
Árvores que morrem naturalmente são usadas na fabricação de móveis / Fotos: Marcelo Aniello/Divulgação
Preservar a Mata Atlântica, produzir cacau e ainda gerar matéria-prima para a confecção de móveis e obras de arte – tudo ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Essa é a proposta de uma iniciativa realizada no Sul da Bahia e que está mostrando que é possível promover desenvolvimento econômico e social sem impactar o meio ambiente.
Todo o projeto se baseia no sistema cabruca de cultivo de cacau, que se fundamenta na implantação da cultura cacaueira sob a proteção de árvores nativas da Mata Atlântica. Assim, as árvores de cacau se desenvolvem nas sombras de árvores centenárias, que são mantidas intactas, e apenas a vegetação herbácea é retirada.
Quando essas árvores morrem e caem na floresta, elas viram matéria-prima para a produção de uma empresa de móveis, que utiliza essa madeira para produzir mesas, cadeiras, aparadores e até obras de arte.

Exemplos de peças feitas com madeira de forma sustentável
Além de proteger a mata e garantir matéria-prima para seus produtos, a empresa pretende ir de encontro ao crescimento das serrarias que estão tomando o espaço utilizado antes pelo cultivo sustentável de cacau - dizimando milhares de árvores nativas.
Móveis exclusivos e sustentáveis
O trabalho é certificado por órgãos ambientais reguladores e possui licenciamento para utilizar as madeiras mortas ou caídas da Mata Atlântica na produção dos móveis e artigos de decoração. Com isso, cerca de 800 hectares de mata da região, com uma média de 70 árvores nativas por hectare (aproximadamente 56 mil árvores no total) estão protegidos.
De acordo com empresário e artesão Euvaldo Maia Filho, idealizador do Camacã Design, o objetivo é levar a natureza o mais intacta possível para espaços privilegiados e versáteis: “Tudo sem causar danos ao ambiente”. Para manter o aspecto das peças o mais natural possível, ele conta que a intervenção humana é mínima e a beleza natural das formas é ressaltada.

Cada tora é analisada individualmente e trabalhada de forma artesanal
Ele analisa cada tora individualmente e escolhe aquelas que serão usadas na fabricação das peças. Pequi-Preto, Vinhático, Jequitibá, Araçá e Pau D’arco são algumas das espécies utilizadas. Tudo é feito de forma artesanal e a produção média mensal é de 30 itens.
“Sempre caem ou morrem árvores. Elas têm um ciclo de vida, desenvolvimento e morte, assim como nós. O bom é que uma árvore caída pode render várias peças e evita que árvores saudáveis sejam cortadas”, diz.
Cadeia de Custódia
Para garantir que o consumidor conheça todo o caminho percorrido por sua peça, desde a floresta até a loja, a organização disponibiliza um código de barras que informa toda a Cadeia de Custódia (CC) do produto.

Madeira antes e depois da fabricação do móvel
A CC abrange todas as etapas, que vão desde a colheita, o transporte, os processamentos primário e secundário até a inserção do produto no mercado. Basta inserir o código de barras no site da loja para ver o histórico daquela mesa, cadeira ou aparador.
Os produtos são comercializados para todo o Brasil e também para o exterior e podem ser comprados no site da empresa. O preço varia de R$ 700,00 a R$ 20 mil, a depender da peça.
Fonte: EcoD - 10/05/11








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