domingo, 29 de maio de 2011

Castelão 2014: veja as novas imagens do projeto da Copa em Fortaleza

Arquitetos divulgam desenhos atualizados do projeto para a modernização do estádio

O escritório de arquitetura Vigliecca Associados liberou hoje (29), com exclusividade para o Portal 2014, as novas imagens do projeto executivo para o futuro Estádio Castelão, em Fortaleza.

Junto com as imagens, a equipe de arquitetos enviou texto explicativo do projeto, com informações atualizadas sobre a capacidade, estacionamentos, e dados das equipes de projeto. Leia o texto completo:

Modernização do Estádio Castelão

Para a Copa do Mundo de 2014 está prevista a reforma, ampliação e modernização das instalações do Estádio Castelão para a sua adequação às exigências internacionais da Fifa. As principais intervenções serão a construção de uma plataforma para os torcedores de mais de 100.000 metros quadrados, que será uma interface entre a área urbana e o acesso ao estádio, ao mesmo tempo em que segrega os diferentes visitantes do estádio. Sob esta plataforma estará localizado um estacionamento para 2.000 automóveis, a Secretaria do Esporte do Estado do Ceará e todos os acessos de VIPs e de imprensa.

Com a demolição da arquibancada inferior e o rebaixamento do gramado, todo o público se aproximará do evento, aumentando a emoção do espetáculo.
Parte da arquibancada superior será demolida, criando uma fenda em que inseriremos, como uma cunha, um novo conjunto totalmente novo de arquibancadas VIPs, de camarotes e de imprensa. Por fim o estádio ganhará uma nova cobertura integral juntamente com uma nova fachada.

A intenção do novo projeto do estádio vai além da solução dos problemas funcionais específicos; ele prevê gerar uma imagem de modernidade que poderá ser uma nova atração turística para a cidade. Sendo assim, o projeto apresenta novos parâmetros de ocupação e preservação, uma vez que as reformas e as novas construções previstas na gleba do estádio irão, sem dúvida, valorizar o solo da região do entorno de maneira marcante e irreversível criando uma nova centralidade de animação na escala metropolitana.


Vista externa da futura fachada do Castelão (crédito: Vigliecca Associados)

Ficha Técnica
Local: Fortaleza, Ceará
Responsável pela obra: Consórcio Arena Castelão (Galvão Eng./Serveng/BWA)
Obra: dezembro de 2010 à dezembro de 2012
Capacidade legado: 66.000 espectadores
Capacidade Fifa: 64.000 espectadores
Capacidade estacionamento: 2.000 Veículos / 90 ônibus
Hospitalidade: 52 Camarotes-1.232 espectadores / Assentos VIPs: 4.266
Área de intervenção: 230.000m2
Área construída: 155.000m2

Projeto
Cliente: Consórcio Arena Castelão / Governo do Estado do Ceará
Projeto: 2008 – 2011
Arquitetura: Vigliecca&Assoc / Arq. Héctor Vigliecca, Arq. Luciene Quel, Arq. Ronald Werner
Estrutura da Cobertura: Projeto Alpha / Eng. Flávio d’Alambert
Estrutura de Concreto: MD Engenharia / Eng. Marcelo Silveira
Estrutura de Aço: Pengec Engenharia e Consultoria / Eng. Rodrigo Matos
Instalações Elétricas e Especiais: Techna Consultoria / Eng. Ednaldo Costa
Instalações Hidrosanitárias: Fase Engenharia / Eng. Heliane Carvalho
Instalações de Ar Condicionado: Comaru / Eng. Pedro Comaru
Instalações e Consultoria Acústica: Audium / Eng. José Dionísio Neto
Paisagismo: Eng. Rodolfo Geiser, Christiane Ribeiro
Consultoria de Fluxo de Multidões: SDG / Eng. Mike Nicholson
Consultoria de Esquadrias: Arqmate Consultoria / Eng. Maria Teresa Faria e Godoy
Consultoria em Conforto Térmico: Dra. Anésia Barros Frota
Consultoria para LEED: Otec / Caterina Chippar

Fonte: Vigliecca Associados/Portal 2014 - 29/05/11

HC em Recife recruta pacientes portadores de diabetes para participar de pesquisa

O Hospital das Clínicas inicia nesta segunda-feira a convocação para pacientes portadores da diabetes mellitus tipo 2 para participar de uma pesquisa clínica, que será realizada pela equipe da unidade de saúde.

Serão selecionadas 50 pessoas para serem submetidas ao tratamento. No entanto, além de ser portador da doença, o paciente precisa possuir Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 e 30.

Para se inscrever, os interessados devem comparecer pessoalmente ao Ambulatório de Cirurgia Geral do HC, que funciona às segundas-feiras, pela manhã.

A seleção dos pacientes que vão participar da pesquisa será feita através dos exames laboratoriais.

De acordo com a assessoria de imprensa do HC, a triagem acontecerá até o preenchimento do número de vagas.

O tratamento inicia-se a partir da adequação ao perfil desejado e somente com expressa concordância do paciente.

A pesquisa do tratamento cirúrgico da diabetes mellitus tipo 2 vem sendo desenvolvida há cinco anos no HC e já beneficiou cerca de 100 pessoas.
O primeiro alvo do estudo foram os pacientes considerados obesos (com IMC entre 30 e 35).

Essa segunda fase da pesquisa irá comparar as diferenças entre o tratamento clínico - que consiste em dieta, exercícios e, em alguns casos, medicação - e a gastroplastia, também conhecida como cirurgia de redução do estômago.

Doença - A diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença e caracteriza-se pela
resistência crescente à insulina, já que o pâncreas produz o hormônio.
Porém, as células musculares e adiposas não conseguem metabolizar glicose
suficiente da corrente sanguínea. É desencadeada por herança genética,
aliada a fatores como o ganho de massa corpórea (principalmente gordura
abdominal) e sedentarismo, atingindo geralmente pessoas acima dos 40 anos.

Serviço:

Ambulatório de Cirurgia Geral do HC
Tel.: (81) 2126.3510

Fonte: Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR - 29/05/11

Cisne Branco atua como embaixada flutuante do Brasil


O repórter Ernesto Paglia embarca em um navio que é uma espécie de embaixada flutuante do Brasil nos sete mares e oceanos mundo afora. A bordo deste navio, vamos fazer uma viagem inédita para uma equipe de televisão.

Durante cinco dias, estaremos dentro de um dos navios mais bonitos do mundo, o cartão de visitas da Marinha do Brasil: o navio-veleiro Cisne Branco. Vamos zarpar de Fortaleza (CE) e vamos pela costa do Piauí e Maranhão até chegar a Belém no Pará.

Para trabalhar no navio-veleiro Cisne Branco, é importante querer, porque todos são voluntários. Depois, é preciso enfrentar o medo das alturas para trabalhar no alto dos mastros. Um deles, por exemplo, tem 46 metros de altura, o que equivale à altura de um prédio de 15 andares.

Escalar os mastros do Cisne Branco, de dia ou de noite, debaixo de sol ou de chuva, é tarefa número um desses militares. Afinal, são as velas que dão vida ao Cisne Branco, e abri-las não é brincadeira.

É uma Manobra Geral de Velas (MGV). “Significa que todos vão para o convés principal e assumem as suas posições normais. Cada mastro tem uma equipe já fixa”, afirma o comandante do Cisne Branco, Renato Batista de Melo.

“Depois, vai ser dada uma ordem para que quem tem que subir por essas escadas que dão acesso ao mastros já se posicione. Aí, eu peço autorização ao comandante para autorizar a subida do pessoal no mastro para desferrar as velas. Então, eles vão soltar as velas para elas estarem prontas para serem passadas, ou seja, postas em uso”, explica o chefe de convés Fábio Cândido da Silva.

O Cisne Branco foi todo reconstruído recentemente dentro da antiga tradição náutica e marítima. No passadiço, fica o centro de comando de navegação do navio, onde estão os radares, os sistemas de navegação por satélite e também a parte de comunicações, como rádio e telefones.

Outra modernidade do navio é o aparelho de osmose reversa que transforma água do mar em água doce.

Militares fazem mutirão em Dia da Descoberta

O Cisne Branco tem um jeito antigo, mas mal completou 11 anos. O belo veleiro foi construído na Holanda para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Hoje, o navio participa de regatas, mundo afora, e coleciona troféus e vitórias.

Para a Marinha, o Cisne Branco é uma arma de boa vizinhança. “O país utiliza seus navios para, como a gente chama, mostra a bandeira. Ou seja, para visitar novos países, estreitar laços de amizade com nações amigas e também estabelecer contato com países com os quais nós queremos manter relacionamento diplomático”, afirma o comandante.

Para fazer bonito mundo afora, o navio tem que estar sempre impecável. Para isso, tem a descoberta que, no Cisne Branco, significa o dia de manutenção. “No dia da descoberta, vão todos para o convés externo. A gente faz tipo um mutirão, em que todos estão empenhados”, ressalta Gilcemar. “Ele exige essa manutenção sempre”.

Após cinco dias no mar, ainda faltam 300 quilômetros para chegar a Belém do Pará. E o Cisne Branco cumpre um antigo ritual: se prepara para chegar ao porto. E isso envolve inclusive a limpeza meticulosa de todos os setores do navio. A cada fim de viagem, a tripulação prepara o navio para as visitas. Recentemente, em Buenos Aires, o veleiro recebeu 16 mil pessoas em um único dia.

Fonte: Globo Mar

Nova técnica pode dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes

São Paulo – Uma nova técnica desenvolvida no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, poderá dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes.
O método permite recuperar órgãos que normalmente seriam descartados e usá-los em pacientes.

“O transplante de pulmão em que nós conseguimos apenas uma quantidade pequena de órgãos. De cada dez doadores não vivos de rim, nós conseguimos aproveitar um pulmão”, disse o chefe de Cirurgia Torácica e Transplante Pulmonar do InCor, Fabio Jatene.

Segundo o médico, isso ocorre porque o órgão respiratório deteriora-se rapidamente.
“O pulmão é um órgão que se infecta e acumula líquidos facilmente”.

Com o procedimento que foi recentemente aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, vinculada ao Ministério da Saúde, para ser usada em pacientes, Jatene espera que o aproveitamento suba de 10% para 15% e até 20% dos órgãos disponíveis.
“A nossa expectativa é quase dobrar [o número de transplantes]”.

Existem hoje 85 pacientes na fila de espera por um pulmão no estado de São Paulo. Jatene disse que no ritmo atual para as cirurgias de transplantes de pulmão, a espera pelo atendimento pode durar três anos. “Anualmente nós perdemos uma quantidade importante de pacientes que não conseguem aguentar um tempo tão longo”.

O médico ressaltou, no entanto, que os pacientes poderão optar por receber um órgão “recondicionado”, ou esperar por um pulmão que esteja naturalmente em boas condições. “Evidentemente que nós vamos informar que o órgão destinado a ele seria um órgão submetido a essa técnica do recondicionamento. Se houver aceitação, será feito [o transplante]”, explicou Jatene.

Fonte: Agência Brasil - 29/05/11

RECIFE A CIDADE QUE AMO E QUE NÃO É O QUE DEVERIA SER – por Augusto Sabóia – 29/05/11

Por Augusto Sabóia
Especialista em Gestão e Políticas Públicas
Editor do Blog das PPPS


O Recife é uma cidade ímpar em todos os sentidos, história, arquitetura, belezas naturais, cultura, é um potencial fervilhando em todos os recantos, esperando dezenas de anos para serem aproveitados e torná-la uma referencia mundial, no turismo, negócios, proporcionando qualidade de vida digna à população que clama e necessita de gestores que a administrem com responsabilidade, visão do passado e dos erros cometidos ao longo dos anos, com isso construir um futuro que certamente nos levará a categoria de grande pólo da região Nordeste.

Pernambuco passa por um dos grandes momentos em todas as áreas da economia, com empreendimentos em todas as regiões, essa é a hora, esse é o momento do Recife exercer seu papel, se tornar um verdadeiro canteiro de obras na recuperação de sua estrutura básica tão negligenciada ao longo dos anos.

Torna-se necessário e urgente que o poder constituído deixe de lado vaidades, projetos próprios de poder e engaje toda a sociedade num verdadeiro mutirão de reconstrução de nossa capital.

Começando pelo que é mais básico para qualquer cidade, o saneamento básico, não se pode conceber uma cidade com um território relativamente pequeno não ser 100% saneada, se a Compesa que é a empresa responsável por esta área não tem condições de executar esse trabalho monumental, como sabemos que não tem, que se aprece o projeto de parceria público-privada, para que empresas resolvam este problema que além de ser um dos maiores poluidores de nossos belos rios e praias é o grande vilão da saúde pública, doenças endêmicas poderiam ser erradicadas, doenças essas que são uma vergonha para uma capital como a nossa.

Com isso poderíamos desafogar o sistema público de saúde, melhorando o atendimento do cidadão.

Outro vasto campo que a iniciativa privada poderia ajudar o poder público seria na reforma e manutenção de praças, parques públicos, orla, monumentos, mercados públicos, recuperando o centro, incluindo o Bairro do Recife, mas para isto a Prefeitura deveria ter uma Lei que realmente estimulasse este tipo de engajamento com reduções substanciais de IPTU, ISS e outros impostos, o que se deixaria de arrecadar, teria um retorno muito maior em investimentos em nossa economia e os ganhos futuros seriam muito maiores em turismo, empregos e qualidade de vida da população.

Existem vários exemplos em outras capitais, como Porto Alegre, Salvador que estão gradativamente recuperando seus patrimônios históricos, ruas, mercados públicos com este tipo de ação, dando incentivos, permitindo que as empresas divulguem suas marcas e façam ações promocionais em troca destas reformas, sem o poder público colocar nenhuma verba para este fim, deixando-a livre para aplicar o dinheiro público em ações realmente importantes e indispensáveis para o bem estar da comunidade.

Na área de mobilidade urbana nossa cidade se encontra um verdadeiro caos, desde a situação das calçadas onde não há uma padronização nem incentivos do poder público para que os moradores de condomínios, casas, negócios dos mais diversos fins se comprometam em ajudar a prefeitura nesta importante questão, existe uma Lei que obriga os entes privados a cuidarem das mesmas, mais não existe nenhuma padronização nem tão pouco incentivos como redução de impostos, como podemos ver este tipo de ação em municípios como Serra no Espírito Santo, onde existe o programa Calçada Legal, são questões simples que resolveriam muitos problemas.

Outro fator importante no setor mobilidade é uma cidade como a nossa, com um relevo ideal para ciclovias, não existir nenhum plano sério para aproveitar esse modal tão importante, ecologicamente correto, melhorando a saúde das pessoas e incentivando a diminuição de veículos nas ruas.

Um exemplo maravilhoso esta sendo executado em Londres, onde a Prefeitura em parceria com uma grande instituição financeira, esta construindo Super-Ciclovias que estão cortando toda a cidade e o retorno desta ação é que o nome das ciclovias seja o da instituição bancária e ao longo das mesmas existem propagandas dos serviços que ela presta, com isso mais de 200 km estão sendo construídos, sem que a Prefeitura desembolse um centavo do contribuinte e esta é uma forma de parceria que esta se espalhando por toda a Europa em grandes e pequenas cidades.

Pergunto qual a dificuldade de uma cidade pólo de uma região conseguir parcerias como estas, falta vontade política, criatividade e talvez até competência para envolver setores empresariais, qual a grande empresa não quer ter seu nome ligado a práticas que tem a responsabilidade social como foco.

A sinalização turística e o mobiliário urbano poderiam também ser alvo de concessão a grandes empresas, o poder público vem a anos lutando para dotar o Recife destes equipamentos fundamentais para uma cidade turística como a nossa e não consegue suprir esta deficiência e esta é uma prática comum em grandes cidades do mundo.

O Recife a cada dia necessitará se adequar e preparar-se para receber grandes eventos como a Copa do Mundo, Convenções, Feiras de Negócios, Congressos e o poder público deve estar aberto e ser flexível a novas idéias e praticas administrativas, deixar apenas de se preocupar em cobrar mais impostos da população sem suprir suas necessidades mais básicas, como ocorre e sempre ocorreu ao longo dos anos.

No Recife infelizmente é tudo muito complicado, burocrático, político, onde normalmente os pensamentos de uma minoria prejudica toda a coletividade, temos a síndrome de caranguejo que por décadas atormenta e dificulta nosso desenvolvimento.

Nosso político tem como regra não aproveitar ações exitosas de seus antecessores por pura vaidade, destruindo tudo de bom que foi feito e implantado, novas ações nem sempre tem a mesma eficácia das de antes, esta forma de governar tem que acabar, afinal, usam o dinheiro público que é pago com o nosso suor e sangue, exemplos não faltam desta prática nefasta, poderia citar dezenas.

O que deveria ser feito era melhorar o que de bom foi feito e implantar novas ações que tragam benefícios a toda população.

Poderia citar dezenas de projetos e ações que poderiam melhorar a economia e o turismo em nossa cidade e muitos destes, já existem a anos, como o aproveitamento de nossos rios para transporte público, PPP para aproveitamento do Segundo Jardim da Praia de Boa Viagem como pólo gastronômico, comércio e serviços, são muitos que infelizmente foram engavetados pela falta de vontade política e criatividade para colocá-los em funcionamento, é uma pena a falta de visão de nossos governantes.

O que quero para o Recife que amo é que se torne uma cidade modelo, com ações relevantes em todas as áreas, nosso povo é trabalhador, nossa cultura é a mais rica do Brasil, nossa história e patrimônio histórico é sem igual, temos uma das cidades mais lindas do mundo, segundo pólo hospitalar do Brasil, terceiro gastronômico e que precisamos melhorar ainda mais nossa infraestrutura para prover uma vida digna para sua população.

Video Shows SpaceShipTwo's First Feathered Re-Entry Test

Inpe e SOS Mata Atlântica divulgam Atlas da Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgou o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
O estudo mostra uma análise da situação do bioma entre os anos de 2008 e 2010.

Durante dois anos os pesquisadores analisaram 98% do território brasileiro que abriga esse tipo de floresta, espalhados por 17 estados. A conclusão do estudo é que durante esses dois anos, o bioma perdeu 31.195 hectares, o equivalente a 311,95 quilômetros quadrados.

Mesmo sendo números altos, eles significam que neste período houve redução de 55% no desmatamento, em relação ao período que vai de 2005 a 2008.

O Atlas, lançado na última quinta-feira (26) – um dia antes da comemoração do Dia Nacional da Mata Atlântica, serve como alerta para o cuidado com esse bioma brasileiro.

Segundo a publicação, apenas 7,9% da área ocupada originalmente por essa floresta permanece preservada, enquanto a maior parte sofreu “os impactos de diferentes ciclos de exploração, da concentração das maiores cidades e núcleos industriais e da alta densidade demográfica”.

Durante os dois anos em que as análises foram feitas, o estado de Minas Gerais foi o que mais desflorestou, com uma área de mais de 12 mil km2 de áreas florestais destruídas.

Na sequência vêm: Bahia, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

A Mata Atlântica merece atenção especial por abrigar mais da metade da população brasileira (62%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE), ao mesmo tempo em que acolhe uma “parcela significativa da diversidade biológica do Brasil, reconhecida nacional e internacionalmente no meio científico”.

Além disso, muitas espécies nativas da Mata Atlântica são endêmicas, ou seja, existem apenas neste bioma, o que valoriza ainda mais a sua importância, não só para o Brasil, mas para todo o planeta.

Clique aqui para ter acesso completo aos mapas do Atlas e aos dados estatísticos da pesquisa.

Fonte: Redação CicloVivo

A moda e o artesanato juntos pelo desenvolvimento social

maria teresa
A lâmpada da foto é coberta pelo bordado feito pela cooperativa/Foto: Marcos André Pinto

Há 30 anos, a estudante de sociologia Maria Teresa Leal resolveu realizar projetos sociais de arte e educação com crianças na Rocinha, mas não sabia que ali montaria um projeto de valorização cultural. A Coopa-Roca é talvez a cooperativa de bordado e artesanato mais bem sucedida do Brasil e foi pioneira no modelo que utiliza a mão de obra comunitária para produção de itens de moda.

Atualmente, as cerca de cem mulheres da organização produzem peças para grifes nacionais e internacionais, e já participaram de semanas de moda de Rio de Janeiro, São Paulo, Londres e Tóquio.

Aos vinte e poucos anos, Teresa achou que se não fizesse algo pelo social naquele momento perderia a oportunidade e a vida te traria amarras. Mas foi assim, se envolvendo com mães bordadeiras da comunidade da Rocinha, que criou o seu trabalho e se envolveu por tanto tempo nessa empreitada. Conheça as ideias inspiradoras dessa mulher que ainda vê novas possibilidades de crescimento.

Portal EcoDesenvolvimento - O que te motivou a começar a se envolver com a comunidade?

Maria teresa - Foi em 1981, o que me motivou foram escritos de Paulo Freire. Na época eu já trabalhava com arte e educação e estava começando o meu curso de sociologia. Com Paulo Freire eu entendi que eu queria fazer um trabalho em uma comunidade do rio de janeiro e entendi que era a hora de começar.

Como surgiu essa ideia de trabalhar com as artesãs?

Quando eu cheguei na Rocinha em 1981, eu descobri que a maior parte da população é formada por migrantes nordestinos, mais especificamente de pessoas vindas do Ceará. Esse é um estado brasileiro que tem um potencial muito grande no que se refere à produção artesanal, principalmente a têxtil.

O meu primeiro trabalho lá foi uma oficina de reciclagem para crianças, porque na época eu dava aula de artes. Então, tentando diversificar o material de arte das classes eu cheguei a um representante de fábrica de tecido e ele me deu um mostruário de uma coleção anterior.

Quando eu levei para a Rocinha, as mães dos alunos falaram para eu não utilizar aquilo nas aulas, porque elas poderiam dar um fim mais útil ao material. Elas produziram tapetes, almofadas e cobertas na tentativa de buscar alternativas para melhorar suas condições de vida. Eu achei a ideia muito bacana e é daí que começa a sementinha que gerou a Coopa-Roca.

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Como foi a transformação do projeto em cooperativa?

No início era um grupo de artesãs trabalhando juntas, mas não formalizar aquilo deixava o trabalho muito isolado. Para a gente buscar mais alternativas era preciso formalizar e constituir o grupo. A ideia era justamente criar uma autonomia para o grupo de mulheres e não ficar dependendo de terceiros.

Então discutimos as possibilidade de fazer uma cooperativa ou uma associação. Chegamos à conclusão que uma cooperativa era mais interessante já que a gente tinha como missão produzir e vender produtos, quando em uma associação isso ficaria um pouco mais complicado.

Como foi a criação da primeira coleção da Coopa-Roca?

O primeiro trabalho foi em 1982, quando elas produziam o que já sabiam fazer. Passo a passo a gente foi aprimorando o conhecimento e a qualidade e foi diversificando o produto. Mas foi em 1994 que a gente aproximou a Coopa-Roca do mundo da moda, quando a coorperativa começou a participar de desfiles.

Como foi esse processo de inserção no mercado da moda?

De fato, em 1994, tivemos muitas parcerias e visibilidade por parte dos jornalistas, mas sem ainda sistematizar a produção. Nós fomos conseguir gerar um fluxo de produção e tornar a cooperativa sustentável no ano 2000, quando começamos a fazer parcerias comerciais. Essas parcerias foram resultado da exposição Retalhar.

A ideia da Retalhar era criar uma nova forma para a produção têxtil brasileira através da produção em conjunto com os artistas, designer e estilistas. Mas mais do que isso, o principal objetivo das três edições foi firmar parcerias comerciais para a cooperativa. E foi com isso que, desde 2000, a Coopa-Roca passou a ser autossustentável.

Através das parcerias comerciais, a gente tinha as ordens de produção, produzia em escala, entregava para os parceiros, que pagavam à cooperativa e se responsabilizavam pela comercialização dos produtos.

No site da Coopa-Roca é possível conhecer os trabalhos especiais realizados pela cooperativa e as orportunidades que surgiram de cada produção. Na exposição Retalhar, por exemplo, a Coopa Roca pode firmar parcerias comerciais coma marcas como Osklen, M. Officer, Miele, Ernesto Neto, Interni, Fernando Jaeger, entre outros.

Como está a produção da Coopa-Roca atualmente?

No ano passado, a Coopa-Roca deu mais um passo, que foi lançar o produto com etiqueta própria. A gente está dando uma virada no modelo de negócios e isso não é fácil para ninguém. Essa reestruturação tem demandado bastante trabalho e muita energia, mas estamos enfrentando os desafios das mudanças.

Como é montado o esquema de produção das cem artesãs?

O objetivo principal da Coopa-Roca é gerar oportunidade para elas trabalharem em casa, isso é uma demanda das mulheres, sabe? Estar perto dos filhos. Para que ao mesmo tempo em que elas melhoram seu poder aquisitivo, elas possam contribuir para o comércio local.

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Como é poder fazer parte dessa iniciativa e ver o quanto ela ajuda no desenvolvimento da comunidade da Rocinha?

A Coopa-Roca foi pioneira nesse modelo de geração de trabalho e renda relacionando o potencial das comunidades com o setor da moda. A gente não só está fortalecendo o local, como está gerando uma nova visão, um novo modelo e instrumentos desse tipo de organização

Óbvio que há pessoas que aplicam esse modelo com muitas distorções. Há algumas instituições que vêm trabalhando e tentando promover o desenvolvimento do trabalho do artesão, mas também tem muita coisa sendo feita na tentativa de ajudar que mais complica do que ajuda.

Quando a gente mexe com a produção artesanal, a gente mexe com tradições. No Brasil, a produção artesanal tem uma tradição cultural muito enraizada, como um artesanato mais folclórico, sem uma estética de venda. Por isso, ao mexer nessa produção artesanal é preciso ter cuidado para não alterar essa cultura em busca de espaço no mercado e banalizar a produção.

É preciso ter atenção às condutas e modelos de interferência. Isso é muito delicado.

Fonte: por Larissa Seixas, da Redação EcoD - 29/05/11

Indústria investe em inclusão digital com apoio do SESI/PE

Investir na melhoria da escolaridade do trabalhador e na inclusão digital é uma das apostas recentes da indústria pernambucana. Corporações de grande porte, como Fibrasa e Raymundo da Fonte, na Região Metropolitana do Recife, há um ano abrigam bibliotecas do SESI em suas instalações, que ficam à disposição dos funcionários e das comunidades do entorno.

Neste mês, 108 trabalhadores da indústria Raymundo da Fonte, em Paulista, iniciaram curso gratuito de inclusão digital, com acesso aos programas Windows 7 e Office.

As aulas ocorrem dentro do projeto SESI Educa, iniciativa da Confederação Nacional da Indústria para contribuir com o aperfeiçoamento profissional de trabalhadores de todo o País.

O gerente de Recursos Humanos da Raymundo da Fonte, Mário Barros, diz que a parceria com o SESI ajuda a reter bons funcionários. "Os trabalhadores se sentem motivados a crescer dentro da empresa, ampliando as possibilidades de atuação.

Nossa meta é treinar 200 funcionários até o final deste ano", completa.

Para a auxiliar de produção, Maria da Conceição Silva, 49 anos, com 21 deles dedicado a esse trabalho, o curso abre novos caminhos.

"Não vou depender de ninguém mais para fazer um texto ou abrir uma planilha, e esse conhecimento vai me levar longe", afirma. Os centros multimídia contam com acervo de mil livros, além de CDs, DVDs e dez computadores com internet gratuita.

Fonte: FIEPE - 29/05/11

Public-private partnerships offer collaborative opportunities for Ann Arbor, Detroit

Public-private partnerships are critical to driving the economic revitalization of Michigan — and in Detroit more than anywhere else.

Southeast Michigan needs an entrepreneurial ecosystem that knows no geographic boundaries.

Groups like Ann Arbor SPARK, whose area of influence includes western Wayne County, and Oakland County-based Automation Alley, which recently launched a new $100 million startup investment fund, must help foster a tech community that doesn’t ignore Detroit.

Detroit’s tech community benefits from organizations like TechTown, an incubator run by Wayne State University’s economic development arm, which will now be led by Ann Arbor resident and former Michigan Economic Development Corp. Vice President Ned Staebler.

Now, it’s time to replicate that model by getting public universities, nonprofits, businesses and governments to collaborate to foster partnerships that provide grassroots services to entrepreneurs and existing companies in Detroit.

“Regions work better when they work together as opposed to working separately, and when you have a world-class garden of innovation like Ann Arbor is, sooner or later somebody is going to say, ‘How good is your practice of regional collaboration when you have a city like Detroit that faces the challenges that it does 35 minutes from your city?’” said Ben Erulkar, the new senior vice president for economic development at the Detroit Regional Chamber of Commerce.

“It’s a question that all of us in the region surrounding Detroit are going to face and should be concerned about.”

Ann Arbor has role to play in Detroit's revitalization

Why Detroit's revitalization is important to Ann Arbor (and how Ann Arbor can help)

Detroit's physical restoration would create jobs for Ann Arbor region
Ann Arbor nonprofits, universities, businesses can help reinvent Detroit public school system

Public-private partnerships offer collaborative opportunities for Ann Arbor, Detroit

A vibrant Detroit would make it easier for Ann Arbor companies to attract talented young professionals


One key example of good regional collaboration that Erulkar cites is the city of New Orleans. After it was devastated in 2005 by Hurricane Katrina, a coalition of education experts from local universities helped the state create a new charter school system in New Orleans.

The community also invited world-class business schools to tackle various redevelopment and entrepreneurship initiatives in the city, said Erulkar, a former deputy assistant secretary of commerce for economic development in the U.S. Department of Commerce.

“We have some of the best business schools in the country right here. There’s no reason why teams of MBAs from Ann Arbor shouldn’t come down and do the same thing in Detroit,” Erulkar said. “There is plenty of good times and culture and quality of life to be had in Detroit that can attract MBAs to come here and work for a while and contribute.

“And you know what?” he added. “Some of them just might stay.”

Fonte:AnnArbor.com - 29/05/11

Portugal wakes up to cost of private-public financing

Portugal: Debt-ridden Portugal has made great strides since joining the European Union in 1986, building infrastructure with private money which critics say is becoming dangerously expensive.

Between 1990 and 2009, 2,600 kilometres (1,600 miles) of roads and motorways were built using private-public partnerships (PPP), a financing technique now under close scrutiny in Portugal.

The United Kingdom led the way, relying heavily on PPP financing in the 1990s.
Such partnerships associate the state with private investors which take on the execution and financing of building public infrastructure in exchange for a concession to operate it, generally lasting 30 years.

In so doing, the state avoids the immediate cost of an expensive investment and a private company gains access to a new market.

Portugal, a relatively backward European country 30 years ago, turned to this method to launch construction of the giant Vasco de Gama bridge in Lisbon in 1992.

It has since relied heavily, some now say too heavily, on these partnerships to build roads, railways and hospitals as part of its rush to modernise and raise competitiveness.
Figures in the 2011 budget law showed that PPPs have cost the taxpayer 842 million euros (1.18 billion dollars), with the amount expected to reach 1.2 billion euros by 2018.

"The problem with Portugal is that there are too many," said economist Jose Manuel Viegas, professor at Lisbon's High Institute of Technology. "Portugal is by far the European country that has turned to the partnerships the most."

A recent report by the finance ministry said that Portugal had committed itself to 86 public-private partnerships in 2009 with 57 in operation, 17 under construction and 12 out to tender.

"These partnerships have allowed successive governments to realise major investments without impacting the state budget," Carlos Moreno, a former public auditor, said in a book 'How the State Spends our Money.'

"But this method is reaching a crisis point," he warned.
Last month, the European Union and International Monetary Fund mission which was negotiating terms for a debt rescue, asked the Socialist Government to include three PPPs in its 2010 accounts, increasing the public deficit from 8.6 percent of gross domestic product to 9.1 percent, three times the eurozone ceiling.

The mission has also required that Portugal freeze any new partnerships until an audit of the 20 biggest ones is completed.

This has been applauded by the centre-right Social Democrats (PSD), Portugal's main opposition party, which is campaigning heavily on the theme in the run-up to snap legislative elections on June 5.

Fonte: AFP - 29/05/11

Sucesso do Brasil 'atraiu holofotes para América Latina', diz presidente do BID

O presidente do BID, Luis Alberto Moreno (Arquivo/Reuters)

Para Alberto Moreno, AL precisa investir em educação e infra-estrutura

O crescimento do Brasil colocou um "holofote" sobre o que acontece na América Latina, disse em entrevista à BBC Brasil o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o colombiano Luis Alberto Moreno.

Líder em um continente que tem conseguido virar uma página ligada à pobreza e caminhando para se tornar "um país de classe média", o Brasil é um "modelo para os seus vizinhos", afirmou.

Mas apesar de figurar entre os grandes emergentes mundiais, como a Índia, a China e a Rússia, o Brasil tem um destino que continua essencialmente ligado à dos outros países da América Latina, sustenta Alberto Moreno.

"É difícil mudar de endereço. O Brasil é dos países que tem mais vizinhos no mundo e isso não vai mudar. Ao contrário, o sucesso do Brasil faz bem à América Latina. Não tenho dúvidas que o Brasil colocou um holofote sobre o que acontece na região."

O presidente do BID falou com exclusividade durante uma visita a Buenos Aires para autografar seu livro La década de América Latina y el Caribe.

Alberto Moreno destacou a oportunidade da América Latina de triplicar até 2025 a sua atual renda per capita de US$ 5 mil, através de investimentos em educação e em infra-estrutura."Para isso, precisamos fazer o que nós, latino-americanos, nunca fizemos: pensar no longo prazo."

BBC Brasil - O senhor afirma, no livro, que a América Latina tem uma enorme oportunidade. Que oportunidade é essa?

Luis Alberto Moreno - Viramos a página de temas que nos acompanharam durante muito tempo, como os desequilíbrios macroeconômicos, dívida, inflação. Hoje, em termos gerais, temos uma região que tem balanços macroeconômicos estáveis, uma população com a idade media é de 27 anos, classes médias crescentes, e muitos dos produtos que o mundo precisa. Mas como usamos este bom momento para dar o salto qualitativo? Isso requer fundamentalmente que tenhamos visão de longo prazo, o que fizemos muito pouco na América Latina.

BBC Brasil - O que deve ser debatido?

Moreno - Temas como a produtividade, por exemplo. Os estudos que temos no banco demonstram que os custos dos transportes na América Latina são o dobro da média dos países da OCDE. Além disso, temos desafios imensos como da falta de segurança. Fizemos uma pesquisa nos Estados Unidos, Europa e no Japão e nestes países o emprego é a primeira preocupação. Esta mesma pesquisa na América Latina nos informou que a primeira preocupação dos latino-americanos é a criminalidade.

Escola na China (Arquivo/AFP)

Para Moreno, AL deve seguir exemplo educacional de asiáticos

O outro grande tema é a educação e os investimentos em ciência e tecnologia. Um estudante em Xangai , na China, tem entre quatro e cinco anos mais de conhecimentos de ciência sociais – matemática ou ciências – que este mesmo estudante, em média, na América Latina. Acho que estas questões são fundamentais para que daqui a quinze anos, em 2025, possamos chegar a ter na América Latina, que hoje tem uma renda per capita de US$ 5 mil, cerca de US$ 15 mil de renda per capita.

BBC Brasil - Com os níveis atuais de crescimento?

Moreno - Exatamente. Uma taxa de crescimento média de 5%, que foi a que tivemos nos últimos oito anos, salvo no período da crise, nos resultaria em quase US$ 15 mil de renda per capita. Temos de pensar no longo prazo. Nós gostamos de pensar no curto prazo e falar do lado negativo. Hoje achamos que podemos mudar esta discussão.

BBC Brasil - O que falta para que a América Latina decole como ocorreu com a China?

Moreno - Nos últimos 50 anos, por que países como Coreia (do Sul) conseguiram atravessar este grande caminho do deserto? Não há dúvidas de que há relação direta com a educação. Acho que a educação explica muitos dos sucessos dos países e especialmente porque a economia do futuro é baseada no conhecimento. Mas nós, latino-americanos, somos jovens e rapidamente aderimos à telefonia celular e às redes sociais. E tudo isso nos conectou muito mais rapidamente com o mundo.

BBC Brasil - Hoje a relação dos países da América do Sul com a China, principalmente, é baseada nas exportações das commodities. Como evoluir deste comércio de bens primários?

Moreno - Não temos dúvidas de que uma das nossas grandes oportunidades é que vamos ter preços das commodities em alta por pelo menos dez anos mais, porque países como a Índia e a China possuem classes médias crescentes. E estes novos milhões de asiáticos, que entram para a classe média, têm hábitos de consumo que mudam, disparando grande demanda por muitos produtos que são, principalmente, da América do Sul.

Mulher em barraco no México

América Latina tem 'virado página da pobreza', diz Alberto Moreno

Mas também devemos usar este bom momento do preço dos produtos básicos para construir uma economia do século 21. Este não é um assunto de curto, mas de médio prazo. Os avanços em educação e em ciência e tecnologia são lentos. E o mesmo acontece com os investimentos na área de infraestrutura.

BBC Brasil - Essa é uma área na qual a economia tem problemas, apesar do crescimento: portos, aeroportos e outros setores. E agora vêm a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O senhor acha que ainda há tempo para resolver estas questões?

Moreno - Estou convencido de que o Brasil vai resolver estas questões com sucesso e que medidas como a de abrir concessões para a construção de cinco aeroportos são um bom caminho. Certamente quando as ofertas forem abertas vão gerar maior valor entre os mercados emergentes. Creio que há no Brasil e em muitos países muito pragmatismo diante do fato de que o que se necessita é justamente avançar nos investimentos em infraestrutura. Do contrário, serão gerados gargalos que não vão permitir o crescimento a um ritmo maior e deixaremos de aproveitar este bom momento.

BBC Brasil - Também se fala hoje no Brasil da carência de mão de obra qualificada. Alguns setores falam até num "apagão" nesta área. Como o senhor vê este fenômeno?

Moreno - Não acho que vamos chegar numa situação de apagão. O que temos é um sinal de alarme. Devemos ter consciência de que estes assuntos vão pesar muito e que a única maneira de resolvê-los é incluindo a sociedade como um todo. No Brasil existe um grande debate sobre este assunto e não é só no governo. Há uma grande participação de empresários e das próprias famílias que querem melhor educação para seus filhos. Existem latino-americanos talentosos que se foram de nossos países, em busca de oportunidades, e agora muitos destes jovens estão retornando. É saudável.

BBC Brasil - Hoje se fala mais do Brasil como integrante do Bric, mais até do que como integrante da América Latina. O Brasil estaria se descolando da região?

Moreno - Primeiro, é difícil mudar de endereço. O Brasil é dos países que tem mais vizinhos no mundo. Isso não vai mudar. Acho que, ao contrário, que o sucesso do Brasil faz bem à América Latina, a América do Sul. Não tenho dúvidas que o Brasil colocou um holofote sobre o que acontece (na região). Mas nesse mundo multipolar temos muitos cenários ao mesmo tempo. Por exemplo, a aliança que está sendo feita entre Chile, Peru, Colômbia e México (na área de mercado de capitais).

Acho que a educação explica muitos dos sucessos dos países e especialmente porque a economia do futuro é baseada no conhecimento.

Luis Alberto Moreno, presidente do BID

BBC Brasil - O senhor acha que o Brasil caminha para ser um país de classe média?

Moreno - Sem dúvida. Acho que é um país que está nesta direção e, além disso, percebo grande consciência em todo o governo brasileiro de preocupar-se em como chegar a isto mais rápido. Acho que é um exemplo para os demais países latino-americanos.

BBC Brasil - Como o senhor vê a economia brasileira hoje, onde a inflação, como ocorre em outros países, passou a preocupar?

Moreno - O Brasil hoje tem grandes desafios, como outros países latino-americanos, de uma pressão inflacionária que está ligada ao aumento dos produtos básicos e o grande fluxo de recursos para nossos países, porque estamos crescendo o dobro da economia mundial. É boa a iniciativa da presidente Dilma (Rousseff) de atuar pelo lado fiscal. É preciso ser contra-cíclico quando as economias têm quedas. Mas é preciso poupar para as melhores épocas. E isso, obviamente, está ligado à qualidade do gasto. Trabalhamos nesta área fiscal com muitos estados (brasileiros) e assunto faz parte da agenda do futuro.

BBC Brasil - Quanto tem o BID planejado para investir na América Latina? E no caso da Copa e das Olimpíadas, como entra o BID?

Moreno - Fizemos um aumento do capital, no ano passado, e estamos terminando (os detalhes) nos congressos dos países. Isso nos vai permitir poder emprestar, na próxima década, US$ 12 bilhões por ano. Quer dizer, que em alguns anos emprestaremos US$ 10 bilhões, outros US$ 12 bilhões ou US$ 14 bilhões para América Latina e Caribe.

Fonte: Marcia Carmo - De Buenos Aires para a BBC Brasil


Copa de 2014 colocará a questão da sustentabilidade na agenda mundial

Os organizadores da Copa de 2014 pretendem usar a visibilidade do evento para colocar na agenda mundial a questão da sustentabilidade. De acordo com o diretor de Responsabilidade Social da Fifa, Federico Addiechi, o papel do Brasil será de grande relevância para que a entidade consiga avançar em seu objetivo de usar o esporte mais popular do mundo para desenvolver uma cultura sustentável e social não apenas nos países-sede, mas em todo o planeta.

“O Brasil é um exemplo para o mundo, até mesmo em função de suas características físicas. Esta será uma oportunidade de o país mostrar ao mundo que a agenda de responsabilidade social e ambiental deve ser levada adiante, para além dos eventos mundiais esportivos”, disse Addiechi durante os trabalhos de abertura da Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa de 2014.

Segundo ele, desde 2005 a Fifa tem uma estratégia de associar responsabilidade social ao futebol. “É no Brasil que temos a chance de avançar de forma mais significativa nessas áreas. Acreditamos que a Copa será uma plataforma de comunicação muito importante em relação a esses temas”.

Addiechi disse que as benesses da Copa vão além da infraestrutura e da economia. “Teremos a possibilidade de deixar legados maiores, em termos educativos, permitindo um diálogo com a cidadania brasileira e mundial sobre temas relacionados à proteção de meio ambiente e à responsabilidade social”.

Quem também defende o mesmo ponto de vista do diretor da Fifa, é o assessor especial do Ministério dos Esportes, Claudio Langone. “O Brasil é reconhecido internacionalmente como país mega diverso, o que implica em uma oportunidade para avançarmos nesses temas. É uma decisão política do governo federal agendar o mundo para a questão da sustentabilidade, correspondendo à grande expectativa que a Fifa tem nesse campo”, disse.

A Copa, avalia Langone, “é uma oportunidade para aportarmos em agendas relacionadas ao meio ambiente urbano nas 12 principais regiões metropolitanas, envolvendo novas alternativas de transportes menos danosos ao meio ambiente e combustíveis mais amigáveis ecologicamente. Os projetos visam também à integração de modais motorizados com não motorizados, como ciclovias, já que as diretrizes da Fifa apresentam fortes restrições a veículos particulares nas proximidades dos estádios, que terão preocupação centrada na sustentabilidade”.

Addiechi destacou que nunca houve iniciativas como a de hoje onde, com três anos de antecedência ao evento, a direção da principal entidade futebolística participa de uma câmara específica da área de meio ambiente e de sustentabilidade para discutir a implantação de projetos. “Isso também será um elemento motivador para a Rússia e para o Catar [onde acontecerão as competições de 2018 e de 2022]”.

Por sua vez, Langone concorda com o representante da Fifa, no que se refere às vantagens econômicas que podem ser proporcionadas ao país, a partir da associação de sua imagem à questão ambiental. “A oportunidade é ótima para as empresas que desenvolvem negócios verdes e para a indústria do ecoturismo, com o fortalecimento dos parques brasileiros”, disse o assessor do Ministério dos Esportes. “Novos mercados para produtos orgânicos e sustentáveis brasileiros podem surgir, além das oportunidades que a reciclagem pode proporcionar para novos negócios”, completou.

Langone, no entanto, chama atenção para os cuidados a serem tomados em relação ao cumprimento de prazos. “Não estamos atrasados. Estamos fazendo as discussões no momento certo e com a metodologia certa. Mas daqui para frente não podemos relaxar. Qualquer espaço de tempo perdido certamente trará prejuízos aos objetivos que estamos desenhando”, disse.

Entre os pontos que mais preocupam o governo, Langone destaca os atrasos das cidades-sede em definir claramente os responsáveis pelos projetos. “Precisamos fazer os desenhos técnicos já tendo definidos os orçamentos”.

Fonte: Agência Brasil - 29/05/11

IBGE completa 75 anos anunciando inovações

Principal provedor de dados e informações do país e responsável pelo Censo Demográfico da população brasileira, O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) completou neste domingo (29) 75 anos de sua fundação, anunciando inovações e mudanças.
O primeiro desafio será renovar, qualificar e ampliar o quadro dos mais de 7 mil servidores em todo o país.

Uma das novidades é a criação do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares que será implementado com a realização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2013, que substituirá a Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), hoje restrita a seis regiões metropolitanas, que terá seu alcance ampliado.

Com isso, segundo o IBGE, haverá uma produção sistemática de dados nacionais que antes só eram apurados anualmente ou com maior periodicidade.

Para os próximos anos, o órgão pretende criar uma base de dados única de produção das estatísticas econômicas básicas e um sistema único de contato com o informante, integrando a produção de estatísticas econômicas com o Sistema de Contas Nacionais. Outra novidade é a criação de Índices de Preços ao Consumidor para cada estado e o Distrito Federal.

No âmbito acadêmico, a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), que pertence ao IBGE, planeja criar um mestrado profissional em análise ambiental e gestão do território, além de implementar cursos com ensino à distância, para atender o quadro técnico da própria Instituição e de estudantes de graduação e pós-graduação.

Fonte: Agência Brasil - 29/05/11

Fortaleza, Natal e Salvador largam na frente do Recife e capacitam taxistas para a Copa de 2014

Ilustração: Silvia Morais/NE10


Fortaleza, Salvador e Natal já largaram na frente do Recife na capacitação de taxistas para a Copa do Mundo de 2014. Já começaram ou, ao menos, definiram a data de início de cursos específicos para formação de mão-de-obra de taxistas, com ensino de inglês e espanhol.

Recife ainda não tem um programa voltado exclusivamente para esta categoria profissional.

Natal começou a capacitar taxistas no segundo semestre de 2010 . A frota da cidade é de 1.010 veículos para 803 mil habitantes. Todos devem estar capacitados até 2013.Uma nova turma de profissionais, com ensino de inglês e espanhol, além de treinamento para hospitalidade e campanha contra a exploração sexual infantil.

Já Fortaleza iniciou os trabalhos de capacitação em julho de 2010, com ensino de inglês e espanhol. A frota é de 4.392 veículos para 2, 45 milhões de habitantes.

"Nossa cidade tem uma vocação turística muito forte. Fazer com que os taxistas aprendam outros idiomas vai ser útil não apenas na Copa, mas também no cotidiano", diz o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Ademar Gondim.

Salvador, que tem 6996 táxis comuns e 270 especiais (exclusivos do aeroporto) para 2, 6 milhões de moradores, já definiu a data de capacitação: setembro deste ano. Além de idiomas, os taxistas vão ter tópicos sobre a história do município, para auxiliar os turistas.

Recife tem 6.125 táxis para 1,53 milhões de pessoas. A cidade pode oferecer turma de capacitação ainda este ano, mas ainda não há definição quanto à data de início. "É verdade que nós não temos um curso específico, mas oferecemos capacitação para trabalhadores de várias áreas., mesmo antes do anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo.

Nada impede um taxista de se inscrever em uma dessas turmas. Eu não acho que o Recife esteja atrasado", defende a assessora de capacitação profissional da Secretaria de Turismo do Recife, Denise Marques.

Cotidiano

Além da falta de qualificação específica para a Copa de 2014, os recifenses sofrem dificuldades para pegar táxis em dias comuns, especialmente após a saída de eventos. Carnavais, shows, festivais de cinema. Após a diversão, muitas pessoas sabem como é difícil que conseguir pegar um táxi rapidamente.

Alguns motoristas optam pela prática da ‘’escolha de itinerário’’: escolhem para onde “preferem” fazer a corrida, sempre preterindo os passageiros que se dirigem às localidades mais próximas. Quem passar por este tipo de situação deve encaminhar o TP (número escrito na porta do motorista) à Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU).

Outro problema recorrente é a dificuldade para encontrar táxis nos dias de chuva. Com o número de passageiros nestes dias é maior (muitos optam por não pegar transporte coletivo ou mesmo deixar o carro em casa) e os engarrafamentos estão cada vez mais recorrentes no trânsito, a espera por um veículo que costuma durar dez minutos, pode chegar a quase quarenta, de acordo com os números informados no atendimento telefônico das servidoras de táxis aos consumidores.

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco, Everaldo Menezes, diz que a culpa é do tráfego . “Não está faltando táxi no Recife, eu garanto. O problema é esse trânsito, cada vez mais difícil. Como a gente pode chegar na hora?", questiona.

Fonte: Por Ana Laura Farias, do Blog de Jamildo/JC - 29/05/11

Cerrado do Piauí se transforma na nova fronteira agrícola do Brasil

Para chegar ao lugar é preciso atravessar um oásis no meio do sertão.
Há água jorrando à vontade, mas muito mal aproveitada.

Já foi o tempo em que o boi abria as fronteiras agrícolas pelo Brasil afora. Hoje cada vez mais é a soja que exerce esse papel. O cerrado do Piauí é uma nova fronteira agrícola e para chegar ao lugar foi preciso atravessar um oásis no meio do sertão, com água jorrando à vontade, mas muito mal aproveitada.

A cidade de Bom Jesus é o principal centro comercial do Sul do Piauí. No lugar tem 30 mil habitantes e fica a 640 quilômetros da capital Teresina, aos pés da serra de Uruçuí.

No topo, a 600 metros de altitude, fica o cerrado piauiense, uma nova fronteira agrícola desbravada pelos agricultores do Sul do país.

Mas antes de subir a serra, está o Vale do Gurgéia, um oásis no meio do sertão do Piauí.

No inverno nordestino, que na região vai de novembro a maio, não significa frio, mas chuva, que nesse período sempre vem com abundância. Toda a água alimenta um gigantesco aquífero subterrâneo.

O DNOCS, Departamento de Obras contra a Seca, perfurou vários poços. A água é de ótima qualidade e brota espontaneamente. Não é preciso bombeá-la. Por isso, os poços recebem o nome de poços jorrantes.

De todos os poços jorrantes do Vale do Gurgéia, o Violeta é o maior. Ele tem mil metros de profundidade e uma vazão de 800 mil litros de água.

O Violeta foi perfurado há 40 anos e tem capacidade para abastecer sozinho uma cidade de 260 mil habitantes ou irrigar uma área de 400 hectares. Mas entra governo sai governo e até agora a água não tem sido bem aproveitada.

Alguns poços alimentam as piscinas dos hotéis, onde a fartura de água do Vale do Gurgéia virou atração turística. Ao todo já foram perfurados 174 poços na região.

Globo Rural (Foto: TV Globo)

A maioria dos produtos vendidos na feira de Bom Jesus é do Vale do São Francisco, que a quase 500 quilômetros do lugar.

“Eu não sei por que está tão caro. Chuva não faltou. Água não falta. Tem muita produção. Nós estamos comendo esse que vem da Bahia. Mas nós poderíamos produzir em Bom Jesus. Água nós temos suficiente e mão de obra também. Tem gente sem fazer na nada, na rua, jogando sinuca e não quer produzir as coisas para ficar mais barato. Pode ser falta de estimulo. O gestor teria de ter uma política voltada para estimular as pessoas a trabalhar”, diz a agricultora Aerolisa Rodrigues.

Em Teresina a capital do Piauí, foi ouvida a opinião do governador Wilson Martins sobre a falta de aproveitamento da água dos poços jorrantes. “Falta vocação do povo para o trabalho na agricultura irrigada. Ao longo dos anos, o estado do Piauí foi colonizado por vaqueiros. Essas pessoas se acostumaram e plantaram o que precisavam para comer e sobrasse algum tostão para comprar uma roupa ou um calçado. E se acomodaram desta forma. Não se muda a cultura de um povo da noite para o dia. Muda-se aos poucos”, explica.

Mas para espanto da população do Vale do Gurgéia, no alto da serra nem é preciso furar poço para produzir. Só com a água da chuva os agricultores gaúchos estão produzindo arroz, feijão, soja, milho e algodão.

O problema são as estradas que ligam o vale ao alto da serra. O pior trecho da estrada é a subida da Serra das Palmeiras, um caminho estreito e muito perigoso. Não é possível fazer o transporte de cargas pesadas pelo lugar. Na época de chuva forte a estrada fica interrompida.

As terras do cerrado são planas, do jeito que o gaúcho gosta para semear os grãos. Na região, é época de colheita da soja. Para todo lado se ouve o som das máquinas.

Os gaúchos trouxeram levaram para o lugar todos os recursos da agricultura moderna.

Aécio Pinheiro Lemos, filho dos antigos vaqueiros do Vale do Gurgéia, diz que eles nunca imaginaram que as terras do cerrado pudessem produzir alguma coisa. “Antes a gente colocava o gado no cerrado. Nós achávamos que o solo era muito fraco e não dava a pastagem e o plantio de capim. A gente nunca cultivo o cerrado”, justifica.

O solo é ácido, como em toda terra de cerrado. Mas a região tem calcário suficiente para fazer a correção.

As sementes de soja foram desenvolvidas pelos pesquisadores brasileiros para suportar o clima tropical. A chuva começa na hora certa para o plantio e desenvolvimento da soja, e diminui na colheita. Isso é muito bom porque os grãos podem ser armazenados na lavoura, sem passar pela secagem.

Muitos produtores depositam a safra em silos-bolsa feitos de lona plástica, onde o produto pode ficar até dois anos sem estragar.

A exploração da área começou há 18 anos numa gleba experimental de 200 hectares. Hoje, já são mais de 400 mil. A safra deste ano é estimada em 1,2 milhão de toneladas. Isso significa só 1,5% da safra brasileira de soja. Mas é suficiente para mudar a vida de muita gente.

As lavouras de soja se concentram no município de Uruçuí, que antes da chegada dos gaúchos era apenas uma cidadezinha perdida no mapa do Piauí. Hoje, ocupa o segundo lugar em arrecadação de impostos do estado.

Há oito anos, Uruçuí não tinha sequer uma escola de segundo grau. Hoje, conta com um campus da Universidade Estadual do Piauí. O engenheiro agrônomo Jodélcio Luz foi diplomado na primeira turma da universidade e encontrou trabalho na sede da maior empresa de armazenagem e beneficiamento de grãos do Piauí.

“Hoje, temos 83 funcionários diretos. É algo em torno de 63 parceiros. Noventa por cento dessa quantidade é mão de obra local. Isso prova a oportunidade e a expansão que a região está mostrando”, avalia.

A empresa, uma multinacional holandesa, esmaga 730 mil toneladas de soja por ano, o que representa cerca de 80% da safra colhida no estado. Os produtos são vendidos para o mercado nordestino. O farelo é transformado em ração animal. O óleo é refinado para o consumo humano.

Entusiasmado com o progresso da região, o piauiense Aldir Lages saiu de Teresina há oito anos e foi até Urucuí, onde abriu uma empresa de produção de combustível.

O gaúcho Altair Fianco participou das primeiras experiências de introdução da soja em Uruçuí. Ele diz que o maior desafio dos produtores da região é a questão ambiental. Na opinião dele, as reservas legais das propriedades devem ser demarcadas em bloco, unindo as áreas das fazendas. Isso aumenta o espaço para os animais transitarem e garante a biodiversidade. Foi o que ele e seus dois vizinhos fizeram. Juntando as três áreas, são 18 mil hectares de reserva legal averbados na escritura.

“A gente não entende divisa de propriedade como divisa de reserva. Esse é o espírito que queremos implantar da nossa reserva em conjunto. Eu vim para ganhar dinheiro. Seria hipócrita se dissesse o contrário. Mas não ganhar dinheiro a qualquer preço, a custo alto da natureza. Eu preciso ter a natureza como aliada e eu serei o maior defensor dela. No futuro, meus filhos e netos poderão usufruir do que eu deixei de bom para eles”, diz Fianco.

Fonte: Do Globo Rural - 29/05/11

Empresa apresenta alternativas para conter o avanço do mar na Região Metropolitana do Recife

Com a Política Estadual de Gerenciamento Costeiro aprovada no ano passado, iniciou-se uma série de debates para a discussão dos caminhos a seguir rumo ao projeto de proteção das áreas costeiras.

Na última quarta-feira, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) se reuniu com representantes de um comitê técnico-científico, formado por especialistas das universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e do Rio Grande do Sul (UFRS).

O objetivo foi o de apresentar e analisar o resultado de um estudo feito pela empresa Coastal Planning Engineering, que ganhou a concorrência para realizar o estudo de gerenciamento costeiro no Estado.

Dentre as alternativas apresentadas durante o encontro, foram aprovadas algumas opções para a recuperação da orla marítima nos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista.

Entre as sugestões, estão o engordamento das faixas de areia das orlas e a construção dos espigões segmentados que funcionam como quebra-mares.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, com a aprovação das obras, a ideia é que a empresa contratada comece a elaborar esse projeto básico, com um prazo para término em 45 dias.

“Após a elaboração do projeto, as obras deverão começar de imediato, inclusive o governador tem acompanhado de perto esse assunto, e está priorizando estas ações”, ressaltou o secretário.

Foi decidido no encontro que no município de Jaboatão dos Guararapes deverá ser implantado um volume de mais de 776,2 mil metros cúbicos de areia, e ser realizadas segmentações do longo do quebra-mar existente na praia de Candeias, para outros cinco quebra-mares de dimensões menores.

No Recife, a proposta é inserir mais de 779,6 mil metros cúbicos de areia e implantar quatro quebra-mares. Já em Olinda, três trechos sofrerão intervenção: as praias do Carmo, com cerca de 265,7 mil metros cúbicos; Casa Caiada, com mais de 265,7 mil; e Bairro Novo, com mais de 1,12 milhão de metros cúbicos de areia.

As orlas de Paulista terão intervenções no Janga, com quase 907,8 mil metros cúbicos de areia, e Maria Farinha, com mais de 661,2 mil metros cúbicos. De acordo com o oceanógrafo e coordenador da Coastal Planning, Rodrigo Balertta, a ação fará com que haja em cinco anos uma maior retenção e menos perdas de sedimentos implantados nas orlas.

Em dezembro do ano passado, foi instituída pelo governador Eduardo Campos a Política Estadual de Gerenciamento Costeiro, visando a melhoria da qualidade de vida das populações locais, a proteção dos ecossistemas, da beleza cênica e do patrimônio natural, histórico e cultural.

Após a aprovação dessa lei, a então Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma) teria o prazo de cinco anos para realizar este estudo, por meio de uma equipe técnica contratada ou conveniada.

Para o estudo realizado pela Coastal Planning Engineering foram feitos os seguintes levantamentos: análise de dados históricos, levantamento topo-batimétrico e amostragem sedimentológica, dados de onda e geração de dados de onda (sistema hindcast), modelagem analítica, modelagem numérica, desenho de projeto básico de engenharia e estimativas de custo.

Leia também: Projeto deve estar pronto até 15 de julho

Fonte: Da Folha de Pernambuco - 29/05/11

Violência nas escolas. Um problema de todos

ANDERSON BANDEIRA

Escola pública de Realengo, no Rio de Janeiro; escolas municipais Karla Patrícia e Poeta Manoel Bandeira, ambas no Recife; e mais recentemente a Escola Municipal José do Rego Maciel (Caic), em Palmares, Zona da Mata Sul de Pernambuco.

O que existe em comum entre esses estabelecimentos de ensino público? Deveria ser a propagação do conhecimento.

Mas, ao contrário do que pareçam, esses três estabelecimentos são alguns dos cenários trágicos em que a violência passou e deixou marcas. As marcas da agressão para uns, as marcas do final da vida para outros.

O que deveria ser um espaço para se cultivar a amizade e o companheirismo em prol do conhecimento, a cada dia se consolida como um espaço de violência. Violência que exala tanto de dentro para fora (entre os próprios estudantes) quanto de fora para dentro (invasões às escolas).

Em Realengo, na “Cidade Maravilhosa” várias foram as crianças e adolescentes vítimas de um atentado praticado pelo jovem Wellington Menezes de Oliveira, 23. Na oportunidade, 12 crianças morreram após o rapaz ter entrado numa escola pública e atirado contra os jovens inocentes.

Na Capital Pernambucana, as escolas municipais Karla Patrícia, em Boa Viagem, e a Poeta Manoel Bandeira, na Ilha do Leite, os indícios da violência foram sentidos por uma aluna e um professor, respectivamente. A estudante foi agredida a pauladas por dez amigos da escola porque não quis comer a merenda da escola; e o professor, porque reprovou um aluno.

Segundo a mãe da jovem agredida, após o ocorrido, o medo persiste. “Isso que aconteceu com a minha filha só faz deixar nós, pais, mais preocupados e com medo de deixá-los na escola. Assim como eles (estudantes) ficam com medo, principalmente, aqueles estudantes que vão para estudar, de fato”, destacou a mãe da jovem agredida, que mudou de escola.

Já em Palmares, na última segunda-feira (23), um incidente deixou pais e alunos chocados.
Um estudante de apenas 17 anos foi morto a tiros no pátio da escola. O crime ocorrido na área interna da escola só veio a corroborar com o medo, a insegurança e os questionamentos em torno da precariedade da segurança desses estabelecimentos.

Em meio a todas essas tragédias, uma pergunta. O que motiva esses incidentes? Segundo a psicopedagoga Leila Saeger de Mello Costa, alguns fatores podem estar associados aos acontecimentos. “A perda dos valores cristãos, o individualismo, a falta de segurança nas escolas e a ausência da família contribui para a violência.

As pessoas por viverem numa sociedade individualista, do ‘ter’ valer mais do que ‘ser’, estão deixando de lado valores como: amor ao próximo, coletividade, entre outros. Além disso, existem escolas que não oferecem segurança mínima para os alunos, e isso é ruim. Qualquer coisa que atinja o emocional dos estudantes interfere no aprendizado.
A participação da família também é imprescindível. Temos muitos casos de pais que delegam suas atribuições a outras pessoas”.

Ainda de acordo com Leila, esses valores perdidos precisam ser trabalhados antes de maiores problemas. “Sempre é bom trabalhar a questão dos valores, assim como o individualismo e o hedonismo, que é o prazer de todo jeito. Se isso não for trabalhado, ‘lá na frente’ podem acontecer coisas piores, como as tragédias”, destacou a especialista, que já teve que mediar vários conflitos ao longo dos seus mais de 20 anos atuando na área.

Medidas para prevenir os casos

Diante da violência excessiva que vem acontecendo nas escolas públicas em todo Brasil, algumas medidas preventivas, que já vinham sendo utilizadas pela Polícia Militar de Pernambuco, agora ganharam mais destaque.

Entre as ações que ajudam a coibir as práticas criminosas está o projeto desenvolvido pelo órgão de segurança chamado “Patrulha na Escola”. Por meio deste projeto, criado em 2000, policiais militares vão às escolas com dois grandes objetivos.

“A patrulha entra na escola como um policial, mas, sobretudo, como um educador.
Realiza atividades pedagógicas como palestras sobre bullying, drogas, entre outros temas. Além disso, mantém a segurança.

Ambas são atividades preventivas, que têm por objetivo levar segurança e conscientização aos estudantes. Já tivemos vários exemplos de mudanças por conta deste projeto. Estudantes que saíram das drogas depois de terem participando das atividades da patrulha escolar”, destacou o coordenador do projeto, major Cláudio dos Santos.

Atualmente, segundo o oficial, a patrulha conta com um efetivo de 1.042 policiais. Desse total, 884 militares trabalham nas escolas públicas do Recife e Região Metropolitana.

Além dessa ação, outra iniciativa, lançada no começo deste mês, pretende diminuir a incidência da violência através da cultura de paz. Tratasse do projeto “Escola Legal”.
O projeto é resultado de um convênio entre o TJPE, Governo do Estado, MPPE e a Escola Superior de Magistratura de Pernambuco.

Através dele, Comitês de Mediação de Conflitos trabalham para reprimir e prevenir a violência no âmbito escolar. Para isso, a iniciativa busca solucionar situações de menor potencial ofensivo e promovendo palestras nas escolas.

Fonte: Folha PE - 29/05/11

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