da Sucursal de Brasília
As empresas de telecomunicações estão batendo o pé para que o governo isente a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o serviço de internet em alta velocidade, no âmbito do Plano Nacional de Banda Larga. O setor afirma que não é possível praticar o preço prometido pelo governo caso não haja um abatimento total do ICMS, nos moldes do que foi feito em São Paulo com o projeto de banda larga popular.
A proposta avaliada pela Presidência coloca uma tarifa-limite de R$ 35 para um pacote mensal com velocidade de 512 Kbps.
O presidente da Claro, João Cox Neto, é um dos que falam ser impraticável a tarifa sem um corte no tributo.
O empresário afirma ainda estudar a viabilidade de internet ilimitada a esse preço. "Com imposto, é tudo diferente", disse. Segundo o empresário, não haveria corte de receita, já que seria imposto cobrado sobre um serviço que ainda não existe.
A visão do governo é de criar uma estrutura própria para o Plano Nacional de Banda Larga para oferecer internet a custos baixos no atacado, de forma a reduzir os preços no varejo e facilitar a atuação de pequenos provedores, o que agitará a concorrência no setor.
Dessa forma, na visão do secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, a proposta do governo de internet a R$ 35 é viável sem corte de ICMS, já que a transmissão de dados oferecida no atacado pela infraestrutura do governo será até três vezes mais barata do que hoje é ofertado.
Com o corte do imposto, um fluxo imenso deixaria de entrar nas contas dos governos estaduais.
Em 2009, todo o setor pagou R$27,6 bilhões de ICMS, segundo balanço divulgado ontem pela Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações). De acordo com o estudo, o número equivale a uma participação de 12,1% sobre tudo o que os governos estaduais arrecadam com o imposto.
Balanço
Apesar das queixas, o segmento de telecomunicações encerrou 2009 com uma base de 234,5 milhões de assinantes, um aumento de 12,7% em relação ao ano anterior.
O setor teve receita bruta de 179,9 bilhões, valor 0,8% maior que o verificado no ano passado. Foi o maior faturamento da história, o equivalente a 5,7% do PIB brasileiro.
De acordo com o balanço da Telebrasil, os 174 milhões de acessos à telefonia móvel corresponderam a 74,36% desse total de clientes.
O setor que mais cresceu, contudo, foi o de TV por assinatura, com um incremento de 18,2% de clientes, chegando a 7,5 milhões de acessos. Banda Larga fixa teve um salto de 13,8%, chegando à marca de 11,4 milhões de acessos.
A entidade empresarial estima para 2010 um incremento de 4 milhões de novos acessos para o setor de internet em alta velocidade fixa. Em 2009, o país registrou um incremento de 1,4 milhões, quando a receita bruta de comunicação multimídia foi de R$ 17,83 bilhões.
Fonte: Folha de São Paulo - 29/04/10










