Presidente da câmara de Faro quer parceria público-privada para dar nova vida ao centro comercial Atrium

O presidente da câmara de Faro, José Apolinário, defendeu a criação de uma parceria público-privada para desbloquear a situação que levou hoje ao encerramento do centro comercial Atrium, na baixa da cidade, instalando associações culturais no espaço.
Numa conferência de imprensa realizada hoje, dia em que a administração do centro comercial encerrou sem aviso prévio aos lojistas,
Apolinário disse que “a ideia é a de que este o local tenha uma forte valência cultural” e “construir com os agentes culturais uma proposta de ocupação que permita que as associações (Associação filarmónica, Escola de Dança do Algarve, Cineclub de Faro e o Rancho Folclórico de Faro) desenvolvam aí as suas actividades”.
“A câmara não pretende resolver um mau negócio, mas contribuir com uma solução que dinamize um espaço emblemático da baixa, em favor da cidade”, assegurou o presidente da câmara de Faro.
Apolinário explicou que a câmara fez também um “estudo muito detalhado do que poderia ser colocado no centro comercial em termos de julgado de paz, loja do munícipe, comissão arbitral, galeria municipal, departamento de cultura e património e utilização do anfiteatro do último piso como anfiteatro polivalente”.
“E nesse estudo metade da área pode ter uma valência cultural e a outra metade comercial. Sondámos entidades ligadas à banca e à actividade comercial no sentido de saber se estavam interessadas em ser parceiras, mas isto tem procedimentos legais a cumprir”, sublinhou Apolinário, defendendo que a solução passa pela criação de uma parceria público-privada. Apolinário lembrou que “a câmara não tem condições financeiras para adquirir o espaço e tem de encontrar uma solução que passa por organizar uma pareceria privada, lançar concurso público para escolha de parceiro privado que possa adquirir e transformar o centro comercial Atrium, ficando a câmara a pagar uma renda pelo espaço público ao longo de 20 anos”.
O autarca adiantou que o local necessita de “obras no valor de 700.000 a um milhão de euros” para permitir a actividade das associações culturais e adiantou que já fez “contactos com a banca que tem investimento no espaço e agentes culturais para saber como se pode adaptar o local às suas necessidades”, garantindo que os as associações foram escolhidas pelo critério de “trazer pessoas ao longo do dia” para o centro comercial.Macário defende alterações ao edifício.
A proposta de Apolinário, que tenta a reeleição para a presidência da câmara pelo PS, já foi criticada pelo candidato do PSD, Macário Correia, para quem o “o projecto do centro comercial foi mal concebido para aquele local” e quem o fez “não teve em conta a realidade necessária para o concelho e baixa de Faro”.
“Não tem espaços comerciais com dimensão atractiva e é por isso que aqueles cubículos estão vazios há dois anos, porque com aquelas configuração o projecto não tem condições para ser viável.
O projecto tem que sofrer alterações para ser viável”, defendeu.
Macário considerou que a proposta do rival “é uma fantasia que revela nervosismo e insegurança à beira de eleições”.
“Fantasia em primeiro lugar porque edifício não se adequa aquelas associações, que merecem ter sede condigna, com mais espaço e condições, que não há ali, naqueles cubículos inacabados”, sustentou, acrescentando que não é necessário instalar os agentes culturais na baixa da cidade, “porque não são associações comerciais que precisem de um contacto com o público no coração da baixa da cidade” .
“Além disso, a câmara tem situação calamitosa e vai-se meter com essa proposta numa situação financeira que não é rentável e viável para uma entidade que já está numa situação caótica em termos financeiros”, sublinhou.
Macário diz compreender “o desespero, nervosismo e aflição de quem não tem obra à beira de eleições, mas não se pode dizer coisas que não têm sentido”, porque “nem o espaço tem condições nem a câmara tem condições financeiras para fazer isso”.

Fonte: Jornal Público – Portugal – 04/08/09


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