sábado, 8 de janeiro de 2011

Simulador solar alcança temperatura superior a 2.000°C

Máquina será utilizada para pesquisar novas fontes de combustível a partir de energia solar
Foto: Universidade de Minnesota

Simulador será usado para a produção de combustível a partir de energia solar

Pesquisadores da Universidade do Minnesota, nos Estados Unidos, conseguiram construir equipamento que recria a energia equivalente a gerada por 3 mil sóis. O simulador será usado em diversas experiências, entre elas a pesquisa por novas fontes de energia e combustível.

“Quando os testes estiverem terminados essas tecnologias podem ser transferidas para locais que tenham radiação solar suficiente e então aplicadas.

Uma situação semelhante ocorre na indústria automotiva. Um carro não é desenvolvido nas ruas, mas no laboratório”, explicou ao iG o engenheiro Wojciech Lipinski que liderou o projeto.

Graças às altas temperaturas alcançadas pelo sistema será possível, por exemplo, converter dióxido de carbono (CO2) e água em hidrocarbonetos sintéticos (combustíveis) de forma eficiente, em um processo semelhante ao da fotossíntese feita pelas plantas.

Em outro processo, os cientistas querem utilizar a energia produzida pelo simulador pra gaseificar a biomassa de plantas em combustíveis sintéticos.

O novo simulador concentra em um diâmetro de 7,6 centímetros, a luz de sete placas espelhadas com lâmpadas que geram 6500 watts cada uma. Neste processo de concentração, a temperatura alcançada é de mais de 2.000°C.

Fonte: Alessandro Greco, especial para o iG | 08/01/11

Tumores pré-históricos geram debate sobre o câncer

Descobertas arqueológicas questionam crença de que câncer seja doença do homem moderno
Foto: The New York Times Ampliar

Crânio medieval encontrado na Eslováquia mostra sinais de tumores

Quando escavaram uma colina de sepultamento na região russa de Tuva, há aproximadamente dez anos, os arqueólogos literalmente encontraram ouro. Encurvados no chão de uma sala interna havia dois esqueletos, um homem e uma mulher, cercados por indumentárias reais de 27 séculos atrás: toucas e mantos adornados com imagens de ouro de cavalos, panteras e outros animais sagrados.

Mas para os paleopatologistas estudiosos de doenças antigas, o tesouro mais rico era a abundância de tumores em praticamente todos os ossos do corpo masculino.

O diagnóstico: o caso de câncer na próstata mais antigo de que se tem notícia.

A próstata em si já havia se desintegrado há muito tempo. Porém, células malignas da glândula haviam migrado seguindo um padrão familiar, deixando cicatrizes identificáveis. Proteínas extraídas do osso testaram positivo para PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico).

Frequentemente considerado uma doença moderna, o câncer sempre esteve conosco. Onde os cientistas discordam é sobre o quanto ele foi amplificado pelos doces e amargos frutos da civilização.

Ao longo das décadas, arqueólogos descobriram cerca de 200 casos possíveis de câncer datando de tempos pré-históricos. No entanto, considerando-se as dificuldades de extrair estatísticas de ossos antigos, isso significa pouco ou muito?

Um recente relatório de dois egiptólogos, publicado na revista "Nature Reviews: Cancer", revisou a literatura, concluindo que existe uma "arrebatadora raridade de malignidades" em antigos restos mortais humanos.

Doença da era moderna
"A raridade do câncer na antiguidade sugere que tais fatores se limitam a sociedades que são afetadas por questões da vida moderna, como o uso do tabaco e a poluição industrial", escreveram os autores, A. Rosalie David, da Universidade de Manchester, e Michael R. Zimmerman, da Universidade Villanova. Também entram na lista obesidade, hábitos alimentares, práticas sexuais e reprodutivas, e outros fatores frequentemente alterados pela civilização.

Na internet, relatos da mídia fizeram a questão soar inequívoca: "O câncer é uma doença criada pelo homem"; "A cura para o câncer: viver como em nos velhos tempos". Mesmo assim, muitos especialistas médicos e arqueólogos ficaram não ficaram tão impressionados.

"Não existem razões para achar que o câncer é uma doença nova", disse Robert A. Weinberg, um pesquisador de câncer do Instituto Whitehead de Pesquisa Biomédica, em Cambridge, Massachusetts, e autor do livro didático "A Biologia do Câncer". "Em tempos passados, a doença era menos comum porque as pessoas acabavam morrendo cedo, por outros motivos".

Outra consideração, segundo ele, é a revolução na tecnologia médica: "Hoje, nós diagnosticamos muitos cânceres, como de mama e de próstata, que, em épocas passadas, teriam passado despercebidos e sido levados ao túmulo quando a pessoa morresse de outras causas, não relacionadas".

Amostra pequena

Mesmo com tudo isso sendo contabilizado, existe um problema fundamental em estimar a ocorrência de câncer na antiguidade. Duzentos casos podem não parecer muito. Mas a escassez de evidências não é uma prova de escassez.

Tumores podem permanecer ocultos dentro dos ossos, e aqueles que fazem seu caminho para fora podem fazer com que o osso se desintegre e desapareça. Mesmo com todos os esforços dos arqueólogos, somente uma fração da pilha de ossos humanos foi coletada, sendo impossível saber o que permanece escondido por baixo.

Anne L. Grauer, presidente da Associação de Paleopatologia e antropóloga da Universidade Loyola de Chicago, estima que existam cerca de 100 mil esqueletos nas coleções osteológicas do mundo todo, e uma grande maioria não foi examinada por raios-X ou estudada com técnicas mais modernas.

Segundo uma análise da Agência de Referência da População, o total acumulado de todos que viveram e morreram até o ano 1 d.C. já se aproximava de 50 bilhões, e havia quase dobrado em 1750 (essa análise refuta a comum afirmação de que haveria mais pessoas vivas hoje do que o total que já viveu na terra). Se essa conta se confirmar, o número de esqueletos no banco de dados arqueológico mal representaria um décimo milésimo de 1 por cento do total.

Nessa minúscula amostra, nem todos os restos mortais estão completos. "Por um bom tempo, os arqueólogos só coletaram crânios", afirmou Heather J.H. Edgar, curadora de osteologia humana do Museu Maxwell de Antropologia da Universidade do Novo México. "Para a maioria, não há como saber o que o resto dos esqueletos poderia dizer sobre a saúde daquelas pessoas".

Então como os cientistas podem avaliar, por exemplo, a importância dos poucos exemplos fossilizados de osteossarcoma, um raro câncer nos ossos que afeta principalmente pessoas jovens? O caso mais antigo foi provavelmente encontrado em 1932, pelo antropólogo Louis Leakey, num parente pré-histórico do homem. Hoje, a incidência anual de osteossarcoma entre jovens com menos de 20 anos é de aproximadamente cinco casos a cada 1 milhão de pessoas.

"Seria preciso examinar dez mil indivíduos para encontrar um caso", disse Mel Greaves, professor de biologia celular no Instituto de Pesquisa do Câncer, na Inglaterra, e autor de "Cancer: The Evolutionary Legacy" (Câncer: O legado evolutivo, em tradução livre).

Ainda não foi examinado um número suficiente de restos mortais adolescentes, disse ele, para chegar a uma conclusão significativa.

Existem mais complicações: mais de 99 por cento dos casos de câncer se originam não nos ossos, mas em órgãos mais macios, que entram rapidamente em declínio. A menos que o câncer se espalhe para os ossos, ele provavelmente não será registrado.

Teoricamente, as múmias antigas seriam uma exceção. Porém, também aqui as descobertas foram poucas.

Apenas em raras ocasiões os patologistas conseguem colocar as mãos numa múmia comparativamente recente, como Ferrante I de Aragon, rei de Nápoles, morto em 1494. Quando seu corpo foi autopsiado, cinco séculos depois, descobriram que um adenocarcinoma, que começa em tecidos glandulares, havia se espalhado aos músculos da bacia.

Um estudo molecular revelou um erro tipográfico num gene que regula a divisão celular um G havia se tornado um A, o que sugeria câncer colorretal. A causa, segundo os autores, poderia ser um consumo exagerado de carne vermelha.

Ao longo dos anos, centenas de múmias egípcias e sulamericanas geraram alguns outros casos. Um raro tumor, chamado rabdomiosarcoma, foi encontrado no rosto de uma criança chilena que viveu em algum ponto entre 300 e 600 d.C.

Zimmerman, co-autor da recente revisão, descobriu um carcinoma retal numa múmia do período entre 200 e 400 d.C., e ele confirmou o diagnóstico com uma análise microscópica do tecido a primeira, segundo ele, na paleopatologia egípcia.

"A verdade é que o número de múmias e esqueletos realmente antigos com evidências de câncer é insignificante", explicou ele. "Simplesmente não conseguimos encontrar nada como a incidência moderna de câncer".

Embora a expectativa de vida média fosse menor no Egito antigo do que atualmente, Zimmerman afirma que muitos indivíduos, especialmente os ricos, viviam tempo o bastante para contrair outras doenças degenerativas. Sendo assim, por que não o câncer?

Outros especialistas sugeriram que a maioria dos tumores teria sido destruída pelos invasivos rituais da mumificação egípcia. Porém, num estudo publicado em 1977, Zimmerman mostrou que era possível as evidências sobreviverem.

Em um experimento, ele coletou o fígado de um paciente moderno que havia sucumbido ao câncer metastático no cólon, o secou num forno e em seguida o reidratou demonstrando, segundo ele, que "as características do câncer são bem preservadas pela mumificação, e que tumores mumificados ficam, na realidade, mais bem preservados que o tecido comum".

Quanto aos esqueletos, porém, o problema permanece: considerando-se o tamanho reduzido da amostra, exatamente quanto de câncer os cientistas deveriam esperar encontrar?

Para se ter uma ideia por alto, Tony Waldron, paleopatologista da University College London, analisou relatos de mortalidade humana de 1901 a 1905 período recente o bastante para garantir registros razoavelmente bons, e antigo o bastante para evitar contaminar os dados com, por exemplo, o pico do câncer de pulmão nas últimas décadas devido à popularidade do cigarro.

Contabilizando variações na expectativa de vida e a probabilidade de diferentes males se espalharem aos ossos, ele estimou que, numa "montagem arqueológica", o câncer poderia ser esperado em menos de 2 por cento dos esqueletos masculinos, e entre 4 e 7 por cento dos esqueletos femininos.

Andreas G. Nerlich e colegas, em Munique, testaram a previsão em 905 esqueletos de duas necrópoles egípcias da antiguidade. Com a ajuda de raios-X e exames de tomografia computadorizada, eles diagnosticaram cinco cânceres número compatível com as expectativas de Waldron. E, conforme previam suas estatísticas, 13 cânceres foram encontrados em 2.547 restos mortais enterrados num ossário do sul da Alemanha entre 1400 e 1800 d.C.

Para ambos os grupos, segundo os autores, os tumores malignos "não apareceram numa quantidade significativamente menor que a esperada", em comparação com a Inglaterra do início do século 20.

Eles concluíram que "a atual elevação da frequência de tumores nas populações presentes está muito mais relacionada ao aumento da expectativa de vida do que a fatores básicos ambientais ou genéticos".

Com tão pouco material para prosseguir, a arqueologia pode nunca obter uma resposta definitiva. "Podemos dizer que o câncer certamente existia, e provavelmente numa frequência menor do que a atual", disse Arthur C. Aufderheide, professor emérito de patologia na Universidade de Minnesota e co-autor da Enciclopédia de Paleopatologia de Cambridge. Esse pode ser o máximo de certeza que jamais teremos.

Conforme os cientistas continuam investigando, pode haver algum consolo em saber que o câncer não é inteiramente culpa da civilização. No curso natural da vida, as células de uma criatura precisam estar constantemente se dividindo _ milhões de vezes por segundo. Algumas vezes, algo sairá errado.

"Quando você cria complexos organismos multicelulares e permite que células individuais proliferem, o câncer se torna uma inevitabilidade", disse Weinberg, do Instituto Whitehead. "Ele é simplesmente uma consequência da crescente entropia, crescente desordem".

Ele não estava sendo fatalista. Ao longo das gerações, os corpos criaram barreiras formidáveis para manter células rebeldes na linha. Parar de fumar, perder peso, comer alimentos saudáveis e tomar outras medidas preventivas pode adiar o câncer por décadas. Até morrermos de outra coisa.

"Se vivêssemos por tempo suficiente", observou Weinberg, "mais cedo ou mais tarde todos nós teríamos câncer".

Fonte: The New York Times | 08/01/11

SOS Mata Atlântica constata que 30% das fontes de água do país têm qualidade ruim ou péssima

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Pesquisa da organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica mostra que as fontes de água no país estão cada vez mais poluídas e que, diante disso, a saúde da população corre risco. Ao analisar amostras de 43 corpos d'água, em 12 estados e no Distrito Federal, a ONG verificou que nenhuma amostra foi considerada boa ou ótima.

As análises foram feitas ao longo de 2010. Com base em parâmetros definidos pelo Ministério do Meio Ambiente, o estudo revela que em 70% das coletas feitas em rios, córregos, lagos e outros corpos hídricos, a qualidade da água foi considerada regular. Em 25%, a qualidade era ruim e em 5%, péssima.

Em visitas a pontos de educação ambiental da ONG, foi avaliada a qualidade da água para consumo e concluiu-se que as águas precisam de tratamento para qualquer uso, seja para o consumo ou para indústria. Nos locais visitados, também foi constado que o principal agente de poluição é o esgoto doméstico.

Indicadores da falta de saneamento básico, como a presença coliformes, larvas e vermes, lixo e baixa quantidade de oxigênio na água, além de dez propriedades físico-químicas foram testadas pela ONG. Das 43 coletas analisadas, o pior resultado foi a do Rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), e a do Lago da Quinta da Boa Vista, no Rio.

Em condição um pouco melhor, mas ainda considerada regular e, consequentemente imprópria para consumo, estavam as amostras coletadas no Rio Doce, no município de Linhares (ES), e na Lagoa de Maracajá, em Lagoa dos Gatos (PE).

"A poluição está muito mais vinculada à emissão de efluentes domésticos que industriais, ultimamente", disse o geógrafo do projeto, Vinicius Madazio. "É um problema porque 60% dos brasileiros vivem na [região de] Mata Atlântica", completou, reivindicando que as políticas públicas de saneamento básico sejam prioridade do governo e da sociedade.

A qualidade da água é um das preocupações da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou o período entre 2005 e 2015 a década internacional Água para Vida. Em 2006, a instituição estimou que 1,6 milhão de pessoas, principalmente crianças menores de cinco anos, morram anualmente por causa de doenças transmitidas pela água.

Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) não comentaram a pesquisa.

Edição: Lana Cristina

Fonte: Agência Brasil - 08/01/11

A União Européia excederá a meta de Energia Renovável em 2020, diz EWEA

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A União Européia excederá a meta de chegar a 2020 com 20% da energia bruta vinda de fontes renováveis / Foto: ramosandrade

A União Européia (UE) tinha o objetivo de chegar a 2020 com 20% da energia bruta produzida a partir de fontes renováveis.

De acordo com a análise dos 27 Planos de Ação Nacional de Energia Renovável (NREAP, sigla em inglês) pela Associação Européia de Energia do Vento (EWEA, sigla em inglês), o bloco conseguirá exceder essa meta, podendo alcançar 34% no mesmo ano.

A análise divulgada no dia 4 de janeiro mostrou que a energia eólica sairá na frente das alternativas sendo responsável pela produção de 14% do total projetado (34%).

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A energia eólica será responsável pela maioria da produção / Foto: Reina Cañí

No campo dos ventos, o relatório afirma ainda que a Irlanda será o país que mais produzirá esse tipo de energia, com 36,4%, seguida da Dinamarca, com 31%.

Dos 27 países membros da União Européia, 15 excederão as expectativas, dez manterão o que se propuseram e apenas dois declararam que não conseguirão cumprir a demanda.

“É bastante encorajador que 25 dos 27 países da União Européia pretender ou exceder ou manter a meta deles.

Isso mostra que a grande maioria dos países da EU compreendem claramente os benefícios da implantação de tecnologias de energias renováveis, principalmente a eólica”, disse Justin Wilkes, diretor de políticas do EWEA.

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O gráfico mostra os países que ficarão acima e abaixo da meta / Foto: análise EWEA de 27 NREAP

Fonte: EcoD

Planta medicinal é tema de pesquisa na Ilha dos Marinheiros


Anelise Borges
Planta medicinal é tema de pesquisa na Ilha dos Marinheiros
O uso de plantas que contém substâncias bio-ativas com propriedades terapêuticas, profiláticas ou paliativas acontece em todo o mundo, desde os tempos pré-históricos na medicina popular dos diversos povos.

As plantas medicinais são utilizadas pela medicina atual (fitoterapia) e suas propriedades são estudadas nos laboratórios das empresas farmacêuticas, a fim de isolar as substâncias que lhes conferem propriedades medicinais (princípio ativo) e, assim, produzir novos fármacos.

A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituída em 2006, pelo Ministério da Saúde, no Brasil, pretende resgatar e valorizar os saberes tradicionais sobre as plantas, transmitidos entre as gerações familiares.

A Política estabelece diretrizes que envolvem os profissionais de saúde no conhecimento do contexto em que atuam, com vistas a tornar as práticas em saúde seguras, eficazes e condizentes à realidade e às necessidades de determinados grupos sociais, valorizando as características regionais.

Objetivando valorizar as informações de uso de plantas medicinais na Ilha dos Marinheiros, localizada na Lagoa dos Patos, pertencente ao município de Rio Grande (RS), a enfermeira Anelise Miritz Borges, vinculada ao curso de Mestrado em Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) realizou uma pesquisa científica, em parceria com a Embrapa Clima Temperado.

Em seu estudo intitulado: “Plantas medicinais no cuidado em saúde de moradores da Ilha dos Marinheiros: contribuições à enfermagem”, foram entrevistados doze moradores pertencentes às localidades de Bandeirinhas, Porto Rei, Marambaia, Coréia e Fundos da Ilha.

Segundo Anelise, a pesquisa oportunizou conhecer a cultura local predominantemente portuguesa, que mantêm valores inerentes aos imigrantes oriundos de Portugal, que ali chegaram em 1745.

“Esses colonizadores deixaram em sua herança cultural, o manejo agrário, a pesca e o uso das plantas medicinais, um importante recurso empregado no cuidado em saúde”, enfatizou.

Seu estudo etnobotânico evidenciou o uso de 194 plantas medicinais.
As plantas identificadas pertencem a mais de 50 diferentes famílias botânicas, o que ressalta a grande diversidade de espécies utilizadas com fins medicinais pelos entrevistados.

Uma das plantas medicinais foi relatada no cuidado em saúde por todos os entrevistados: a transagem (Plantago sp.), referida para tratar infecções de garganta, urinária e intestinal e também para lavar feridas.


Christiane Rodrigues Congro – Mtb-SC 00825/9
Embrapa Clima Temperado
Contatos: (53) 3275-8113 - christiane.congro@cpact.embrapa.br

Fonte: Embrapa

Lei para o litoral com 30 anos de atraso em Pernambuco

Tânia Passos

Plano de controle de ocupação da costa do estado deverá ser implantado em até 5 anos. Mas os estragos já foram feitos

Um atraso de pelo menos 30 anos. A lei de gerenciamento da costa pernambucana, nº 14.258/10, não vai conseguir reverter os estragos já feitos. Mas é uma nova esperança na preservação dos ecossistemas e do patrimônio natural, histórico e cultural do litoral.

Se a legislação existisse há mais tempo, provavelmente as cenas comuns de ocupação da faixa litorânea, sem obedecer aos limites mínimos de distância da linha preamar, não teriam ocorrido. O que dizer, por exemplo, das edificações em plena faixa de areia nas praias de Piedade e Candeias, em Jaboatão dos Guararapes ? Um crime ambiental sem nenhum tipo de punição.

Tornar a lei eficaz é um desafio que a Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectma) tem pelos próximos cinco anos. E o trabalho precisa ser divido com os 21 municípios que integram a zona costeira. Cada um terá que elaborar seu próprio plano de gerenciamento costeiro.

Um dos pontos da legislação é respeitar a faixa de 33 metros de área não edificante, a partir da linha preamar. ´No caso da orla de Jaboatão, provavelmente não havia na época uma legislação que impedia as construções que foram erguidas na faixa de areia.
Hoje isso não seria permitido`, afirmou o secretário executivo de Meio Ambiente, Hélvio Polito.

Ninguém imaginava que o mar chegaria tão perto. O comerciante João Feliciano, 64 anos, trabalha na orla de Jaboatão desde 1972. Assistiu de perto as mudanças.
´Quando cheguei aqui havia muitas barracas. Hoje mal dar para a gente se movimentar`, afirmou.

No Edifício Maria Paula, o funcionário Geraldo Simião, 46, que trabalha desde o início da inauguração do prédio, ainda não acredita na paisagem que se estende à sua frente.
´Onde só tem água hoje, era uma quadra de vôlei e tinha também barraqueiros. O mar chega junto do muro do prédio. Não tem quem diga que a paisagem era muito diferente`, lembrou.

As diretrizes

Cabe ainda à Sectma planejar e estabelecer as diretrizes para a instalação e o gerenciamento das atividades socioeconômicas na zona costeira, garantindo a utilização sustentável, por meio de medidas de controle, proteção, preservação e recuperação dos recursos naturais e dos ecossistemas costeiros e marinhos.

´A responsabilidade será dividida com os municípios, mas dentro de um trabalho integrado envolvendo também os governos estadual e federal`, explicou Hélvio Polito.

A proposta é incentivar o desenvolvimento de atividades que respeitem as limitações e as potencialidades dos recursos ambientais e culturais, conciliando as exigências do desenvolvimento com a sua proteção. ´A legislação ambiental não impede o desenvolvimento.
Mas é preciso haver as contrapartidas sociais`, defende o professor do departamento de Oceanografia da UFPE, Moacir Araújo.

Para ele, o estado está corrigindo um atraso de muitos anos. ´As questões ambientais eram tratadas de forma generalizada`.

Fonte: Diário PE - 08/01/11

Governo cubano ensinará pela TV como construir casa própria

A televisão estatal de Cuba transmitirá a partir de domingo um curso sobre como construir uma casa, nove meses após o governo de Raúl Castro autorizar os cubanos a erguê-las com esforços e recursos próprios, informou neste sábado a imprensa local.

"Com suas próprias mãos: Como construir e manter sua casa" dará "à população conhecimentos imprescindíveis sobre as ações para realizar a construção de novas casas ou a reforma das existentes através do próprio esforço", afirmou o jornal Juventud Rebelde.

O curso (dado em 24 aulas), que também informará sobre "os requisitos legais" e "as principais diretrizes urbanísticas e arquitetônicas" que os cubanos devem seguir, será transmitido por um dos canais educativos da rede de televisão local, acrescentou o jornal.

O governo autorizou em abril os cubanos a construir suas casas com esforços e recursos próprios, a fim de enfrentar o déficit de mais de meio milhão de casas que Cuba acumula há décadas.

A construção de casas na ilha, com 11,2 milhões de habitantes, era até então um processo principalmente estatal. Entretanto, o programa governamental aprovado há cinco anos com uma meta de 100 mil casas anuais não foi cumprido e foi reajustado pela metade.

Apesar da autorização, o governo eliminou em novembro os subsídios aos materiais de construção, o que pode tornar muito difícil para os cubanos, com um salário médio de US$ 20, construir uma casa por conta própria. Os materiais de construção agora são vendidos a preços altos em lojas estatais, o que faz com que a população recorra ao mercado negro, abastecido com roubos ao Estado.

Fonte: AFP - 08/01/11

China vai incentivar abertura de capital de estatais

Medida faz parte de plano de desenvolvimento econômico que se estenderá até 2015

A China vai incentivar mais empresas estatais a ter ações no mercado a partir de 2011.
O objetivo é aumentar a percentagem de ativos do Estado negociados em bolsa, segundo comentários de um oficial sênior publicados neste sábado.

Wang Yong, chefe da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos (CSAA), disse em uma reunião que a agência vai "fazer avançar a reestruturação das empresas estatais e melhorar a eficiência da alocação de ativos do Estado", segundo um comunicado divulgado em jornais financeiros oficiais.

"A China continuará a impulsionar algumas empresas estatais qualificadas em 2011", disse Wang, segundo o Jornal de Valores Mobiliários. Ele acrescentou que o órgão tentará diversificar a propriedade de empresas estatais durante o período de "plano quinquenal" para o desenvolvimento econômico, que vai de 2011-2015.

A promessa de mais ofertas públicas iniciais de empresas estatais poderia continuar a fazer da China um mercado de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) superior nos próximos anos. A China foi a líder do mercado mundial de IPO em 2010, com empresas que movimentando mais de 400 bilhões de yuans (US$ 60 bilhões) em Xangai e Shenzhen.

O fluxo constante de novas ofertas também pode continuar a colocar pressão sobre o mercado de ações do país. O Índice Composto de Shanghai caiu 14% no ano passado, em parte por causa da correria do mercado por ações novas. O órgão chefiado por Wang controla atualmente 1.038 empresas que estão listadas nas bolsas da China e no exterior, acrescentou o jornal.

Pequim tem mudado a forma de administrar empresas estatais, com vistas a trazer maior benefício para os cofres públicos. O Ministério das Finanças disse no mês passado que iria aumentar os dividendos pagos pelas empresas estatais para até 15%, proporcionando mais recursos para os gastos do governo, desde a educação até despesas militares.

Fonte: Reuters | 08/01/11

Peixonauta: a aventura de descobrir o mundo

Série de animação infantil brasileira é exportada para 65 países; investimentos em projetos nacionais chegam a R$ 135 milhões

O Peixonauta é um simpático peixinho viajante, que sai mundo afora em busca de aventuras. Literalmente. A produção brasileira virou líder de audiência no canal Discovery Kids Brasil, e foi além.

Hoje, crianças de 65 países vibram com as missões do agente secreto da Ostra, a Organização Secreta para Total Recuperação Ambiental, e interagem em frente à TV para ajudar o peixinho a preservar a natureza. Do Ocidente ao Oriente, o Peixonauta segue descobrindo e sendo descoberto pelo mundo.

Mas chegar nesse ponto foi uma “verdadeira aventura”, com direito a muitas missões desafiadoras. “Fomos os primeiros a produzir uma série de animação inteiramente no Brasil. Antes não havia parâmetro.

Aliás, o que tinha era parâmetro ruim, pessoas de peso que tentaram e não deram certo.

Por isso tivemos que ir descobrindo o caminho aos poucos”, conta Kiko Mistrorigo, sócio fundador da TVPinguim, criada em 1989.

Foto: Divulgação

Receita mensal com Peixonauta gira em torno de R$ 110 mil;

BNDES liberou R$ 1,75 milhão para série

A ideia da série surgiu em 2003, mas só depois de seis anos o primeiro episódio foi ao ar na Discovery Kids Brasil. A maior dificuldade foi encontrar parceiros para o projeto, mas sem abrir mão da propriedade intelectual e autoral da série. Segundo Mistrorigo, a conversa com as redes brasileiras de televisão sempre foi difícil.

Com o elevado custo de produção, emissoras nacionais preferem comprar licenças de séries já consagradas no exterior a entrar como parceiras de produtoras independentes. Ou então compram o projeto e produzem elas mesmas, diz Mistrorigo. O cenário é bem diferente com as grandes redes de TV no exterior. “Sabe quantas câmeras a Discovery tem? Nenhuma. A grade deles é toda de licença de programas que eles compram de produtoras independentes”, afirma.


Produzir uma série de 26 episódios com duração média de 15 minutos não sai por menos de R$ 10 milhões, segundo estimativa da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV).

O Brasil possui aproximadamente 30 empresas especializadas em animação, e contabiliza investimentos totais de cerca de R$ 135 mihões em projetos nacionais em 2009. “Somos a bola da vez para ideias originais e projetos bem elaborados. Em 2011, vamos ter ainda mais visibilidade”, afirma a Eliana Russi, gerente executiva do Projeto Internacional da ABPI.

Made in Brazil

Para que a série fosse 100% nacional, os criadores do Peixonauta saíram em busca de parceiros no mercado externo. Inspirados no que viam em países emergentes com uma realidade econômica não muito diferente do Brasil – “o pessoal conseguia produzir conteúdo interessante que viajava pelo mundo” – Mistrorigo e sua sócia, Célia Catunda, foram a feiras e eventos internacionais do setor audiovisual para fazer contatos e procurar quem também acreditasse no projeto.

Iniciaram as conversas com a Discovery em 2005, que entrou como parceira na série, conseguiram linha de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), contaram com recursos próprios e de empresas como a Bunge, que apoiaram o projeto amparadas na lei de renúncia fiscal. “Quase uma saga.

Foi uma soma de dinheiros que no fim resultou em um projeto totalmente brasileiro”, diz Mistrorigo. A produção da série começou em 2007 e, dois anos depois, o programa foi ao ar pela primeira vez na Discovery, no dia 20 de abril de 2009.

O dono da TVPinguim não revela o faturamento da empresa, por conta do contrato firmado com a emissora. Mas segundo o BNDES, a série Peixonauta gerou receitas de pouco mais de R$ 110 mil no mês passado (65 mil dólares canadenses). “Estamos começando a ter retorno com a série e com o licenciamento dos produtos agora”, diz Mistrorigo.

Parte importante das receitas vem com a venda de licenças de veiculação para emissoras no mundo todo – incluindo a Al Jazeera, que exibe o programa para países árabes do Oriente Médio.

Nas estimativas da ABPI-TV, uma série de sucesso com dez horas de duração pode alcançar faturamento de até R$ 12 milhões só com a venda dos direitos de exibição. “Está acontecendo um fenômeno interessante agora.

Antes o Brasil só pagava royalties para fora para poder exibir os programas aqui.
Hoje, estamos vendo uma inversão disso, estamos começando a receber royalties por produção nacional”, diz Mistrorigo.

Além disso, o licenciamento da marca Peixonauta para produtos como DVDs, brinquedos, material escolar, mercado editorial, vestuário, itens para festas e alimentos também dará um bom reforço nos ganhos da TVPinguim. Até agora, a produtora fechou 18 contratos deste tipo. Em nota, o BNDES afirma que “além do potencial de exportação das obras, é possível gerar receitas com licenciamento”.

Mais expansão pela frente

Com o crescimento das oportunidades de negócio com a marca, Mistrorigo planeja uma mudança na estrutura organizacional. “A TVPinguim vai focar em produção mesmo, mas vamos criar um braço só para administrar a marca Peixonauta”, diz.

Com a nova divisão, os brasileirinhos e crianças no mundo todo podem esperar o lançamento de novos produtos – um site inteiramente dedicado ao peixinho, aplicativos para smartphones e tablets, por exemplo.

O ano já começou agitado para os fãs da série. Neste final de semana, estreia no Rio de Janeiro uma adaptação do Peixonauta para o teatro, projeto idealizado pelo casal de apresentadores Luciano Huck e Angélica.

O investimento total para levar o peixinho aventureiro ao teatro ficou em R$ 2 milhões. Também neste ano será produzido o primeiro longa do Peixonauta, na que deve ser a primeira animação brasileira em 3D. E também está em preparação a segunda temporada da série para a TV.

Foto: Divulgação Ampliar

Adaptação para o teatro custou R$ 2 milhões; peça foi idealizada pelo casal Luciano Huck e Angélica

“O produto audiovisual tem de ser concebido já com todas as suas possibilidades de distribuição. Não se pode mais pensar em um projeto somente para uma mídia.

A animação é o carro-chefe, mas o produto é multiplataforma. É preciso pensar na viabilidade de produtos como games, plataforma web e celular”, diz Russi, da ABPI.

Ela acredita que projetos de co-produção com outros países também são a saída para conseguir mais espaço no mercado internacional – nesse modelo, uma série possui ‘dupla nacionalidade’ e tem acesso livre a ambos países e conta com diversos benefícios fiscais.

Atualmente, o Brasil tem mais de 40 acordos bilaterais deste tipo, mas apenas dois – Canadá e Alemanha – permitem a produção para qualquer plataforma, enquanto os outros só valem para cinema.

Na avaliação do BNDES, “a produção nacional de obras de animação encontra-se em fase de consolidação, buscando inserir-se em um mercado ainda dominado por produções estrangeiras”. Em nota, o banco afirma que “apesar de ser um mercado novo para o Brasil, já existem alguns exemplos de sucessos nacionais”. Além do Peixonauta, outras duas séries de animação estão em exibição em emissoras no Brasil e no exterior: a Escola Pra Cachorro, da produtora Radar, e Meu Amigãozão, da 2D Lab.

O BNDES, por meio do Programa para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult), repassou um total de R$ 7,3 milhões para as três produções, sendo R$ 4,2 milhões em financiamento e um montante não reembolsável de R$ 3,1 milhões, como incentivo previsto na Lei do Audiovisual. Do grupo, o Peixonauta foi o primeiro a firmar acordo com o banco e recebeu o menor montante - R$ 1,75 milhão.

Outra fonte de incentivo ao setor é a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que desenvolve com a ABPI-TV o projeto Brazilian TV Producers, com objetivo de impulsionar as exportações. Com um orçamento de R$ 6,5 milhões, entre 2004 e 2009 o projeto alavancou um total de US$ 85 milhões em negócios fechados, de acordo com as empresas associadas.

Fonte: Danielle Assalve, iG São Paulo | 08/01/11

Voluntários de simulação de voo a Marte não buscarão extraterrestres

Moscou - Os voluntários da simulação de um voo a Marte não buscarão extraterrestres durante suas três saídas previstas ao simulador da superfície marciana, declarou o diretor do projeto "Marte-500", Boris Morukov, em entrevista divulgada neste sábado pela agência "Interfax".

"Buscarão sinais de vida? Não sei. Em todo caso, por enquanto não temos planejado homenzinhos verdes nem animais que se arrastem pela superfície", disse Morukov ao explicar em que consistirão as caminhadas, que terão uma duração de cerca de duas horas.

Uma das saídas à superfície artificial, a terceira e última, "será dedicada à resolução de situações de emergência".

"Assim, segundo o roteiro, um dos participantes cairá e machucará a mão durante o trabalho na superfície marciana" e um segundo voluntário deverá examinar seu colega e socorrê-lo.

Já na primeira saída, dois participantes deverão extrair do módulo de descida do simulador da superfície marciana, de 1,2 mil metros cúbicos, todos os equipamentos necessários, realizar os preparativos pertinentes e ativá-los.

Durante a segunda caminhada, os tripulantes deverão explorar a superfície marciana e extrair amostras do terreno para levar à Terra.

Este experimento, que começou em 3 de junho, servirá para estudar a compatibilidade psicológica e a tolerância dos membros de uma tripulação durante um voo interplanetário.

Fonte: Agencia EFE - 08/01/11

Tornozeleiras ajudam a monitorar presos no estado de São Paulo

Sistema ainda está sendo implantado entre detentos que recebem o benefício da saída temporária, mas já deu resultado.

O governo de São Paulo testou o uso de tornozeleiras eletrônicas em presos que tiveram o benefício da saída temporária no fim de ano. O objetivo é reduzir o número dos que não voltam para os presídios.

Eles saíram da cadeia pela porta da frente e até agora não voltaram. Dos 23 mil que foram liberados no estado de São Paulo, 1,6 mil desapareceram.

“Evidentemente que não era o que nós esperávamos. Esse número foi muito além do esperado por nós”, diz o promotor de Justiça Marcelo Orlando Mendes.

O número assusta, mas poderia ser menor. Pela primeira vez, foram colocadas tornozeleiras eletrônicas para monitorar cada passo dos presos. O problema é que nem todos receberam o equipamento.

O sistema ainda está sendo implantado, mas já deu resultado. O índice geral de presos que não voltaram para a cadeia ficou em 7,1%. Entre os 3.944 que usavam a tornozeleira foi de 5,7%. Ou seja, se todos fossem monitorados, e a média se mantivesse a mesma, neste momento, haveria 340 criminosos a menos nas ruas de São Paulo.

“O preso que é beneficiado com a saída temporária e não retorna ao estabelecimento penitenciário é considerado foragido. Ele perde o beneficio do regime semiaberto, vai para o regime fechado e não tem mais direito à saída temporária”, explica o promotor.

Fonte: JN - 08/01/11

Governo do Rio vai recuperar conjunto habitacional símbolo da arquitetura modernista carioca

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro- Marco da arquitetura moderna, o Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, no bairro de Benfica, na zona norte da cidade, passará por reformas de R$ 10,5 milhões. Criado com a ideia de integrar moradia a escolas, posto de saúde e áreas de convivência comuns, o prédio principal, de 272 apartamentos está em precário estado de conservação.

Um dos moradores do conjunto, o estudante Daniel Prado de Oliveira, de 25 anos, de uma das famílias mais antigas do local, disse que o prédio principal tem problemas graves na estrutura que prejudicam as instalações. "Precisamos de reforma na parte de saneamento, água, nos pilares, nos telhado e em várias coisas que estão colocando o prédio em risco".

O Pedregulho foi projetado para a moradia de funcionários de menor poder aquisitivo da então prefeitura do Distrito Federal, na época em que o Rio era a capital do país. Com o tempo, os antigos donos venderam seus imóveis, que hoje são ocupados por famílias pobres que não pagam o condomínio e não têm a escritura dos aparatamentos.

A Secretaria Estadual de Habitação fez um levantamento da situação e deve começar um projeto de regularização assim que resolver com a União o problema da posse do terreno. Paralelamente, como o prédio é símbolo da arquitetura moderna no Rio, fará uma reforma, dividida em duas etapas.

Na primeira parte, investirá na reforma do telhado, pisos, serviços de alvenaria, revestimento de paredes, escadarias de acesso, instalações elétricas e hidráulicas, por exemplo. Na segunda etapa, sem data prevista para começar, vai reformar os azulejos, os painéis de Portinari e Burle Marx, além das faixadas e áreas comuns, em parceria com a iniciativa privada.

Para o morador Daniel Prado, a medida favorece à organização do condomínio, que pretende cobrar uma taxa para administrar o prédio e fazer, no futuro, os próximos reparos. "Não temos como cobrar condomínio. No máximo, não recolhemos o lixou ou deixamos de fazer a limpeza em frente ao apartamento. Com a regularização [da posse], será mais fácil".

Projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy, na década de 1940, com paisagismo de Burle Marx, fazem parte do conjunto popular três prédios instalados no Morro do Pedregulho. Uma escola da prefeitura para 200 alunos também funciona no local, com ginásio de esportes e piscina olímpica. Um posto de saúde existia no local, mas foi fechado.

Pensado para facilitar a vida das famílias e ampliar os espaços de convivência e lazer, o Pedregulho também contava com uma lavanderia coletiva, que está desativada, por falta de manutenção.

Devido sua importância para arquitetura, o conjunto está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Edição: Aécio Amado

Fonte: Agência Brasil - 08/01/11

Recife terá curso de inglês visando Copa do Mundo

Estão abertas as inscrições do curso Inglês Rumo à Copa. O projeto visa capacitar os pernambucanos que têm interesse em trabalhar durante o torneio de futebol mais famoso do mundo nas áreas de hotelaria, turismo e gastronomia.

As aulas, ministradas pelo Núcleo de Ensino de Línguas da Fafire (Nelfire), terão início no dia 09 de fevereiro.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2122.3500, ramal 3621, de segunda a sexta-feira, das 09 às 11h, das 14h às 17h e das 17h30 às 19h30.

Fonte: Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR - 08/01/11

Morador fecha rua para acabar com ponto de viciados na zona sul de SP

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO

Cansados de conviver com "noias" e com entulhos, um grupo de moradores de cinco condomínios do Campo Belo, na zona sul de São Paulo, tomou uma decisão radical: decidiu fechar a Anésio de Martins Siqueira, uma pequena rua de cem metros de comprimento.

Craqueiros se espalham pela região do Campo Belo, em SP

Na esquina com a rua Jesuíno Maciel, ergueram um muro de quase 3 metros de altura.
Na outra esquina, um portão. A ideia era evitar que os "noias" permanecessem no local, até então moradia de viciados e ponto de venda de drogas.

O fechamento ocorreu há quase dois anos e deu certo: a Anésio de Martins Siqueira, hoje, é uma via calma, sem movimento de veículos ou pedestres.

"Quando fecharam a rua, dois ou três deles chegaram a protestar porque queriam continuar morando aqui", diz Claudécio Renato Alves.

Segundo ele, que trabalha numa corretora ao lado do novo portão, a prefeitura autorizou o fechamento, desde que os moradores se responsabilizassem pela conservação. Além disso, nenhum veículo pode ser estacionado. "Perdemos mais de cem vagas para estacionar, mas ganhamos a segurança", diz Roberto Antunes.

A Subprefeitura de Santo Amaro informou que assinou um termo de parceria com o condomínio Solar dos Bandeirantes, representando os moradores daquela rua, para o fechamento do local.

Segundo o órgão, o Sistema de Atendimento ao Cidadão recebeu mais de 50 reclamações sobre o espaço ser usado para descarte de entulho e consumo de drogas.

Fonte: Folha SP - 08/01/11

Da aldeia para o mundo

Índios suruí investem na venda de créditos de carbono. Eles utilizam a internet para divulgar o trabalho de preservação da reserva.

Índios da etnia suruí, em Rondônia, começam a investir na venda de créditos de carbono.
Eles utilizam a internet para divulgar o trabalho de preservação da reserva.

De qualquer parte do planeta é possível ver a terra indígena Sete de Setembro, que pertence ao povo suruí e fica na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

Técnicos do Google reproduziram no computador tudo que tem na floresta. Pela internet, o usuário pode fazer um tour pelas árvores e ver o que os suruís estão fazendo.

Enquanto caminha no meio da floresta, o índio carrega na mão um celular com sistema localizador GPS. Seis aparelhos foram doados no ano passado para o projeto. Com outra ferramenta, os índios da etnia suruí fazem o levantamento da biomassa.

“Avanço bastante nosso trabalho relativo à biomassa. A tecnologia está ajudando bastante ao trabalho relativo ao campo. A gente pensou que ia levar mais tempo”, disse Naraymi Suruí, coordenador do projeto.

Ao mostra a floresta para o mundo os índios podem divulgar o que estão fazendo para conservar a área. Com isso, será possível vender créditos de carbono para financiar projetos sociais e ambientais nas aldeias.

A grosso modo, o crédito de carbono é uma compensação em dinheiro paga por empresas poluidoras de qualquer parte do mundo para uma pessoa ou grupo de alguma forma conservar a natureza.

O Projeto Carbono Suruí utiliza duas formas de compensação: o seqüestro de carbono propriamente dito por reflorestamento e o desmatamento evitado e conservação de estoques de carbono através da redução do desmatamento e degradação florestal.

Os recursos recebidos vão para o Fundo Carbono Suruí. Técnicos do Idesam, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, acompanham o processo.

“Eles aprenderam muito rápido. Pegaram muito rápido a forma de utilizar o aparelho”, explicou Heberton Barros, engenheiro florestal do Idesam.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2007, com o reflorestamento. A criação do fundo indígena pode ser mais um passo para ajudar os suruís a conservar a região em que vivem.

Fonte: Globo Rural - 07/01/11

Pais trocam material escolar para promover consumo consciente

Associações em escolas particulares de São Paulo promovem feiras de livros usados para discutir o consumo e, de quebra, economizar

Para evitar gastos, desperdício e ensinar o consumo consciente aos filhos, pais de alunos de escolas particulares de São Paulo têm organizado feiras para trocar livros, material escolar e até uniformes. Na Vila Madalena, zona oeste da capital, a Organização de Pais Solidários da escola Vera Cruz prepara para os dias 26, 27 e 28 de janeiro uma feira de distribuição dos materiais coletados ao longo de 2010. São livros didáticos, paradidáticos, pastas coloridas com o logo do colégio e uniformes.

Foto: Marina Morena Costa Ampliar

Posto de coleta de doações na escola Vera Cruz

A ideia, batizada de Troca Solidária, começou no ano passado com poucos participantes. O projeto ganhou força em 2010 e arrecadou cerca de 200 livros didáticos, 100 pastas além de uniformes infantis. Denise Durand Kremer, mãe dos alunos Rafael, de 6 anos, e Sofia, 9, é uma das organizadoras da Troca e conta que o projeto foi motivado “pelo momento que o planeta vive” e para recuperar o sentido do coletivo. “Todo ano compramos toda a lista de material e livros, muitas vezes sem necessidade. Há um glamour em ter todo o material novo que é pura falta de consciência”, avalia.

Com o apoio da escola, a Organização de Pais Solidários enviou e-mails, distribuiu cartazes e pontos de coleta de material nas unidades do Vera Cruz. Os pais também promoveram palestras e discussões com a preocupação de estimular em seus filhos uma visão mais econômica e sustentável do mundo.

Foto: Marina Morena Costa Ampliar

Fernanda Salles explica para Glayds Atchabahian quais materiais podem ser doados

Glayds Atchabahian soube da iniciativa ao buscar na escola o filho Caio, de 6 anos. “Reciclagem é comigo mesma. Sinto que as coisas não se perdem. O que não serve mais pra gente serve para outras pessoas ou pode ser reciclado”, lembra. Daniela Padilha, mãe de Maria Clara, de 8 anos, participa da Troca Solidária e conta que a prática é uma rotina em sua casa: “Minha filha entende e é super atuante. Não só com o material escolar, mas com roupas e brinquedos também. Se não usa mais, ela passa adiante”.

Para Fernanda Salles, membro da Organização de Pais Solidários e uma das responsáveis pelo plantão de arrecadação dos materiais, a família e a escola devem trabalhar o consumismo. “Consumir com consciência precisa ser ensinado. O que se ensina na porta da escola é tão importante quanto o que é passado dentro de sala de aula”, aponta.

Perdidos valiosos

Casacos de grife, aparelhos eletrônicos, estojos repletos de canetas novas, livros didáticos abandonados. Um achados e perdidos extremamente rico e cada vez mais encorpado. Diante do pequeno cômodo embaixo de uma escada, repleto de materiais valiosos, Vilma Martins percebeu que havia algo fora da ordem na Escola Nossa Senhora das Graças, no Itaim Bibi, onde seu filho estuda. “Não acho normal um livro de R$ 100 ficar largado, esquecido o ano inteiro. Levei essa reflexão para os pais, para que eles se conscientizassem e discutissem com os filhos sobre o valor dos pertences”, conta.

Da indignação diante do abarrotado achados e perdidos, surgiu o LivroLivre. A Organização dos Pais do Gracinha (como a escola é chamada) criou o projeto de arrecadação de livros didáticos e paradidáticos. “O foco é o consumo consciente e a economia que os pais farão é um acréscimo. O mais importante é a reflexão sobre a utilização do material”, completa Maria Cecília Cesar Schiesari, membro da associação.

A escolha do nome e do logo do projeto foram feitas pelos alunos do Gracinha. O projeto arrecadou 2.300 livros ao longo de 2010, que serão distribuídos gratuitamente em uma feira no próximo dia 11 de janeiro. Cerca de 800 livros que não estão na lista de material foram doados para uma biblioteca mantida pela escola no Jardim Angela, na periferia de São Paulo.

Foto: Reprodução

Logo será colocado nos livros distribuídos no Gracinha

Parte do material arrecadado não poderá ser reutilizada, pois se trata de edições consumíveis, nas quais o estudante escreve diretamente no livro. Vilma conta que a Organização dos Pais do Gracinha pretende sensibilizar os professores para o problema. Para que deem preferência para livros não-consumíveis ou que apresentem alternativas para não inutilizar o livro, como escrever as resposta no caderno. As obras que farão parte do projeto receberão um selo e devem ser devolvidas ao final do ano letivo. “Os livros não têm dono. São livres”, explica Vilma.

Nesta primeira edição do LivroLivre cada aluno terá direito a retirar até três livros e terão prioridade na escolha os estudantes que tiverem contribuído com doações. Como os livros didáticos custam em média R$ 100, trata-se de uma economia de pelo menos R$ 300. “Precisamos quebrar essa cadeia do abandono dos pertences. Queremos despertar nas crianças a questão da solidariedade, da responsabilidade, de cuidar de um bem para o próximo”, resume Vilma.

Maria Cecília lembra que muitas crianças gostam de seguir a risca a lista da escola e começar o ano com o material totalmente novo. Suas duas filhas, que estão no 5º e no 8º ano, por exemplo, não têm o costume de usar cadernos do ano anterior, ao contrário das primas, que estudam em outro colégio. “Se a própria escola tiver um trabalho voltado para o coletivo e estimular a reutilização do material, acredito que os alunos vão começar a pensar diferente.”

Fonte: Marina Morena Costa, iG São Paulo | 08/01/11

ENTREVISTA-País quer laboratório marítimo perto de plataformas

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA - O governo pretende construir um laboratório científico em alto-mar, próximo às plataformas petrolíferas do pré-sal, para estudar a vida marinha. Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o laboratório ficaria a 500 quilômetros da costa e poderia servir ainda como estrutura de apoio para a produção no pré-sal.

'Nós vamos fazer o primeiro laboratório marítimo fixo em alto-mar. O Brasil não pode olhar para a Amazônia azul que é a plataforma continental só para tirar gás e petróleo. Temos de ter compromisso com a biodiversidade', disse o ministro, em entrevista à Reuters nesta sexta-feira.

Mercadante afirmou que a presidente Dilma Rousseff tem entusiasmo pelo projeto. Ele também já conversou com Petrobras e outras grandes empresas que poderão participar da iniciativa.

Segundo o ministro, o laboratório servirá para estudar a vida marinha e também para monitorar a poluição e o nível de acidez da água do mar.

Apesar de não fazer uma previsão sobre o investimento nesse laboratório, Mercadante disse que, como já terá de ser desenvolvida uma infraestrutura logística em alto-mar para a produção do pré-sal, o custo para colocar o projeto em prática poderá ser reduzido.

O próprio laboratório poderá ser utilizado como uma 'estrutura de apoio e retaguarda' para as plataformas do pré-sal.

CATÁSTROFES


Mercadante disse que também pretende desenvolver, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um sistema de monitoramento de catástrofes naturais.

'Estamos construindo um projeto de prevenção de catástrofes. Além da previsão de chuvas, que vamos aprimorar mais com radares e o supercomputador. Nós vamos usar as previsões de chuvas para as áreas de risco', disse o ministro.

Segundo ele, a ideia é utilizar as informações científicas para antecipar possíveis enchentes, deslizamentos de terras ou outros incidentes para, preventivamente, mobilizar a população.

O Brasil tem hoje, disse o ministro, 500 áreas de risco, com cerca de 5 milhões de pessoas potencialmente expostas. 'Nós nunca tivemos problemas naturais, mas com mudanças climáticas e falta de planejamento urbano nós temos hoje', afirmou.

'É um alerta e vamos ter que trabalhar com o Ministério da Defesa, com as Forças Armadas, com a Defesa Civil para ter capacidade operacional de se mobilizar com antecedência e evitar as tragédias que estão acontecendo sucessivamente', disse.

O Ministério da Ciência e Tecnologia teve, em 2010, orçamento de 7,6 bilhões de reais. Para este ano, a previsão orçamentária é de 8,1 bilhões de reais.

(Com reportagem adicional de Jeferson Ribeiro e Raymond Colitt)

Fonte: Reuters - 08/01/11

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