Amor, afeto, educação, respeito. Esses são alguns valores que envolvem o processo de adoção, que deve ser formalizada sempre judicialmente.
Nesta quarta-feira (25), Dia Nacional da Adoção, muitos casais estão na fila para realizar o sonho de criar um filho, criança ou adolescente e muitos jovens sonham em ter o carinho de uma família para si.
Com o recente reconhecimento legal da união estável entre homoafetivos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), esses casais também poderão adotar, recebendo os mesmos poderes legais e deveres dos solteiros e casais homossexuais.
No caso de morte de um dos cônjuges, por exemplo, a criança ou adolescente adotado ficará com o(a) companheiro(a), o que garante mais segurança psicológica ao jovem e à família.
Era o que já esperavam a mercadóloga Andréa Canto, 29 anos, e a engenheira eletricista Adriana Dornelas, 33 anos. Elas se conheceram em um bar durante a Copa de 2006 através de uma amiga em comum. No mesmo ano, foram morar juntas em um apartamento que compraram em Rio Doce, Olinda. Registraram a união estável em cartório há aproximadamente um ano.
O sonho de ter um filho traz uma grande expectativa. "É tão grande que não dá pra explicar, é imensurável", revelou Andréa.
Elas chegaram a pensar em fertilização em vitro, mas a opção se mostrou muito custosa. Desde a decisão do STF, uma amiga que é estudante de Direito está ajudando com os documentos necessários para dar entrada no pedido na Justiça. Os casais homoafetivos são considerados inférteis, tendo portanto preferência na fila de adoção.
As mães de Adriana e Andréa sabem da relação amorosa delas, aceitam e estão sempre presentes. "No círculo em que eu convivo, eu não sinto preconceito", disse Andréa.
Para ela, a educação dada por casais homossexuais em nada é diferente da criação por casais heterossexuais. "O tratamento é o mesmo: dar limites à criança, mostrar o que é certo e o que é errado, ensinar os riscos.
A gente vai mostrar um novo tipo de cultura, só isso. O caráter da pessoa não se caracteriza pela sexualidade da pessoa que está educando e o caráter é o que importa", defendeu ela.
LUTA - A vida do sargento da Aeronáutica Marcelo Gomes de Lima, 39 anos, e da esposa Marta Lúcia Alves de Lima, 44 anos, se transformou em uma alegre caixa de surpresas após o "nascimento" da pequena Ana Sofia. Eles a receberam quando ela tinha apenas 29 dias.
No próximo mês, completará 2 anos e o processo judicial está em fase de conclusão. A mãe biológica de Ana não tinha condições financeiras de criá-la.
Antes de encontrá-la, o casal enfrentou muitas dificuldades. Após um ano cadastrados no Serviço de Adoção, foram chamados para conhecer uma criança, porém tiveram de determinar no mesmo dia se iriam ou não ficar com o garoto de 1 ano.
"Foi muito abrupto. Eu fiquei frustrada com aquela expectativa de me cadastrar e depois não nos identificarmos com ele", contou Marta.
Depois, por sugestão de uma amiga da irmã de Marta, passaram a ir em um abrigo localizado no município de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, a 518km do Recife. Conheceram uma menina e se identificaram com ela. Porém, tiveram de travar uma batalha judicial contra outro casal que queria adotar a mesma criança e perderam o caso. A advogada propôs que entrassem com recurso em outra instância, mas eles não quiseram.
Desistir? Não, nunca. A vontade de ter um filho era muito grande e eles sentiam que iriam conseguir, cedo ou tarde. Foi quando encontraram Ana Sofia e, desde então, vivem felizes e se divertem com as aventuras e brincadeiras da menina. "Quando ela chegou aqui foi uma festa", disse Marcelo.
Atualmente, Ana Sofia estuda em uma escola integral. Segundo os pais, desde que entrou no hotelzinho - em março deste ano - Ana se tornou mais sociável, com uma rotina mais saudável. Eles pretendem educá-la ensinando-lhe a verdade desde o início, "que ela é filha do coração, embora não seja filha da barriga. É do coração", reforça Marta.
COMO ADOTAR - Para se cadastrar no Serviço de Adoção, devem ser apresentados identidade; CPF; comprovante de rendimentos; comprovante de residência; certidão de casamento ou prova de união estável para casais; certidão de nascimento para solteiros; atestado médico de sanidade física e mental; atestado de idoneidade mora; antecedentes criminais; fotografias atuais. Também é necessário preencher um requerimento inicial.
Podem adotar maiores de 18 anos, desde que o adotante seja no mínimo 16 anos mais velho que o adotado. Para adotar menores de idade, o processo deve ser avaliado na 2ª Vara da Infância e da Juventude da Capital, localizada na Rua João Fernandes Vieira, 405, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife. No caso de o adotado ser maior de 18 anos, o processo tramitará no Juízo de Família.
Após a entrega dos documentos, ocorrerão entrevistas com psicólogo e assistente social. Quando houver no Sistema uma criança ou adolescente correspondente ao perfil desejado, o adotante será convocado por telegrama para início do estágio de convivência. A continuação do processo irá depender dos pareceres de técnicos sobre a adaptação da criança. Se favorável, o juiz irá emitir a sentença.
Fonte: Mariana Ferraz / Do NE10 - 24/05/11



MPCV é o novo sistema de transporte espacial desenvolvido pela agência (Foto: Lockheed Martin/Nasa)





