Sede do parque tecnológico divide prefeitos no ABC Paulista

SANTO ANDRÉ – Está quase tudo certo para a implantação do Parque Tecnológico do ABC Paulista. A definição da localização, porém, gera divergências entre prefeitos da região.
Em visita ao Consórcio Intermunicipal, o secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a área que sediará o conglomerado deverá ter 200 mil metros quadrados, sem especificar o município.
Uma comitiva de cerca de 50 pessoas, entre elas os prefeitos de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), e de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira (PSDB), visitou o Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), na última semana.
Eles conheceram a obra e o modelo de gestão do parque, localizado em área de 12,5 milhões de metros quadrados.
Esta extensão está descartada no Grande ABC em razão de sua localização metropolitana e das diversas áreas de mananciais.”Não acho que o modelo vá ser igual.
Nós não temos terreno e não temos o mesmo espaço que tem aqui.
Eles começaram praticamente do zero, enquanto nós, no ABC, já temos algum avanço em termos tecnológicos, com cidades que sediam plantas de tecnologia avançada”, comentou o secretário de Desenvolvimento e Relações de Trabalho de São Caetano, Celso Amâncio.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de São Bernardo (Acisbec), Valter Moura, o espaço não será um grande problema, destacando a necessidade de vontade política para o projeto se estabelecer.
“O que é preciso, em primeiro lugar, é a vontade política; em segundo, a união de todos os prefeitos; e, em terceiro, o envolvimento das Câmaras Municipais da região.
Eu diria que nós temos imóveis no ABC, é só procurar”, destacou.
Formato híbrido o formato do Parque Tecnológico do ABC ainda não está resolvido.
“Esse processo tem duas formas de acontecer: uma é através da iniciativa dos sete municípios, cada um criando um espaço, ou um deles se apropriar do projeto”, disse o prefeito de Rio Grande da Serra, que também preside a Agência de Desenvolvimento do Grande ABC.
São Bernardo e Santo André são as mais cotadas para abrigar o projeto, devido à localização, ao espaço e às indústrias das cidades.
Municípios menores, como Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, poderiam abrigar instituições de ensino.
“Acho que é um projeto que se enquadra na realidade de São Bernardo e de Santo André, que são cidades grandes e estruturadas”, expôs Kiko Teixeira.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Pires, Marcelo Menato, concorda com o presidente da Agência de Desenvolvimento. “Ribeirão tem dificuldades no crescimento industrial e nós não queremos ser uma cidade com esse perfil: queremos uma mescla de indústria, comércio e faculdades.
“Sobre a futura localização, Menato criticou o impasse.
“Essa indecisão prejudica a região como um todo. As mais propícias para abrigar o Parque são Santo André, São Bernardo e Mauá.
Eu acho que é preciso uma delas assumir a dianteira e as demais apoiarem.
O ABC está ‘dormindo no ponto’, precisamos ser mais rápidos”, finalizou o secretário.
Assim como aconteceu em São José dos Campos, os investimentos deverão vir dos governos federal, estadual e municipal e da iniciativa privada.
“Tem de fazer parceria público-privada. O estado e os municípios não têm dinheiro para fazer”, justificou Marcelo Menato.
O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), defende a parceria.
“Tem de acabar com essas histórias de que o poder público não pode participar em parceria com o setor privado porque eles é que vão lucrar.
Queremos que eles sejam competitivos e gerem empregos, e para isso temos de ter uma política pública de apoio à tecnologia.”

Fonte: Diário Comércio, Indútria e Serviços – SP – 10/08/09


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