Leonardo Spinelli
"Olha quanto concreto!” A exclamação é de uma estudante do ensino médio do Estado ao ver, pela janela do ônibus, o tamanho e o volume de obras em curso no Complexo Industrial e Portuário de Suape.
Foi feita durante uma visita de sua escola ao local. Resume o clima de otimismo que envolve a nova geração pernambucana diante do desenvolvimento econômico do Estado e que, em Suape, toma corpo diante dos olhos com a instalação de novas indústrias.
Uma visão diferente da geração de seus pais, que se acostumou a pensar que o Brasil não tinha jeito e que o Nordeste só servia para os seus filhos migrarem em busca de oportunidades no Sudeste do País.
Os cerca de 50 meninos da Escola Técnica Estadual Cícero Dias têm entre 15 e 17 anos e possuem uma boa noção sobre o que está acontecendo no Estado. Em Suape, tudo aquilo que eles ouvem falar sobre a nova economia de Pernambuco pode ser visto nos canteiros de obra e nos parques industriais já instalados.
Acreditam nas oportunidades que serão geradas a partir dali, mas não perdem o idealismo. Todos fazem o curso técnico de design e programação de games e boa parte não quer moldar seu futuro à demanda de mão-de-obra, mas sim se destacar na profissão que, de agora, eles escolheram. Alguns demonstram tanta confiança que desejam mesmo criar o seu mercado.
“Eu quero seguir na área técnica de jogos, mas poderia trabalhar em Suape criando simuladores de máquinas para capacitar o pessoal”, diz, confiante, o aluno do 3º ano Lucas Oliveira, de 17 anos. “Essas indústrias vão trazer emprego e renda para Pernambuco.
O Nordeste nunca foi considerado pelo Brasil e agora nós somos motivo de orgulho para a nossa região. Antes as pessoas saíam daqui em busca de emprego e agora elas estão vindo para cá”, considera.
Apesar do otimismo, eles sabem que as vagas geradas não estarão disponíveis para qualquer um. “Todo mundo sabe que é preciso se especializar. São mais vagas, mas também mais concorrência por elas.
Estou numa escola técnica mas quero seguir arquitetura, pois o mercado de construção civil tem muitas oportunidades. Posso aproveitar o meu conhecimento técnico em design na arquitetura”, opina a menina Mayara Domingos, de 15 anos, estudante do 2º ano.
Depois do primeiro impacto do ambiente, visto de dentro do ônibus, o passeio pelo complexo de Suape continua com uma palestra apresentada em power point, onde os meninos são informados sobre o tamanho e os números do local.
No pátio, que serve de antessala para o auditório, os estudantes olham com atenção a maquete da Refinaria Abreu e Lima. A obra é gigantesca, acontece numa área de 630 hectares – o equivalente a 500 campos de futebol - e é a principal estrela do projeto Suape Global, iniciativa do governo que tem como proposta atrair investimentos no segmento de petróleo, gás e offshore.
Suape tem mais de 100 empresas instaladas, gera atualmente 20 mil empregos diretos e possui inúmeras obras em andamento. Mas um dos pontos que mais chamam atenção dos estudantes durante a apresentação são os equipamentos, principalmente o guindaste Goliath, utilizado pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), um dos maiores do mundo e que recentemente ergueu a maior carga das Américas. Assim que eles saem da sala de apresentação, querem completar a visita vendo o equipamento gigantesco.
Erasmo Soto é o orientador pedagógico de Suape e estava bastante feliz com a presença dos meninos. “Visitas feitas por jovens motiva o pessoal a estudar e enche a garotada de orgulho.” Na sua visão, quando esses estudantes estiverem no mercado de trabalho, algo em torno de quatro anos, Suape já vai estar trabalhando com 50 mil empregos.
“Estamos recebendo novas plantas, a exemplo da montadora da Fiat. Esta vai atrair empresas sistemistas, que vão trabalhar no entorno da montadora oferecendo os insumos necessários para a produção dos automóveis, a exemplo da fábrica de laminados que será lançada pelo grupo Moura Dubeux. Serão 30 delas”, anima-se.
Toda essa movimentação industrial traz impacto ambiental. Para essa geração, no entanto, o caminho é a gestão responsável dos recursos, pois, para eles, retroceder não é opção.
“O maior perigo é trabalhar com petróleo. Mas esse é um risco que vale a pena correr, pelo bem do Estado. Tem de haver iniciativas para que desastres não ocorram”, opina o estudante Amaro Joaquim. As visitas de estudantes a Suape são uma iniciativa da Secretaria de Turismo do Estado.
Fonte: JC/PE - 14/05/11











