domingo, 5 de setembro de 2010

Inteligência empresarial, propriedade intelectual garante competitividade

IEL, Senai, Sesi, CNI, em parceria com Inpi, criaram programa para orientar as indústrias

Você já deve ter ouvido falar que a receita da rapadura foi patenteada por uma empresa alemã. Para evitar que problemas desse tipo continuem ocorrendo no país, foi criado, em 2006, o Programa de Propriedade Intelectual para a Inovação na Indústria.
A iniciativa é do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), do Serviço Social da Indústria (Sesi) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).


Empresas ligadas à indústria naval estão entre as que mais devem estar atentas à necessidade de proteção da propriedade intelectual. Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press - 1/10/09
A intenção de criar o programa é disseminar o conhecimento nas indústrias sobre da importância da propriedade intelectual, como instrumento de garantia da competitividade, tanto no plano local e nacional, quanto global.
Segundo a superintendente do IEL em Pernambuco, Gilane Lima, a propriedade intelectual (subdividida em direito autoral, proteção sui generis e propriedade industrial) contempla não somente produtos, mas, também, processos de gestão e funcionamento. "Nossa ideia é disseminar esse conceito, já que, hoje, poucas empresas o conhecem e o valorizam."

Na opinião de Gilane Lima, empresas ligadas à indústria naval estão entre as que mais devem estar atentas à necessidade de proteção. "Temos uma indústria naval que está se reerguendo, sobretudo em Pernambuco.
As empresas que estão produzindo para atender a essa demanda devem prezar pela propriedade intelectual, inclusive para garantir a competitividade internacional", explica.

Os empresários pernambucanos interessados em saber mais sobre propriedade intelectual dispõem de uma série de ferramentas gratuitas, desenvolvidas pelas entidades responsáveis pelo Programa de Propriedade Intelectual para a Inovação na Indústria. Na internet, podem acessar o site do IEL (www.ielpe.org.br) ou o site www.propintelectual.com.br, onde são encontradas diversas informações sobre o assunto, inclusive marcos regulatórios, notícias recentes, manuais e glossários. No site, ainda é possível se inscrever em um curso on-line sobre o assunto.

Outra opção é telefonar para o IEL, no número (81) 3334 7000, e agendar um atendimento ou capacitação. No encontro, segundo Gilane, o empresário terá um diagnóstico da sua situação e receberá explicações sobre o conceito de propriedade intelectual e orientações em relação ao seu caso específico.

O IEL também está prestando apoio às indústrias interessadas em promover eventos que abordem o tema "propriedade intelectual".
No próximo dia 28, por exemplo, a gerente de Inovação do instituto, Diana Jungmann, virá a Pernambuco para participar de um workshop organizado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Fonte: Diário PE - 05/09/10

Banco do Líbano intermedia negócios no Brasil

Segundo o responsável pelo escritório do Intercontinental Bank of Lebanon em São Paulo, Roland Fouad Aboukhater, os árabes têm interesse em parcerias no setor imobiliário, industrial e financeiro.

Geovana Pagel

São Paulo – Os investidores árabes estão interessados em participar do setor imobiliário, industrial e financeiro do Brasil. A afirmação é do responsável pelo escritório do Intercontinental Bank of Lebanon no país, Roland Fouad Aboukhater. O braço do banco libanês em São Paulo intermedia negócios e investimentos árabes no Brasil e investimentos brasileiros nos países árabes.

Geovana Pagel/ANBA Geovana Pagel/ANBA

Escritório do IBL no Brasil tem como foco principal a assistência nos investimentos

O escritório foi instalado no Brasil em 2004 e está desenvolvendo dois projetos. Um relacionado às exportações de açúcar brasileiro para o mercado árabe e o outro envolvendo parcerias para investimentos árabes em energia eólica no Sul do Brasil.
"Não podemos divulgar maiores detalhes, mas são projetos que já estão em andamento", informou.

De acordo com Aboukhater, normalmente são necessários três anos para avaliação de um investimento. "Depois da crise mundial todo mundo percebeu que o Brasil tem uma economia forte, é seguro para investir e tem retorno muito bom e garantido", disse ele, que está à frente dos negócios intermediados pelo escritório no Brasil desde maio.

"Se o retorno for positivo, com certeza virão novos investimentos", afirmou Aboukhater a respeito das novas perspectivas. Ainda de acordo com ele, recentemente o escritório intermediou investimentos árabes na indústria de calçados em São Paulo e no Sul do Brasil.

A escolha do Brasil para montar o escritório é creditada ao fato da colônia libanesa e síria ser muito grande influente por aqui. "Tem muito árabes e seus descendentes no Brasil e queremos trabalhar com esse pessoal", diz Aboukhater. "Nós conseguimos facilitar o contato com pessoas da família que moram no Líbano e na Síria, mas a assistência nos investimentos é nosso ponto mais forte", destacou.

Sobre o IBL

O Intercontinental Bank of Lebanon (IBL) foi criado em 1961 por um grupo de investidores liderado pelo banqueiro Joseph Saab, como Société Anonyme Libanesa (sociedade anônima) com um capital social de 8 milhões de LBP (US$ 5,2 mil na conversão atual).

Em 1998, a maioria das ações do banco foi comprada por um grupo de libaneses e investidores estrangeiros. Um ano depois, em setembro de 1999, o banco adquiriu totalidade do capital do BCP Oriel Bank e, consequentemente, todas as agências do banco adquiridas até a data passaram a operar sob Intercontinental Bank of Lebanon.

Hoje o banco possui 20 filiais no Líbano, um escritório de representação no Brasil e nove filiais no exterior. Em 2008 o IBL abriu três novas agências no exterior: uma em Limassol, no Chipre, e as outras duas no Iraque.

Contato
Escritório IBL São Paulo
Telefone: +55 (11) 5539.3825
E-mail: raboukhater@ibl.com.lb
Site: www.ibl.com.lb

Fonte: ANBA - 05/09/10

CNPq libera R$ 51,7 milhões para pesquisa em biodiversidade

É o primeiro esforço em financiamento para colocar em prática o Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou um edital de R$ 51,7 milhões para financiar projetos de pesquisa voltados para o conhecimento e a conservação da biodiversidade brasileira. Trata-se do primeiro esforço de financiamento para colocar em prática o recém-criado Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota-Brasil), um programa nacional inspirado no Biota-Fapesp, o bem-sucedido programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que há mais de dez anos estuda a composição da biodiversidade paulista e propõe estratégias científicas para conservá-la.

"Com isso cumprimos mais uma das metas importantes do Biota, que previa a replicação de nosso modelo em outros estados, regiões e, finalmente, um programa nacional de pesquisa em caracterização e conservação da biodiversidade", disse ao Estado o biólogo Carlos Joly, da Unicamp, que coordena o programa estadual. "Tarefa cumprida! Agora é trabalhar e torcer para que esta iniciativa federal tenha o mesmo sucesso do Biota."

Desde que foi lançado em 1999, o programa da Fapesp já apoiou 94 grandes projetos de pesquisa, que resultaram na descrição de aproximadamente 1.800 novas espécies vegetais e animais do Estado de São Paulo.

Também adquiriu e depositou informações sobre 12.000 espécies e digitalizou e disponibilizou online informações sobre 35 grandes coleções biológicas da biodiversidade brasileira.

Números que constam de um artigo recente publicado na revista Science, exaltando o sucesso do programa e apresentando-o como um modelo a ser seguido para estudos da biodiversidade.

O Sisbiota-Brasil, lançado em julho deste ano, visa a fazer pelo Brasil o que o Biota fez por São Paulo. Como diz o edital do CNPq: "Estima-se existir em nosso País pelo menos dois milhões de espécies distintas, enquanto são conhecidas cerca de duzentas mil, ou seja, conhecemos apenas 10% das espécies que possuímos.

A insuficiência de conhecimento científico de vários aspectos importantes da biota brasileira, contrastando com a perda acelerada de hábitats e com outras mudanças ambientais globais, é particularmente preocupante.

Torna evidente a necessidade de novas estratégias que contribuam para acelerar os inventários da biota, que compilem e disponibilizem as informações existentes, e que visem a conservação e aplicação de práticas de manejo que possam aumentar a resiliência dos ecossistemas e reduzir os impactos decorrentes das mudanças ambientais e de outros estressores."

O texto ressalta ainda a ameaça das mudanças climáticas e a necessidade de valorizar os serviços ambientais prestados pela biodiversidade: "Como extensão do conhecimento da biodiversidade, há uma crescente demanda para o desenvolvimento de produtos e a valoração de serviços ambientais.

De acordo com os cálculos existentes até o momento, se por um lado avalia-se os serviços prestados pela biodiversidade brasileira em 2 trilhões de dólares por ano, bem maior que o valor do Produto Interno Bruto do país, por outro temos que cerca de 60% dos ecossistemas do planeta não são mais capazes de prover os serviços ecológicos dos quais o homem depende, tais como produção de alimento, água potável e controle do clima.

Este cenário coloca o Brasil como importante protagonista mundial, atual e potencial para o desenvolvimento sustentável do planeta, sendo por isso estratégico estimular e fomentar a pesquisa nesta área."

O edital está dividido em três "chamadas", organizadas por temas: Chamada 1 - Sínteses e Lacunas do Conhecimento da Biodiversidade Brasileira, com propostas financiáveis até R$ 600.000; Chamada 2 - Pesquisa em Redes Temáticas para Ampliação do Conhecimento sobre a Biota, o Papel Funcional, Uso e Conservação da Biodiversidade Brasileira, com propostas financiáveis entre até 2.000.000; e Chamada 3 - Pesquisa em Redes Temáticas para o Entendimento e Previsão de Respostas da Biodiversidade Brasileira às Mudanças Climáticas e aos Usos da Terra, com valor máximo de financiamento por proposta de até R$ 650.000.

Os projetos devem ser submetidos até o dia 18 de outubro.

Mais informações sobre o programa Biota e a biodiversidade brasileira no blog Imagine só!

Fonte: Herton Escobar - O Estado de S. Paulo - 05/09/10

Prefeitura do Recife apresenta homenageados do Carnaval 2011

O Maestro Duda e a artista plástica Tereza da Costa Rêgo serão apresentados oficialmente como os homenageados do Carnaval 2011 do Recife. O evento acontecerá na próxima quarta-feira (08), às 12h, no Mercado da Boa Vista.

José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, nasceu em Goiana interior de Pernambuco, em 23 de dezembro de 1935. Está envolvido com a música desde criança e logo escreveu sua primeira composição, o frevo Furacão. Além do frevo, durante a sua carreira, ele se dedicou ao choro e ao samba.

Tereza da Costa Rego é uma artista recifense, que adotou Olinda como lar, e tem um apreço pelas grandes dimensões.
Em seus grandes quadros, ela retrata desde os bordéis do Recife nos anos 50 como lutas históricas, como a Batalha dos Guararapes e a Guerra de Canudos.
Mestre em História, a artista já foi diretora do Museu Regional e do Museu do Estado.

Fonte: Da redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR - 05/09/10

Obama quer incentivo permanente a pesquisa nas empresas

Presidente dos Estados Unidos vai pedir ao Congresso incentivo tributário permanente para empresas que invistam em pesquisa


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai pedir ao Congresso norte-americano que aumente e torne permanente um incentivo tributário para que as empresas invistam em pesquisa e desenvolvimento, com objetivo de ampliar a criação de empregos, disse no domingo uma autoridade do governo.

O custo da iniciativa será de 100 bilhões de dólares em 10 anos, que será compensado pelo fim de outros incentivos fiscais a empresas.

Obama deve revelar a proposta durante discurso na quarta-feira em Cleveland.

Fonte: Reuters | 05/09/10

Brasil abrirá embaixadas no Afeganistão e mais 3 países

RAFAEL MORAES MOURA

A diplomacia brasileira, que não para de abrir embaixadas, mas com critérios discutíveis, vai chegar a destinos ainda mais exóticos.
O governo decidiu instalar mais quatro novas embaixadas - uma delas no Afeganistão. Estônia, Bielo-Rússia e Bósnia-Herzegovina também vão ganhar representações do Brasil, conforme previsto em decretos publicados na edição de quinta-feira do Diário Oficial da União.
Só neste ano já foram criadas 17 embaixadas - a lista completa inclui Albânia, Mianmar, Nauru, Ilhas Fiji, Palau, Tuvalu, Samoa, Ilhas Salomão, Butão, Mônaco, Chipre, Nepal e Serra Leoa.
Segundo o Itamaraty, o número de postos (embaixadas, missões, consulados e escritórios) passou de 155 para 223 durante o governo Lula.

O movimento, diz o Itamaraty, atende à "determinação do presidente Lula de ampliar a rede de postos" devido ao "caráter crescentemente global dos interesses brasileiros".
Com isso, pretende-se ampliar comércio e investimentos, fortalecer o diálogo político e desenvolver projetos de cooperação.
Para o especialista José Augusto Guilhon de Albuquerque, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), há um número exagerado de novas embaixadas.
"O Brasil está se especializando em criar laços importantes com países que não mereciam essa legitimação", critica.
"O Brasil não achou importante contribuir militarmente com o Afeganistão, que é um país ocupado por forças estrangeiras. O que vamos fazer lá? Ensinar democracia?"


Fonte: do jornal O Estado de S. Paulo - 05/09/10

Para entidades de defesa do consumidor, aumento de recalls mostra preocupação com segurança

O número de convocações para recalls vem crescendo ano a ano. Para as entidades de defesa do consumidor, no entanto, isso não é uma constatação ruim.
Ao contrário, é uma prova de que os fornecedores estão mais preocupados com a segurança e a saúde do consumidor, e que vêm cumprindo a obrigação imposta pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Na opinião de Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro, o Brasil entrou no mercado globalizado, com suas vantagens e desvantagens:

"A abertura do mercado para importados, que aconteceu em 1990, aumentou a competitividade. E o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, que se iniciou no mesmo ano, capacitou o produtor brasileiro para essa maior concorrência. O resultado disso é que a qualidade do produto brasileiro melhorou. Mas, por causa da globalização das empresas, os problemas de segurança também chegam mais rapidamente a nós".

O Procon/SP e o Departamento Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) acompanham as convocações de recalls. Carlos Alberto Nahas, assistente de direção do Procon/SP, explica que há um monitoramento sobre as chamadas de recall no exterior e, se a empresa não fizer a convocação no Brasil, é feita uma notificação para que ela se pronuncie:

Para Ricardo Morishita, diretor do DPDC, informação é a base para melhorar a segurança e a saúde para o consumidor.

Fonte: Da Agência O Globo - 05/09/10

Pesquisadores discutem projeto de mapeamento de solo da América Latina e Caribe

Cerca de 60 pesquisadores de 20 países da América Latina e do Caribe se reúnem a partir de amanhã (6), no Rio, para definir um projeto conjunto de mapeamento dos principais problemas da região em termos de solo.

A informação foi dada pela chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos, Maria de Lourdes Mendonça. A estatal é líder do polo América Latina e Caribe do Atlas de Solos. Essa é uma das oito regiões em que o mundo foi dividido pelo consórcio GlobalSoilMap para o mapeamento digital global dos solos.

O único mapa global existente foi feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em 1981, mas é considerado, atualmente, insuficiente para estudos mais profundos do solo do planeta. O consórcio GlobalSoilMap pretende oferecer informações sobre solo pela internet à população e autoridades governamentais.

Lourdes Mendonça disse que o mapa da FAO definiu o solo por classes. O novo mapeamento, acrescentou ela, vai tratar as propriedades ou atributos do solo a partir de informações já existentes. “A vantagem é que você estará falando de atributos do solo e não somente de classes. Quando eu digo o teor de carbono no solo, qualquer agricultor sabe que é a matéria orgânica.

Risco de erosão, disponibilidade de água e nutrientes no solo são alguns dados que estarão disponíveis e poderão auxiliar em questões como aquecimento global, produção de alimentos, degradação ambiental, citou Lourdes. “Com essas informações, poderá ser trabalhado o zoneamento das culturas e identificadas as áreas mais suscetíveis à erosão.”

O grupo vai definir também uma estratégia comum para obtenção de recursos destinados à realização do mapeamento nos países e na região. O polo da África, por exemplo, conseguiu apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, no valor de US$ 18 milhões.
Para o polo da América Latina e do Caribe, a estimativa é de que sejam necessários US$ 2 para fazer o mapeamento por quilômetro quadrado. Segundo Lourdes Mendonça, isso significa um montante necessário em torno de US$ 36 milhões, considerando a área a ser mapeada de 19 quilômetros quadrados.

A pesquisadora da Embrapa Solos esclareceu que, dependendo do financiamento, os coordenadores do polo poderão escolher áreas para projetos piloto em cada país.
No Brasil, informou ela, o Cerrado poderá ser uma das áreas selecionadas. Lourdes Mendonça destacou ainda a necessidade de treinamento de pessoal para a realização do trabalho.

A expectativa é de que os primeiros resultados sejam divulgados nos próximos quatro ou cinco anos, “usando informações já existentes”. O evento será aberto às 8h na sede da Embrapa Solos, no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio, e se estenderá até o dia 10. A solenidade de abertura contará com a presença do presidente da Embrapa, Pedro Arraes.

Fonte: Da Agência Brasil - 05/09/10

Eike constrói a primeira usina solar comercial do país

CIRILO JUNIOR
DO RIO

A MPX, do empresário Eike Batista, vai construir a primeira usina solar comercial do país, em Tauá (Ceará). Serão investidos R$ 10 milhões para a instalação de 1 MW (megawatt) de capacidade, que permitirá abastecer 1.500 residências a partir do ano que vem.

A empresa já entrou com pedido na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para poder operar até 5 MW, o que deve acontecer em até dois anos.

Os planos da MPX preveem ter uma capacidade instalada de até 50 MW em outros projetos. Esse objetivo, porém, ainda esbarra nos custos da energia solar, devido aos equipamentos caros -que só podem ser comprados no exterior.

A usina pioneira não indica que o aproveitamento da luz solar para gerar energia esteja finalmente deslanchando no país. Faltam projetos e sobram reclamações no setor, que cobra do governo incentivos para desenvolver o mercado.

Produzir energia solar custa até seis vezes mais do que a geração hidrelétrica.
O custo com energia solar varia entre R$ 500 e R$ 600 por megawatt-hora.
Representa até quatro vezes mais do que o preço da energia eólica, outra fonte limpa e renovável. O megawatt-hora da energia oriunda dos ventos varia entre R$ 150 e R$ 200.

A MPX obteve incentivos do governo do Ceará que possibilitaram a construção da unidade. "Mas precisamos ter escala. No mundo, a tecnologia solar vem avançando muito, com incentivos e pesquisa", afirma Marcus Temke, diretor de operações e implantação da MPX.

CUSTO

Para o presidente da Abeama (Associação Brasileira de Energias Renováveis e Meio Ambiente), Ruberval Baldini, o custo da energia solar pode ficar no mesmo patamar da energia eólica, em franca expansão. Mas isso, ressalta, não vai acontecer de forma natural.

"O Brasil tem feito de tudo para que as energias renováveis caminhem sozinhas. O próprio governo diz que é necessário que a tarifa caia para os projetos saírem do papel. Isso só vai acontecer se o governo agir para que os preços caiam", observa.

Produtores chineses de equipamentos têm interesse em se instalar no país. A vinda deles, porém, está condicionada à demanda por material ligado à geração solar.

Temke lembra que há investidores estrangeiros com intenção de estabelecer parcerias, de olho na obtenção de créditos de carbono para mitigar a emissão de gases em outros países.

Apesar de ser o segundo lugar do planeta com maior incidência de raios solares, o Brasil está muito distante da Espanha e da Alemanha, cujas capacidades instaladas em energia solar superam os 2.000 MW. "Estamos 20 anos atrasados na energia solar", sentencia Baldini.

Mauricio Arouca, especialista da Coppe/UFRJ, diz ser um contrassenso o Brasil não aproveitar sua condição privilegiada. Lembra que os custos da indústria, em geral, vêm caindo 15% a cada ano.

"Temos aqui apenas testes e casos em regiões bastante isoladas", afirma Arouca.

Fonte: Folha SP - 05/09/10

Paleontólogo: qualquer museu quer o que temos no Brasil


Cabreira (dir.) examina fóssil de  Prestosuchus chiniquensis  achado no município de Dona Francisca. Foto: Ulbra/Divulgação

Cabreira (dir.) examina fóssil de Prestosuchus chiniquensis achado no município de Dona Francisca
Foto: Ulbra/Divulgação



Angela Joenck

Em 1936, foi encontrado na região de Santa Maria (RS) um fóssil de um Staurikossaurus pricei, considerado o mais antigo dinossauro já descrito pela ciência até hoje. Porém, esta não é a única região do sul do País que apresenta grande riqueza de material paleontológico.

A recente descoberta de um Prestosuchus chiniquensis no município de Dona Francisca atraiu novamente a atenção da mídia internacional para o Estado que, segundo o pesquisador Sérgio Cabreira, ainda será destaque no mundo científico nos próximos anos. "Qualquer museu gostaria de ter o que a gente tem"

"É um local realmente importante", diz o paleontólogo, "e em relação a este grupo de arcossauros basais, este sítio de Dona Francisca é um dos mais importantes do mundo". Conforme Cabreira, o local apresenta diversas rochas de períodos diferentes do Triássico.

"Tu tens rochas do triássico médio e do triássico superior, onde tu vais encontrar vários tipos diferentes de paleofaunas. E foi durante este período que ocorreu a origem dos mamíferos e também a dos dinossauros. Esta é a importância do Rio Grande do Sul na paleontologia internacional", explicou.

Os pesquisadores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) esperam que o Prestosuchus seja deslocado até a sede da instituição, em Canoas, nos próximos meses e acreditam que a região da Quarta Colônia, onde o fóssil foi descoberto, permanecerá em destaque: "o local tem um potencial muito grande. Nos próximos 5 anos há uma tendência da importância dessa região brasileira se acentuar na palentologia mundial, na medida que descobertas feitas nos últimos anos sejam descritas na literatura científica internacional".

Poucos terrenos triássicos do mundo podem ser comparados à região. Acredita-se que o local abrigava um pequeno lago onde animais paravam para beber água, e já foram encontrados fragmentos de cerca de outros 15 fósseis. "Através do trabalho feito ali, teremos grandes contribuições para a pesquisa da evolução dos vertebrados. E nossos achados são de botar inveja em qualquer museu do mundo", completou Cabreira.

Fuga de fósseis

Uma das maiores preocupações dos paleontólogos é a venda de fósseis. Segundo a lei brasileira, este tipo de comércio é proibido. Mesmo assim, um site internacional de leilão apresentava, na sexta-feira, 17 fósseis brasileiros, que custavam de U$S 385 até meros U$S 4,99.

Peixes, crustáceos e insetos são a maioria. Sérgio Cabreira define a prática como uma lesão à sociedade. "É crime. E para nós é uma perda muito grande. É como se nós continuássemos a sofrer do imperialismo econômico do Século XIX".

Questionado sobre como os fósseis teriam ido parar na internet, o pesquisador especula que pessoas leigas em certas regiões mais pobres do Brasil tenham adquirido conhecimentos básicos de prospecção de peças.

"Em toda a minha carreira eu nunca vi ou observei qualquer indício que isso pudesse vir de dentro do sistema cientifico. Isso acontece porque certas regiões do Brasil são muito pobres e algumas pessoas se acostumaram nas décadas passadas a retirar esses materiais das pedreiras, principalmente no nordeste. E a outra coisa é o comércio mesmo, em lojas que vendem minerais, principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais", disse o paleontólogo.

A divulgação de cada descoberta feita através de pesquisa, por menor que seja, é crucial para o fim do comércio de fósseis, pois acaba com o valor das peças no mercado paralelo, tornando-as patrimônio público.

"Existem leis que regem e administram a proteção do patrimônio fossilífero, assim como instituições, como o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que é um órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, que é responsável pela fiscalização da prospecção e coleta de fósseis em todo o Brasil. E eles fazem isso de forma muito controlada.

As descobertas pertencem a toda a humanidade, mas em principio, são de todos os brasileiros", completou.

Fonte: Redação Terra- 05/09/10

Gastos com estádios são 8 vezes maiores que habitação, diz jornal


Cerca de 950 imóveis das três áreas de influência (Jardim Baiano, Avenida Joana Angélica e Brotas), foram evacuados no inicio da manhã desse domingo. Foto: EFE

O Estádio da Fonte nova, na Bahia, foi recentemente implodido para a construção de nova arena
Foto: EFE

De acordo com as informações divulgadas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Norte também devem desembolsar, até a próxima Copa do Mundo, o mesmo valor com, seus projetos de arena, utilizado para a preservação e recuperação do meio-ambiente.

A Folha de S.Paulo informa que o montante aplicado em gestão ambiental pelos governos desses Estados atingiu R$ 1,70 bilhão no último anos. Conforme informa o veículo, que utilizou dados do Tesouro Nacional em suas estimativas, alguns governos argumentam que as informações não incluem a totalidade de gastos setoriais.

Fonte: Porta Terra - 05/08/10

Preço dos imóveis dispara no Grande Recife

Guardar dinheiro na velha caderneta de poupança para dar entrada em um apartamento novo na Região Metropolitana do Recife (RMR) é uma estratégia muito questionável. Enquanto o tamanho dos apartamentos novos só faz cair, seus preços sobem rápido e impulsionam o custo do metro quadrado. Em qualquer comparativo, usando a inflação ou a própria poupança, o preço dos imóveis ganha na corrida.
O crédito fácil mantém o consumo, mas o próprio mercado já começa a questionar qual o limite dessa subida de preços. O investidor em imóveis precisa se preparar para uma menor rentabilidade.

Faltam indicadores precisos para medir o m² em todo o Grande Recife.
Mas o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi), Alexandre Mirinda, estima que só nos dois últimos anos a alta foi de 30%. No período, a poupança subiu 14,98% (veja arte).

“Não diria que está caro. Antes do boom imobiliário, os preços estavam defasados. Hoje, temos equilíbrio de preços. E nos últimos seis meses o metro quadrado estacionou”, afirma Mirinda. Mas os consumidores e os números do mercado ainda não mostram a parada nos preços.

“Eu morava com minha esposa em uma casa alugada. Vimos que o aluguel pagaria um apartamento. Porém, os preços estão mudando muito, a cada 30 dias.
Entre achar o apartamento que comprei, que estava a R$ 96 mil, e comprar, por R$ 118 mil, foram só dois meses”, diz o funcionário público Márcio Alencar, 38 anos.

Ele vive há dois meses com a esposa Carolina Alencar, 25 anos, e o filho, de três anos, na casa da sogra. Sem o aluguel, paga todos os meses a prestação da vez e a última parcela, reduzindo mais rápido o saldo devedor.
Márcio, porém, ficou indeciso até a compra. Optou pelo Cordeiro após conferir outros dois bairros. “Embora os preços estejam altos, há muita oferta.”

A pedido do JC, a Unidade de Pesquisas Técnicas (Uptec) da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) calculou a variação do m² nos bairros que mais se destacaram na oferta de apartamentos novos desde 2005. Osangela Sena, economista da Uptec, ressalta que não se pode fazer o cálculo para a RMR inteira, pois nem todos os bairros têm preços registrados mensalmente.

Na média anual de 2005 até 2010 (considerando o período de janeiro a julho), Casa Caiada, em Olinda, lidera o crescimento percentual, com uma alta de 73,10%. Lá, o metro quadrado custa, em média, R$ 2.577. Em 2005 era R$ 1.488.
Boa Viagem, que tem o metro quadrado mais caro do Grande Recife, viu seus preços subirem 67,36%, de R$ 2.035 para R$ 3.406.
Em Casa Forte, o aumento foi de R$ 1.736 para R$ 2.930, ou 68,75%. Ou seja, nos três bairros, as subidas de preços ficaram em torno de 70%.

Enquanto isso, no mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do País, cresceu 29,68%, e o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), muito usado em aluguéis, avançou 29,35%. A poupança cresceu 52,64%.

Apesar da subida, no acumulado de 2010 até julho foram 5.093 imóveis vendidos no Grande Recife, contra 2.729 em igual período do ano passado e 2.152 nos mesmos sete meses de 2008. “A razão das vendas continuarem firmes é o crédito facilitado.
Não só a disponibilidade, mas o montante do financiamento incentiva as pessoas a comprar um imóvel novo”, comenta o economista Heródoto Moreira.

A questão crucial é até quando (e quanto) o consumidor suportará uma alta tão rápida de preços. Na média, Boa Viagem, Casa Forte e Casa Caiada tiveram mais de R$ 1.000 em reajuste no m², no confronto da média dos sete meses deste ano com o apurado em 2009.

Fabiano Santos de Souza, 30 anos, diretor comercial de uma agência turismo, recebeu as chaves de seu primeiro apartamento em março. Mas ainda está montando a casa, depois de gastar mais do que o esperado na aquisição do imóvel.

“No começo, imaginei comprar em Boa Viagem por R$ 50 mil, R$ 60 mil. Imagina a inexperiência? Quando fui procurar, não encontrei nada disso. Estava a R$ 100 mil, R$ 150 mil. Comprei por R$ 140 mil. Hoje está avaliado em R$ 200 mil.
São 60 metros quadrados”, conta Fabiano.

“Ninguém sabe o que acontecerá com os preços. Mas o ritmo dos aumentos vai cair. Acho que o grande salto já foi dado. Tem gente que acha que isso vai até 2014. Acho que o recado é: imóveis continuarão um bom investimento. Mas o retorno será menor”, avalia o diretor da True Imóveis, Henrique Abath.

Fonte: Giovanni Sandes
De Economia/ JC - 04/09/10

Empresas brasileiras tem quase R$ 26 bilhões investidos na África

Maior parte dos recursos, R$ 19 bilhões, são referentes aos investimentos da Vale, que atua em seis países africanos

A decisão de um profissional de uma empresa brasileira foi responsável por uma briga de pedras em um vilarejo no interior do Gabão.
Moradores de vilas vizinhas, tradicionalmente rivais, partiram para a luta depois que a Vale resolveu misturá-los em um canteiro de obras.
A iniciativa, que parecia bem intencionada, foi um desastre, mas serviu de lição para a mineradora brasileira.

A Vale está presente em seis países africanos e tem investimentos ao longo dos próximos anos da ordem de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões), entre compras de minas e obras de infraestrutura.
Seu presidente, Roger Agnelli, não economiza no entusiasmo.
Ele costuma dizer que o mais encantador no continente é que cedo ou tarde tudo que parece ser apenas um projeto passará para o plano da realidade.

A promessa de ser uma nova China aos olhos dos investidores internacionais têm feito do continente africano uma aposta também para empresas brasileiras.
Alguns dos principais grupos nacionais elegeram a África como prioridade.
Entre investimentos próprios e execução de projetos, os negócios das empresas Vale, Odebrecht, Camargo Correa e CSN são da ordem de US$ 15 bilhões (R$ 26 bilhões).

As áreas de interesse são diversificadas, como mineração, cimento, finanças, agricultura e petróleo.
Diferenças culturais, de regime político ou opção religiosa não inibem os projetos. O momento é de investir na África por conta do preço dos ativos, ainda atraentes, do potencial de consumo e da busca de alternativas a mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa, ainda em ritmo fraco de recuperação.

Fonte: AE | 05/09/10

Presença do Estado é maior em setores estratégicos da economia


Veja onde há presença do Estado no Brasil, nos EUA, na França e na China.
Para especialista, não há capitalismo ou socialismo 'puros'.

Seja na América Latina, na Europa ou na Ásia, a presença do Estado é marcante na prestação de serviços e na infraestrutura. Embora a tendência à privatização de empresas controladas pelo estado seja observada em países de economia de mercado, independentemente do seu grau de desenvolvimento, a iniciativa privada muitas vezes ainda não consegue chegar a alguns setores considerados estratégicos, como os de energia e transporte.

No Brasil, na França e na China, países de diferentes modelos econômicos, o fornecimento de energia elétrica, a manutenção do transporte ferroviário e a defesa territorial, por exemplo, são de responsabilidade do Estado.

"Tanto na França quanto no Brasil, a participação das estatais no passado recente já foi muito mais ampla e esteve relacionada a um processo intenso de industrialização. Mas ambos os países ainda têm uma participação estatal que, embora hoje minoritária, ainda é importante em setores estratégicos", disse Luiz Fernando de Paula, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB).

Quando se trata de produção de petróleo, a participação estatal se intensifica ainda mais: atualmente, as 11 maiores empresas de petróleo do mundo têm presença do Estado.

"Há razões históricas para a manutenção do controle do Estado. Há muitos subsídios que devem ser dados para determinadas atividades. Além disso, o Estado considera que, por alguns setores serem monopolistas, devem ficar nas suas próprias mãos em vez de passar para um grupo de empresas, por exemplo, o que poderia não ser benéfico para a população", disse o professor Frederico Lustosa, da Diretoria Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro Reforma do Estado e Contexto Brasileiro.

Modelo chinês
Na China, um dos países mais estatizados do mundo, grandes empresas como a China National Petroleum controlam setores inteiros da economia.

"A China, ao contrário da experiência mal-sucedida da Rússia, não fez um processo de privatização massivo de suas empresas estatais. Algumas empresas estatais foram fechadas, incorporadas a outras estatais ou compradas por gerentes ou empregados. Mas ainda assim, há mais de 100 mil empresas estatais na China, a maioria provinciais e municipais", diz de Paula.

Hoje, as cerca de 200 estatais mais importantes do país são administradas por uma comissão especial. E tem crescido a preocupação em tornar as estatais mais eficientes, de acordo com de Paula. "Nisso se inclui um processo de indução a fusões de empresas, por exemplo”, afirma.

Após o auge da crise, em 2008, o gerenciamento centralizado tem trazido vantagens ao país, segundo Kevin Tang, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China. "É consenso no pós-crise que o planejamento da economia pelo governo tem possibilitado projetos em larga escala necessários para o país, direcionando, organizando e alocando os recursos disponíveis com decisões coordenadas e diretas", afirmou.

Economia de mercado
Nos Estados Unidos, na outra ponta do espectro, o governo não tem tradição de gerir empresas estatais. Ainda assim, durante o auge da crise financeira, em 2008, o governo se viu forçado a ampliar sua participação na economia, comprando grandes fatias de empresas para injetar capital e evitar que as mesmas “quebrassem”.

"Para os neoliberais, isso seria impensável antes da crise mas, para não deixar que o prejuízo fosse ainda maior, foi necessária essa intervenção, que deverá demorar para ser revertida", diz o economista e diretor de administração da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos.

Em situações “normais”, a atuação do estado na economia é indireta, por meio de programas militares e aeroespaciais, que demandam orçamentos vultosos, segundo Luiz Fernando de Paula. "Há também fundos estatais para financiamento de setores específicos a serem estimulados, como energia limpa. Em particular, há forte indução no setor de pesquisa e desenvolvimento por parte de iniciativas e compras do governo", diz ele.

Híbridos
Para o professor Hélio Janny Teixeira, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), especialista em administração pública e reforma do estado, não se pode afirmar que exista socialismo ou capitalismo puros, mas sim, "híbridos".

"Mesmo que a China, por exemplo, tenha quase todos os seus setores sendo controlados pelo estado, há a participação da iniciativa privada, ainda que seja pequena. Redes de hotéis que atendem turistas, por exemplo, não são estatizadas", disse.

No entanto, ainda que a iniciativa privada esteja presente, não é possível imaginar que haja pressões para redução da participação do Estado. "Pelo contrário, a pressão é para que sejam criadas mais estatais".

França e Brasil são exemplos característicos desse modelo híbrido da economia. No país europeu, com tradição estatal, um movimento de privatização tem sido observado nos últimos 25 anos. Com o crescente aumento da dívida pública, a saída encontrada pelos governos foi abrir o capital de muitas de suas empresas.

"Foi uma via que o país encontrou para captar recursos e diminuir - zerar não seria possível - a dívida que tem crescido desde 1981", diz Bertrand Camacho, conselheiro econômico da Embaixada da França no Brasil. Atualmente, as poucas empresas públicas que restaram estão em setores como energia, transporte e defesa. "Mesmo assim, a iniciativa privada está presente em uma ou outra. Não há exclusividade do estado", afirmou o conselheiro.

As empresas públicas do país costumam seguir o mesmo modelo adotado pela iniciativa privada. A principal diferença é que o governo é quem nomeia os administradores. "Se o estado tem apenas uma participação em uma empresa, não sendo mais totalmente pública, as nomeações seguem a proporção", disse Camacho.

No Brasil, o modelo é semelhante: cada estatal é supervisionada pelo ministério correspondente à sua atividade e seus diretores são nomeados pelo governo, seguindo "variados critérios, de acordo com cada empresa", segundo o Ministério do Planejamento.

De acordo com levantamento do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest), do Ministério do Planejamento, em todo o país, há 118 empresas supervisionadas pelo governo federal. Desse total, 16 são dependentes do Tesouro Nacional, ou seja, não têm recursos próprios. (Conheça as estatais supervisionadas pelo governo federal).

Investimentos e orçamento
No primeiro semestre deste ano, os investimentos realizados pelas estatais alcançaram R$ 37,9 bilhões, valor 27% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, segundo o Dest.

De acordo com o órgão, na classificação dos investimentos por programa destacam-se dez do setor de petróleo, oito do setor de energia elétrica e seis do setor de transportes.

Pelo Orçamento para 2011 enviado pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento) ao Congresso, as empresas estatais federais poderão aplicar cerca de R$ 107,5 bilhões em investimentos, o maior valor de que se tem registro.

Fonte: Anay Cury Do G1, em São Paulo - 05/09/10

Passageiro sofre sem orien­ta­ções nos aeroportos

Anac fe­chou posto de aten­di­men­to após pouco tempo fun­cio­nan­do

TA­TIA­NA NO­TA­RO

O posto de aten­di­men­to da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no Aeroporto Inter­nacional do Recife/Gua­rarapes - Gilberto Freyre co­me­çou a fun­cio­nar em março de 2009.
Na mesma época, ou­tros nove foram aber­tos em ou­tros es­ta­dos bra­si­lei­ros, com a fi­na­li­da­de de aten­der aos pas­sa­gei­ros com maior co­mo­di­da­de.
Mas em­bo­ra os ser­vi­ços ae­ro­por­tuá­rios con­ti­nuem de­fi­cien­tes, os pos­tos, ao que pa­re­ce, per­de­ram a uti­li­da­de e, já no mês pas­sa­do, co­me­ça­ram a ser fe­cha­dos.
Agora sete dos dez ti­ve­ram ati­vi­da­des en­cer­ra­das - os ae­ro­por­tos do Recife, For­taleza, Porto Alegre, Curiti­ba, São Paulo (Congo­nhas), Salva­dor e Rio de Janeiro (Santos Dumont) já não con­tam com o ser­vi­ço in loco.

É a baixa pro­cu­ra que jus­ti­fi­ca o fim do aten­di­men­to, se­gun­do a Agência, e o re­for­ço foi dado pelo sis­te­ma “Fale com a Anac”, ca­nais via te­le­fo­ne e in­ter­net, gra­tui­tos e dis­po­ní­veis 24 horas, os sete dias da se­ma­na, “in­clu­si­ve com aten­di­men­to te­le­fô­ni­co em in­glês e es­pa­nhol” e li­ga­ções de ce­lu­lar.
Os con­ta­tos geram um pro­to­co­lo para que o pas­sa­gei­ro acom­pa­nhe a re­so­lu­ção da sua “ma­ni­fes­ta­ção”.

De ja­nei­ro a junho deste ano, o posto de aten­di­men­to do Gilberto Freyre re­ce­beu 292 co­mu­ni­ca­ções, o que dá uma média de 1,6 por dia.
No total, 15,5 mil pas­sa­gei­ros no País uti­li­za­ram o “Fale com a Anac” para re­gis­tros de re­cla­ma­ções, su­ges­tões, elo­gios e de­nún­cias.
Cada posto rea­li­zou qua­tro aten­di­men­tos por dia con­tra 86 via in­ter­net ou te­le­fo­ne - nú­me­ro quase 22 vezes maior (jus­ta­men­te o ar­gu­men­to da Anac para o fe­cha­men­do dos pos­tos).

Procurada para falar sobre o fe­cha­men­to dos pos­tos de aten­di­men­to, a Anac, atra­vés da as­ses­so­ria de Imprensa, res­pon­deu que “a fis­ca­li­za­ção nos ae­ro­por­tos per­ma­ne­ce a mesma”.
Ainda de acor­do com a as­ses­so­ria, os pos­tos “ape­nas re­gis­tra­vam as ma­ni­fes­ta­ções dos pas­sa­gei­ros” e con­ti­nuam em ope­ra­ção nos ae­ro­por­tos no Rio de Janeiro (Tom Jobim), São Paulo (Guarulhos) e Brasília, onde “há de­man­da”.
A as­ses­so­ria de Imprensa não soube in­for­mar a soma gasta para im­plan­ta­ção e ma­nu­ten­ção dos pos­tos.

A fis­ca­li­za­ção da Anac é feita por equi­pes mó­veis que aten­dem a todos os ae­ro­por­tos bra­si­lei­ros em ações pro­gra­ma­das ou sur­pre­sas, mas sem ações fixas e com pe­rio­di­ci­da­de re­la­ti­va, de acor­do com a ati­vi­da­de.
Os fis­cais são res­pon­sá­veis por acom­pa­nhar os ser­vi­ços das com­pa­nhias aé­reas, como venda de pas­sa­gens e a ma­nu­ten­ção das ae­ro­na­ves.
A Anac ex­pli­cou que a quei­xa do pas­sa­gei­ro gera um pro­ces­so ad­mi­nis­tra­ti­vo no qual a com­pa­nhia tam­bém é ou­vi­da.
As mul­tas apli­ca­das pela Agência são re­co­lhi­das para a União e não geram in­de­ni­za­ção aos pas­sa­gei­ros que, caso sin­tam-se le­sa­dos, devem pro­cu­rar o Procon ou a Justiça para o res­sar­ci­men­to.

SER­VI­ÇO

Fale com a Anac
www.anac.gov.br/fa­lea­nac
0800-725-4445

Fonte: Folha PE - 05/09/10

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