DANILO SANS
Responsáveis por associações de profissionais de arquitetura da Cidade mostram as possíveis soluções para dois dos maiores problemas levantados com 40 personagens, sobre o melhor e o pior de Mogi: o entorno do Mercado Municipal e o trânsito no Centro. Os projetos estão prontos e agora precisam sair do papel.
Uma proposta audaciosa para revitalização da área correspondente ao entorno do Mercado Municipal foi projetada pelo arquiteto e urbanista do Grupo Mogiano de Ação Contemporânea (GMAC), Guilherme Mattos.
"Do jeito que estamos planejando, lá será uma área que comportará shows, camelódromo, um local para almoçar ao ar livre e onde as pessoas poderão apreciar os valores históricos da Cidade, que é algo que falta no Centro", diz o arquiteto.
O objetivo não é alterar a construção atual do centro de compras, mas sugerir a instalação de uma praça em frente, no que hoje é o calçadão da Rua Doutor Paulo Frontin.
O projeto contempla ainda a proibição de carros no trecho da Rua Professor Flaviano de Mello. "Só na parte do Mercado, para permitir a integração com a praça", comenta.
Na mudança, alguns comércios seriam transferidos para um novo edifício, nas proximidades do local, uma espécie de pavilhão moderno, de aço e vidro, com acesso ao Mercado, onde haveria a possibilidade de instalar um número até maior de estabelecimentos.
A captação de recursos para o empreendimento sairia de Parcerias Público-Privada (PPPs), nas quais uma empresa exploraria o local por tempo determinado.
"Seria em conjunto com a sociedade civil, empresas, construtoras, de forma a viabilizar e dar lucro para quem investe", aponta.
Ele conta que o apoio viria naturalmente, pela qualidade dos projetos.
"Se a ideia for consistente e isenta de qualquer interesse político, comercial, partidário ou religioso, tem todas as chances de dar certo", sublinha.
Mattos diz que os custos, por enquanto, não são importantes para o planejamento.
"A qualidade de vida que irá gerar não tem preço. O projeto será revisto, debatido, redesenhado e chegará a uma metragem e um valor a partir daí", revela.
TrânsitoJá a presidente regional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Ana Maria Abreu Sandim, propõe que saia do papel a também ousada Via Diametral, já indicada no Plano Viário Urbano e Rural, que se trata de uma grande avenida com espaços adequados para automóveis, pedestres e ciclistas.
Ela ligaria os bairros das zonas Oeste e Leste da Cidade, entre os distritos de Jundiapeba e César de Souza, e resolveria de uma vez a lentidão e o congestionamento no Centro, além dos gargalos causados pelas passagens de nível.
Hoje, praticamente todo fluxo de veículos que acessa o Distrito de César de Souza, vindo de Jundiapeba ou Braz Cubas, precisa passar pelo Centro da Cidade.
Já a Diametral, que acompanharia a linha férrea da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), seria uma opção segura, ágil e confortável para ligar os dois pontos, desviando da parte central todo fluxo que não o tem como destino.
Os dois viadutos que serão instalados na Cidade dariam suporte à Diametral.
"Os cruzamentos principais em Mogi das Cruzes seriam feitos pelos viadutos e os secundários por essa avenida. Inicialmente, seria uma extensão da Avenida Francisco Rodrigues Filho, e chegaria até as proximidades da Cavalheiro Nami Jafet.
Depois, tentaríamos fazer uma ponte pelo Rio Tietê para levarmos a Diametral até Jundiapeba", explica a arquiteta. Para evitar que o caos aumente ainda mais, ela sugere que estas obras sejam realizadas em no máximo 10 anos. "Mogi não comporta mais nada", diz.
Já o presidente do Colégio de Arquitetos, Paulo Pinhal, diz que qualquer tipo de intervenção no Centro reflete em todo o Município. "Pois temos uma Cidade já consolidada que a cada dia ‘incha’ mais. Diferente de crescer, inchar é uma doença", fala.
Uma alternativa ao trânsito seria um sistema de transporte coletivo eficiente, mas ele critica o que a Cidade possui, por ser "precário e sem qualidade".
Pinhal diz que a entidade defende concursos de ideias que possam encontrar soluções urbanas na Cidade, mas fala também da dificuldade, já que "os espaços físicos são limitados".
O Diário