Copergás é a penúltima privatizável de Pernambuco

Governo do Estado já fez acordos com o BNDES para realizar estudo que definirá o modelo de concessão 

A Copergás é a penúltima privatizável do Estado de Pernambuco / Foto: Divulgação/ Copergás

A Copergás é a penúltima privatizável do Estado de Pernambuco
Foto: Divulgação/ Copergás

Angela Fernanda Belfort

Em tempos de dinheiro curto, é comum o Estado vender ativos para se capitalizar. Pode ser uma empresa, um terreno ou outro bem para obter recursos e aplicá-los em investimentos. Nesse cenário, a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) é a penúltima “privatizável” do governo de Pernambuco. Caso a distribuidora passe para a iniciativa privada restará apenas a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) com a possibilidade de ser privatizada, e desse modo, capitalizar o Estado. Mas por que a Copergás é tão atrativa e deve ser privatizada primeiro?

Existem pelo menos três respostas. O serviço de gás canalizado é muito menos complexo do que a distribuição de água e esgoto, que é um serviço básico. Segundo motivo: “há uma expectativa de crescer muito. O gás é a energia da transição para uma matriz energética limpa. É o menos poluente entre os combustíveis fósseis”, explica o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Por último, a Copergás registrou um crescimento do lucro de 40%, saindo de R$ 50,7 milhões em 2015 para R$ 70,9 milhões no ano passado. Somente lembrando, o País vive a sua maior crise econômica desde 1929. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 3,6% e isso fez muitas empresas venderem menos e até fecharem. O PIB mede a atividade produtiva do País.

O aumento de 40% do lucro da Copergás foi puxado principalmente pela entrada em operação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) no Complexo Industrial de Suape e pela retirada do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no gás térmico que era pago pela distribuidora ao Estado de Pernambuco, sócio majoritário da empresa. O Estado é dono de 51% das ações ordinárias da Copergás, a Gaspetro – subsidiária da Petrobras – tem 24,5% e o restante (24,5%) é da companhia japonesa Mitsui.

O crescimento grande no resultado da Copergás não ocorreu apenas no ano passado. Comparando 2015 com 2014, o crescimento foi de 65% já que em 2014 a distribuidora registrou um lucro de R$ 30,6 milhões. “Depois dessa crise, a nossa expectativa é de um crescimento significativo nos próximos cinco a 10 anos”, diz o diretor técnico comercial da Copergás, Jailson Galvão. E acrescenta: “A Petrobras sinaliza um aumento da oferta de gás natural devido ao pré-sal e há a perspectiva também de novos supridores”. Hoje, o principal “supridor” de gás natural é a Petrobras.

O gás canalizado só chega aos clientes via expansão da rede de gasodutos “que está aumentando ano após ano”, conta o diretor técnico comercial da Copergás, Jailson Galvão. Hoje a empresa tem gasodutos que totalizam uma extensão de 700 km vendendo o produto de Recife até Belo Jardim.

Atualmente, a Copergás vende 4,7 milhões de metros cúbicos por dia. É a segunda distribuidora do Nordeste e a quinta do Brasil em movimentação de gás natural. O combustível é vendido a 91 clientes industriais, 70 postos de gasolina, 280 clientes comerciais e 27 mil clientes comerciais. Atualmente, 42 mil veículos usam o Gás Natural Veicular (GNV) nos seus motores. A empresa também é enxuta principalmente para uma estatal. Emprega cerca de 250 trabalhadores, sendo 150 do quadro próprio e cerca de 100 terceirizados, segundo Jailson Galvão.

PASSO-A-PASSO

O primeiro passo para a privatização da Copergás será a conclusão do estudo de viabilidade da futura privatização que está sendo feita pelo BNDES. Pernambuco e mais oito Estados assinaram um termo de cooperação com a instituição financeira para a realização desses levantamentos que devem indicar também qual a melhor forma de privatizar as distribuidoras. Os estudos devem ficar prontos no segundo semestre deste ano, de acordo com uma estimativa feita pelo vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Raul Henry. Ainda não foi fechado um prazo para a privatização.

JC Economia


Novo tênis da Adidas é feito de plástico recolhido dos oceanos

(Reprodução/Forbes)

A Adidas foi um pouco além da utilização do lixo dos oceanos em seus calçados (Reprodução/Forbes)

A Adidas anunciou uma novidade em sua linha Parley, os calçados feitos de lixo recuperado e reciclado dos oceanos. No último dia 10 de maio, o tênis Ultra Boost Parley foi disponibilizado para corredores – o modelo é feito com a fibra criada em parceria com a organização Parley for the Oceans, que busca modelos de negócios alternativos que protejam os oceanos.

Só no último ano, a Parley retirou 740 toneladas de plástico do Oceano Índico, material que a fabricante de artigos esportivos está transformando em sapatos e camisetas. A empresa afirma que pelo menos um milhão de calçados serão criados a partir dos plásticos dos oceanos até o final de 2017. Isso equivale a 11 milhões de garrafas de plástico recolhidas de áreas costeiras. No mês passado, a Adidas apresentou o modelo Terrex Boat Shoe e uma camiseta, ambos produzidos com os fios da Parley. O preço do calçado é US$ 140, contra US$ 30 da camiseta. Em maio, é a vez do Ultra Boost. Em agosto, a coleção ganha o Terrex Boat DLX, que terá uma sola Traxion diferente no quesito aderência.

“O oceano é o mais importante ecossistema do planeta e é importante que trabalhemos muito para tratar os danos que estão sendo causados pela poluição”, afirma Greg Thomsen, diretor-geral da Adidas. “Com 40 milhões de quilos de plástico flutuando no Pacífico Norte, precisamos reconhecer que uma mudança é essencial para o futuro do meio-ambiente. Como uma empresa global, temos o poder de fazer a diferença e levamos isso muito a sério.”

A Adidas foi um pouco além da utilização do lixo dos oceanos em seus calçados. A empresa suspendeu o uso de sacolas plásticas em suas lojas e está planejando uma corrida digital na semana de 5 a 11 de junho, que coincidirá com o Dia Mundial do Oceano (comemorado em 8 de junho). As pessoas podem se registrar pela internet e se juntar a comunidades com ideias semelhantes, dispostas a aumentar a conscientização sobre a poluição dos oceanos por plásticos.

A Parley for the Oceans é uma organização ambiental que quer aumentar o entendimento sobre os desafios enfrentados pelos oceanos atualmente. A Adidas começou uma parceria com o grupo em 2015 e, desde então, deixou de usar sacolas plásticas como embalagem e eliminou as microesferas de plástico dos produtos de cuidados com o corpo. Funcionários também ajudaram em esforços de limpeza e frequentaram a escola Parley Ocean.

No que diz respeito aos tênis feitos com a fibra, é de consenso geral que eles são bonitos e confortáveis. A parte superior se ajusta ao formato do pé. A sola tem pequenas telas no fundo para drenar a água e impedir o suor. A Adidas também vai lançar chinelos da linha Parley, assim como shorts e regatas.

Forbes


Crise política põe em risco aportes de R$ 60,5 bi em infraestrutura

Aeroporto do Galeão – Márcio Alves / Márcio Alves/21-6-2016

RIO e SÃO PAULO – A crise política deflagrada após as denúncias contra o presidente Michel Temer pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, pode ameaçar investimentos privados de R$ 60,5 bilhões no setor de infraestrutura este ano. O número é uma projeção da Inter.B Consultoria, que já prevê a suspensão de grandes investimentos por parte das empresas, sobretudo em áreas ligadas a concessões públicas, como aeroportos, portos, energia elétrica e saneamento, entre outros.

Somente entre a última quarta-feira, quando o GLOBO revelou as denúncias, e sexta-feira, investidores estrangeiros já suspenderam negociações que estavam em andamento na área de fusões e aquisições. Segundo Marcelo Gomes, diretor-geral da Alvarez & Marsal, consultoria especializada em gestão de empresas, foram dois adiamentos que somam mais de R$ 2 bilhões entre aportes e investimentos: um na área de energia e concessão de rodovias, e outro no segmento de varejo.

Para o presidente de uma empresa que atua na área de infraestrutura, com a forte oscilação do dólar e do mercado de ações, as equipes estão em reuniões para “reorganizar o orçamento”, traçando cenários de maior instabilidade. No dia seguinte às denúncias, o dólar avançou mais de 8%, na maior alta desde a maxidesvalorização, em 1999.

— As empresas devem suspender grandes investimentos, pois é preciso delimitar o impacto da crise. Os investimentos que poderão ser mais afetados são os atrelados a áreas reguladas, pois dependem do governo para que sejam operacionalizados, como os de infraestrutura. Os investidores vão tirar o pé do acelerador — diz Cláudio Frischtak, sócio da InterB Consultoria.

AQUISIÇÕES SUSPENSAS

Segundo projeção da InterB Consultoria, dos R$ 60,5 bilhões em investimentos privados previstos para este ano, R$ 30,6 bilhões estão destinados aos transportes, como ferrovias, portos e aeroportos. Energia tem programados R$ 16,1 bilhões, e telecomunicações, outros R$ 11,8 bilhões.

— Investir é uma aposta no futuro. Tem que ter previsibilidade — destacou Frischtak.

Já Gomes, da Alvarez, teve de aumentar o expediente para atender aos fundos de investimento estrangeiros atrás de respostas sobre o atual momento. Como consequência, lembra que uma empresa, com atuação em concessões e em energia elétrica, suspendeu seu processo de venda, que estava marcado para o dia 29.

— A data de fechamento da operação foi cancelada. Um fundo de investimento dos EUA estava negociando a compra por R$ 1 bilhão e iria investir mais R$ 1 bilhão. Nessa crise, os fundos de investimento são mais reativos à instabilidade. A primeira reação é esperar. O setor mais afetado será o de infraestrutura, como saneamento, aeroporto e rodovia — diz.

Gomes cita a suspensão do processo de compra de uma empresa brasileira de varejo com atuação nacional por uma americana:

— A companhia dos EUA vai esperar de três a quatro meses para ver como vai se comportar o dólar, pois poderá ver o ativo brasileiro ficar mais barato. É um balde de água fria.

Apesar das incertezas, no setor de petróleo e gás os investidores continuam interessados em participar dos três leilões previstos para este ano, dois no pré-sal e um no pós-sal.

— O apetite continua grande. Realmente acredito que o setor de óleo e gás vai dar o pontapé inicial para a retomada da economia. E vai começar pelos leilões — afirma Décio Oddone, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que manteve encontros com investidores estrangeiros nas duas últimas semanas.

Ele lembra que uma eventual disparada do dólar beneficiará investimentos das petroleiras no país, que gastam em reais. Mesmo em caso de mudança de governo, avalia que os leilões não serão cancelados:

— As grandes petroleiras e as mais tradicionais conhecem o Brasil. Sabem que, mesmo em crises pontuais políticas ou econômicas, contratos são respeitados.

João Carlos De Luca, da De Luca Consultoria e ex-presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), acredita que as empresas não vão perder a oportunidade de acessar os campos do pré-sal:

— A notícia assustou. Acredito que pode ter algum dano, que pode preocupar alguma empresa que estaria vindo para cá pela primeira vez. Mas os investimentos são de longo prazo.

Segundo ele, o que preocupa as empresas de petróleo é a manutenção de regras. O mercado estava aguardando para junho a prorrogação do Repetro, regime tributário que isenta de impostos de importação equipamentos para a indústria. Essa extensão é fundamental para as empresa decidirem sobre investimentos.

Fábio Cubeiros, gerente de Regulação da Safira, comercializadora de energia e consultoria, diz que o setor elétrico vem passando por uma série de ajustes para reverter os problemas:

— Os investidores vão olhar com mais cautela e pode ser que alguma empresa fique em compasso de espera para novos investimentos.

IMPACTO DO CÂMBIO PREOCUPA EMPRESÁRIOS

Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base e Infraestrutura, avalia que ainda é cedo para se tomar decisões:

— Esperamos que a questão política seja resolvida o mais rapidamente possível.

Para um executivo de aeroportos, a curto prazo, a tendência é que os investimentos que poderiam se concretizar por meio de leilões sejam adiados. Mas ele lembra que os projetos de infraestrutura são de longo prazo e, por isso, os investidores devem apenas retardar sua vinda ao país. A maior ou menor disposição, diz, vai depender da velocidade com que será definido o destino de Temer:

— O pior é a incerteza.

Fora da área de infraestrutura, o setor varejista já iniciou negociações com parte da indústria para minimizar os impactos do câmbio nos preços dos produtos, diante da forte oscilação do dólar. Em reunião de emergência na sexta-feira, empresários discutiram formas de reduzir custos operacionais para segurar o repasse de preços ao consumidor.

— A tentativa é estreitar a parceira com a indústria, que se mostra sensível ao momento. Os alimentos são os primeiros a sentir a pressão cambial — afirma o presidente executivo da Associação de Supermercadistas do Rio de Janeiro (Asserj), Fábio Queiróz.

Outra preocupação do empresariado é com as reformas trabalhista e previdenciária.

— As reformas são emergenciais para que as finanças do país se ajustem e criem um ambiente de negócios favorável, que traga confiança aos investidores — disse Antonio Carlos Pipponzi, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne 70 grandes empresas.

Já a indústria elétrica e eletroeletrônica vê o momento com apreensão, uma vez que opera com ociosidade de 25% a 30%.

— Não há grandes projetos porque nossa capacidade ociosa é alta — diz Humberto Barbato, presidente da Associação da Indústria Elétrica (Abinee), que só prevê retomada no fim de 2018.

Jornal O Globo


Esculturas são doadas para estação de BRT do Corredor Norte-Sul no Grande Recife

Esculturas já estão enfeitando a área da estação de BRT. Fotos: Sérgio Bernardo/JC Imagem

O fiel cuidador do BRT, o policial militar aposentado Aguinaldo Francisco da Costa, está fazendo escola. Na semana passada, um artista plástico fez a doação de quatro esculturas para o jardim que se transformou a Estação Quartel do BRT Norte-Sul, nas margens da PE-15, bairro do Alto da Nação, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Agora, além de flores e árvores – incluindo até baobás –, o local tem obras de arte.

“Essa pessoa me procurou depois que viu a reportagem sobre o trabalho que venho fazendo há três anos no entorno da estação e perguntou se poderia instalar as esculturas na área. Achei ótimo e fiquei super feliz. Quanto mais pessoas se envolverem com a iniciativa melhor porque a ação se multiplica”, afirmou o PM aposentado.

O trabalho desenvolvido por seu Aguinaldo foi mostrado no Blog De Olho no Trânsito no dia 22 de abril. Quando passou pela primeira vez na Estação Quartel do BRT ele ficou horrorizado com o abandono e a sujeira do local. Até animais mortos eram abandonados no espaço, tomado pela vegetação. “Aquilo doeu na minha alma. E me indignou. Vi, naquele momento, que alguém tinha que fazer alguma coisa. Foi aí que decidi: iria transformar aquele espaço para a população”, relembra.

E foi o que aconteceu. Com uma estrovenga nas mãos, começou a capinar a vegetação e não parou mais. Três anos depois, a Estação Quartel do BRT Norte-Sul se destaca na degradação que tem tomado conta da maioria das 26 estações do corredor. Os passageiros ganharam um jardim florido, um reduto de cidadania no meio da ausência de urbanização. Quem passa no corredor, seja como passageiro, motorista ou pedestre, percebe a diferença. São flores, mudas de árvores, vegetação cortada e lixeiras.

MAIS UM CUIDADOR
Além de seu Aguinaldo, que diariamente capina, roça e leva água para as plantas da área, o entorno da Estação Quartel do BRT Norte-Sul conta com um segundo cuidador. É o comerciário Natanael Batista de Oliveira, também morador do bairro, que assumiu a função de confeccionar dizeres educativos para conscientizar os passageiros e passantes a não jogar lixo no espaço e ainda a preservá-lo. São pequenas placas que levam mensagens positivas a quem se dirige à estação. Natanel Batista ainda ajuda o PM aposentado com a plantação de mudas no espaço.

De Olho no Trânsito – JC


João Pessoa ganha empreendimento de alto padrão em Tambaú

Com requinte e sofisticação, a JCP Construções e Incorporações S/A finaliza a obra do Solar Tambaú, empreendimento de alto padrão localizado na principal esquina de João Pessoa – no encontro das Avenidas Epitácio Pessoa com a Almirante Tamandaré.

Concluída antes do previsto, a obra do Solar Tambaú foi marcada, desde a sua concepção, por alta qualidade tecnológica e construtiva, inovação, sustentabilidade. De acordo com o arquiteto Paulo Macedo, responsável pelo projeto arquitetônico, o edifício segue uma linha moderna, contemporânea e clean, mas a localização é um dos destaques. “O diferencial é o terreno, que é o mais valorizado da orla da Paraíba, já que está no encontro de duas das principais avenidas da cidade”, esclarece.

O arquiteto explica, ainda, que o projeto segue a forma de “L” para afastar o fluxo das principais avenidas e, consequentemente, facilitar o dia a dia do morador. Além disso, a estrutura foi pensada para reduzir impactos aos que passam pela Epitácio Pessoa, deixando livre a visão para a praia. Essa vista permanente também é um dos atrativos, uma vez que os condôminos terão, ao seu dispor, uma área de lazer panorâmica em frente ao Busto de Tamandaré e um verdadeiro camarote em frente ao mar.

O edifício está atrelado ao conceito Home & Business, cuja parte comercial é o Paço Riviére, e todos os detalhes foram projetados para oferecer conforto, comodidade, segurança e praticidade aos moradores. Para isso, o empreendimento investiu em soluções de sustentabilidade, proteção térmica e acústica, automação residencial, sistema pay-per- use – no qual é pago apenas por aquilo que for consumido –, academia, SPA, e diversos outros serviços.

A arquiteta Perla Felinto, responsável pelo projeto ambientação, explica que oferecer esses benefícios é uma tendência mundial, pois dispensa a necessidade de sair de casa para usufruir de diversas vantagens. “Com a grande quantidade de afazeres, aumento de trânsito, a violência urbana, o conforto de ter serviços sem sair de casa é diferencial. O Solar Tambaú e seus espaços de lazer foram pensados de forma a garantir ao morador uma vida plena e confortável”, ressalta.

Entre os inúmeros serviços oferecidos, a arquiteta destaca os espaços de apoio e lazer como o ponto alto da qualidade de vida que o edifício proporciona. “Temos instalado no condomínio espaços que viabilizam a implantação do sistema pay-per-use, que oferece facilidades que vão da contratação de uma faxineira ou massagista até ter um hotelzinho para crianças. Além disso, o terraço da piscina foi pensado de forma a oferecer vários tipos de uso que vão da contemplação ao uso da piscina propriamente dito. Este grande ‘camarote vip’ é cercado por espaços de lazer, kids club, sala de jogos, home cinema, gourmet, academia, e SPA”, pontua Perla Felinto.

O diretor da JCP, João Pina Ferreira, esclarece que a união de todos esses fatores é o que torna o Solar Tambaú um projeto grandioso. “As técnicas construtivas de primeiro mundo, a tecnologia embutida, assim como a qualidade de materiais e soluções ecológicas adotadas no projeto do Solar Tambaú, somada à beleza de todo o conjunto, valorizam o empreendimento. A JCP está muito orgulhosa em ter a oportunidade de realizar um sonho e oferecer a João Pessoa um equipamento misto que será um marco na beleza da orla de Tambaú”, afirma.

Pauta Assessoria de Comunicação – Fotos: Felipe Lima


Indústria preocupada com a futura privatização da Copergás em Pernambuco

Segundo a Fiepe, somente duas empresas poderão comprar no mercado livre. As demais devem continuar sendo clientes da Copergás depois da privatização

A indústria está preocupada com a futura privatização da Copergás / Foto: Acervo JC Imagem

A indústria está preocupada com a futura privatização da Copergás

Foto: Acervo JC Imagem

Angela Fernanda Belfort

Embora defenda as privatizações, a futura venda da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) está preocupando a classe industrial do Estado. “A Fiepe entende como positiva a privatização da empresa, porque isso resulta em maior eficiência e mercado. O problema é quando se cria em contrapartida a lei de monopólio em setores importantes da economia como ocorreu com a Lei Estadual nº 15900, aprovada em outubro do ano ano passado. Ela estabeleceu que somente os clientes com um consumo acima de 500 mil metros cúbicos por dia poderiam comprar gás no mercado livre”, afirma o economista da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Thobias Silva. A julgar pelo consumo, somente dois clientes poderiam comprar no mercado livre quando a Copergás for privatizada: a Termopernambuco – uma térmica do Grupo Neoenergia, dono da Celpe – e a Refinaria Abreu e Lima (Rnest).

O mercado livre é um mecanismo no qual o consumidor pode escolher a distribuidora que vai lhe vender o produto geralmente mais barato porque a compra é em grande quantidade. Para isso, são estabelecidas regras definindo os consumidores que podem fazer parte desse mercado. No setor de energia elétrica, somente os grandes clientes, como a indústria, podem comprar nas regras do mercado livre. Na venda do gás natural canalizado, ainda não há mercado livre em Pernambuco.

A argumentação do economista é de que a lei estadual contribuirá, no futuro com a privatização da Copergás, para um monopólio na comercialização do produto. E complementa: “A teoria econômica diz que o monopolista dita o preço, quando há um monopólio”. A troca do gás natural pela energia elétrica pode representar um aumento de custos grande para a indústria.

O economista também critica o limite estabelecido para participar do mercado livre na lei estadual. “A média do consumo de gás das indústrias do Estado é de 10,5 mil metros cúbicos por dia. Em São Paulo, a lei permite que vá para o mercado livre quem consome acima de 10 mil metros cúbicos por dia. Também diariamente, no Espírito Santo é 35 mil metros cúbicos e no Rio de Janeiro, 100 mil (metros cúbicos)”, argumenta.

OUTRO LADO

O diretor técnico comercial da Copergás, Jailson Galvão, não considera alto o consumo acima de 500 mil metros cúbicos por dia colocada na lei estadual. “Só a partir dessa quantia será considerado atrativo para os supridores (comercializadores) de gás que possam vir para o Estado, porque “ eles não vão trabalhar no varejo”. De uma maneira bem simples, o gás natural atualmente é vendido no atacado pela Petrobras às distribuidoras ( como a Copergás). Essas comercializam o produto aos demais clientes (o varejo), como os industriais, comerciais, residenciais e postos de gasolina.

Segundo Jailson, não existe nenhum consumidor do mercado livre em São Paulo e lá o limite para participar desse mercado é um consumo acima de 10 mil metros cúbicos por dia.

O mercado livre de gás no Brasil ainda está engatinhando. “O maior desafio desse mercado é criar um marco regulatório bem definido. Se retirarem os grandes consumidores, as distribuidoras podem ficar sem valer nada, porque os grandes clientes são os âncoras dessas empresas”, dispara o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, especialista nesse assunto.
Ele também argumenta que se os grandes clientes deixarem de ser consumidores das distribuidoras, o preço do gás natural vai subir muito para os demais clientes, principalmente para o residencial. “O mais prudente é ter uma regra de transição para abrir o mercado aos consumidores livres”, conclui.

Jornal do Commercio


Spray de pimenta pode ser vendido

A comissão de segurança pública e combate ao crime organizado da Câmara aprovou o projeto de lei que autoriza a venda de spray de pimenta para defesa pessoal. Onyx Lorenzoni explicou. “Precisamos acabar com a farsa do estatuto do desarmamento.

Mas a aprovação da lei do spray de pimenta já garante, pelo menos, o acesso ao spray para defesa pessoal, principalmente às mulheres e aos idosos”.


Um novo boliche em Boa Viagem

Vai ter oito pistas de boliche o The Match Strike Pub, que Paulo Marcelo Filho, Eduardo e Bruno Downey inauguram no próximo mês, em Boa  Viagem, com projeto de Diogo Viana.

Terá espaço para exibição de grandes eventos esportivos e um salão reservado para comemorações e encontros corporativos.


Sistema da Friboi (JBS) é invadido por ciberativistas e tem dados roubados. – CBSI

Sistema da Friboi (JBS) é invadido por ciberativistas e tem dados roubados.

Sistema da Friboi (JBS) é invadido por ciberativistas e tem dados roubados.

Um grupo de hackers ativistas possivelmente ligado a Anonymous voltou a ser destaque no caótico cenário político nacional e realizou um novo ataque massivo, desta vez, ao sistema da Friboi (JBS) na manhã deste sábado (20 de maio).

Em nota, eles ressaltam que estão com diversas senhas de acesso e interceptaram o tráfego de dados nos servidores da companhia.

“Estamos com suas senhas e acessos monitorados – Não se preocupem porque mudamos algumas etiquetas na sua área de produção e criamos alguns usuários dentro dos seus 9.785.”

Escreveu o grupo. Seguindo com a mensagem em destaque na página da empresa:

“Aos trabalhadores dessas empresas, saibam que o problema não é com vocês, e sim com essa corja de ladrões, corruptos, e filhos da p*** que estão acabando com o nosso povo e nosso país.”

Como um último aviso, o grupo ainda encerrou dizendo:

Não vamos sossegar. Vocês podem pegar 1, 2, 3, 4 de nós, mas nunca conseguirão deter todos nós.”

Administrada pela brasileira JBS S.A, a Friboi consolidou seu nome desde 1953 como um das mais relevantes companhias no mercado de alimentos em todo o mundo.
Com os recentes escândalos envolvendo o governo nacional e o esquema de propina, a Friboi foi o alvo da vez impactado com a ação da legião de ciberativistas.

[ Fonte: Tudo Celular ]

Fonte: CBSI.net.br


Suspense político atinge obras em Pernambuco

Com as incertezas no cenário político do Brasil, projetos importantes para o Estado podem ser paralisados

Por: Mariama Correia

Arco Metropolitano
Arco MetropolitanoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O suspense no cenário político pode influenciar obras por todo País que dependem de recursos e decisões do Governo Federal. Em Pernambuco, o Arco Metropolitano, por exemplo, havia recebido recentemente um aceno da União para liberação de aportes. Agora, o futuro da via de 90 quilômetros, projetada para desafogar o trânsito da BR-101 e facilitar a logística das empresas da Mata Norte a Suape, e de outros projetos, fica à mercê do resultado no jogo do poder.

Especialistas apontam que a renúncia e ou impeachment do presidente Michel Temer poderia paralisar vários projetos. Essa paralisia pode infectar, inclusive, os que ainda estão por acontecer, como os arrendamentos do Porto de Suape e os previstos dentro do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) – 89 projetos, dentre os quais 45 já foram licitados.

Secretário especial do PPI, Adalberto Vasconcelos, garantiu que o governo pretende manter o cronograma de leilões e estudos para concessões, apesar da crise política. “Independente do que acontecer, nada disso afeta o PPI”, argumentou. Economista e professor de Cenários Econômicos da Faculdade Guararapes (FG), Tiago Monteiro discorda. “A instabilidade do ambiente político faz todos segurarem o capital e somente isso já prejudica a atração de investidores para os projetos do PPI”, pondera. A “incerteza prejudica as decisões das empresas”, valida o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PE), José Antônio de Lucas Simón.

Dentro do pacote do PPI do Governo Federal, Pernambuco foi contemplado apenas com o adensamento do terminal portuário de Decal, em Suape, lotes de linhas de transmissão e a desestatização de serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, realizados pela Compesa. O Estado esperava engrossar essa lista incluindo também a concessão das BRs 232,101 e 48 e o Aeroporto do Recife. Também era esperada a retomada da independência para licitações em Suape, a partir de assinatura de um decreto federal, a qual deveria ter ocorrido na última sexta-feira, em Pernambuco. A agenda foi cancelada depois da divulgação das denúncias envolvendo o presidente.

Além do ressentimento do mercado, do lado do governo, a tendência é de desaceleração geral, na avaliação do professor de direito administrativo do Instituto Brasileiro de Educação em Gestão Pública, Thiago Donnini. “Licitações, disputas engatilhadas e definições sobre a retomada de projetos complexos, como a Transnordestina, por exemplo, tendem a caminhar a passos lentos até uma melhor definição sobre o futuro do comando do País”, explicou. “E o que ainda estava incipiente deve estagnar”, acrescenta.

Ele também considera que, até “os repasses para obras já em andamento podem ser comprometidos”. No caso de Pernambuco, a implantação da Adutora do Agreste depende de repasses federais, os quais haviam sido retomados recentemente. A construção do Complexo Prisional de Araçoiaba, da barragem e da Adutora de São Bento do Una, da Via Metropolitana Norte e da ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Paulista, são outros exemplos de obras do Estado as quais dependem da continuidade da entrada de recursos da União.

Folha PE


Criança, em Jaboatão, destaca-se para ajudar mais de 100 idosos

Julia Esther, 8 anos, é lobinha do 96º grupo de escoteiros Brantmeesters, e recolheu donativos para o Abrigo Cristo Redendor, que tem cerca de 120 idosos, de casa em casa.

Lobinha Julia Esther mostra como é importante se preocupar com os mais idosos, até mesmo porque todos vamos ficar velhinhos. Ela foi na escola captar donativos Foto: divulgação

Uma iniciativa que une o futuro e o passado, além de mostrar a capacidade de enxergar o próximo. É o que faz a lobinha do 96º grupo escoteiro Brantmeesters, Julia Esther, 8 anos. Com incentivo do grupo, que tem 70 crianças, ela decidiu fazer uma campanha para ajudar cerca de 120 idosos do Abrigo Cristo Redentor, em Jaboatão dos Guararapes. Julia não só divulgou um vídeo nas redes sociais para recolher donativos que pudessem ajudar às pessoas da melhor idade, como procurou os amigos da escola e bateu de porta em porta nas casas da rua onde mora, Professor Luiz Gonzaga, em Camaragibe, para pedir apoio.

Criança escreveu cartaz para pedir apoio e levar ajuda para os vovôs e vovós do Abrigo Cristo Redentor. Foto: Divulgação

A garota escreveu um cartaz explicando a importância de se doar. O abrigo tem 116 “vovôs e vovós”, segundo ela, que estão com baixo estoque de leite e suplementos alimentares. “Reúna vizinhos e amigos e ajude nessa causa. Entregue as doações a nossos colaboradores”, diz a menina, que integra o grupo de lobinhos que se coloca no lugar do outro. Ela recolherá os donativos no Centro Educacional Solar do Saber com apoio de seu grupo, que são de crianças incríveis, e depois levará para o abrigo.

Na última quarta-feira, Giovanna Gabriely, 7 anos, da mesma turma de Júlia, recebeu votos de aplauso da Câmara de Vereadores do Recife pelo reconhecimento em promover o bem-estar dos animais. A matéria de Giovanna foi divulgada no Diario.

Outra ação

Neste sábado (20), no Projeto Nacional de Educação Escoteira, realizado em Cavaleiro, o 96º grupo de escoteiro Brantmeesters também está ensinando os primeiros socorros em situações de engasgo com bebê, prevenção de incêndio e vazamento de gás de cozinha. A ação educativa é realizada no Centro Educacional Solar do Saber sob a coordenação do tenente coronel Edson Marconni. Na ocasião, ainda serão demonstradas práticas de acampamentos com nós e amarras, além montar uma composteira doméstia para produção de adubo orgânico.

“Nosso grupo tem 70 crianças e lançamos para o grupo a campanha para arrecadar. Júlia foi além, preparou uma caixa de donativos, levou para a escola, pediu contribuição desses alunos, depois foi na rua dela, de porta em porta, para levar donativos para o abrigo”, disse o tenente-coronel.

Local de entrega de donativos: Centro Educacional Solar do Saber, na Rua Siqueira Campos, 88.

Por: Aline Moura – Diario de Pernambuco


Ciclistas na Flórida estão transformando gramados em fazendas orgânicas

Baseada no conceito de agricultura urbana, a ideia é construir sistemas agrícolas dentro dos bairros.

Ciclistas na Flórida estão transformando gramados em fazendas orgânicas

Aos poucos, os tapetes de gramado estão dando lugar aos vegetais. | Foto: Fleet Farming/Divulgação

Um grupo de agricultores amadores estão lentamente transformando os gramados da cidade em jardins comestíveis em Orlando, cidade da Flórida (EUA). A ideia é aproveitar a imensa quantidade de áreas verdes que os moradores culturalmente já cuidam para uma finalidade mais nobre: cultivar alimentos.

O projeto funciona da seguinte maneira. Quem quiser doar seu gramado deve mostrar que a terra está livre de pesticidas, pelo menos pelos dois últimos anos. Depois é sugerida uma contribuição de quinhentos dólares para cobrir as despesas do trabalho – valor que não é obrigatório e pode ser pago em prestações. A organização então vai até o local e coloca a mão na massa. Tudo é feito com base na agricultura orgânica e quando chega o momento da colheita, uma parte do produto vai direto para o proprietário da terra e o restante é vendido para os mercados e restaurantes locais. E o transporte dos produtos é feito de bicicleta, para que não haja emissão de poluentes.

Batizado de Fleet Farming, o projeto já conseguiu transformar 21 gramados de Orlando em hortas de alimento e está se estendendo para outras cidades como Jacksonville e ainda para o estado da Califórnia.

Baseada no conceito de agricultura urbana, a ideia é construir sistemas agrícola “dentro dos bairros, usando bicicletas e, ao mesmo tempo, capacitando a comunidade a ajudar a construir, manter, processar e vender os produtos aos restaurantes locais”. Os desenvolvedores do projeto alegam que é totalmente insustentável as cidades continuarem a transportar alimentos de tão longe. Além do desperdício que resulta desse processo, não se pode deixar de lado o fato de que cerca de um terço das emissões globais são provenientes da agricultura.

E assim, aos poucos, os tapetes de gramado estão dando lugar aos vegetais. Couve, repolho, rabanete, batata, espinafre e abóboras são alguns dos alimentos que podem ser encontrados nas residências da Flórida.

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Fotos: Fleet Farming/Divulgação

Redação CicloVivo


Temer e ministros esnobaram apelos de Aécio

Aécio Neves não conseguiu contato com ministros que participavam da reunião de emergência – Geraldo Magela/Agência Senado –

Senador tucano tentou várias vezes contato pessoal com primeiro escalão

Blog Esplanada 

O agora senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) tentou insistentemente falar com os ministros que participavam da reunião de emergência no Palácio do Planalto, na quarta-feira, após a bomba do vazamento da delação do dono da JBS.

Foi solenemente ignorado até pelo colega de partido, Antônio Imbassay (PSDB-BA), ministro-chefe da Secretaria de Governo.

Enquanto isso, em seu depoimento a Procuradoria-Geral da República (PGR) o empresário proprietário da JBS, Joesley Batista, afirmou que os pedidos de dinheiro feitos pelo senador afastado Aécio Neves (PSDB – MG) eram constantes, e que em determinado momento ele pediu “pelo amor de Deus” para ele parar com as solicitações.


Ala do Senado quer peitar Fachin e não afastar Aécio

Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo

O Senado pode desobedecer a decisão do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou em liminar que o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG) seja suspenso.

A estratégia, já discutida por alguns senadores, prevê que a defesa de Aécio recorra à Mesa do Senado questionando a validade da medida. A Mesa responderia, então, que não há previsão constitucional para a suspensão, ainda mais por meio de liminar, e manteria Aécio.

Parlamentares pretendem se reunir com o tucano na próxima semana para estimulá-lo a tomar a iniciativa. Acreditam que seria melhor que ela partisse dele, em tese o maior interessado numa reversão da decisão de Fachin, do que a própria Mesa.

Um dos senadores mais influentes da Casa disse à Folha que em “nenhum lugar do mundo” um parlamentar seria afastado nessas condições, “muito menos por meio de liminar”.

A ideia, no entanto, não alcançará consenso. Um parlamentar de oposição, que preferiu falar sem se identificar por não querer “chutar cachorro morto”, como se refere a Aécio, diz que o Senado passaria vergonha se tentasse reverter a decisão do Supremo, tal a gravidade das acusações contra o tucano.

Não haveria, portanto, clima para que a articulação prosperasse. O mesmo senador crê que o próprio Aécio vai pensar duas vezes antes de aderir à ideia, que pode soar como provocação à Justiça, agravando sua situação, já de bastante debilidade.

Por essa visão, o melhor que Aécio teria a fazer é ficar quieto e sumir do noticiário.

Em dezembro de 2016, o Senado adotou procedimento semelhante ao que é articulado agora por esse grupo de senadores.

À época, a Mesa Diretora decidiu desafiar liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello e recusou-se a afastar da presidência da Casa o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O Senado encaminhou ao STF uma decisão da Mesa em que informava que aguardaria o plenário do tribunal para então aceitar o afastamento de Renan.

No próprio Supremo a medida vem sofrendo críticas internas de outros ministros, que acreditam que a Corte não deveria ampliar o que chamam de sua área de competência e conflito.

O ministro Fachin decidiu afastar Aécio do cargo depois de ele aparecer em gravação feita no âmbito de delação premiada da Operação Lava Jato pedindo R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS.

REAÇÃO

Senadores ouvidos pela Folha que não participam da articulação criticaram a manobra. Roberto Requião (PMDB-PR) crê ser pouco provável que a Mesa descumpra uma decisão tomada pelo STF “Não acredito nisso não. A situação é muito delicada. Não vejo nenhuma possibilidade de a Mesa fazer isso”, disse.

Para o peemedebista, o caso é muito diferente de o que a Mesa fez no caso de Renan.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor de um pedido de cassação de Aécio, nega ter ouvido a articulação e considera a possibilidade de descumprimento da decisão do STF “um absurdo”.

“Diante dessa possibilidade [de a Mesa reverter decisão da Justiça], determinei que a minha assessoria preparasse um mandado de segurança para que seja confirmada pelo Supremo a decisão desta semana [de Fachin, de afastar Aécio]”.

Cristovam Buarque (PPS-DF) diz ter conversado com sete senadores e que não ouviu de nenhum deles a possibilidade de a Mesa reverter a decisão do Supremo.

“Eu não tenho a menor informação sobre isso. Eu falei nesse instante com Tasso Jereissati [PSDB-CE] e não tem nada disso. Eu acho politicamente impossível que se consiga barrar isso”, afirmou.

Buarque diz ainda que o caso de Aécio é tão grave quanto o do ex-senador Delcídio do Amaral, preso em 2015.


Fora Temer. Ok, mas para colocar quem?

Elio Gaspari – Folha de S.Paulo

Há um ano, quando a rua gritava “Fora, Dilma”, sabia-se que para o seu lugar iria o vice-presidente, Michel Temer. Ele apresentou-se ao país propondo um governo de união nacional e tornou-se um campeão de impopularidade. Prometeu um ministério de notáveis, cercou-se de suspeitos e perdeu dois ministros (Romero Jucá e Geddel Vieira Lima) por flagrantes malfeitorias.

Pode-se não gostar de Temer, mas o doutor chegou à cadeira pelas regras do livrinho. Agora grita-se “Fora, Temer”, mas não se pode saber quem irá para o lugar. Pela Constituição, o novo doutor seria eleito indiretamente pelos senadores e deputados. Basta que se ouçam as conversas de Temer, Aécio Neves (presidente do PSDB) e Romero Jucá (presidente do PMDB), grampeadas por Joesley Batista e Sérgio Machado, para ver que, sem a influência da opinião pública, daquele mato não sai coisa boa.

Por isso é útil que se exponham logo nomes de doutores e doutoras que poderiam substituí-lo. Todos dirão que não querem, mas, olhando-se para trás, só houve um caso de cidadão que chegou ao poder sem ter pedido apoio a quem quer que seja. Foi o general Emilio Garrastazu Médici, em 1969. Ele chegou a afrontar o sacro colégio de generais, abandonando a sala do consistório, mas essa é outra história. Todos queriam, cabalando com maior ou menor intensidade. Estão frescas na memória nacional as maquinações de Temer para desalojar Dilma Rousseff.

Se Temer desistir, se o Tribunal Superior Eleitoral resolver dispensá-lo ou se um doloroso processo de impedimento vier a defenestrá-lo, a pergunta essencial ficará no mesmo lugar: Quem? E para quê?

A principal obrigação do governo Temer e de seu eventual sucessor será o respeito ao calendário eleitoral que manda escolher um novo presidente em 2018. Itamar Franco foi o único presidente que assumiu depois de um impedimento e honrou o calendário. Café Filho tentou melar a eleição de 1955 e foi mandado embora. No dia 11 de abril de 1964, quando o marechal Castello Branco foi eleito pelo Congresso, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, os principais candidatos, acreditavam que disputariam a eleição de 1965. O próprio Castello também acreditava. Nada feito. Os brasileiros só escolheram um presidente pelo voto direto 25 anos depois.

A maluquice do salto em direção ao nada já arruinou a vida nacional duas vezes. Em 1961 e em 1969 os ministros militares, nas versões 1.0 e 2.0 dos Três Patetas, decidiram impedir as posses do vice-presidente João Goulart e de Pedro Aleixo. Nos dois casos havia o motor da anarquia dos quartéis. Hoje essa carta está fora do baralho, mas a anarquia civil está de bom tamanho. A pergunta essencial é a mesma: Quem?

Vale a pena colocar na vitrine cinco nomes que já estão na roda.

Aqui vão eles, por ordem alfabética.

Cármen Lúcia

A presidente do Supremo Tribunal Federal ecoa, com diferenças substanciais, o modelo de José Linhares. Ele presidia o STF em 1945 quando os generais derrubaram Getúlio Vargas e colocaram-no no palácio do Catete. Ficou três meses no poder, tempo suficiente para realizar eleições que já estavam marcadas e empossar o presidente eleito, marechal Eurico Dutra. De sua passagem pelo cargo ficou apenas a lembrança da nomeação de extensa parentela.

Chamada de “Madre Superiora” pelos admiradores da Lava Jato, Cármen Lúcia é vista como bruxa pelas vítimas da faxina.

Gilmar Mendes

Outro ministro do STF e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, faz contraponto com Cármen Lúcia. É o magistrado com maior rede de amigos no Congresso e maior desenvoltura no meio político. Sua decisão monocrática revogando a prisão preventiva do empresário Eike Batista levou-o a um choque frontal com o Procurador-Geral da República.

Nelson Jobim

Ministro da Defesa de Lula e da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, Jobim passou nove anos no Supremo Tribunal Federal e dez no Congresso. É o híbrido perfeito. Em 2016 tornou-se sócio e conselheiro do banco BTG Pactual, cujo controlador foi preso pela Lava Jato. Seu nome está na roda desde o final do ano passado.

Rodrigo Maia

Caso Temer seja afastado pelo TSE ou resolva ir embora, o presidente da Câmara dos Deputados assumiria por algumas semanas, até a realização da eleição indireta. Os grampos de Joesley deram impulso ao seu nome, na hipótese da eleição, como um dos expoentes da vontade parlamentar. Está arrolado num inquérito da Lava Jato que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Tasso Jereissati

Com o afastamento de Aécio Neves, o senador assumiu pela segunda vez a presidência do PSDB. Por três vezes foi governador do Ceará e é um expoente do tucanato. Está na difícil situação de presidir um partido que se equilibra no muro, com uma facção defendendo um voo para longe de Michel Temer.


Como é se aposentar no Chile, o 1º país a privatizar sua Previdência

Idoso chileno

Direito de imagem Getty Images
Image caption Sistema previdenciário do Chile foi inovador – mas hoje é alvo de críticas

Enquanto o Brasil busca mudar a sua Previdência para, segundo o governo Michel Temer, combater um rombo fiscal que está se tornando insustentável para as contas públicas, o Chile, o primeiro país do mundo a privatizar o sistema de previdência, também enfrenta problemas com seu regime.

Reformado no início da década de 1980, o sistema o país abandonou o modelo parecido com o que o Brasil tem hoje (e continuará tendo caso a proposta em tramitação no Congresso seja aprovada) – sob o qual os trabalhadores de carteira assinada colaboram com um fundo público que garante a aposentadoria, pensão e auxílio a seus cidadãos.

No lugar, o Chile colocou em prática algo que só existia em livros teóricos de economia: cada trabalhador faz a própria poupança, que é depositada em uma conta individual, em vez de ir para um fundo coletivo. Enquanto fica guardado, o dinheiro é administrado por empresas privadas, que podem investir no mercado financeiro.

Trinta e cinco anos depois, porém, o país vive uma situação insustentável, segundo sua própria presidente, Michelle Bachelet. O problema: o baixo valor recebido pelos aposentados.

A experiência chilena evidencia os desafios previdenciários ao redor do mundo e alimenta um debate de difícil resposta: qual é o modelo mais justo de Previdência?

Impopular

Como as reformas previdenciárias são polêmicas, impopulares e politicamente difíceis de fazer, não surpreende que essa mudança profunda – inédita no mundo – tenha sido feita pelo Chile em 1981, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

De acordo com o economista Kristian Niemietz, pesquisador do Institute of Economic Affairs ( IEA, Instituto de Assuntos Econômicos, em português), o ministro responsável pela mudança, José Piñera, teve a ideia de privatizar a previdência após ler o economista americano Milton Friedman (1912-2006), um dos maiores defensores do liberalismo econômico no século passado.

Hoje, todos os trabalhadores chilenos são obrigados a depositar ao menos 10% do salário por no mínimo 20 anos para se aposentar. A idade mínima para mulheres é 60 e para homens, 65. Não há contribuições dos empregadores ou do Estado.

O general Augusto Pinochet em foto de 1988
Direito de imagem MARCO UGARTE/AFP/Gettty
Image caption Chile adotou sistema privado durante ditadura de Augusto Pinochet

Agora, quando o novo modelo começa a produzir os seus primeiros aposentados, o baixo valor das aposentadorias chocou: 90,9% recebem menos de 149.435 pesos (cerca de R$ 694,08). Os dados foram divulgados em 2015 pela Fundação Sol, organização independente chilena que analisa economia e trabalho, e fez os cálculos com base em informações da Superintendência de Pensões do governo.

O salário mínimo do Chile é de 264 mil pesos (cerca de R$ 1,226.20).

No ano passado, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas da capital, Santiago, para protestar contra o sistema de previdência privado.

Como resposta, Bachelet, que já tinha alterado o sistema em 2008, propôs mudanças mais radicais, que podem fazer com que a Previdência chilena volte a ser mais parecida com a da era pré-Pinochet.

‘Exemplo de livro’

De acordo com Niemietz, o modelo tradicional, adotado pela maioria dos países, incluindo o Brasil, é chamado por muitos economistas de “Pay as you go” (Pague ao longo da vida).

Ele foi criado pelo chanceler alemão Otto von Bismarck nos anos 1880, uma época em que os países tinham altas taxas de natalidade e mortalidade.

“Você tinha milhares de pessoas jovens o suficiente para trabalhar e apenas alguns aposentados, então o sistema era fácil de financiar. Mas conforme a expectativa de vida começou a crescer, as pessoas não morriam mais (em média) aos 67 anos, dois anos depois de se aposentar. Chegavam aos 70, 80 ou 90 anos de idade”, disse o economista à BBC Brasil.

“Depois, dos anos 1960 em diante, as taxas de natalidade começaram a cair em países ocidentais. Quando isso acontece, você passa a ter uma população com muitos idosos e poucos jovens, e o sistema ‘pay as you go’ se torna insustentável”, acrescentou.

Segundo Niemietz, a mudança implementada pelo Chile em 1981 era apenas um exemplo teórico nos livros de introdução à Economia.

“Em teoria, você teria um sistema em que cada geração economiza para sua própria aposentadoria, então o tamanho da geração seguinte não importa”, afirmou ele, que é defensor do modelo.

Para ele, grande parte dos problemas enfrentados pelo Chile estão relacionados ao fato de que muitas pessoas não podem contribuir o suficiente para recolher o benefício depois – e que essa questão, muito atrelada ao trabalho informal, existiria qualquer que fosse o modelo adotado.

No Brasil, a reforma proposta pelo governo Temer mantém o modelo “Pay as you go”, em que, segundo economistas como Niemietz, cada geração passa a conta para a geração seguinte.

Protestos contra AFPs (administradoras de fundos de pensão) no Chile
Direito de imagem Francisco Osorio/Flickr
Image caption Manifestantes chilenos protestaram no ano passado contra as AFPs (administradoras de fundos de pensão)

Para reduzir o rombo fiscal, Temer busca convencer o Congresso a aumentar a idade mínima e o tempo mínimo de contribuição para se aposentar.

No parecer do deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta, mulheres precisariam ter ao menos 62 anos e homens, 65 anos. São necessários 25 anos de contribuição para receber aposentadoria. Para pagamento integral, o tempo sobe para 40 anos.

Na prática

De acordo com o especialista Kaizô Beltrão, professor da Escola de Administração Pública e de Empresas da FGV Rio, várias vantagens teóricas do sistema chileno não se concretizaram.

Segundo ele, esperava-se que o dinheiro de aposentadorias chilenas poderia ser usado para fazer investimentos produtivos e que a concorrência entre fundos administradores de aposentadoria faria com que cada pessoa procurasse a melhor opção para si.

Ele explica que, como as administradoras são obrigadas a cobrir taxas de retornos de investimentos que são muito baixas, há uma uniformização do investimentos. “A maior parte dos investimentos é feita em letras do Tesouro”, diz.

Fila de pessoas de idade no Brasil
Direito de imagem Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Image caption As administradoras de fundos de pensão do Chile abocanham grande parte do valor da aposentadoria

Além disso, segundo Beltrão, “as pessoas não têm educação econômica suficiente” para fiscalizar o que está sendo feito pelas administradoras, chamadas AFPs (administradoras de fundos de pensão).

Essas cinco empresas juntas cuidam de um capital acumulado que corresponde a 69,6% do PIB do país, de acordo com dados de 2015 da OCDE (Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica), grupo de 35 países mais desenvolvidos do qual o Chile faz parte.

As maiores críticas contra o sistema chileno se devem às AFPs, que abocanham grande parte do valor das aposentadorias das pessoas. De acordo com Beltrão, o valor pago às administradoras não é muito transparente, pois é cobrado junto ao valor de seguro em caso de acidentes.

Justo ou injusto?

A BBC Brasil perguntou ao especialista em desigualdade Marcelo Medeiros, professor da UnB (Universidade de Brasília) e pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da Universidade Yale, qual modelo de previdência é o mais justo – o brasileiro ou o chileno.

“Justo ou injusto é uma questão mais complicada”, disse. “O justo é você receber o que você poupou ou é reduzir a desigualdade? Dependendo da maneira de abordar esse problema, você pode ter respostas distintas.”

De acordo com Medeiros, o que existe é uma resposta concreta para qual modelo gera mais desigualdade e qual gera menos desigualdade.

“A previdência privada só reproduz a desigualdade ao longo do tempo”, explicou.

Pessoas são atendidas em guichês da Previdência Social
Direito de imagem Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Image caption Segundo especialista, a Previdência no Brasil tende a replicar os salários anteriores

O sistema “Pay as you go” brasileiro é comumente chamado de “solidário”, pois todos os contribuintes do país colocam o dinheiro no mesmo fundo – que depois é redistribuído.

Mas Medeiros alerta para o fato de que a palavra “solidária” pode ser enganosa, pois um fundo comum não é garantia de que haverá redução da desigualdade.

“Esse fundo comum pode ser formado com todo mundo contribuindo a mesma coisa ou ele pode ser formado com os mais ricos contribuindo mais”, explicou. “Além disso, tem a maneira como você usa o fundo. Você pode dar mais dinheiro para os mais ricos, você pode dar mais dinheiro para os mais pobres ou pode dar o mesmo valor para todo mundo”, acrescentou.

Atualmente, o Brasil possui um fundo comum, mas tende, segundo o professor, a replicar a distribuição de renda anterior. “Ele dá mais mais dinheiro para quem é mais rico e menos para quem é mais pobre”, disse.

“Se é justo ou injusto, isso é outra discussão, mas o sistema brasileiro replica a desigualdade passada no presente”.

Reformas no Chile e no Brasil

As diferentes maneiras de se formar e gastar um fundo comum deveriam ser, segundo Medeiros, o foco da discussão da reforma no Brasil, cujo projeto de reforma enviado ao Congresso mantém o modelo “solidário”, ou “pay as you go”.

O pesquisador aponta que há quase um consenso de que o país precisa reformar sua Previdência. “A discussão é qual reforma deve ser feita.”

Michelle Bachelet em visita ao Brasil
Direito de imagem Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Image caption Michelle Bachelet já tinha feito uma alteração da previdência do Chile em 2008

No Chile, Bachelet já tinha em 2008 dado um passo rumo a um modelo que mistura o privado e o público – criou uma categoria de aposentadoria mínima para trabalhadores de baixa renda financiada com dinheiro de impostos.

Agora, ela propõe aumentar a contribuição de 10% para 15% do salário. Desse adicional de 5%, 3 pontos percentuais iriam diretamente para as contas individuais e os outros 2 pontos percentuais iriam para um seguro de poupança coletiva. De acordo com o plano divulgado pelo governo, a proposta aumentaria as pensões em 20% em média.

Bachelet também propõe maiores regulamentações para as administradoras dos fundos, em sintonia com as demandas dos movimentos que protestaram no ano passado. Um dos grupos, por exemplo, chama-se “No+AFP” (Chega de AFP, em português).

  • Esta reportagem é resultado de uma consulta da BBC Brasil a seus leitores. Questionados sobre quais dúvidas tinham sobre Reforma da Previdência, eles enviaram mais de 80 questões. As melhores dúvidas foram colocadas em votação e a pergunta vencedora – que recebeu 207 de 651 votos – indagava quais as diferenças entre o modelo de Previdência brasileiro e o do Chile e qual dos dois sistemas tinha se mostrado o mais justo. Esta reportagem é o resultado da investigação feita a partir da pergunta enviada pelo leitor.


Reformas são mais importantes para elite econômica do que a preservação de Temer, diz analista

Protestos de quinta-feira diante do Palácio do Planalto

Direito de imagem LULA MARQUES/AGPT
Image caption Protestos de quinta-feira diante do Palácio do Planalto; para analista, chance de eleição direta é remota

Um dia após as denúncias da delação de Joesley Batista, dono da JBS, milhares de brasileiros foram às ruas para protestar contra o presidente Michel Temer (PMDB) e pedir a convocação de eleições diretas. Com baixíssimo respaldo popular – segundo a mais recente pesquisa Ibope, a avalição positiva do governo é de só 10% -, o futuro político de Temer está nas mãos tanto de partidos da base quanto de setores da economia.

Se aliados do presidente começarem a abandoná-lo à própria sorte, ele não vai ter para onde fugir. Essa é a avaliação do cientista político Christian Edward Cyrill Lynch, doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Para Lynch, é bem provável que o establishment econômico já tenha um “curinga” na manga para o caso de cassação ou impeachment de Temer.

“Pode-se imaginar que, hoje, as cartas na mesa sejam personalidades como a ministra Cármen Lúcia (STF) ou o ministro Henrique Meirelles (Fazenda). De preferência, alguém que não esteja sendo investigado nem que tenha risco de ser investigado pela Lava Jato”, afirma Lynch.

Quanto à convocação de eleições diretas, o cientista político admite que a possibilidade é remota. Só seria possível se o Congresso aprovasse uma emenda constitucional, em dois turnos e por três quintos dos parlamentares da Câmara e do Senado. Veja os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Como o senhor analisa o impacto das denúncias do dono da JBS? Em sua opinião, Michel Temer pode sofrer impeachment ou ser cassado?

Christian Lynch – Temer nunca gozou de popularidade. Os índices dele são muito baixos. De alguma maneira, ficou dependendo dos programas de reforma econômica para sobreviver. A partir do momento em que ele não teve apoio da rua, teve de buscá-lo na classe política, que, de alguma maneira, o apoiava na expectativa de que pudesse ser blindada contra as investigações da Lava Jato. Temer adotou um reformismo radical para mostrar aos setores sociais e econômicos comprometidos com a pauta liberal no Brasil que valeria a pena protegê-lo contra a impopularidade. Então, tudo o que acontecer nas próximas 48 horas terá a ver com sua capacidade de dar uma explicação plausível sobre o que aconteceu e essa explicação ser levada em consideração pelas forças que o sustentam no Congresso e pelos setores econômicos.

BBC Brasil – O senhor acreditava na hipótese de renúncia?

Lynch – Não. Imaginava que, com foro privilegiado, Temer não fosse renunciar. O que acontece agora? Se os partidos da base começarem a abandoná-lo, ele não vai ter para onde fugir. E, aí, abrem-se alguns cenários.

BBC Brasil – Quais?

Lynch – Um deles é a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) daqui a duas semanas. A gente sabe que o voto do relator é pela cassação da chapa. Então, se a crise não for solucionada até lá, a tendência do TSE pode ser oferecer uma saída “digna”, a cassação da chapa. Aí, Temer seria obrigado a sair. O segundo cenário é o impeachment. Mas não acredito muito nisso.

BBC Brasil – Caso haja eleições diretas, quem sairia fortalecido na disputa?

Lynch – Existe expectativa, por parte do PT, de que, numa eventual eleição direta, o Lula possa vencer e, assim, escapar do julgamento na Lava Jato, em que se espera sua condenação. Pessoalmente, apesar de desejável, não acho que a eleição direta prevaleça como meio de resolução da crise.

Temer, no discurso de quarta-feira
Direito de imagem Lula Marques / AGPT
Image caption Temer, no discurso de quarta-feira; segundo analistas, revelações que atingem o presidente mostram que Lava Jato não foi direcionada ao PT

BBC Brasil – E candidatos outsiders, como João Dória e Luciano Huck, têm chance numa eventual eleição direta?

Lynch – Os outsiders vão competir de qualquer jeito na eleição do ano que vem. Mas acho que nenhum deles está interessado em eleição agora. O establishment prefere ter mais tempo e uma eleição indireta como opção mais segura para continuar tocando as reformas liberais.

BBC Brasil – Qual é o impacto das manifestações de quinta-feira nos desdobramentos dessa crise política?

Lynch – Gostaria que essas manifestações fizessem diferença, mas sou cético. Quem vai para as ruas provavelmente está nos extremos do espectro político, já não gostam ou gostavam do Temer. Ou é gente ultraliberal ou é militante da esquerda. Por outro lado, esse Congresso é notoriamente insensível às manifestações de rua. Então, acho que elas tendem a não produzir grande impacto.

BBC Brasil – Como ficam as reformas trabalhistas e da Previdência? Tendem ao fracasso?

Lynch – As reformas são mais importantes para o establishment do que a preservação do Temer. Por isso, a partir do momento em que (a elite econômica) abandona Temer, é lícito supor que tenha um plano B, ou seja, que tenha em mira outra pessoa, que se preste ao papel de “novo Temer”, comprometida em tocar as reformas.

BBC Brasil – Que figura seria essa? A presidente do STF, Cármen Lúcia, talvez?

Lynch – Com a queda do Temer, assumiria (interinamente até a nova eleição, o presidente da Câmara, Rodrigo) Maia, que já está comprometido com as reformas. Não é possível imaginar, agora, quem seria o ungido. Mas pode-se imaginar que as cartas na mesa sejam personalidades como a ministra Cármen Lúcia ou o ministro Henrique Meirelles. De preferência, alguém que não esteja sendo investigado nem que tenha risco de ser investigado pela Lava Jato. Cármen Lucia seria um nome perfeito, porque não só está fora das investigações, como tem um perfil “republicano” e “liberal”, acima de qualquer suspeita, é chefe do único poder que restou de pé e por isso está absoluto no país, que é o Judiciário. O STF é hoje o fiador da “revolução judiciária” promovida pelo Ministério Público Federal, que derrubou a Nova República de 1985/88.

Carmen Lucia
Direito de imagem Rovena Rosa/Agência Brasil
Image caption Ministra Carmen Lucia pode ser uma das opções defendidas pelo establishment para substituir Temer, diz analista

BBC Brasil – Há quem sustente, um ano depois, que a presidente Dilma Rousseff foi vítima de golpe. A denúncia de quarta-feira reforça essa tese?

Lynch – Entendo que a tese de que a Dilma foi vítima de um golpe não faz sentido, porque o instituto do impeachment é, em si mesmo, um golpe constitucionalizado, isto é, um instituto que permite a uma maioria do Congresso adversária do presidente, em contexto de clamor público, removê-lo a pretexto de ter ele cometido um delito político, que ele mesmo qualifica, acusa e julga. Então, não faz sentido dizer que um presidente foi vítima de golpe, já que o impeachment é uma forma legalizada de golpe. O que eu posso dizer é que a ação da Lava Jato enfraquece a tese de que a operação é toda voltada com o fito exclusivo de perseguir o PT, o que evidentemente não é verdade.

BBC Brasil – Pode-se dizer que, com as revelações de quarta-feira, a investigação ganhou mais força?

Lynch – Acredito que sim. Na minha opinião, a Lava Jato não é uma investigação direcionada contra o PT e, sim, contra toda a classe política como um todo. Os promotores se percebem como iluminados, tenentes encarregados da missão providencial de livrar o Brasil da corrupção. Não à toa, muitos deles professam orientações religiosas que moralmente os guiam nessa concepção de missão pública. É claro que o PT e o PMDB ficam no centro do fogo porque, nos últimos 12 anos, eles eram o establishment do sistema político. Então, são mais afetados. Mas não parece haver um recorte específico no sentido de poupar os demais partidos. No fundo, o que os “tenentes togados” fazem é o processo da vida política brasileira como um todo: querem, em nome da ética jurídica, dos “valores republicanos”, erradicar a “politicagem” da cena brasileira. Mas é inegável que existe também um viés antipetista, às vezes por questão de classe, às vezes por perceberem a mistura de socialismo com corrupção como satânica ou herética. É esse viés que seus detratores exploram, não sem alguma razão.

BBC Brasil – O fato de a operação ter atingido nomes de outros partidos como o senador Aécio Neves, pode reduzir a polarização da sociedade?

Lynch – Acho improvável. O único fator que pode reduzir a divisão do país entre “coxinhas” e “mortadelas” ou “tucanos” e “petralhas”, para a esquerda, é o Lula poder concorrer a presidente em uma eleição honesta e ser claramente derrotado. São dois fatores, portanto. Mas o cenário seria catastrófico para o PT, que perderia o discurso do golpe e a perspectiva de poder. O partido teria que ser reconstruído do zero, fazer autocrítica, que é tudo o que por enquanto o grupo no poder dentro do partido evita fazer, para evitar, entre outras coisas, o esfacelamento da legenda, que só permanece unida em torno da esperança de vitória do Lula.

BBC Brasil – O senhor está otimista quanto ao futuro político do Brasil?

Lynch – Não. Vamos ter continuidade deste governo zumbi, destituído de legitimidade, ou outro governo, eleito indiretamente por um Congresso desmoralizado, de viés igualmente oligárquico. Quem for escolhido para o lugar do Temer, se ele sair, vai continuar tocando essas reformas, a economia vai seguir ressabiada, a tensão política e a polarização vão continuar até a eleição de um novo presidente e um novo Congresso. Quando isso acontecer, a situação vai melhorar, mas a polarização vai continuar, embora em grau menor, porque o presidente será de direita ou de esquerda. Quem perder, vai continuar batendo panela. Além disso, a eleição de 2018 oferece claros riscos, o pior dos quais é o da vitória de um aventureiro e/ou voluntarista. A cena pode ser semelhante à de 1989, que elegeu Fernando Collor. Esse candidato não vem para fazer a paz, mas para viver da guerra e do conflito político já instalado entre nós.

BBC Brasil – Poderia citar alguns exemplos?

Lynch – Pode ser um aventureiro voluntarista, como Jair Bolsonaro ou João Dória, ou alguém que está longe de ser um aventureiro político, mas de pavio curto, como Ciro Gomes. Então, não sei se as coisas vão melhorar do ponto de vista do ambiente. Nenhum deles tem as qualidades conciliatórias de um FHC ou um Lula. Então, não vejo sossego em um futuro próximo.

BBC Brasil – Em um futuro não muito distante, como o episódio de quarta-feira deverá será retratado nos livros de História?

Lynch – O incidente só entrará nos livros de História se ele provocar a queda de Temer. Nesse caso, ainda assim, ele será visto como um incidente dentro da “revolução” começada nas chamadas jornadas de 2013 e avolumadas pela operação Lava Jato , que pôs fim à Nova República, isto é, ao regime político instalado entre 1985, consagrado juridicamente em 1988 e consolidado em 1994. Aquilo que o Tancredo, o avô, ajudou a construir, o neto, Aécio, ajudou a destruir. Raro caso de início e fim provocados por uma mesma família.

BBC Brasil – Como o senhor resumiria o dia de quarta-feira em uma só palavra ou frase?

Lynch – Todo poder ao STF. Até a posse do novo presidente por eleições diretas, estamos inteiramente nas mãos do STF. O ideal é que nós tivéssemos um presidente da República razoável, eleito, legítimo e um Congresso, novo, igualmente eleito e legítimo. Era o que gostaria como cidadão. Mas, como cientista político, não acho que isso vai acontecer. Como você vê, separo aquilo que acho que vai acontecer daquilo que eu gostaria que acontecesse. Triste destino para uma hoje triste profissão.

 


‘Preocupado’, Serra ligou a Aécio para tentar derrubar ministro

'Preocupado', Serra ligou a Aécio para tentar derrubar ministro: Osmar Serraglio era o alvo do ex-ministro das Relação Exteriores
© Pedro França/Agência Senado Osmar Serraglio era o alvo do ex-ministro das Relação Exteriores Uma semana após as delações da Odebrecht, José Serra (PSDB-SP) se dizia “preocupado” com as consequências das dezenas de depoimentos de ex-executivos.Por volta das 17h do dia 20 de abril, uma quarta-feira, o senador ligou para seu colega de partido Aécio Neves (PSDB-MG), para desabafar e tentar buscar soluções. Ele queria derrubar o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para colocar outro, mais “forte”, em seu lugar.

Aécio concordou. Sugeriu, porém, que a conversa fosse feita pessoalmente. Àquela altura, Serraglio estava no cargo há pouco mais de um mês -já sofria críticas por ser pouco atuante.

Serra insistiu no assunto e pediu ao colega para convencer o presidente Michel Temer a fazer a mudança. A conversa, que teve 3 minutos e 22 segundos, foi interceptada pela Polícia Federal, como parte das investigações que deram origem à Operação Patmos – deflagrada na última quinta (18).

Para o Ministério Público, Aécio Neves atuou com outros políticos, inclusive ao lado de Temer, para frear o avanço da Lava Jato. O tucano teve o mandato suspenso por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ele não pode deixar o país, nem conversar com outros investigados e réus.A PGR (Procuradoria-Geral da República) chegou a pedir sua prisão, mas a solicitação foi negada pelo ministro Edson Fachin. De acordo com a delação da JBS, o mineiro recebeu cerca de R$ 60 milhões em propina.

Até uma conta de e-mail do senador teve o sigilo quebrado por ordem da Justiça. Aécio Neves pediu licença da presidência do PSDB para “provar sua inocência”.

Confira o diálogo completo:

José Serra – Deixa eu te falar uma coisa, cara. Eu tô preocupado… olhando do ponto de vista macro, né… da política, eu acho que precisa ter um ministro da Justiça forte, viu Aécio.

Aécio Neves – Eu também acho, sempre achei.

José Serra – E… realmente forte. Não precisa ser da área, porque vai ficar da área… vai ficar aquele problema todo. Alguém como o Jungmann daria, entende? Bem assessorado, tal. O fato é que tem que por alguém com força. Não para fazer nada arbitrário, mas para que as coisas tenham um caminho, né? De desenvolvimento, tudo.

Aécio Neves – Vamos falar pessoalmente, tá bom.

José Serra – É. Mas se você tiver oportunidade, sem mencionar que eu te falei, porque eu tinha ficado de falar com ele. Podia mencionar isso para o presidente.

Aécio Neves- Tudo bem, mas não sei se consigo.

José Serra – Inclusive quem etc. Mas o fato é o seguinte, precisa ter ministro forte.

Aécio Neves – Concordo com você.

José Serra – O rapaz é um… o Osmar Serraglio foi um bom deputado, acho mesmo… pode ir para outro ministério, tal, mas as condições iniciais ele não teve

Aécio Neves – Falamos pessoalmente, mas concordo. Falamos pessoalmente, tá bom? Mas tá entendido.

José Serra – Você concorda com a ideia, né?

Aécio Neves – Concordo há muito tempo já.

José Serra – Tá bom.

Aécio Neves – Abração.

José Serra – Ok.

Aécio Neves – Melhoras aí.

Com informações da Folhapress.

Notícias ao Minuto


União Europeia espera finalização da ferrovia Transnordestina para garantir comércio via Suape

O Porto de Suape foi considerado estratégico na ampliação das relações comerciais e na atração de investimentos pela comissão de embaixadores da União Europeia, que visitam Pernambuco nesta semana. Mas, para que o complexo portuário cumpra o papel estratégico, é preciso que a ferrovia Transnordestina seja concluída.

A afirmação é do embaixador do bloco João Gomes Cravinho, que nesta sexta-feira falou com a imprensa em nome do grupo. Segundo Cravinho, o porto pernambucano tem duas vantagens: fica perto do ponto mais próximo da Europa e tem capacidade de expansão, enquanto os outros principais portos brasileiros já “estão cheios”.

Sonora: “Eu acredito que um investimento fundamental que está acontecendo é a ferrovia Transnordestina. Outros investimentos infraestruturantes de Pernambuco também vão ajudar aqui que o porto esteja mais ligado aos centros de produção num momento em que prevemos um aumento do comércio”.

A previsão de aumento do comércio vem da expectativa de acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, uma negociação que já dura vários anos. O embaixador afirmou que o objetivo é concluir as negociações até o fim de 2017. A Transnordestina, que começou a ser construída em 2006, está com as obras paralisadas. Com cerca de 2 mil 300 quilômetros, a ferrovia passa pelo Piauí, Ceará e Pernambuco.

A falta de repasse de recursos federais atrasou as obras. No início do ano o Tribunal de Contas da União determinou a suspensão de verbas federais para a construção da ferrovia.

A comissão europeia também se interessou pela exportação de frutas cultivadas da região irrigada do São Francisco e considerou que os setores industrializantes são atrativos em Pernambuco pela posição central em relação ao resto do Nordeste. Parcerias na área de pesquisa também atraíram o grupo, segundo o embaixador João Cravinho.

Ainda nesta sexta-feira, a comissão da União Europeia jantou com o senador pernambucano Armando Monteiro, ocasião em que os representantes europeus procuraram entender melhor a atual situação política do país, conforme relatou o embaixador João Cravinho. Ele considerou precipitado dar opinião a respeito das denúncias ocorridas nos últimos dias contra o presidente Michel Temer.

A agenda da Comissão de Embaixadores segue na área de turismo vai até domingo (21).

Sumaia Villela, da Agência Brasil


Em comunicado interno para funcionários nos EUA, JBS diz que só cometeu erros no Brasil

Funcionários da JBS no Brasil: Em e-mail encaminhado para funcionários nos EUA, Wesley Batista pede desculpas

© Reuters

Em e-mail encaminhado para funcionários nos EUA, Wesley Batista pede desculpas Wesley Batista, CEO da JBS e um dos delatores da nova fase da Lava Jato, afirmou num e-mail a funcionários nos Estados Unidos que os negócios da empresa no exterior foram construídos sem “lapsos éticos”.

Mas, ponderou Wesley, no Brasil “erros foram cometidos quando se envolveram com o setor público”. “Não nos orgulhamos disso”, afirmou no comunicado interno, escrito em inglês.

O texto foi enviado na tarde de sexta-feira aos “membros do time” nos EUA e tem como assunto “uma importante mensagem de Wesley Batista”. Depois de pedir desculpas sinceras aos funcionários e às famílias, a mensagem informa que o acordo de delação premiada assinado com a Procuradoria Geral da República do Brasil foi validado.

Apesar de assinada por Wesley Batista, a mensagem foi distribuída pelo departamento de comunicação da JBS depois que as delações dos donos e de cinco executivos da empresa colocaram sob suspeita o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e outras dezenas de políticos brasileiros.

Diferentemente do irmão Joesley, Wesley falou à Procuradoria Geral da República apenas sobre um nome: o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa.

Criado pelo patriarca da família há mais de 60 anos, o grupo comandado pelos Batista se tornou a maior empresa processadora de carne do mundo durante as gestões do PT no Planalto. Nos últimos anos, se viu alvo de cinco operações da Polícia Federal, que investigam pagamento milionário de propinas a agentes públicos.

Os donos do grupo decidiram assinar um acordo de delação premiada no qual afirmaram à Procuradoria Geral da República terem gravado o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso na operação Lava Jato.

Temer, que virou investigado da operação, nega ter dado qualquer tipo de aval, afirma que jamais tentou evitar uma possível delação de Cunha e diz que a gravação foi clandestina.

Em pronunciamento neste sábado, o presidente disse que entrará com uma petição no Supremo para suspender o inquérito do qual é alvo “até que seja verificada a autenticidade da gravação”.

Boa vontade

Na delação, Joesley Batista afirmou aos procuradores que como “controlador do maior grupo empresarial privado não-bancário do país”, procurava obter “boa vontade do conjunto da classe política” com a empresa.

Por isso, disse, esforçava-se para atender a maioria de pedidos de dinheiro de políticos e partidos, para obter “facilidade em caso de necessidade ou conveniência” e “evitar antipatia”.

“Reconhecemos esses erros e, mais do que isso, estamos fazendo um compromisso para nunca mais comprometer nossos valores e crenças. Como CEO desta empresa, eu, pessoalmente, me comprometo com cada um de vocês que farei tudo o que estiver ao meu alcance para corrigir e evitar que os erros do passado ocorram novamente”, afirmou Wesley na mensagem enviada aos funcionários.

No e-mail, o empresário anuncia que entre as ações a serem tomadas imediatamente estão fortalecer os protocolos de compliance e governança da JBS por meio de profissionais independentes, para assegurar que as melhores práticas sejam implementadas.

O empresário pediu ainda para que os funcionários fiquem “absolutamente focados” nas responsabilidades do dia a dia. “Para deixar claro, a JBS é uma empresa de alimentos forte e global com 235 mil funcionários em 23 países. Estou confiante de que esses esforços vão resultar numa JBS ainda melhor e mais forte no futuro”.

De acordo com o jornal O Globo, o grupo teria contratado um escritório de advocacia nos EUA para negociar um possível acordo de leniência com o Departamento de Justiça norte-americano.

BBC Brasil