Família de 12 irmãos, ajudava na renda de casa vendendo tainha (peixe comum no litoral nordestino) e caranguejo na feira.
A situação apertou e ele decidiu pegar a estrada para trabalhar na construção civil com o tio que já estava em terras paulistas. Chegando lá, fez de tudo para sobreviver, até que se profissionalizou como eletricista e começou a trabalhar como autônomo.
Um cliente deu a dica para ele mandar o currículo para o Estaleiro Atlântico Sul, em Suape.
Foi contratado em 2008. Agora se orgulha de concluir as instalações elétricas do petroleiro João Cândido.

Valdemir voltou depois de 20 anos para concluir a parte elétrica do petroleiro João Cândido Foto:Fotos: Lais Telles/Esp. DP/D.A Press - 21/12/10
O pau de arara fugia dos empregos precários e dos baixos salários na lavoura da cana. ´Sair de Pernambuco para mim foi um sacrifício. Gosto da minha terra.
A gente quando vai embora só tem uma coisa na cabeça: ganhar dinheiro para voltar.` Ele sonhava em ter um futuro melhor para ajudar a família. Hoje, sabe que o futuro está aqui. ´Não quero sair mais de Pernambuco. Falo para a minha filha estudar, que o futuro está aqui`.
Joselma Pereira dos Santos, 35 anos, natural de Vitória de Santo Antão, na Mata Sul, também fez o caminho de volta. Antes de partir para o Rio de Janeiro, ela foi babá, balconista, trabalhou em supermercado, mas cansou. ´Eu fazia bicos.
Trabalhava mais de 12 horas por dia para ganhar R$ 250. Aqui não tinha emprego decente`.
Foi quando uma colega fez o convite para um trabalho no Rio. Ela topou, pegou a mala e seguiu viagem. Só passou seis meses por lá e depois migrou para São Paulo.
´Eu tinha a ilusão que São Paulo é tudo. Fui sem conhecer nada. Com a cara e a coragem`.
Nos sete anos que viveu em Sampa, Joselma foi balconista, auxiliar de escritório, fez cursos de inglês e espanhol, casou e teve um filho. A cabeça continuava em Pernambuco. No fim de 2006, quando veio visitar a família, escutou nas conversas com amigos que aqui seria construído um estaleiro. ´Comecei a sonhar, mas eu achava impossível conseguir entrar para construir navios.`
Impossível nada. Joselma fez o curso do Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), depois se especializou como soldadora e hoje lidera uma equipe de 25 homens como supervisora de material.
´Hoje, a mentalidade das pessoas está mudando. Elas pensam em se profissionalizar para entrar nas empresas que estão chegando em Pernambuco. Penso em construir minha vida aqui. Já comprei um terreno e vou construir a minha casa`, planeja.
"Comecei a sonhar, mas eu achava que era impossível conseguir entrar no estaleiro para construir navios` Joselma Pereira dos Santos, supervisora de material
"Não quero sair mais de Pernambuco. Falo para a minha filha estudar, que o futuro está aqui` Valdemir Martins dos Santos, eletricista
Fonte: Diário PE - 15/01/11














