barack Obama.


Folha de São Paulo

Conheça o Museu da Cidade do Recife


Foto da Manifestação



O Forte das Cinco Pontas, construído pelos holandeses em 1630, é o símbolo da resistência holandesa. Hoje, a construção, localizada no bairro de São José, chama a atenção em dois aspectos: o primeiro é que o local abriga, desde 1982, o Museu da Cidade do Recife, e o segundo e mais curioso é que, apesar do nome, o Forte possui apenas quatro pontas, resultado de uma reconstrução feita após a guerra que expulsou os europeus do Brasil.

O museu destaca-se por conter em seu acervo documentos iconográficos de extrema importância para preservação da história urbana e social do Recife. A memória cultural da capital pernambucana é representada através de cerca de 150 mil imagens e de peças provenientes de antigas residências e da Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios, já demolida.



Atendimento: de terça a sexta das 09 às 17h
sábado e domingo das 13 às 17h

Forte das Cinco Pontas, s/n
São José - Recife - PE
Contatos: (81) 3232.2812 | 3232.2833
E-mail: museudacidadedorecife@hotmail.com

Crise ressuscita a peseta em cidade do interior da Espanha


Medida movimentou a economia de Salvaterra do Minho e atraiu moradores de cidades vizinhas



Um café? 166 pesetas. A vistoria do carro? 14.000 pesetas. O povoado de Salvaterra do Minho, na região da Galícia, Espanha, resolveu ressuscitar a antiga moeda espanhola como uma maneira de enfrentar a crise e incentivar o comércio local. Ironicamente, o euro completa 10 anos de existência neste mês de janeiro.

A crise na Espanha apresentou novas e alarmantes cifras esta semana – 22,85% de desempregados (48,56% se contabilizados apenas os menores de 25 anos) e 500.000 empresas fechadas nos últimos quatro anos. Esta situação pouco promissora levou a que a pequena cidade galega, de menos de 10.000 habitantes, tivesse a iniciativa de passar a aceitar a “rubia”, como era conhecida a peseta devido ao dourado da moeda, aproveitando que o Banco da Espanha não tem um ano limite para as trocas.

“Muitas pessoas não têm tempo para ir até Corunha ou Madri para trocar o dinheiro e acabam ficando com moeda antiga guardada como lembrança”, explicou por telefone ao Opera Mundi Luiz Fernando Alonso, portavoz da Unes (União de Empresário de Salvaterra do Minho).

Guillermo de Montaud

O sucesso da iniciativa foi tanto que atraiu clientes de várias regiões vizinhas e inclusive do lado português da fronteira. A medida foi adotada em outubro e terminará no fim de janeiro, depois de ter sido prorrogada três vezes.
A peseta foi introduzida em 1869 e saiu de circulação em 2002, substituída pelo euro. O Banco de Espanha estima que 45% das pesetas que estavam em circulação antes da adoção do euro nunca serão entregues e permanecerão guardadas nas gavetas e carteiras dos espanhóis, o que equivaleria a mais de 1,7 bilhão de euros.

As complicadas contas de conversão voltaram a fazer parte do dia-a-dia dos moradores de Salvaterra do Minho, mas ninguém parece estar reclamando do tempo perdido com a calculadora. “O único problema é que o café antes custava 90 pesetas (55 centavos de euro) agora custa 166 pesetas. Com o euro, arredondaram os valores pra facilitar a conta”, ironiza Javier Borges. “Bem, mas pelo menos agora podemos comprar alguma coisa.

Melhor do que deixar o dinheiro mofando entre os livros”, conclui. A peseta passou a ser aceita combinada com o euro. Os moradores podem, inclusive, pagar na antiga moeda e receber o troco em euros. “Comprei dois perfumes com o dinheiro que eu tinha em casa, 10.000 pesetas (60 euros ou 140 reais)”, revela Susana Hernández.

A arrecadação dos comerciantes em três meses ultrapassou um milhão de pesetas, o que equivale a pouco mais de seis mil euros (aproximadamente, 14 mil reais) e a nostalgia tomou conta de Salvaterra. “É estranho tocar estas pesetas. Vemos os rostos de Rosália de Castro, Bécquer, Manuel de Falla (escritores espanhóis) e é impossível não sentir saudade”. Circulam também moedas com o rosto do General Francisco Franco, ditador na Espanha de 1939 até 1975.

Quando perguntado por jornalistas se a medida não poderia facilitar o branqueamento de dinheiro, um dos comerciantes responde sorrindo: “Quem quiser branquear dinheiro aqui, que seja bem-vindo”.
A ideia da utilização da peseta não é novidade na Espanha. Em 2009, o povoado de Narón, também na Galícia, colocou em prática a mesma medida e arrecadou valores similares ao de Salvaterra. E em março de 2011, o povoado galego de Murgados copiou a iniciativa.

Uma pesquisa do Real Instituto Elcano divulgada em dezembro revela que para 70% dos espanhóis o euro não melhorou em nada ou em quase nada as suas vidas. No entanto, apenas 7% defendem o retorno da antiga moeda.

O jornal Expresso, de Portugal, noticiou em dezembro o êxito de uma loja no centro de Lisboa que aceita euros e escudos. “Meus clientes evitam as filas e as burocracias do Banco de Portugal e recebem o troco em euros”, explicou ao diário português Luís Cardoso, proprietário da loja. Em Portugal, os bilhetes na antiga moeda podem ser trocados até 2022.


Peseta continua presente no dia-a-dia do espanhol
Apesar de já estar fora de circulação há 10 anos, a peseta sobrevive no imaginário dos espanhóis. Qualquer pessoa com mais de 25 anos ainda utiliza a moeda para indicar grandes cifras, como preços de casas e automóveis. 42 milhões de “rubias” por um apartamento de dois quartos em Madri é um valor muito mais compreensível do que os correspondentes 250 mil euros (algo como 575 mil reais).

As expressões populares também mantêm as referências à antiga moeda. Na Espanha, se você não tem dinheiro, basta dizer que não tem “pelas”. E se você é um pão-duro, será chamado de “pesetero”.

A Prefeitura da cidade valenciana de Alzira, na Espanha, cunhou no dia 1º de janeiro uma moeda própria, utilizada para pagar as subvenções aos moradores da cidade. A moeda só poderá ser utilizada no comércio local e é uma medida para que “o dinheiro fique em Alzira”, explicou em coletiva à imprensa o Secretário de Promoção Econômica de Alzira, José Luis Palacios.

A moeda não existirá da maneira tradicional, impressa em papel. Será apenas um cartão de crédito, a ser utilizado apenas nas lojas da cidade. Posteriormente, os donos dos estabelecimentos poderão trocar os vales ou cartões por euros na Prefeitura. “Dessa forma, qualquer bolsa ou auxílio que um alzirense receba, deverá ser gasto na própria cidade”, explica Palacios.

Em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola, Alzira teve uma moeda própria durante quase nove meses, também com o objetivo de estimular o comércio local.


Franco também volta ao debate
Marine Le Pen, candidata presidencial na França pelo partido de extrema-direita Frente Nacional, afirmou que caso seja eleita, a prioridade do seu governo será nacionalizar os bancos franceses, aumentar o protecionismo, controlar a imigração e restabelecer o franco francês. Segundo a pesquisa do centro TNS-Sofres 31% dos franceses concordam com as ideias de Le Pen, o nível mais alto de 1984, quando o partido foi criado. Os franceses vão às urnas no dia 22 de abril.

Opera Mundi

Pernambuco: Governo anuncia reconstrução da ferrovia Porto Real destruída em 2010, antes da inauguração

A ferrovia Porto Real, que liga os municípios do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e Porto Real do Colégio, Alagoas, será reconstruída.

O anúncio das obras do trecho que foi destruído pelas chuvas de junho de 2010 - antes mesmo da inauguração, prevista para julho daquele ano - será feito na tarde desta segunda-feira (30), no Palácio do Campo das Princesas.

A ferrovia sai da Bahia e vai até o Maranhão. Uma parte entra em Alagoas, passa por Porto Real do Colégio e segue por várias cidades até Maceió, de onde vai para Pernambuco.

A obra de reconstrução foi incluída na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Esse trecho é fundamental para interligar as ferrovias Transnordestina e Centro-Atlântica.

À época, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, disse que 70% da obra foi perdido. O alagoano deve participar da cerimônia, prevista para as 15h30.

O Palácio do Campo das Princesas não deu detalhes do serviço que será executado.

Blog do Jamildo

Em PE, agricultores deixam a roça para trabalhar na Transnordestina

Eles vão construir uma ferrovia de 1.728 quilômetros de extensão.
Obra teve início em 2009 e deve ser concluída no fim de 2014.







No Sertão de Pernambuco, muitos agricultores deixaram o roçado para trabalhar na construção da Transnordestina. Eles participam do desafio de construir uma ferrovia 1.728 quilômetros de extensão para movimentar principalmente produtos para exportação. A obra vai ligar o Sertão ao Litoral. Os trabalhos começaram em 2009 e devem ser concluídos no fim de 2014. A cada dia, quase dois quilômetros e meio de ferrovia ficam prontos -152 quilômetros de trilhos já estão prontos e se o cronograma for cumprido, a previsão é concluir mais 500 este ano.

O trem deixa todo dia o canteiro central das obras, em Salgueiro, no Sertão, para levar o material até as três frentes de montagem da ferrovia. A Transnordestina começa na cidade de Eliseu Martins, no Piauí, e vai até o Porto de Suape, entre municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, com um entroncamento em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, que liga ao Porto de Pecém, no Ceará.

Cada máquina faz 1.200 metros de ferrovia diariamente. A parte mais trabalhosa do serviço é a terraplenagem, ou seja, a infraestrutura. Até o fim do ano passado, 500 quilômetros estavam sendo preparados para receber a linha férrea, que os técnicos chamam de superestrutura. “Se a infraestrutura não tiver liberada pra superestrutura chegar, ela pode atrapalhar a continuidade da montagem da grade. Então qualquer impedimento que tiver pra terraplenagem, problemas de desapropriação e qualquer impeditivo lá pra infraestrutura, que é a movimentação de terra, pode atrapalhar a montagem”, afirmou o gerente de planejamento do projeto, Mauro Campacci.

Durante a execução da obra, um equipamento retira os dormentes de concreto do trem produzidos na fábrica em Salgueiro. Os pórticos transferem para o chão 56 dormentes de cada vez e colocam cada um no lugar certo. Uma máquina alinha o trilho, outro equipamento ajusta o encaixe e os grampos fazem o acabamento. Esse trabalho é muito diferente do tempo em que o engenheiro Otávio Moraes trabalhava na rede ferroviária federal. “Antes era todo trabalho braçal. O dormente chegava no trem e ele era descarregado manualmente. O trabalhador pegava o dormente no ombro e saía distribuindo ao longo da linha”, explica Moraes.

Em cada frente de montagem, há 72 pessoas, que são da própria região. Muita gente estava acostumada com o trabalho na roça, com pequenos serviços na cidade e, com a Transnordestina, aprendeu a construir algo que pode fazer diferença no futuro. “Aí tem, sim, um pedacinho do meu nome nessa ferrovia. Estou aqui batalhando para que isso aconteça e a gente possa andar em cima desse trem, indo e vindo, a toda hora”, disse o operador de pórtico, José Wilton Souza.

Do G1 PE

Israel quer construir ferrovia entre Mediterrâneo e Mar Vermelho

JERUSALÉM -O governo israelense começou neste domingo a estudar um projeto de ferrovia que uniria o Mediterrâneo ao Mar Vermelho, o que ofereceria uma rota alternativa ao Canal de Suez para o tráfego entre Europa e Ásia.

O premier Benjamin Netanyahu indicou que uma ferrovia de 350km cortando o Deserto de Negev deixaria o balneário de Eilat, no Mar Vermelho, a duas horas de Telaviv.

"Juntamente com essa linha haveria uma via reservada ao transporte de mercadorias entre Ásia e Europa", declarou Netanyahu aos membros de seu governo, assinalando que também se estuda uma ampliação para o norte de Israel. "Este projeto despertou um grande interesse das potências emergentes, principalmente China e Índia".

Segundo Netanyahu, "esta ligação entre continentes é de uma importância estratégica, tanto no plano nacional quanto no internacional". O governo israelense terá uma nova rodada de discussões sobre o tema.

O Ministério dos Transportes de Israel informou em seu site que apresentou opções para o lançamento do projeto, mas que as empresas chinesas foram priorizadas.

"A capacidade profissional das empresas da China na construção de ferrovias e redes de transporte é uma das melhores do mundo", afirmou o ministro da pasta, Yisrael Katz, que se reuniu com o colega chinês em Pequim, no ano passado, e ambos concordaram em apresentar um projeto conjunto para a ferrovia até Eilat.

Segundo autoridades israelenses, a ferrovia também poderia ser usada para exportar gás israelense para a Índia e, talvez, China. Importantes jazidas de gás foram descobertas em 2010 no leste do Mediterrâneo, a 130km do porto israelense de Haifa, a 1.634 metros de profundidade.

Esta foi a maior descoberta de jazidas de hidrocarbonetos no mundo nos últimos 10 anos. As reservas foram estimadas em dezenas de bilhões de dólares, capazes de garantir a Israel a independência energética por décadas.

AFP

Novo ministro da Ciência promete lutar por mais investimentos com o auxílio do setor privado, PPPs podem ser utilizadas

BRASÍLIA - Ainda sem saber o tamanho do corte no orçamento de R$ 8 bilhões, previsto para 2012, o físico Marco Antônio Raupp, de 73 anos, assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia disposto a aumentar o capital privado na indústria de inovação.

Raupp admitiu que o programa Cyclone, voltado ao lançamento comercial de satélites do Brasil com um foguete ucraniano, pode não se viabilizar como negócio.

Ele revelou, em entrevista ao GLOBO, que pediu um novo plano comercial para o empreendimento, orçado em US$ 500 milhões. O novo ministro prometeu se empenhar por um investimento de 2% do PIB, em pesquisa e desenvolvimento, até 2014.


O GLOBO: Como levar a ciência para dentro das empresas?


MARCO ANTÔNIO RAUPP: São várias formas. Por meio dos parques tecnológicos e parcerias público-privadas, como ocorre no desenvolvimento do satélite geoestacionário de comunicações (com lançamento previsto para 2014 e custo de R$ 720 milhões). O público estimulando o privado. O exemplo mais concreto que eu conheço é na área de Defesa.


Hoje, o Brasil investe 1,2% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento. O que seria realisticamente ideal para alcançar em 2014?


RAUPP: Eu acho que a gente deve lutar para ficar entre 1,5% a 2%. Buscar 2%, mas ser no mínimo 1,5% em 2014. O privado, que está em torno de 0,48%, tem que aumentar.


Como aumentar a parcela da iniciativa privada?


RAUPP: Aumentar o número de empresas investindo mais. Podem ser isenções (fiscais), mas não podem ser isenções soltas. Elas têm que ser como se fossem uma parceria público-privada. Porém, a subvenção é um mecanismo mais efetivo: uma parceria em que o governo entra com uma parte e a empresa entra com uma parte maior.


Como o senhor vai abordar o sistema de monitoramento de desastres naturais?


RAUPP: O ministro da Integração Nacional (Fernando Bezerra ) esteve aqui e combinamos que vamos estreitar as relações. Vamos aumentar a proximidade entre o sistema de alerta e o sistema de intervenção, que é da Defesa Civil. É para não ter incongruências. Todo mundo tem que ter a mesma informação.


Como incentivar o aumento da participação da Universidade na cadeia produtiva?


RAUPP: Eu quero, pelo convencimento, mostrar às universidades que elas têm grandes vantagens em entrar na problemática do desenvolvimento do país, com as empresas, com a área econômica, sobre assuntos estratégicos. Por exemplo, tecnologia de pré-sal e de biodiversidade. Criar ambientes, redes, patrocinados pelo sistema econômico ou por agências do governo, entre grupos universitários para fazer pequisa sobre esses assuntos.


O que o senhor pretende reformular no Programa Espacial?


RAUPP: Definir o papel da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) objetivamente. O Inpe age como a própria agência espacial. Tem que ter uma estrutura de governança com eficiência no uso dos recursos, sem duplicar esforços. O Inpe, em vez de ser parte do MCT, vai ser parte da agência. O diretor do Inpe vai estar junto com os diretores da agência. Vai ser fiscalizado, auditado, pela agência espacial. Hoje, não tem vínculo nenhum. A proposta de decreto já está tramitando.


O senhor pode assegurar que o foguete Cyclone 4, produzido em parceria com a Ucrânia, será lançado em 2014?


RAUPP: Temos condições técnicas de fazer isso, cumpridas determinadas condições relativas ao financiamento. Tanto em relação à capitalização da empresa quanto à construção do centro de lançamento de Alcântara.


Com o atual desempenho, o cronograma será cumprido?


RAUPP: Não. Precisa mais. Preciso de R$ 200 milhões (para o Cyclone) em 2012. Agora, se tiver uma crise, tiver que fazer corte, a gente atrasa um pouco. É bom frisar: a ACS (Alcântara Cyclone Space, empresa binacional Brasil/Ucrânia para comercializar lançamento de satélites), para se sustentar, precisa ter viabilidade comercial.


A empresa tem viabilidade comercial?


RAUPP: A ACS demorou muito para ser implementada. E, em função desse tempo que passou, estou pedindo um novo plano de negócios. Se não for viável, a gente vai olhar para a empresa só do ponto de vista estratégico. Neste caso, é uma questão a analisar. Poderá ser (viável), ou poderá não ser. Depende das condições. Estamos chegando em um ponto para saber se dá ou não dá.


O que muda no programa com o satélite geoestacionário de comunicações?


RAUPP: Estamos mudando a política de satélites. Os projetos em desenvolvimento continuam na mão do Inpe. Essa é uma nova iniciativa, está sendo criada uma empresa, Embraer/Telebrás, que vai ser a integradora, em vez do Inpe. O Inpe, mais a AEB, farão as especificações técnicas para a contratação desta empresa que será a responsável pela organização do processo industrial.


O senhor pensa em criar um Conselho Nacional de Política Espacial?


RAUPP: Sim, mas isso depende de lei. Um conselho de ministros, presidido pela presidente da República. Isso vai ficar para uma segunda etapa.


Qual é o maior dilema para o sucesso de projetos tecnológicos no Brasil?


RAUPP: O problema é dinheiro. É a capacidade de manter um financiamento continuado. E por quê? Porque o Brasil é um país com muito problemas para resolver. Sociais e o impacto das crises econômicas (externas), que afetam sempre. Tem que se administrar isso. Você tem que fazer opções. Isso é realismo.


Qual é a melhor alternativa para o desenvolvimento da indústria da inovação com elementos da biodiversidade?


RAUPP: Um mecanismo importante para gerar novos produtos, para transformar o conhecimento da biodiversidade em produtos comerciais, são os parques tecnológicos. Um sistema de parques tecnológicos na Amazônia pode estimular grandemente. Fazer isso está na minha cabeça.

Da Agência O Globo

Lei Geral da Copa recebe críticas por restringir comércio em torno dos estádios

O projeto da Lei Geral da Copa, encaminhado à Câmara dos Deputados pelo Poder Executivo, ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional e já enfrenta questionamentos sobre a sua constitucionalidade. Um artigo em especial, tem causado preocupação entre entidades de defesa dos interesses de comerciantes, de consumidores e de juristas.

O artigo 11 do texto trata da restrição do comércio de produtos e de publicidade nas áreas em torno dos estádios e principais vias de acesso aos eventos esportivos. O artigo determina que a União, os estados e municípios que sediarem os jogos da Copa devem assegurar que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) tenha exclusividade para “divulgar marcas, distribuir, vender, dar publicidade ou realizar propaganda de produtos e serviços”, além de atividades de comércio de rua nos Locais Oficiais de Competição, nas suas imediações e principais vias de acesso.

O parágrafo único do artigo diz ainda que os limites dessas áreas de exclusividade serão definidos posteriormente pela autoridade competente “considerados os requerimentos da Fifa”.

O trecho foi mantido pelo relator da matéria na Câmara dos Deputados, Vicente Cândido (PT-SP), e recebeu parecer favorável no que se refere à sua constitucionalidade no substitutivo apresentado por ele na comissão especial que analisa o assunto. No entanto, juristas e entidades de defesa do consumidor e dos comerciantes, alegam que a lei irá obrigar os estabelecimentos comerciais que estiverem instalados próximos aos estádios a venderem apenas as marcas patrocinadoras do evento esportivo.

Também em busca de um acordo que modifique o artigo, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) aguarda o fim do recesso legislativo, no próximo dia 2 de fevereiro, para procurar a comissão especial da Câmara. O diretor da CNC, Alexandre Sampaio, no entanto, diz que se não houver uma saída de “bom senso”, a solução será questionar a constitucionalidade da lei.


Insatisfação

A insatisfação com a possibilidade de restrição nas vendas e publicidade de produtos e serviços também atinge o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Representantes do instituto chegaram a participar de uma audiência pública na Comissão Especial para discutir a proposta. No entanto, os argumentos contrários a este e outros trechos do projeto apresentados pelo advogado Guilherme Varella, do Idec, não foram considerados pelo relator em seu substitutivo.

Além de considerar que o texto fere o direito de escolha do consumidor, Varella alerta que este e outros artigos do projeto de lei são conflituosos com a legislação brasileira, em especial o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Na opinião dele, isso irá gerar impasses judiciais que só serão resolvidos quando não houver mais como ressarcir o prejuízo causado ao consumidor.

Autor do projeto original, o Ministério do Esporte informou por meio de sua assessoria que o texto foi amplamente discutido antes de ser enviado ao Poder Legislativo e que agora está em debate na Câmara.
Até a publicação desta reportagem, ninguém do ministério comentou as críticas apontadas.

O relator da matéria na comissão especial, deputado Vicente Cândido, também não quis se pronunciar. Sua assessoria de imprensa informou apenas que ele está negociando um novo substitutivo que deverá ser apresentado nos próximos dias.

Agência Brasil

Cuiabá: Licitação para PPP do Hospital Central será lançada na segunda-feira



Antonielle Costa
Licitação para PPP será lançada na segunda-feira

O governador Sival Barbosa (PMDB) anunciou neste sábado (28), que na próxima semana dará início ao chamamento que selecionará a empresa que prestará serviços ao Hospital Central de Cuiabá, por meio de uma Parceria Público Privada (PPP). Segundo Silval, através da PPP será elaborado todo o projeto do local, que inclui o levantamento das condições da obra no estado atual, a previsão de custos para a construção do novo prédio e a equipagem da unidade.

A consultoria irá apresentar a remodelação da unidade dentro do que estava previsto no passado, mas levando em conta as normas da Vigilância Sanitária atuais.

Após esta etapa finalizada e o projeto em mãos, a secretaria de Estado de Saúde dará início ao chamamento público para a execução da obra. O objetivo é transformar o Hospital Central em uma unidade voltada para atendimento de traumas e com capacidade para 200 a 300 leitos.

A retomada das obras se deve a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que foi acolhida pelo juiz federal José Pires da Cunha, em agosto de 2010. O magistrado condenou o Estado de Mato Grosso a lançar uma nova licitação e concluir as obras do Hospital Central.

Na ocasião, ainda foram condenados a reparar o dano moral causado a União o senador Jayme Campos (DEM) e o ex-prefeito de Cuiabá, Anildo Lima Barros. A mesma condenação receberam as empresas Eldorado Construções e Obras de Terraplanagem e Aquário Engenharia e Comércio S/A.

A obra ainda é considerada suspeita de superfaturamento com dinheiro público liberado pelo Governo Federal.

Audiências

Antes do início das obras, a secretaria pretende promover audiências públicas para ouvir a população. Através delas, profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão opinar e discutir sobre o novo perfil da unidade que a secretaria pretende implementar.

Mato Grosso Notícias

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