sábado, 3 de setembro de 2011

BLOG DAS PPPs DOIS ANOS DE ABNEGAÇÃO E SATISFAÇÃO – Por Augusto Saboia – 03/09/11 BLOG OF TWO YEARS OF PPPs ABNEGATION AND SATISFACTION

Por Augusto Saboia
Especialista em Gestão e Políticas Públicas
Editor do Blog das PPPs

No mês de agosto o Blog das PPPs chegou a duas importantes marcas.
Dois anos de postagens ininterruptas e 200 mil acessos.

São dois motivos de felicidade para este que é o editor, mantenedor e que faz o mesmo com amor, tentando ser o mais profissional e isento possível em opiniões, artigos para o Jornal e revistas que escrevemos, os que postamos diretamente no Blog e a seção de Pensamentos Sustentáveis.

Este é um Blog que não trata apenas de Parcerias Público Privadas no seu sentido formal, mas tem uma visão mais ampla deste instituto tão importante em nossos dias e que reitero, deve ser utilizado pelos governantes, iniciativa privada, sociedade civil organizada na resolução de muitas necessidades que a comunidade tem e que não é necessariamente uma grande obra de infra-estrutura, mas ações simples onde todos poderiam dar sua contribuição na resolução de problemas que afetam uma rua, bairro, etc.

Este acho, deve ser o espírito maior e melhor das PPPs, unir a sociedade no bem comum.

Nestes dois anos já tive muitos estímulos e desestímulos para continuar ou parar esse trabalho, muitos dizem que não ganho nada com isso em termos financeiros (e que até hoje infelizmente ainda não ganhei), que estou perdendo minhas noites, fins de semana por nada, e tantos outros argumentos que procuro ouvir e tentar não pensar neles.

Às vezes bate um desânimo, mas subitamente recebo em meu email mensagens de leitores de todo o mundo, me parabenizando pelo Blog, que é muito útil, informativo, ai as opiniões e pensamentos negativos desaparecem pelo apoio de tantos que gostam do meu trabalho, postagens, artigos, etc.

Esse hoje em dia é o motor que me move para continuar e tentar sempre melhorar este trabalho que começou numa faz crítica da minha vida e que esta me dando forças para superá-la.

Não digo que gostaria de ter parceiros que apoiassem este trabalho para que eu pudesse dedicar mais tempo ou até de forma integral ao Blog, esta é uma meta que sei algum dia chegará.
Sei que o assunto não faz o sucesso de outros como futebol, música, moda e outros tantos mais amenos, com maior audiência para o público em geral, mas reputo ser de utilidade pública e que deve ter seu espaço e apoio de empresas ou outros entes da sociedade para melhor atingir os objetivos que no fundo é trazer informação útil a toda à sociedade.

Gostaria de agradecer os mais de 200.000 acessos recebidos nestes dois anos, as mensagens de apoio e estímulo.

Espero que este número aumente cada dia mais e conto com a ajuda de todos.

Se você gosta do Blog das PPPs, indique a um amigo, nos apóie nesta corrente do bem.

Gostaria de pedir também sua opinião, crítica, idéias positivas, para melhorarmos sempre esse trabalho que reputo já se incorporou a minha vida e gostaria de sempre aperfeiçoá-lo, porque assim fazendo melhorarei como pessoa e estarei sempre engajado nos problemas e desafios de um mundo cada vez mais complexo e de tantas necessidades que precisam ser satisfeitas.

A melhoria da vida de todos depende de cada um de nós fazendo sua parte, mesmo que pequena, mas que no fim faça a diferença para o bem comum.

MUITO OBRIGADO A TODOS QUE TEM ACESSADO O BLOG DAS PPPs!!!


BLOG OF TWO YEARS OF PPPs ABNEGATION AND SATISFACTION - By Augusto Saboia - 09/03/11

By Augusto Saboia
Specialist Management and Public Policy
Editor's Blog PPPs

In August, the Blog of the PPP came to two important brands.
Two years of uninterrupted posts and 200 thousand hits.

There are two reasons for this happiness that is the editor, maintainer and does the same with love, trying to be as professional as possible and free of opinions, articles for Newspapers and magazines have written, those posted directly in the Blog section and Sustainable thoughts.

This is a blog that is not just about public-private partnerships in its formal sense, but has a broader vision of this institution so important in our day and I repeat, must be used by governments, private sector, civil society organizations in solving many needs of their community and that is not necessarily a great work of infrastructure, where all but simple actions could make a contribution in solving problems that affect a street, neighborhood, etc..

I think this should be the biggest and best spirit of PPPs, to unite for the common good of society.

In these two years I have had many incentives and disincentives to continue or stop that work, many say they do not gain anything from it financially (and that still did not win unfortunately), I'm losing my nights, weekends for nothing, and many other arguments that I listen and try not to think about them.

Sometimes hitting a discouragement, but suddenly I get in my email messages from readers around the world, congratulating me for the Blog, which is very useful, informative, there opinions and negative thoughts disappear for the support of so many who like my work, posts , articles, etc..

This today is the engine that drives me to continue and always try to improve this work began is a critique of my life and that is giving me the strength to overcome it.

I'm not saying I would like to have partners who supported this work so I could spend more time in full or until the Blog, this is a goal that I know will come some day.
I know that the subject does the success of others as football, music, fashion and many other milder, more audience to the general public, but I consider to be of public interest and should have his space and support from companies or other entities society to better achieve the goals that the bottom is to bring useful information to the whole society.

I would like to thank the more than 200,000 hits received in these two years, messages of support and encouragement.

I hope this number will increase each day and count on the help of all.

If you like the PPP blog, tell a friend, support us in this chain of good.

I would also ask your opinion, critical, positive ideas to improve when I consider that this work has already entered my life and I would always make it better, because in so doing improve as a person and will always be engaged in the problems and challenges of a world increasingly complex and so many needs that must be satisfied.

Improving the lives of everyone depends on each one of us doing our part, however small, but in the end makes the difference for the common good.

THANK YOU ALL YOU HAVE ACCESSED THE BLOG OF PPP

Spaceport's Construction Heralds Era of Commercial Space Travel

by Leonard David, SPACE.com’s Space

BNDES quer Foxconn para atrair semicondutores

SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

O governo aposta na parceria com a Foxconn na fabricação de tablets no Brasil para viabilizar a indústria de componentes eletrônicos, como telas sensíveis ao toque e, posteriormente, os tão sonhados semicondutores.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deverá ser sócio da empresa taiwanesa para uma fábrica de telas sensíveis ao toque, um dos mais arrojados elementos de tablets, alguns modelos de celulares e televisões.

O Ministério da Ciência e Tecnologia confirmou o interesse do governo, que busca também outros parceiros para o investimento para o próximo ano. A avaliação é de que serão necessários dois tipos de investidores- um de perfil tecnológico, para transferência de tecnologia da Foxconn, e outro com disposição financeira.

Uma indústria de displays no país criaria ambiente para formar recursos humanos e atrair fábricas de suporte à indústria de semicondutores.

Para fabricação desses elementos, usados na produção de equipamentos eletrônicos, é preciso garantir fornecimento superestável de energia, um cinturão de fabricação de componentes, além de gente muito qualificada.

O Brasil, terceiro maior mercado de computadores e quinto maior fabricante, importa os componentes mais sofisticados da cadeia.

O governo quer dar novos incentivos fiscais à indústria de semicondutores.

Com a produção de displays da Foxconn no Brasil, o país vai sinalizar também para as empresas estrangeiras que o terreno é estável e preparado para esse tipo de atividade.

Folha SP

Esta é a ilha do futuro

O maior centro de P&D do Brasil começa a ser erguido na cidade universitária, na zona norte do rio. A área, conhecida pela pobreza, vai atrair R$ 2 bi em investimentos

Por Carlos Rydlewski
   Divulgação
ESTÁ ASSIM
O campus da UFRJ, à beira da Baía da Guanabara, vai abrigar 11 laboratórios de empresas privadas. A conclusão da maior parte das obras está prevista para o fim de 2012

A Ilha do Fundão, na Zona Norte carioca, é marcada por desolamento, distância, aridez e pobreza. Cercada por favelas que se unem no Complexo da Maré, é uma área contaminada pelo mau cheiro. O odor é provocado por um aterro que tampou seus canais naturais, nos anos 50, para a construção do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pois é nesse cenário que está nascendo um dos principais polos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do mundo. Aqui, ocorre um processo oposto ao que caracterizou a explosão demográfica fluminense. Em vez do surgimento e crescimento de favelas em torno das áreas onde mora a elite econômica, o que se vê é uma invasão de doutores em um espaço tradicionalmente favelizado dos manguezais da Baía da Guanabara.

E põe doutor nisso. Espera-se que o complexo de laboratórios de empresas de ponta leve à criação de 5 mil empregos qualificados nos próximos cinco anos. Desses, cerca de 2,5 mil serão pesquisadores – o dobro do que tem um dos maiores centros de conhecimento do mundo, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Os lotes para a construção dos laboratórios estão esgotados, mas existe demanda por novas áreas. No último processo de licitação, concluído em junho, havia quatro candidatos para três vagas. “Nunca pensei que as empresas disputariam nosso espaço a tapas”, diz Maurício Guedes, diretor do parque tecnológico da UFRJ, inaugurado em 2003. “Agora, queremos expandir nossas instalações e estamos negociando a incorporação de outros terrenos.” Na mira de Guedes estão 200 mil metros quadrados contíguos ao polo, que pertencem ao Exército.

A grande inspiração para o nascimento desse complexo é o fundão. Não a ilha, mas o fundão das bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, onde a Petrobras descobriu reservas imensas de petróleo, enterradas a 7 mil metros abaixo do nível do mar – uma região além da camada de sal, cuja espessura pode atingir dois quilômetros. O desafio para a exploração do produto nesse terreno é tamanho que exige uma espécie de reinvenção da indústria. (Esqueça a imagem das tradicionais plataformas flutuantes. Elas serão substituídas por imensas fábricas submersas, instaladas no fundo do oceano.) É isso o que leva 11 empresas nacionais e estrangeiras e a própria UFRJ a investir mais de R$ 2 bilhões no polo que ocupa 350 mil metros quadrados, a área de 42 campos de futebol. São grupos como Petrobras, GE, Usiminas e Siemens.

O objetivo primordial de todos é dobrar a produção de óleo e gás do Brasil até 2020. Por isso a Petrobras investiu R$ 1,2 bilhão na ampliação de seu laboratório na Ilha do Fundão. Mas um conglomerado desse tipo provoca impactos muito mais abrangentes na economia, e até na cultura da região. Na Coppe, o centro de pós-graduação de engenharia da UFRJ, formam-se 200 doutores por ano. No Brasil, foram titulados 1.284 nessa mesma área em 2009, o dado mais atual. O volume não vai ser suficiente para suprir a demanda – principalmente porque os demais setores da economia nacional já sentem falta de mão de obra qualificada.

Mais do que um paraíso para quem investe nos estudos, um polo de P&D tende a irradiar inovação, germinando novos negócios. Um exemplo é a Aquamet, já instalada no parque tecnológico da UFRJ. A empresa foi criada em 2008 pelos engenheiros civis Fábio Hochleitner, 39 anos, e Ricardo da Silva, 37. Ambos fizeram o doutorado na Coppe na área de meteorologia, e desenvolveram modelos matemáticos para simular o comportamento da natureza e seguir o avanço de manchas de petróleo no mar. A ideia é diminuir os danos de acidentes. Além de mapear a trajetória do óleo, o programa envia dados para dispositivos móveis, como celulares e tablets. “Esse recurso é útil para que as equipes de emergência tenham acesso a informações em qualquer lugar. Elas vão saber o que ocorre naquele momento com a mancha e qual a previsão do que acontecerá”, diz Hochleitner. “Esse tipo de solução seria útil, por exemplo, no acidente do Golfo do México, em abril do ano passado.”

Embora a clientela à vista seja a indústria petrolífera, o programa da Aquamet prevê variações meteorológicas para auxiliar empresas de energia a gerir recursos hídricos. Essa era, aliás, uma das ideias originais da empresa. “Nós fazíamos consultorias desde 2002 e percebemos que muitas empresas viviam em um buraco de informações”, diz Hochleitner. “Uma companhia do setor energético precisa saber qual a previsão de chuva em determinado período e quanto dessa precipitação será convertida em energia.” A Aquamet faturou R$ 400 mil em 2010. A previsão é que esse valor chegue a R$ 1 milhão este ano.

A Pam Membranas, outra pequena empresa do polo do Fundão, desenvolveu um sistema de filtros por membranas com bilhões de poros minúsculos, capazes de reter até microrganismos. A tecnologia nasceu de uma tese de doutorado de 1992. “Só conseguimos abrir espaço no mercado nos últimos cinco anos”, afirma Ronaldo Nobrega, sócio da empresa. “Hoje, testamos novas aplicações do produto tanto em máquinas de hemodiálise como em fábricas de cerveja.” Ele negocia a instalação de seus filtros para efluentes em todo o polo de pesquisas.

Nobrega, um ex-professor de engenharia química de 65 anos, é o típico empreendedor persistente. Há três décadas tenta criar sua empresa. Nos anos 80, quis vender um projeto de dessalinização de água no Nordeste, com filtros similares. No início dos anos 90, tentou vender sua tecnologia para aplicações hospitalares, também sem sucesso. Anos depois, um fabricante de filtros de água o procurou para desenvolver um produto nos mesmos moldes do que ele já havia feito anos antes. “Em vez de procurar um empresário para bancar o projeto, resolvi abrir o negócio”, afirma. “O mercado havia despertado para o problema da água.” Em 2004, ele se aposentou na UFRJ. O faturamento da Pam Membranas tem dobrado todos os anos desde 2006. A receita anual é de R$ 2 milhões.

Época Negócios

Antigas catedrais abrigam hotéis, livrarias e até discotecas na Europa

Na República Tcheca, a igreja do século 13 virou um spa no começo do terceiro milênio. Em uma esquina em Londres, o velho templo anglicano virou um moderníssimo estúdio musical.

Marcos Losekann Maastricht, Holanda

Igrejas de 200 anos e até mais antigas estão fechando as portas na Europa. Os edifícios, cheios de tradição, estão sendo ocupados por livrarias, estúdios de música e até boates.

Por fora, as igrejas são maravilhas arquitetônicas. Por dentro, majestosas obras de arte. São igrejas na essência, mas também prédios que se tornam alvos da cobiça imobiliária.

Nos últimos dez anos, 200 templos, em média por mês, fecharam as portas em toda Europa. As fachadas são conservadas, mas no coração das velhas igrejas batem os martelos da modernidade. Os templos são convertidos em condomínios de apartamentos, discotecas e hotéis.

Na República Tcheca, a igreja do século 13 virou um spa no começo do terceiro milênio. A gerente diz que os quartos estão sempre lotados. Para ela, é um santo negócio.

A prefeitura de Maastricht, no sul da Holanda, também acha que foi abençoada quando herdou a velha catedral em uma das áreas mais nobres da cidade. Hoje, é uma livraria frequentada por 800 mil pessoas por ano.

O prédio da livraria perdeu sua vocação eclesiástica em 1796. Ficou um tempão abandonado, virou um estábulo municipal, um depósito de bicicletas e, por fim, um salão de festas. Depois de outro período de abandono, a velha igreja de Maastricht foi comprada por um empresário holandês, que decidiu transformá-la em um templo de conhecimento e cultura.

Na Grã-Bretanha, onde o número de igrejas caiu de 55 mil para 40 mil na última década, o reaproveitamento é variado. Em uma esquina em Londres, um velho templo anglicano virou um moderníssimo estúdio musical. Hoje é um santuário do som, considerado pelos papas da música um dos melhores do mundo em termos de acústica.

Mas o que os sacerdotes acham disso? “É o triste sinal dos tempos”, diz o padre Jeremy, responsável por uma pequena paróquia no norte de Londres. “As pessoas até acreditam em Deus ainda, mas acham que não precisam mais ir à igreja. Esquecem o verdadeiro sentido de comunidade”.

Polêmico, o assunto ganha espaço na imprensa britânica que de um modo geral bota a maior fé nesse tipo de solução. Alguns editoriais defendem que pecado, mesmo, seria botar esses belos prédios no chão.

JN

"Say somethng nice", projeto dá voz do bem ao novaiorquinos

EcoD

O que você falaria se tivesse a chance de dizer algo bom para a sua cidade? Pois essa foi a experiência que os novaiorqunos puderam vivenciar nesse mês de agosto.

O projeto "Say something nice" colocou uma megafone e um púpito para que as pessoas que passassem por diversos pontos da cidade pudessem soltar a voz.

"Say somehng nice" foi m projeto produzido pela Improv Everywhere para ser exibido no Museu Guggenheim, em Nova York. Assista parte do vídeo abaixo.

Portugal: Hospital de Braga custa mais de metade das parcerias da saúde


A parceria público-privada criada para a construção e gestão do hospital de Braga é a que tem o maior peso financeiro nas actuais parcerias da área da saúde.

Dos 172 milhões e 200 mil euros que custaram aos cofres públicos os encargos correntes com as cinco parcerias já criadas pelo Ministério da Saúde – a parceria para a construção e gestão do hospital de Vila Franca de Xira (Grupo Mello) está ainda numa fase inicial, estando a aguardar o Visto do Tribunal de Contas –, quase 95 milhões de euros são da responsabilidade da unidade hospitalar bracarense.

Diário do Minho

Show do bilhão

Bilionários dizem ‘parem de nos mimar’ e se dispõem a pagar mais impostos


IVAN MARSIGLIA

Desde 1998, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca não usa carro. Trocou-o por caminhadas, táxis e transporte coletivo. Esse não foi, no entanto, um exercício de contrição devido à sua conhecida militância pela causa da sustentabilidade - engajamento que o levou a participar ativamente da campanha presidencial da ex-senadora Marina Silva. A razão é prosaica: Giannetti simplesmente não consegue decorar caminhos e não suporta perder tempo trocando marchas em meio a engarrafamentos.

Talvez seja por isso que esse mineiro de Belo Horizonte criado em São Paulo e apaixonado por filosofia - que optou, "por razões de segurança profissional", por cursos simultâneos de economia e ciências sociais na USP, doutorando-se em seguida pela Universidade de Cambridge - desconfie de ideias não assentadas na vida prática. "Se formos depender da boa vontade das empresas ou dos consumidores, nada vai mudar", adverte, num trecho da entrevista a seguir, concedida ao Aliás no apartamento para o qual acaba de se mudar, no bairro paulistano da Vila Madalena.

O milionário Maurice Lévy, presidente da Associação Francesa das Empresas Privadas


Ganhador de dois Prêmios Jabuti por obras que discutem a ética e a história das ideias econômicas, Vícios Privados, Benefícios Públicos? (Cia. das Letras, 1993) e As Partes & o Todo (Siciliano, 1995), e também do best seller Felicidade - Diálogos sobre o Bem-Estar na Civilização (Companhia das Letras, 2002), Giannetti reagiu com ceticismo à genuflexão feita nas últimas semanas por megaempresários dispostos a contribuir mais para a superação da crise financeira mundial que ronda as manchetes desde 2008.

No dia 14, o bilionário americano Warren Buffett pediu aos endividados governos europeus e americano que "parem de nos mimar" com isenções fiscais, em nome de um "sacrifício coletivo". No dia 29, o executivo-chefe do Publicis Groupe e presidente da Associação Francesa de Empresas Privadas, Maurice Lévy, fez coro em um artigo no Financial Times: "Não sou masoquista, mas nós ricos temos que pagar mais".

Para o filósofo da economia, tais palavras denotam mais um exercício de marketing pessoal que uma real preocupação em distribuir riqueza, muitas vezes acumulada na expansão sem freios do sistema financeiro. Mais: lembra que, em um mundo ameaçado pelo aquecimento global e o esgotamento dos recursos naturais, "os países que estão chegando tardiamente à festa do consumo", como China, Índia e Brasil, não poderão participar dela da forma que fizeram europeus e norte-americanos. E que a necessária transformação desses padrões de consumo na direção da sustentabilidade só será possível se os custos ambientais forem incorporados a um sistema de preços que hoje ignora a destruição do planeta.

Warren Buffett e Maurice Lévy tiveram uma crise de consciência ou é instinto de autopreservação?

Por trás disso está a percepção de que existe uma desigualdade injustificável no mundo hoje, mesmo em países muito prósperos como os EUA e a França. Uma das maneiras de corrigir isso seria uma tributação progressiva, como já é praticada - mas que talvez tivesse que ir ainda mais longe. A minha percepção sobre a questão da equidade e da justiça distributiva não considera, como muita gente pensa, que toda desigualdade é ruim. O que não é legítimo é a desigualdade imposta na situação de partida. Ou seja, é eticamente errado um sistema no qual a condição em que uma pessoa vem ao mundo predetermina, quase que inescapavelmente, seu limite. Se, do contrário, houver certa paridade no acesso à educação, saúde e desenvolvimento para todos, a desigualdade que aflora a partir daí é até bem-vinda. Pois ela pode refletir, inclusive, diferenças de valoração: há pessoas dispostas a sacrificar mais de seu tempo e de sua energia para obter sucesso financeiro do que outras - que valorizem mais a afetividade, o conhecimento, a estética ou qualquer outra possibilidade de realização humana, por exemplo. Igualdade de resultado não é meritória em si. A de partida, sim.

Dia 25, Buffett investiu US$ 5 bilhões no Bank of America dizendo que estava dando um ‘voto de confiança’ em uma instituição americana em crise. Em seguida, as ações do banco dispararam 24%. Seria uma espécie de filantropia de resultados?

A escolha com base em critérios de nacionalidade ou de "voto de confiança" não faz parte da lógica da gestão de recursos. Estou certo de que Buffett, quando fez essa opção, levou em conta outros fatores - muito mais que esse, que me parece um exercício de public relations. Pega bem dizer isso.

Na quinta, o premiê Silvio Berlusconi retirou do pacote de ajuste fiscal italiano o ‘imposto da solidariedade’ que iria taxar os mais ricos. O discurso não chega à prática?

A crise financeira de 2011 é uma sequela de uma crise que não foi devidamente resolvida. A imagem que me ocorre é a seguinte: um paciente que esteve na UTI, à beira do colapso fatal, sobreviveu à base de remédios muito poderosos e de estímulos violentos. Ele consegue voltar para casa, mas está em convalescença, sob intensa medicação. Essa medicação é a política monetária e a política fiscal: juros muito baixos e gastos do governo financiados por meio de endividamento. De repente, esses estímulos começam a perder eficácia, e o paciente ainda está com a condição muito frágil, porque a economia não se recuperou e o desemprego é alto. Estamos nessa situação. Ou o paciente vai se manter em estado razoável mesmo com os medicamentos perdendo efeito até sua recuperação lenta ou vai ter uma recaída grave e voltar para uma situação periclitante. O fato é que se trocou um excesso de endividamento do setor privado por um excesso de endividamento do setor público. Houve uma socialização das perdas que deveriam ter sido assumidas, mas não foram. O que mostra que há algo profundamente errado com o sistema financeiro: pois quando oferecia enorme rentabilidade e lucros altos, ninguém questionou se a apropriação disso era pública ou privada. No momento em que as perdas se materializaram, o setor público as assumiu para si, jogando a conta para as gerações futuras por meio de dívida. E agora há uma credibilidade em jogo em relação à capacidade desses Estados honrarem os compromissos que assumiram.

A atitude desses bilionários benemerentes sinalizaria também uma preocupação com a incapacidade de os Estados nacionais, em um mercado cada vez mais global, darem conta de socorrê-los em situações de crise?

Sim. E acho que essas declarações de bilionários são muito pouco relevantes para se entender os processos e desafios que estão colocados. O total de ativos financeiros no mundo - que é a soma dos depósitos em bancos, títulos de dívida e ações - passou de US$ 96 trilhões em 2002 para US$ 167 trilhões no auge da expansão, no fim de 2007. Aumentou 75% em quatro anos. Ou seja, houve um crescimento descontrolado de papéis que representam direitos sobre riqueza no mundo. O lucro dos bancos americanos até o início dos anos 80 representava 10% do lucro total da economia americana. Chegou a 40% do total em 2006. A pergunta crucial foi feita pelo (economista e ex- presidente do Federal Reserve, o banco central americano, nos governos Jimmy Carter e Ronald Reagan) Paul Volcker: "Como justificar que o sistema financeiro se aproprie de 40% dos lucros da economia americana?" Qual é o valor socialmente reconhecido em termos de benefícios, de satisfação das necessidades humanas, que pode justificar uma proporção tão exagerada do lucro sendo capturada pelo sistema financeiro?

O problema foi a desregulamentação do setor, desde as reformas de Reagan e Thatcher nos anos 80, como alguns dizem?

A hipertrofia dos mercados especulativos foi consequência dessa aposta desastrada na desregulamentação. Mas o problema maior é que alguns mercados são especialmente intratáveis do ponto de vista da regulamentação - e o financeiro é um deles. Ele é de uma criatividade diabólica, extremamente complexo, impõe uma situação em que os burocratas, regulamentadores, estão sempre olhando pelo retrovisor. Tentam prevenir uma crise parecida com a que ocorreu, mas a próxima vem diferente. Bolhas especulativas existem desde que o mercado atingiu um mínimo de sofisticação. Uma das mais pitorescas foi a "mania das tulipas", na Holanda do século 17. Houve uma especulação fenomenal em torno de compra e venda de tulipas, primeiro físicas e, depois, para entrega no futuro.

Empresários que se propõem à filantropia ou se dispõem a pagar mais impostos adotam as chamadas 'boas práticas' nos negócios?

Nem sempre. Mas a sociedade está cada vez mais atenta e dispõe de meios tecnológicos para punir os pilhados em práticas inaceitáveis. O caso mais recente é o da (grife espanhola de roupas) Zara, que contratou oficinas que se utilizavam de trabalho escravo. Uma falha dessa gravidade pode comprometer o patrimônio de uma empresa. Reputação é uma coisa que se demora a construir e se destrói instantaneamente.

A valorização do chamado 'instinto animal do empresariado' ainda tem lugar em uma sociedade que fala cada vez mais em sustentabilidade e consumo responsável?

Se tivermos que esperar a regeneração moral da humanidade para resolver o problema ambiental, estamos fritos. Ela não vai ocorrer. E quem imaginar que outro modelo econômico implantado de cima para baixo dará conta do recado, também está enganado. A pior experiência ambiental do século 20 é a da União Soviética. O que se percebe agora é que o mercado competitivo regido pelo sistema de preços padece de uma falha extremamente grave no tocante à relação entre o ser humano e o mundo natural. Ele não fornece uma sinalização adequada dos custos ambientais envolvidos em nossas escolhas de produção e consumo.

Explique melhor.

Por exemplo: vamos comparar duas opções de geração de energia elétrica. Na solar, na melhor tecnologia existente, o custo é de US$ 0,17 por quilowatt/hora. Ele está caindo e pode chegar US$ 0,10 nos próximos anos. Já uma termoelétrica a carvão gera um quilowatt/hora, igualzinho, por US$ 0,02 a US$ 0,03. Qual é a opção lógica de uma empresa que esteja no mercado ou de um país que queira ser competitivo? É o que a China está fazendo: termoelétrica a carvão. Só que essa comparação é tremendamente distorcida. E o custo da emissão de CO2 gerado pela queima do carvão? Não aparece na conta. É como se o custo imposto à humanidade e às gerações futuras não existisse. Outro exemplo: quando você come carne, paga a criação do gado, a pastagem, o transporte, a embalagem, mas não a emissão de CO2. Só que se você somar todo o rebanho mundial, bovino, suíno e aviário, a emissão de CO2 equivalente é maior do que de toda a frota automobilística do planeta. Os preços que pagamos pelo que fazemos não estão refletindo o custo total do que estamos consumindo. É essa a falha grave do sistema de preços a corrigir.

Essas coisas terão que custar mais?

Sim. O preço é um pacote de informação econômica: ele reflete, de um lado, o custo de produzir e, de outro lado, a satisfação que o consumidor tem ao consumir. Em nenhuma das duas dimensões hoje em dia está incorporado o aspecto meio ambiente, o uso de recursos naturais não renováveis, água, emissão de gases nocivos. Isso terá que ser incorporado. O problema é que se formos depender da boa vontade das empresas ou dos consumidores, isso não vai mudar. A British Airways introduziu recentemente, para o cliente de passagem aérea, a opção de pagar na emissão do bilhete o crédito de carbono correspondente ao trajeto. Imaginando que, como o mundo está aparentemente desesperado com o aquecimento global, os passageiros conscientes iriam aceitar pagar. Sabe qual foi a adesão? 3%. É a história do jovem Agostinho, que orava: "Dai-me, Senhor, a castidade e a virtude. Mas não agora". (Risos.)

Como essa dimensão, digamos 'ética' e ambiental, seria incorporada aos preços?

A implementação disso ainda não é clara. A Austrália tem uma experiência pioneira. Em nível planetário, não dá para imaginar 193 países reunidos em um fórum para reformar o sistema. Seria necessária a iniciativa de três a cinco atores relevantes, União Europeia, China e EUA, digamos. E os outros teriam que entrar, ao preço de sanções. É um debate complicado, eu sei. Especialmente porque não temos instituições multilaterais que deem conta desses desafios. Mais: a desigualdade de renda entre países é maior que a existente no país mais desigual do mundo. É um problema de equidade internacional. Mas é fato: os países que estão chegando tardiamente à festa do consumo não vão poder participar. Gostemos ou não. E o dilema é saber como compatibilizar as aspirações da nova classe média que surge no mundo com os limites do padrão que nos foi vendido pelo projeto iluminista de progresso. Não é trivial mudar preferências e visões de realização humana.

No livro Felicidade, o senhor diz justamente que as promessas de bem-estar do Iluminismo, associadas ao progresso das ciências e ao domínio da natureza pelo homem, não se cumpriram. Mas qual seria a alternativa?

Precisamos superar e não rejeitar o legado iluminista. No sentido alemão, de incorporá-lo e ir além. Ele nos trouxe conquistas extraordinárias no campo da tecnologia, da ciência, da medicina, da produtividade. Mas também mostrou seus limites: o caminho estreito do progresso econômico não sacia as aspirações de realização humana, nos coloca numa corrida armamentista do consumo e ainda compromete gravemente o equilíbrio ambiental da vida. A humanidade vai ter que encontrar uma saída. Fico esperançoso com a pesquisa que mostra que o crescimento econômico traz ganhos de bem-estar subjetivo, que seria a felicidade, no seu início, quando um país parte de um nível de renda muito baixo. Mas que, a partir de certo ponto, não há mais qualquer evidência de que o crescimento da renda continue trazendo acréscimos de bem-estar. Ou seja, os países do mundo não precisam ter o padrão de consumo norte-americano para alcançarem padrões de felicidade iguais ou superiores.

O sr. se alinha aos economistas que questionam o uso do PIB como índice de progresso.

É claro. Veja que coisa: se você vive em uma comunidade em que a água é um bem livre, como o ar que respiramos, isso não entra nas contas nacionais. Não há registro econômico. Se essa comunidade, ao contrário, polui todas as fontes de água natural e, para continuar sobrevivendo precisa purificar, engarrafar, distribuir ou importar água, o que ocorre com o PIB do país? Ele aumenta! É uma maluquice. A qualidade de vida piorou, você tem que trabalhar mais para beber água, e o sinal que a economia tal como é registrada emite é o de que a vida melhorou. Se você vai a pé para o trabalho, isso não entra no PIB. Mas se passa horas no trânsito, de carro, poluindo a cidade e prejudicando sua saúde física e mental, o PIB aumenta! Porque uma coisa que não era intermediada pelo sistema de preços passará a ser. As pessoas não têm noção de como os números distorcem a realidade.

Existe uma ética inerente ao capitalismo ou ele é um formidável sistema de geração de riquezas que precisa ser 'civilizado'?

Sou um estudioso do assunto há anos e parei de usar a palavra "capitalismo". Será que faz sentido usar essa classificação para designar um sistema econômico que existe no mundo desde o século 17? Se alguém diz "economia de mercado", aí sim, sei do que estamos falando. Ou "economia de planejamento central". A economia que existe é a que procura mobilizar o autointeresse, o fato de que as pessoas querem melhorar de vida e têm ambições de todo o tipo, para que disso resulte um benefício social. Se você deseja melhorar de vida, ofereça algo cujo valor os demais reconheçam. Há regras para que isso ocorra de maneira ordenada e benéfica, em termos de criação de riqueza. Toda uma ética do que é legítimo como prática concorrencial e do que não é. Um arcabouço de justiça que Adam Smith já discutia em A Riqueza das Nações, como função do Estado. Aliás, quero escrever um ensaio chamado "O Fim do Capitalismo". Do conceito (risos). Saber quem inventou essa palavra, que colonizou o nosso pensamento. Marx falava em "modo de produção capitalista", mas a substantivação disso é outra coisa. Tem gente que atribui ao capitalismo a condição de agente. "O capitalismo faz isso, aquilo..." Como se fosse dotado de vontade. Só que esta cabe ao homem.

Entrevista Eduardo Giannetti da Fonseca
Economista. doutor pela Universidade de Cambridge e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper)

Estadão

Projeto visa atrair usinas de etanol ao semiárido

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, apresenta na próxima semana à presidente Dilma Rousseff um projeto que pretende levar mais usinas de etanol à região do semiárido brasileiro, no Nordeste.

O principal objetivo é, além de ampliar a produção do combustível no Brasil, impulsionar o programa de irrigação na região, cujo investimento poderá alcançar R$ 5 bilhões por meio de PPPs (parcerias público-privadas).

Aliados à irrigação, o clima seco, a alta incidência de luz solar e as chuvas concentradas em poucos meses do ano fazem da região uma das melhores do Brasil para o cultivo da cana-de-açúcar.

Segundo pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a cana-de-açúcar plantada na região chega a ter produtividade de 200 toneladas por hectare no ciclo mais alto.

A condição ideal afastaria o risco de quebra da safra da cana por condições climáticas, como ocorreu neste ano na região centro-sul do país, e a consequente elevação dos preços dos combustíveis por falta de oferta de etanol.

Coelho foi procurado ontem para apresentar o projeto, mas disse que só o faria após falar com a presidente. Na semana passada, o ministro esteve na Austrália a convite do Banco Mundial conhecendo programas de irrigação de culturas.

Lá, ele também conheceu o agave planta parecida com a babosa, que pode ser uma alternativa à cana na produção de etanol.

O agave também é conhecido por produzir a tequila e passará a ser estudado pela Embrapa e pela Codevasp (empresa ligada ao Ministério da Integração Nacional) como alternativa à cana.

Segundo informou o próprio ministério, alguns estudos apontam que a produtividade de etanol por hectare à base de agave é superior à da cana-de-açúcar, chegando a dobrar. Outra vantagem é sua aptidão para o semiárido.

Diário do Nordeste

Reta final para o aeroporto Regional de Jaguaruna

A previsão para conclusão total das obras do Aeroporto Regional de Jaguaruna é o fim deste ano, mas o início da operação acontecerá durante 2012.

Acompanhando de perto os trabalhos, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Tubarão (ACIT), Eduardo Silvério Nunes, diz que faltam apenas detalhes.

“O acesso ao local está sendo bem executado. O terminal de passageiros e a pista estão prontos. Faltam detalhes como mobiliário, iluminação e alguns equipamentos”, salienta Nunes.

O secretário de Articulação Nacional do Governo do Estado, Acélio Casagrande, terá reunião nos próximos dias com lideranças da região para definir o tipo de operação. “A região deve definir se quer que a Infraero opere o aeroporto ou se criarão uma parceria público-privada (PPP).

Mas acredito que as lideranças serão convencidas de que a Infraero é a melhor opção”, explica o secretário. O presidente da Acit ressalta que os empresários querem que o operador tenha um pensamento regional.

“Gostaríamos que fosse alguém que tivesse um pensamento regional e com foco em investimento, que opere com o objetivo de investir ainda mais no aeroporto e na região”, comenta Eduardo Silvério Nunes.

Os equipamentos necessários para que o aeroporto inicie sua operação serão adquiridos pelo Estado nos próximos meses. “O processo de licitação para compra desses aparelhos vai iniciar agora. Após a instalação, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) precisa fazer o trabalho de inspeção para liberar o aeroporto”, ressalta Casagrande. “Mas acredito que ele iniciará a operar normalmente durante o ano de 2012”, completa.

O Aeroporto Regional de Jaguaruna tem uma pista de 2,5 km de comprimento e 30 metros de largura. Ele terá condições de receber aeronaves com capacidade para cerca de 200 passageiros. Empresas aéreas como Gol, TAM e Azul já estão verificando a possibilidade de se instalarem no local assim que a operação iniciar.

Engeplus

Obra da Tamoios desmatará 200 campos de futebol em SP

A duplicação da Rodovia dos Tamoios, no trecho do planalto, vai provocar o desmatamento de uma área de 224 hectares, o equivalente a mais de 200 campos de futebol. E cerca de 74 hectares estão em Áreas de Proteção Permanente. O diagnóstico está no Relatório de Impacto Ambiental protocolado nesta semana na Secretaria do Meio Ambiente.

O documento é o primeiro passo para que essa parte do empreendimento - de 53 km, antes da Serra do Mar - receba o licenciamento ambiental e saia do papel. Para o trecho de serra haverá outras estudos ambientais, que estão sendo elaborados.

A Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) e o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), responsáveis pelo projeto, promoveram a avaliação de três opções para a duplicação. A alternativa indicada prevê que as novas pistas sejam construídas dos dois lados da via existente, dependendo da localização, com a instalação de uma mureta entre os sentidos.

A Dersa ainda publica hoje os editais de pré-qualificação para concorrência das obras e serviços de duplicação do km 11,5 ao km 60,48, no Diário Oficial do Estado.

O objetivo da pré-qualificação é selecionar empresas nacionais que atendam às exigências técnicas para a execução dos contratos de obras e serviços. A íntegra do documento está disponível para consulta no www.dersa.sp.gov.br e no www.e-negociospublicos.com.br.

Paraibuna. O trecho em que haverá os principais impactos ambientais começa a partir do km 56, no sentido litoral. Entre os tipos de vegetação, há desde formações florestais nativas e exóticas, áreas reflorestadas e bosques a cultivo agrícola. O município que mais perderá vegetação é Paraibuna.

O estudo ambiental avalia que o impacto nas áreas verdes será limitado, uma vez que a duplicação vai ser feita na faixa que já é de domínio da pista. Segundo a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), se for considerada só a vegetação nativa de porte florestal (vegetação secundária em regeneração), o impacto será inferior a 30 hectares.

O ambientalista Carlos Bocuhy, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), afirma que qualquer desmatamento da região é preocupante, uma vez que se trata de uma área de transição entre a Serra do Mar e da Mantiqueira, abrigando uma biodiversidade específica. 'Tem de se avaliar as ações mitigatórias e compensatórias. Não dá para dizer que vão apenas plantar algumas mudinhas', completa.

Já o ambientalista Beto Francine Junior, presidente do Instituto Gondwana, é mais otimista com a compensação. 'A diversidade da fauna, por exemplo, já é impactada com a estrada que já existe e o desmate ocorrerá na faixa de domínio. Os plantios futuros podem compensar.'

Para ele, a principal preocupação é com o impacto que a duplicação vai provocar nos municípios litorâneos, no trânsito e na infraestrutura das cidades, como nas questões de saneamento. 'O ideal era que fosse feito o contrário: resolvessem os gargalos nas cidades e depois começasse a duplicação.'

Desapropriação. O número de moradias residenciais atingidas não deve ser grande. Na avaliação, que ainda é preliminar, foram identificadas apenas 20 edificações. Para melhorar as condições de segurança, dois trechos da Tamoios ganharão uma via marginal. São locais em que há polos geradores de tráfego: entre o km 11,75 e o km 12,36 (Fundação Casa) e entre o km 56 e o km 46 (onde há aglomerado residencial e concentração de comércios, como os restaurantes Girassol e Fazendão).

O projeto vai custar cerca de R$ 1 bilhão. A promessa é de que as obras comecem em março e tudo fique pronto em até 20 meses. Restam três análises ambientais a serem feitas: do trecho da Serra do Mar, dos contornos (de São Sebastião e de Caraguatatuba) e do Porto de São Sebastião - todos precisam de Eia-Rima (Estudo de Impacto Ambiental). Enquanto a duplicação do planalto é feita, o Estado espera obter as outras licenças e lançar uma Parceria Público-privada (PPP).

Trecho tem dez pontos críticos para acidentes

A Rodovia dos Tamoios tem hoje dez pontos críticos para acidentes apenas no trecho de planalto, sem contar a serra. As áreas de risco começam já no km 11 no sentido litoral e foram mapeadas no Relatório de Impacto Ambiental, por causa de curvas perigosas, falta de acostamento, localização de comércios na beira da estrada e acessos a outras vias mal planejados.

O primeiro trecho perigoso para os motoristas que seguem rumo ao litoral fica do lado da unidade da Fundação Casa e no acesso à empresa Avibras. A curva próxima da Obra Social Rosa Mística, entre os km 18 e 20, é um dos pontos mais preocupantes. Não por acaso, é um dos pontos em que o novo projeto prevê uma alteração de traçado a fim de 'suavizar' a curva e evitar acidentes. No km 26, pouco antes do da travessia sobre o Rio Paraíba do Sul, o declive longo e acentuado também tornou-se motivo de acidentes. O mesmo ocorre no acesso ao município de Paraibuna, no km 31.

Estadão

A grande jogada da Copa do Mundo fora dos gramados no RN

Para os críticos, a Copa do Mundo é um luxo que Natal não poderia nem pensar. Afinal, como explicar os gastos bilionários num estádio de futebol, enquanto os recursos para Saúde, Educação e Segurança Pública são cada vez mais escassos? Para os defensores do projeto, será uma oportunidade ímpar para melhorar a infraestrutura da cidade.
Os mais otimistas dizem que será um divisor de águas.

Longe da polêmica, a indústria da construção civil se antecipa. Para ela, 2014 já chegou. A prova está aí para qualquer um ver: os tapumes brancos que cercam toda a área do Estádio Machadão e do Ginásio Poliesportivo Machadinho, além de parte do Centro Administrativo do governo do Estado. Eles marcam o início das obras do estádio conhecido popularmente de Arena das Dunas e que está sendo erguido para receber jogos da Copa. O estádio não é a única ação prevista para este ano.

Há também o Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, que depois de quase de 10 anos de negociação, parece finalmente decolar para a realidade do município pertencente à Grande Natal. Também na região metropolitana da capital, inclusive, deve começar ainda este ano o grande projeto de saneamento básico de Parnamirim. Uma obra orçada em cerca de R$ 140 milhões e que, em 2011, está saindo do papel e virando benefício para milhares de habitantes de uma das cidades que mais cresce no Estado.

Somando o valor investido em Parnamirim com as obras de saneamento básico, aos R$ 400 milhões do novo estádio da Copa do Mundo, aos R$ 390 milhões das obras de mobilidade urbana em Natal e, ainda, ao aproximado R$ 1 bilhão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, as cifras se aproximam dos R$ 2 bilhões.

No Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, já foram investidos cerca de R$ 150 milhões e a previsão é que o governo federal arque com mais R$ 250 milhões com a conclusão de pistas de pouso e a construção da torre de controle. A iniciativa privada deve ser responsável por mais que dobrar esse valor: injetará mais R$ 650 milhões para erguer o terminal de passageiros e a área destinada à exploração comercial.

A administração do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante ficará a cargo do Consórcio Inframérica, que a arrematou por R$ 170 milhões. Com esse valor, o

ágio a ser pago é 228% sobre o valor mínimo estipulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "Acreditamos que o mercado para este aeroporto no Rio Grande do Norte é muito bom. O Estado está muito próximo da Europa. Pode acontecer um hub de cargas da Europa para o RN e sabemos que o aeroporto tem capacidade para receber aeronaves capazes de cruzar o Atlântico", avaliou José Antunes Sobrinho, vice-presidente da Engevix Engenharia, empresa integrante do consórcio junto com a argentina Corporación América.

O investimento, segundo a governadora do RN, Rosalba Ciarline, é "muito importante para nosso Estado". Ela, assim como o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), Flávio Azevedo, foi um dos presentes no leilão ocorrido em São Paulo.

"O Rio Grande do Norte passa a ser um, antes do aeroporto, e outro, depois do aeroporto. Nós perdemos num passado recente a refinaria, mas esta obra é mais importante que a refinaria, em termos de emprego, renda e desenvolvimento.

O Aeroporto de São Gonçalo do Amarante será o mais importante do Brasil", afirma o deputado federal Henrique Alves, um dos responsáveis pela mobilização da bancada potiguar na Câmara, em favor do leilão do aeroporto.

Um dos motivos que fez o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante ser tão disputado no leilão ocorrido em São Paulo, foi o fato de Natal está na Copa do Mundo de 2014. E, para que o Mundial realmente ocorra na capital, é fundamental a construção do estádio. Este, porém, ainda é o principal motivo de desconfiança do potiguar ou, pelo menos, era. Afinal, em agosto, começaram as obras da Arena das Dunas.

A construção, inicialmente, se limita ao trabalho de terraplanagem do terreno. Quando a ordem para a demolição do Machadão for assinada, o estádio será demolido mecanicamente e parte dele ainda poderá ser reciclada e reutilizada na Arena.

Para quem ainda desconfia e acha que a implosão seria uma melhor alternativa por ser mais célere, o secretário Extraordinário para Assuntos Relativos à Copa no RN (Secopa), Demétrio Torres, destaca que o Machadinho, por exemplo, deve ir ao chão em menos de 30 dias.

Mesmo enquanto o estádio e o ginásio não estiverem totalmente demolidos, as obras da nova Arena já seguem em bom ritmo, sem prejuízos. Isso porque apenas uma parte dela ficará localizada onde estão agora os dois. "Sabemos que a demolição do Machadão é emblemática para o marco do início do processo de construção da Arena das Dunas, mas não teremos a necessidade de colocar aquela estrutura abaixo logo. Portanto, o trabalho irá sendo realizado de acordo com a necessidade", explica Demétrio Torres.

Mobilidade urbana: o legado da Copa

O novo estádio construído na Zona Leste de Natal e o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante devem ser as duas grandes obras pensadas para a Copa do Mundo em Natal. Entre as duas, ou melhor, ligando uma a outra, está uma série de reformulações no trânsito de Natal. São as chamadas obras de mobilidade urbana que prometem interligar de forma decisiva a região metropolitana da capital.

"As obras de mobilidade urbana serão o grande legado da Copa do Mundo em Natal, sem dúvida. Ela vai ser determinante para unir São Gonçalo do Amarante à Zona Leste, onde ficará o estádio, passando pela Zona Norte e chegando, inclusive, até Ponta Negra. Vai valorizar todas as áreas de Natal", prevê o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RN), Arnaldo Gaspar Júnior.

Para aqueles que olham com receio o investimento feito em obras de construção de estádio e aeroporto e melhoria e ampliação das ruas, Gaspar afirma: "Não adianta ser contra essas obras, porque elas não estão tomando o lugar de hospitais ou escolas.
O governo federal não chegou para o Estado e perguntou: vocês querem recursos para a educação ou para a Copa do Mundo?"

Em relação às obras de mobilidade urbana, representantes das empresas de transporte urbano das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 se reuniram em São Paulo, na última semana de agosto, para discutir projetos estruturantes de mobilidade urbana. Entre os temas abordados, os principais foram as parcerias público-privadas e o sistema de transporte conhecido como BRT (Bus Rapid Transit), uma espécie de corredor exclusivo de ônibus criado em Curitiba. Cerca de 80% dos projetos das cidades-sedes já contemplaram sistemas BRT. Natal, porém, não está incluída.

Para Otávio Vieira Cunha, a PPP é uma resposta à falta de capacidade de investimento e endividamento das cidades. "Se o governo não tem caixa para investir e não pode contrair dívidas, uma saída possível é fazer a parceria. Dessa forma, o setor privado investe e opera o sistema por um determinado período de tempo", explica Otávio.

O prazo dado pelo governo federal para o início e a conclusão das obras de mobilidade é, respectivamente, o fim de 2011 e o fim de 2013. "Acredito ser possível modelar uma PPP até o fim do ano. Com certeza é tempo suficiente", diz, acrescentando que não há grandes preocupações com o prazo de nenhuma das cidades-sedes por parte do empresariado: "O que mais demora, principalmente quando se fala de BRT, são as desapropriações".

Apesar das obras de mobilidade urbana serem fundamentais para a integração da cidade, elas não podem ser encaradas como únicas saídas para resolver todos os problemas no trânsito natalense. "O problema dos congestionamentos é resultado do fluxo de carros. Melhorando as vias, o problema é solucionado hoje, mas no futuro pode aparecer novamente. Por isso, a saída é investir em transporte público de qualidade, para fazer as pessoas escolherem menos o individual e diminuir o número de carros nas ruas", comenta Arnaldo Gaspar.

Tribuna do Norte

Secretariado do governador de SC Raimundo Colombo (DEM) relata metas para próximos quatro anos

Secretários já identificaram as necessidades e planejam as ações para cada setor

Daniel Queiroz/ND


Durante visita à sede do grupo RIC Record na quinta-feira (10), parte do secretariado acompanhou o governador Raimundo Colombo (DEM) e o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) e foram relatadas as principais metas para os próximos quatro anos. Os primeiros 70 dias de governo foram focados em conhecer a estrutura da máquina pública do Estado, trabalho que deve continuar ao longo de 2011.

“As demandas da sociedade são maiores que as disponibilidades financeiras. Por isso temos que ser criativos na busca por esses recursos. O tempo passa muito depressa e as soluções são lentas. É hora de implantarmos um ritmo mais acelerado”, destacou Eduardo Pinho Moreira. “Nós queremos resultados e a sociedade nos cobra”, completou Raimundo Colombo, confiando nos trabalhos a serem desenvolvidos pelo secretariado.

Marco Tebaldi (Educação), Paulo Bornhausen (Desenvolvimento Sustentável), César Grubba (Segurança Pública e Defesa do Cidadão), Valdir Cobalchini (Infraestrutura), Dalmo de Oliveira (Saúde) e Ênio Branco (SC Parcerias) fizeram relatos do que estão planejando e pretendem executar durante a gestão. O secretário da Fazenda, Ubiratran Rezende, foi suscinto. “O trabalho da Fazenda é garantir os recursos para que tudo o que foi apresentado possa ser realizado”, observou.

Saúde

O secretário da Saúde, Dalmo de Oliveira, relatou que a saúde em Santa Catarina é “complexa” porque tem uma característica peculiar: ao contrário de outros Estados, SC “tem muitos hospitais que oneram o Estado”. Dalmo de Oliveira também frisou que o governo precisa dar uma resposta à sociedade com relação às filas para cirurgias de média complexidade, como as oftalmológicas, por exemplo, e defendeu as organizações sociais que desburocratizam o sistema.

A carência na área de tratamento para dependentes químicos, função bem desempenhada por instituições religiosas, foi tratada pelo secretário. Ele lembrou ainda do tratamento psiquiátrico. “É um problema sério que existe há décadas, uma política pública federal de desospitalização do tratamento ao paciente psiquiátrico. Isso está causando uma demanda não atendida. Há uma dificuldade muito grande hoje de proceder internação de um paciente em crise aguda e surto psicótico em Santa Catarina. Estimulamos que os hospitais, quando possível, possam ter a sua ala psiquiátrica.”, informou.

Educação

O secretário da Educação, Marco Antonio Tebaldi, admitiu que a escola pública esta muito aquém do que dela se espera e longe de suprir as necessidades que o país precisa, além disso criticou o fato de os administradores públicos matricularem os filhos em escolas particulares. “As nossas escolas (públicas) só serão boas quando os nossos filhos estiverem lá”, rebateu. Tebaldi falou do gigantismo da Educação em Santa Catarina, com 1.308 escolas, 700 mil alunos e 38 mil servidores. “Só se transforma a sociedade com educação”, disse.

O secretário promete investir mais em inovação pedagógica e na educação de nível técnico, já que o mercado de trabalho anseia por profissionais deste nível. Falou também em criar o SOS Escola. Trata-se de um programa de manutenção permanente das unidades educativas. Na Secretaria de Educação existem 200 obras em andamento, entre reformas de escolas, construções de novas unidades e reformas de ginásios de esporte. O secretário defende a municipalização do ensino fundamental. O ensino médio deve ficar com o Estado, segundo ele.

Segurança

O secretário de Segurança Pública e Defesa do Cidadão, César Augusto Grubba, destacou a importância da prevenção ao uso de drogas para diminuir as violência. “Mais de 70% dos homicídios estão relacionados ao uso de drogas. Quanto mais o Estado gasta na área social, menos gasta na área penal”, disse.

Além da prevenção, a secretaria pretende atuar na repressão. Mil novos policiais militares serão colocados na rua em 2011. “Os primeiro 500 policiais já tiveram a aula inaugural (no dia 10) e vão para a academia até julho. Depois, fazem estágio prático na rua. Também a partir de julho, mais 500 estarão sendo formados até o final do ano”, explicou.

Como consequencia da repressão, é preciso aumentar o número de vagas no sistema prisional. “Isso será feito com a construção de novos presídios e o aceleramento dos que estão em construção. Na segunda (14), o governador coloca em funcionamento o presídio de Itajaí, com 390 vagas fechadas e 140 em regime semi-aberto. O de Lages também está para ser finalizado. Assim, nós estamos priorizando a construção e o término de alguns presídios no Estado para aumentar o número de vagas”, afirmou.

Infraestrutura

No relato feito pelo secretário da Infraestrutura, Valdir Cobalchini, o foco foi o programa de recuperação das rodovias estaduais. Santa Catarina tem 5.000 quilômetros de rodovias e 80% delas são pavimentadas. Cobalchini informou que já identificou os pontos negros das estradas para lançar o programa “Rodovias Seguras” e anunciou a utilização de presidiários para o trabalho de limpeza das margens das estradas.

Para por o programa em prática, o governo terá recursos próprios e emprestados, com recursos do BID e BNDES. “Vamos protocolar ainda este mês solicitação de R$ 180 milhões no BNDES. Nós precisamos fazer os projetos, processo licitatório e isso demanda tempo, mas ainda este ano nós queremos efetivamente iniciar as obras de recuperação das rodovias em cerca de 25% da malha viária”.

Sobre o projeto de quarta ligação entre a Ilha e o Continente, Cobalchini informou que o governo deve definir se fará um túnel ou uma ponte dentro de 60 dias, quando os estudos deverão estar concluídos. “O fato é que precisamos de uma vez por todas decidir logo e iniciar a obra”, avaliou.

Desenvolvimento

A função da SDS (Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável) foi explanada pelo secretário Paulinho Bornhausen. Segundo ele, trata-se de uma secretaria transversal pois atuará em todas as áreas do Estado. A política de trabalho da SDS, segundo o secretário, consistirá no tripé: social (das pequenas e micro-empresas e do programa “Juro Zero”), economia (inovação dos serviços, agricultura e indústria) e meio ambiente.

Neste último, o secretário frisou a importância da sustentabilidade, para que a defesa do meio ambiente não se torne um inibidor dos empreendimentos e vice-versa. Para tanto, contará com apoio da Fatma e da Fapesc. Paulinho Bornhausen anunciou durante a reunião de secretários com o governador Raimundo Colombo o levantamento aerofotogramétrico de todo território catarinense. Ele promete políticas inovadoras em regiões onde o IDH (Índice de Desenvolvimento humano) é baixo.

Parcerias Público-Privadas

O presidente da SC-Parcerias, Ênio Branco, destacou a importância das chamadas PPPs (Parcerias Público-privadas) como instrumento de Estado. A lei que criou as PPPs é de 2004, mas em Santa Catarina o modelo veio antes. Ênio Branco ressaltou também que a SC-Parcerias pode recorrer a fundos públicos internacionais para celebrar as PPPs no Estado. Raimundo Colombo aposta tudo no desempenho da SC-Parcerias para atrair investimentos para o Estado. Ela será um instrumento auxiliar da política de desenvolvimento, principalmente nas áreas de energia, telefonia e tecnologia da informação. O que falta, segundo o governador, é incutir a cultura das PPS entre os Estado e o capital. Colombo acredita que o dinheiro que está saindo da Europa e migrando para o Brasil pode estimular as PPPs.

Bom relacionamento com Dilma

No horizonte alvissareiro, o governador destacou o canal aberto com o governo federal. “Estamos tendo um bom relacionamento”. Esse bom relacionamento permitiu a rápida liberação de recursos para cobrir os prejuízos causados pelas chuvas deste ano. Colombo foi recebido pela presidente Dilma Rousseff (PT), quando encaminhou várias reivindicações do Estado. O governador considera vital a participação do governo federal para colocar em prática as duplicações da BR-470, da BR-280 e da BR-282.

R7

Dilma defende PPP's na Saúde

PRESIDENTE ADMITIU QUE SAÚDE PRECISA DE MAIS RECURSOS AO INAUGURAR 110 NOVOS LEITOS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO, EM CANOAS

A defesa das Parcerias Público-Privadas (PPP''s) como solução para a falta crônica de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) marcou o discurso da presidente Dilma Rousseff, ontem à tarde, durante a inauguração de 110 novos leitos no Hospital Universitário, em Canoas. Antes disso, ela participou da abertura oficial da Expointer, em Esteio, pela manhã.

Dilma fez questão de mostrar a sua admiração pela alternativa das PPP''s para desatar os nós da Saúde. "Ainda podemos fazer muito por meio das PPP''s, com supervisão pública e excelência na gestão, com instituições privadas e filantrópicas", afirmou. Na última frase da sua manifestação, Dilma retomou o tema e reforçou a convicção. "Nós podemos ter um governo em que a gestão pública e a privada se combinem para levar qualidade ao SUS", declarou.

A presidente teceu elogios ao prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PT), que usou um modelo de PPP para reativar o Hospital Universitário após a derrocada financeira da Ulbra. O município assumiu a supervisão e uma licitação foi aberta para selecionar a instituição que seria responsável pela gestão.

Em janeiro, terminada a concorrência, o Sistema de Saúde Mãe de Deus assumiu a administração do Hospital Universitário com o compromisso de manter 70% dos leitos disponíveis para o SUS, de não demitir funcionários e de preservar a condição de unidade de ensino.

"A grande contribuição do Jairo Jorge foi propor um modelo criativo para esse hospital. Foi uma revolução na gestão", festejou Dilma, afagando as correntes mais liberais do PT.

Contudo, apesar de fazer a defesa das PPP''s e da qualificação da gestão, Dilma afirmou que será necessário aplicar mais recursos na saúde. Ela enumerou dados para contrapor as teses de que o problema estaria concentrado somente na incapacidade de gestão e que os atuais montantes de verbas são suficientes.

"O Brasil, em saúde, gasta 42% menos per capita do que a Argentina. E gasta 24% per capita a menos do que o Chile", alertou. Depois das comparações, Dilma voltou a falar da urgência de investir em Saúde.

"Meu compromisso é dizer para o povo a verdade, mesmo que seja contra a corrente de pensamento dominante. Inexoravelmente, o Brasil terá que destinar mais recursos para a Saúde", disse Dilma.

Ela evitou, contudo, apontar a fonte de receita adequada para ampliar as verbas do setor. A presidente também não citou a possibilidade de criação de novo imposto específico para a área, algo que está sendo aventado pelo governo federal nos últimos dias.

Correio do Povo

Seguidores