
As cifras da Copa do Mundo são astronômicas. Um estudo do governo federal aponta um impacto econômico de R$ 180 bilhões no país por causa do Mundial de 2014, entre recursos investidos e gerados na competição. Trata-se de um avanço esperado por muitos, mas sem alcance efetivo à boa parte da população. Uma carência sem prazo para acabar, seja qual for a distância em relação aos modernos projetos de arenas. Nem que esse hiato seja de apenas 300 metros, a alguns passos através das enormes rochas que funcionam como uma ponte natural no Rio Capibaribe, separando uma ainda desconhecida comunidade em Santa Mônica, na região metropolitana, do já mundialmente comentado estádio pernambucano para a próxima Copa. Margens que separam o futuro do presente, o invesimento do ócio, a realidade da esperança.
Van da lembrança
“Chegou a van, pessoal. Vamos juntar o povo”. O recado, alto, foi dado em um beco na Rua Tenente Arnaldo Quagliato, o último trecho da comunidade de Santa Mônica, na margem do Rio Capibaribe, em Camaragibe. Segundos depois, a constatação do equívoco seguida de surpresa com a presença da equipe de reportagem do Diario. A presença da tal van esperada pela moradora - e na verdade costumam ser várias - virou uma rotina no local nos últimos meses, nas terças e quintas-feiras. Datas das seguidas explosões das rochas do terreno da Arena Pernambuco, do outro lado do rio, em São Lourenço da Mata.
“Nunca imaginei que um estádio desse fosse ficar tão perto da minha casa. Espero que mude Santa Mônica também”, comentou Sheila, avessa à entrevista no início. A cada detonação, mais de 200 pessoas de três ruas são levadas a uma quadra poliesportiva próxima. Durante uma hora, funcionários da Odebrecht distribuem biscoitos e refrigerantes aos moradores. Intenso, o barulho é captado até no ginásio, mas já em segurança, de acordo com o detalhado “Plano de Fogo”, com inúmeros laudos necessários (PM, Bombeiros e CPRH). A van leva e traz, obviamente.
Curso da esperança
Desempregada, Sheila vive com um orçamento mensal de R$ 250. Menos da metade de um salário mínimo. Em um casebre cedido pela ex-sogra, ela vive com o filho e um irmão de 16 anos, torcedor do Sport, com quem discute sobre futebol. O trabalho dela se restringe a algumas faxinas na vizinhança e só. O dinheiro, obviamente, acaba antes do fim do mês. A última conta de energia, por exemplo, foi de R$ 38. “É muito dinheiro e eu quase não ligo a TV. Mas fique um dia sem pagar para ver o que acontece”, queixou-se. Veio a gravidez, a separação e a distância dos pais, que moram no Recife. “Estudei até a 8ª série, mas as oportunidades não apareceram. Ainda tenho a sorte da minha mãe me ajudar e contar com a casa, porque outros nem isso têm”.
Veio o Mundial e o som das máquinas na obra, invadindo o único quarto de sua casa a partir das 7h, até o início da noite. Resignada, Sheila almeja uma chance nesta mesma construção que tira o sono de sua família. Em janeiro, ela e outras pessoas da comunidade se inscreveram num programa de qualificação da Odebrecht, vencedora da licitação do estádio. Com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social, o Programa Acreditar recebeu 2.500 pessoas entre 24 e 28 de janeiro de 2010. Entre os cursos oferecidos estão ajudante civil, armador, carpinteiro e pedreiro.
Para isso, era preciso passar em provas de português, matemática e, acredite, conhecimentos gerais da Copa de 2014. “Fui bem e acertei as perguntas da Copa. Mais difícil foi esperar a manhã toda, porque a fila foi maior do que eles esperavam. Mas fiquei com fé e peguei a minha senha”, contou Sheila, inscrita em carpintaria. Apesar de ninguém do local ainda ter sido chamado, o vizinho e amigo Leandro César, 29, deixa claro a expectativa. “Vai ser bom para gerar emprego para as pessoas, pois tem muita gente desempregada aqui”, diz Leandro, que faz “bicos”. No pico da obra - já em sua etapa de fundação -, o número de trabalhadores chegará a 1.500, cinco vezes mais que o atual. Tudo para movimentar um projeto futebolístico de R$ 532 milhões.

Praia em Camaragibe
Enquanto o Recife impressiona com as suas armações de concreto, sendo a 21ª metrópole do mundo em número de edifícios, a 19 quilômetros do Marco Zero, bem no entorno da futura arena, o visual rural toma conta da comunidade. Na beira do rio, a criação de vacas de Seu Isael, além de cabras e outros animais em estábulos improvisados. No Rio Capibaribe, em seu curso rochoso, inviabilizando a navegação, as pessoas aproveitam para tomar banho. O lampejo de diversão possível, inclusive para Wesley, ainda no Jardim de Infância, mas que sonha ir ao Arruda.
Aos domingos, diz Sheila, os churrascos tomam conta do local, com mulheres de biquini se bronzeando e homens comandando o pagode. “A praia é longe demais. Aqui, a gente faz tudo no rio e ainda tem o nosso canto, sem problema com ninguém. Os meninos só brincam aí”, conta, sem saber que boa parte do Capibaribe recebe uma carga de resíduos de cerca de 430 mil pessoas no Grande Recife. Ao chegar em Camaragibe, o rio de 240 quilômetros de extensão sofre com dois indicadores negativos, o de coliformes termotolerantes e o risco de salinização do solo, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH).
Se até o principal ponto de distração local não contém índices aceitáveis de saúde, o que dizer de serviços básicos, como saneamento? Na travessa, o esgoto corre a céu aberto, tornando o beco ainda mais degradado. Sheila e Wesley sequer estavam calçados durante a reportagem. Essa situação condiz com um estado onde apenas 43% da população tem acesso à rede de esgoto. Enquanto isso, ao lado, a Arena Pernambuco é apresentada como novo vetor de medidas socio-ambientais, como o uso de energia solar, reaproveitamento de água, soluções de ventilação e tratamento de esgoto, uma vez que o estádio ficará muito próximo ao rio
Realidades paralelas
Ao todo, serão investido R$ 33 bilhões em infraestrutura no Brasil visando o próximo Mundial, entre estradas, aeroportos etc. Deste total, 78% será bancado pelo setor público. O dinheiro circula, e muito. Projetos são encaminhados a todo momento visando acessibilidade, a prioridade da Fifa, com o objetivo de receber os 3,6 milhões de turistas esperados na Copa. Para muitos brasileiros, o verdadeiro acesso, bem além de 2014, seria, por exemplo, uma parada de ônibus mais próxima. A manutenção da pracinha local ou uma travessa de concreto, no mínimo. As realidades paralelas, apesar de tão próximas, frustram os ribeirinhos.
A faxineira foi enfática ao comentar o projeto da Cidade da Copa, que prevê a construção de um novo e moderno bairro do outro lado do rio até 2020, com 36 mil pessoas e um centro comercial. “De vez em quando a gente atravessa o rio para pegar manga e jaca do outro lado e vê que está mudando tudo aqui. Vai ficar bonito, pelo que dizem. Mas acho que vão mexer do lado de cá também, pois se de um lado vai ter uma cidade nova, aqui vai ficar assim?”, questiona Sheila, sem precisar apontar os motivos para o contexto tão antagônico entre as duas margens.
Como Santa Mônica está fincada a 20 quilômetros do Marco Zero do Recife, o trajeto mais fácil será contornado via metrô. Será, no “futuro”, pois a nova estação (Cosme e Damião) ficará a quase um quilômetro da casas de Sheila, Wesley, Isael e Leandro. Uma obra direcionada para a Arena Pernambuco, aquela mesma, do outro lado do rio. Por enquanto, segue a rotina da comunidade, de poucas oportunidades de trabalho e infraestrutura precária. Isso tudo a apenas 300 metros de um marco do desenvolvimento econômico do estado.
Caminhos milionários da arena

As articulações entre os gestores do consórcio Cidade da Copa e os dirigentes dos grandes clubes do Recife vêm ocorrendo sob sigilo absoluto. Qualquer questionamento sobre os dados do possível contrato para que Sport, Náutico e Santa Cruz joguem no novo estádio em São Lourenço é interrompido por causa da "cláusula de confidencialidade", sujeita a todas as partes envolvidas. Reuniões fechadas tratam de valores milionários sobre a capacidade de receita de cada clube, com negociações sobre o número de jogos que cada time teria que jogar por ano, parcelas da receita de cada jogo e ainda o valor de um bônus pela assinatura do contrato. Valores revelados pelo Superesportes, que teve acesso com exclusividade ao relatório oficial de viabilidade econômica da arena da Cidade da Copa, elaborado pela empresa inglesa de consultoria Comperio Research, presente no anexo 11 do edital de licitação do estádio.
O documento divide em sete cenários possíveis envolvendo os três clubes da capital e mais um, o pior deles, sem a presença de nenhuma equipe - mas que mesmo assim não deixaria a arena inviável durante a concessão de 30 anos. Os números apresentados, que não levam em consideração a renda durante a Copa do Mundo de 2014 - quando o estado deverá receber quatro ou cinco jogos -, surpreendem. O montante parte de uma receita anual de R$ 5,7 milhões para o modelo mais simples, que contaria, a cada dois anos, com cinco shows musicais de grande porte e um jogo da Seleção Brasileira, ou 2,5 e 0,5 eventos anuais, respectivamente, segundo o estudo.
Na versão mais vantajosa das propostas, a receita chegaria a incríveis R$ 86,2 milhões logo na primeira temporada com a presença do Trio de Ferro, contando com uma agenda de 60 jogos por ano, com pacotes corporativos (verba para o consórcio) e para consumidores regulares (receita do clubes), além das vantagens da opção inicial, com eventos programados. A receita máxima seria 15vezes maior que o grande temor dos investidores da parceria público-privada, com um estádio de futebol subutilizado após o Mundial. Em uma década, os três clubes dividiram um bolo (já descontando a parte do consórcio) de R$ 480,28 milhões, quase o triplo do que os clubes devem arrecadar no período caso seja mantida a média histórica.
Um dado preocupante, porém, é o fato de que o próprio relatório considera "incerta" a participação dos três clubes, ou até mesmo de dois, que ainda gerariam acordos superiores a R$ 60 milhões por ano. Até o momento, nenhum clube chegou a um acordo oficial. As projeções (confira na arte) se baseiam no comportamento relatado durante as 88 entrevistas corporativas e 288 entrevistas com consumidores regulares. Saindo desta projeção inicial, com números diferenciados de ingressos para cada parte envolvida (clube e consórcio), a configuração impactaria diretamente nos preços das entradas. Consequentemente, a geração de receita seria recalculada.
Além disso, o detalhamento não inclui oimpacto positivo de uma campanha de marketing, como indica o estudo, e nem o interesse de empresas de fora do Recife. A partir de janeiro de 2013, após os R$ 532 milhões investidos pela Odebrecht, ISG (International Stadia Group) e AEG Facilities, o estádio finalmente entrará em operação. Resta saber se será com o freio de mão puxado ou na quinta marcha.
O futuro torcedor da arena
O governo de Pernambuco subsidia os ingressos no futebol profissional do estado desde 1998, considerando a troca de notas fiscais (formato adotado no primeiro ano e na atual temporada, implantada em 2007) e a troca de alimentos não perecíveis (entre 1999 e 2006). É uma medida que visa popularizar os jogos dos grandes clubes diante da parcela mais pobre da população. O Santa Cruz, por exemplo, assinou um acordo para ter direito a 23 mil bilhetes da campanha Todos com a Nota na Série D de 2010. Num futuro não muito distante, esse perfil de ingresso deverá sofrer uma grande mudança com a inauguração da arena pernambucana para a Copa.

Torcida do Náutico.
Marcelo Lyra/Esp DP/D.A Press
Esse dado faz parte do levantamento do perfil dos torcedores feito para o relatório, que foi anexado ao edital de licitação da arena. O gráfico foi montado a partir das entrevistas com 88 corporativas e 288 consumidores regulares. Essas 288 pessoas, por sinal, foram selecionadas após uma triagem de 642 entrevistados, já que foram as únicas que demonstraram interesse em adquirir assentos na arena.
De acordo com esse levantamento, 51,3% das pessoas predispostas a frequentar a arena da Copa, e torcedores de Náutico, Santa Cruz ou Sport, estão numa faixa de renda mensal domiciliar entre R$ 1.600 e R$ 4.999. Esse segmento da torcida local é justamente a menor faixa na tabulação desenvolvida pela Comperio Research. Ou seja, segundo a projeção inicial da futura arena multiuso em São Lourenço da Mata, mais da metade dos torcedores teria acesso restrito ao pacote de jogos, considerando as entradas mais baratas possíveis. Trata-se da provável carga para a arquibancada superior do estádio, cujo projeto aponta um total de 22.162 cadeiras.

Torcida do Santa Cruz.
Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Em relação ao movimento das empresas no novo estádio, o valor mínimo do faturamento anual é de R$ 1,7 milhão e pelo menos 20 funcionários no pacote. Um dado curioso é que toda a projeção levou em conta apenas empresas do Recife, com renda anual entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,5 bilhão. Esse grupo, inserido nos ingressos corporativos, tende a fazer parte dos camarotes e assentos dos setores business seats e premium, ambos no anel inferior e supervalorizados. De fato, futebol vai virar espetáculo.

Torcida do Sport.
Jaqueline Maia/DP/D.A Press
Após pesquisas junto ao público, o relatório da Comperio Research aponta os perfis das três maiores torcidas do Grande Recife. Abaixo, os trechos originais do documento.
Náutico
"A maioria dos fãs do Náutico vem das elites sociais. Eles vão aos jogos principalmente com suas famílias, para encontrar amigos e relaxar. Eles são muito sensíveis em relação ao desempenho do time e, quando este perde, tendem a ir à jogos com menor frequência. Os fãs do Náutico consideram o Sport Recife o seu maior rival."
Sport
"Os fãs do Sport Recife são leais e tendem a acompanhar o time em todas as competições. Ser fã do Sport Recife os torna exclusivos. Os fãs do Sport Recife veem o Náutico como o principal rival."
Santa Cruz
"Os fãs de Santa Cruz são dedicados - independentemente do desempenho, eles tendem a comparecer aos jogos e apoiar o time. Veem o Sport Recife como sendo seu principal rivais e também e seus torcedores vândalos e causadores de confusão."
Tão verde quanto Pernambucana

A excelência em sustentabilidade ambiental está cada vez mais presente nas grandes obras no planeta. Além de ter virado uma exigência da sociedade, a questão também é apontada como moeda de troca das grandes empreitadas deste século. A Fifa, por exemplo, criou o Green Goal Program, com o objetivo de identificar possíveis impactos ambientais dos estádios na Copa do Mundo, além de exigir tecnologias renováveis. A demanda ocorreu na África do Sul, neste ano, e vai acontecer no Brasil, em 2014. Apesar de o foco na arena pernambucana para o Mundial ser basicamente sobre o andamento da obra milionária ou a negociação com os grandes clubes do Recife, o projeto também prevê a utilização de novas tecnologias autossustentáveis. Uma delas será inédita em escala mundial. Após cinco anos de desenvolvimento, a Braskem - braço petroquímico da Odebrecht, que lidera o consórcio da arena local - finalmente criou cadeiras de plástico produzidas a partir de um material bem diferente do petróleo, matéria-prima utilizada há decadas. Os 46.214 assentos do estádio em São Lourenço da Mata serão feitos a partir da cana-de-açúcar. Mais verde e mais pernambucano, impossível.
O plástico verde (biopolietileno) é resultado de um processo a partir da desidratação do etanol proveniente da cana-de-açúcar, gerando uma matéria-prima 100% renovável. Até a produção deste plástico é mais limpa, com uma redução no nível de dióxido de carbono na atmosfera. A primeira versão do produto - que vem sendo utilizado na indústria automobilística e de cosméticos - foi lançada em junho de 2007. No ano seguinte, foi utilizado na concepção do troféu do GP do Brasil de Fórmula 1, em uma peça desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Agora, com o certificado internacional de reconhecimento da eficácia, a Odebrecht vai implantar a ideia no estádio. A primeira indústria da empresa para este fim, orçada em R$ 500 milhões, está sendo construída no Rio Grande do Sul.
Em Pernambuco, essa nova cadeira- que apesar do nome "verde" numa referência ecológica terá, na verdade, a cor vermelha - será o ponto alto do projeto sustentável da arena. O estádio conta ainda com medidas sócio-ambientais mais conhecidas, como o uso de energia solar, reaproveitamento de água, soluções de ventilação e tratamento de esgoto, uma vez que o estádio ficará muito próximo ao Rio Capibaribe, que contorna o terreno de 270 hectares.
Tudo isso foi necessário para que o comitê local conseguisse, antes do início das obras, a Licença em Energia e Design Ambiental (LEED, sigla em inglês), exigida pela Fifa. A certificação para edifícios sustentáveis é emitida pelo Conselho Norte-americano de Construções Verdes (USGBC, sigla em inglês). O estudo sobre a racionalização de recursos existe desde 1998 e já aprovou cerca de 14 mil projetos no mundo.
"A durabilidade desse novo plastico é idêntica do plástico tradicional, mas com uma produção limpa, que utiliza energia renovável. Com isso atendemos aos critérios da Fifa, e vamos além, fazendouma arena sustentável. Será um local que não vai tratar o público como torcedor, mas como cliente", diz o diretor de engenharia da Odebrecht, José Érico, que ressalta ainda a preservação de 600 mil metros quadrados de área verde no local. "Essa área verde será recuperada. Com tudo isso, queremos fazer um local que receba visitas durante a semana, como um museu, num ambiente familiar", afimou o diretor. Dos canaviais da Zona da Mata para a arquibancada, o passo pioneiro de responsabilidade ambiental da Copa no estado.
Girassóis tecnológicos
A Cidade da Copa poderá ter todo o seu consumo de energia elétrica produzido através de células fotovoltáicas. Numa tradução simples: energia solar, energia limpa. Inicialmente, a ideia era colocar quatro turbinas eólicas no entorno do estádio. As hélices poderiam gerar cerca de 1.600 quilowatts de energia. Os engenheiros da Odebrecht, em articulações que já duram mais de um ano, engavetaram o modelo e optaram pela colocação de placas de captação de energia solar. Com isso, o projeto de produzir energia suficiente para o ar-condicionado da arena foi elevado para uma potência de até 49.500 quilowatts, suficiente para iluminar 20 mil moradias. Para se ter uma ideia do que isso significa, basta dizer que o megaprojeto pernambucano - com prazo de conclusão até 2020 - prevê a construção de nove mil casas.
Na engrenagem do estádio, a água que será utilizada nos vestiários e cozinhas será aquecida justamente por esta energia. A redução no consumo de energia convencional, da rede da Celpe, poderá ser de até 85%. Parte das placas deverá ficar na cobertura das arquibancadas do estádio, como também vai acontecer com o estádio Verdão - palco de Cuiabá/MT para o Mundial de 2014, outro projeto com o selo "ecologicamente correto". De acordo com o diretor da Odebrecht, José Érico, existe ainda a possibilidade de colocar parte das células ao redor da praça esportiva, dando destaque para o lado estético.
Outro ponto para essa iniciativa seria técnico, até porque, para uma maior captação da luz solar, a placa precisa ser retrátil, acompanhando o movimento do Sol. "Seria algo como um girassol, por exemplo, para aumentar a nossa produção de energia. Isso está sendo estudado por um departamento de engenheiros. Temos tempo para definir o local", afirma Érico, um entusiasta da ideia. Essas células fotovotáicas vão transformar em energia elétrica quase metade dos raios solares no terreno.
Saiba mais
Energia solar
As placas de energia solar poderão gerar toda a energia elétrica consumida pelo estádio a médio prazo, com a implantação de células fotovoltáicas em toda a cobertura - capacidade de 49.500 quilowatts. Engenheiros ainda avaliam a qual componente será utilizado.
Chuva
A irrigação automática do gramado do novo estádio será feita com água armazenada das chuvas na região. A água será tratada antes, apesar do uso não recomendável para seres humanos.
Cadeiras
Produzidas a partir da cana-de-açúcar, as cadeiras “verdes” poderão ser recicladas em caso de depreciação da torcida. A durabilidade é rigorosamente a mesma das cadeiras fabricadas a partir do petróleo.
Banheiros
Assim como acontecerá no gramado, os sanitários e vestiários da arena - incluindo os locais exclusivos aos atletas - utilizarão água das chuvas armazenadas pelo sistema do estádio. O esgoto será tratado no próprio complexo.
LED
A lâmpada com a tecnologia LED, que pode durar até 50 mil horas, deverá compor a iluminação pública do estádio. O consumo é 80% menor em relação às lâmpadas incadescentes. O produto não emprega metais pesados na fabricação.
Vento
O estádio às margens da rodovia BR-408 terá aberturas especiais para propagar a ventilação no estádio, com o objetivo de aumentar o conforto, sem dar espaço para a construção de uma “ilha de calor”.
Ingresso em 3D na arena

O software com esse grau de simulação de imagens da arena foi finalizado em dezembro de 2009 pela pela empresa pernambucana Soft.Zone, que o apresentou à Odebrecht, líder do consórcio para a construção e operação do futuro estádio. O software I.I. (Imóvel Interativo) consumiu três anos de trabalho da equipe, que investiu R$ 220 mil em equipamentos, pesquisas e testes para concluir o programa. Inicialmente, a ideia era compor um serviço para as construtoras com a mesma visualização em 3D, mas apenas para os mostrar apartamentos aos clientes.
Durante uma reunião em agosto de 2010, porém, o setor responsável pela Cidade da Copa se interessou e solicitou uma versão "beta" para a arena. A Soft.Zone deverá transformar a planta baixa da arena (em 2D) em três dimensões. Segundo Diogo Parreiras, um dos donos da Soft.Zone, será possível acessar ao futuro site da arena virtual pelo celular - ou qualquer outro computador. Basta apenas ter conexão à internet.
"Não vai precisar de aplicativo algum na versão mobile (celular). No máximo, a visão será mais restrita em caso de celulares mais antigos. Num iPhone, por exemplo, o visual será o mesmo de um computador", disse Parreiras. Essa identificação vai servir também para aumentar a segurança nos jogos. Com o registro online de todos os torcedores presentes no estádio, a identificação será completa, em caso de algum incidente. "O ingresso é só a primeira fase do 3D. Também vamos mostrar onde ficam os banheiros, saídas de emergência e ambulâncias", disse. Ou seja, além da venda facilitada, haverá uma espécie de "BBB Arena" na fiscalização. De fato, novos hábitos.
Confira um simulador 3D feito pela Soft.Zone com exclusividade para o Superesportes.
Saiba mais
Os 46.214 lugares terão imagens em 3D, com uma "viagem" virtual por todo o estádio. O torcedor poderá conferir a visibilidadento.
Os jogos agendados, que poderão chegar a 60 por ano, serão previamente cadastrados. A compra poderá ser feita com antecedência.
À medida em que os ingressos forem vendidos, o estádio será "preenchido" por torcedores virtuais, mudando o visual em 3D até a lotação máxima.
O complexo será mapeado em 3D. Até o estacionamento, cuja distância da vaga ao assento poderá ser marcada, como no Google Maps.
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