No
segundo ano do programa ‘Competitividade Brasil – Custos de Transação’, a
Amcham
levou a discussão sobre as dificuldades estruturais da economia para várias
cidades do Brasil.
Entre
junho e novembro, os debates realizados em Belo Horizonte, Curitiba, Campinas,
Recife, São Paulo e Brasília reuniram 1300 participantes em torno de 54
palestrantes.
Em cada
cidade, foram discutidos os principais entraves ao desenvolvimento econômico do
País e das respectivas regiões.
Sobre o
programa de Competitividade
O
programa Competitividade Brasil foi criado pela Amcham em 2010 para discutir e
formular propostas para aumentar o desempenho da economia brasileira.
Para
compreender os desafios da competitividade, a Amcham realizou uma pesquisa
junto à sua base de associados sobre o que eles consideravam serem os
principais entraves ao desenvolvimento brasileiro.
As
respostas mais citadas foram a falta de mão de obra técnica, eficiência do
Estado, infraestrutura logística e excesso de burocracia.
Os
resultados da pesquisa foram apresentados em São Paulo no ano passado. Neste
ano, a agenda foi estendida para outras cidades onde a Amcham possui unidades
regionais.
Belo
Horizonte
A capital
mineira foi a primeira cidade a receber o programa de Competitividade da
Amcham, em 28/06.
Para os
palestrantes, as melhorias de infraestrutura não devem se limitar a atender a
necessidades pontuais, como as da Copa do Mundo, mas fazer parte de um grande
projeto, com visão de longo prazo.
O Estado
de Minas Gerais, por sua localização estratégica, tem grande potencial para ser
um “Estado logístico”. Para isso, é fundamental achar uma solução para as
estradas federais no Estado.
Hoje,
aproximadamente 80% da malha rodoviária no território mineiro são administrados
pelo governo federal, com grande carência de modernização.
A
escassez de mão de obra técnica, um dos principais entraves à competitividade
brasileira, também atinge com seriedade o setor produtivo de Minas Gerais.
Propostas
como a formação de consórcios para atuar em capacitação, importação de
profissionais em setores carentes e combate à evasão de estudantes
universitários, especialmente das chamadas ciências duras (hard sciences),
foram apontadas como alternativas.
Curitiba
O Paraná
também sofre com a insuficiência no sistema de transportes, conforme constatado
pelos participantes do evento de 13/07 em Curitiba. Por isso, o governo
estadual busca mais envolvimento da iniciativa privada nos projetos ligados à
infraestrutura logística.
O Poder
Executivo paranaense tem trabalhado para aprovar uma lei de Parceria
Público-Privada (PPPs) mais adequada às características da região, e assim
viabilizar projetos de modernização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.
Para os
palestrantes, a principal deficiência competitiva do Paraná está relacionada à
estrutura de distribuição. Praticamente todos os setores da economia expandiram
suas capacidades produtivas no Paraná desde 2010.
Mas, sem
capacidade adequada de distribuição (escoamento, armazenagem e exportação da
produção), há risco de perda de atratividade de investimentos.
Campinas
A região
de Campinas, um dos principais pólos de tecnologia de São Paulo, enfrenta
grande carência de profissionais especializados tanto de nível superior como
técnico. Os esforços das empresas para contratar e formar pessoal foram os
temas do seminário de Competitividade ocorrido em 26/07, em Campinas.
Os
debatedores comentaram que as empresas correm contra o tempo para formar profissionais
qualificados, mas há outros entraves como os encargos elevados que incidem
sobre a folha de pagamento, a falta de incentivos para investimentos em
capacitação profissional e o grande volume de reclamações trabalhistas.
Para a
formação de profissionais qualificados, as empresas têm criado treinamentos
internos próprios. No entanto, consideram fundamental formar parcerias com
instituições de ensino para melhorar a quantidade de pessoal e preencher
necessidades específicas de formação.
Recife
Pernambuco
está criando uma estratégia agressiva para formar mão de obra especializada em
curto prazo.
A meta do
Estado é aumentar a oferta de qualificação básica para 100 mil matrículas até
2014, disse o secretário de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do Estado
de Pernambuco, Antonio Carlos Maranhão.
O Estado
registrou 20 mil matrículas em 2010 e de atingir 50 mil em 2012, revelou o
secretário, no evento de competitividade realizado em Recife em 05/08. O
crescimento dinâmico do Estado tem justificado a pressa.
Muitas
empresas da região têm recorrido à importação de mão de obra para preencher
suas vagas. Além disso, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) está
criando novos cursos de engenharia em parceria com outras instituições, para
suprir à demanda.
Na
questão de infraestrutura, Pernambuco está investindo na melhoria de modais
logísticos como o ferroviário e o marítimo de cabotagem, para atender às
necessidades de transporte de produção até o complexo portuário de Suape.
São Paulo
Em 23/08,
a cidade de São Paulo volta a receber um evento de competitividade, tendo como
tema a atração de investimentos público-privados no Estado. Para a economia
brasileira crescer mais de 5% ao ano, tem de investir 25% do PIB (Produto
Interno Bruto), em vez dos atuais 18%.
Nesse
sentido, o envolvimento da iniciativa privada será cada vez mais importante.
O
vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, disse que o
governo está articulando um total de 103 projetos de PPPs, com investimentos de
R$ 32,3 bilhões e geração de quase 59 mil empregos diretos.
Os
empresários que participaram do painel ressaltaram a importância de melhorar a
infra-estrutura de transportes, como forma de melhorar o desempenho da economia
paulista.
As
discussões sobre qualificação da mão da obra ocorreram em 18/10. O aumento da
oferta de profissionais qualificados depende de planejamento de longo prazo e
ações integradas envolvendo empresas, governos e instituições de ensino.
Na
avaliação dos painelistas, os agentes públicos e privados estão crescentemente
sensibilizados sobre a necessidade de aproximação entre eles e que o País já
conta iniciativas bem sucedidas nesse sentido de formação de mão de obra.
Brasília
O último
evento de competitividade, ocorrido em 24/11, abordou a escassez de mão de obra
qualificada e os desafios de logística enfrentados pela agricultura brasileira,
uma das mais produtivas do mundo.
A
qualidade da mão de obra brasileira, necessária para sustentar o
desenvolvimento econômico dos próximos anos e garantir uma maior
competitividade, tem de ser pensada desde os primeiros anos da vida escolar.
Além
disso, o governo federal deveria assumir a responsabilidade por todos os níveis
de ensino, desde o básico até o superior.
Em
relação à agricultura, a tecnologia avançada de plantio e o clima favorável
tornam a agricultura brasileira uma das mais competitivas do mundo.
No
entanto, a eficiência do setor é ofuscada por estradas em más condições e
portos sobrecarregados e carentes de modernização, além da falta de políticas
claras de produção agrícola.
Amcham